Mostrar mensagens com a etiqueta António Braz Teixeira. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta António Braz Teixeira. Mostrar todas as mensagens

sábado, 24 de julho de 2010

Homenagem a António Quadros (14 de Julho de 2010)

Homenagem a António Quadros (14 de Julho de 2010)

via António Quadros by aquadrosferro@gmail.com (António Quadros Ferro) on 7/23/10

"Para mim, hoje, António Quadros representa, acima de tudo, a saudade de uma grande amizade, de um longo convívio e de uma comunhão de ideais patrióticos e espirituais, de uma luta comum pelo reconhecimento do significado e valor da filosofia e da cultura portuguesas e luso-brasileira, pela actualização de fecunda, embora encoberta, ignorada e esquecida tradição cultural. Na data em que completaria 87 anos, recordo também o homem bom, desinteressado e corajoso, que se entregou, com a razão e o coração, a um ideal espiritual superior e cuja obra é, cada vez mais, reconhecida pela sua rica e múltipla originalidade, aberta compreensão e subtil inteligência hermenêutica."

António Braz Teixeira

"Ler António Quadros foi uma revelação. Conhecer António Quadros tornou-se uma descoberta permanente. Conversar com António Quadros era um encanto superlativo e intemporal. Rememorar António Quadros é deixar-nos invadir pela saudade, mas é também uma oportunidade de o celebrar. António Quadros marcou gerações sucessivas com uma cultura enciclopédica – sobretudo dos clássicos que "tratava por tu" –, com um inefável Amor a Portugal, com uma arguta percepção da peregrinação lusíada pelo mundo, com uma densidade comunicacional simples, mas profunda. Hoje, mais do que em qualquer outra época da nossa contemporaneidade recente, que falta nos faz António Quadros!

Roberto Carneiro

[newsletter nº 13, Julho de 2010, Fundação António Quadros]

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Convergências e Afinidades

Convergências e Afinidades

via António Quadros by aquadrosferro@gmail.com (António Quadros Ferro) on 5/29/10
"Julgo ter sido António Quadros (1923-1993) o primeiro que, em Portugal, chamou a atenção para os profundos e significativos paralelismos entre o pensamento, a cultura e a religiosidade russos e portugueses, de modo mais evidente a partir do Iluminismo.
Tendo visitado Moscovo e Sampetersbugo no final da década de 60 do século passado, o pensador português, no volume de impressões de viagem que então publicou, intitulado Uma Viagem à Rússia (1969), e, de forma mais desenvolvida e aprofundada, num extenso ensaio integrado no livro Ficção e Espírito, editado dois anos depois, não só chamou a atenção para o decisivo e invulgar relevo que, na espiritualidade dos dois povos extremos da Europa, assume o culto da Virgem Maria e do Espírito Santo, como estabeleceu oportuno paralelismo entre o pensamento iluminista que inspirou Pedro, o Grande, na edificação de Sampetersburgo, e o Marquês de Pombal, na reconstrução de Lisboa, e apontou flagrantes semelhanças entre a atitude cultural de Puskine (1799-1837) e a de Garrett (1799-1854) e a inspiração popular da renovação romântica que protagonizaram nas respectivas culturas, as profundas afinidades entre a criação romanesca de Raul Brandão (1867-1930) e as de Gogol e Dostoievski e entre teurgias de Soloviev (1853-1900) e de Sampaio Bruno (1857-1915) e as filosofias criacionistas de Berdiaev (1874-1948) e de Leonardo Coimbra (1883-1936), podendo ainda ter referido a séria consideração que o pensamento paradoxal de Chestov (1866-1938) mereceu de filósofos como Vieira de Almeida (1888-1962), Sant' Anna Dionísio (1902-1991) e José Marinho (1904-1975), bem como a confluência ou anologia entre o paracletismo de Agostinho da Silva (1906-1994) e a doutrina da Sophia de Sergei Bulgakov (1871-1994), pensador cuja filosofia religiosa foi também objecto de compreensiva valorização por parte de Álvaro Ribeiro (1905-1981), tradutor de Soloviev. […]"

António Braz Teixeira
Convergências e afinidades entre o Pensamento Português e o Pensamento Russo (1874-1936)
[Comunicação apresentada à Classe de Letras na sessão de 24 de Abril de 2003]