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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

"Nunca Tive os Olhos Postos em Clientelas Políticas" - António de Oliveira Salazar


«Devo à Providência a graça de ser pobre: sem bens que valham, por muito pouco estou preso à roda da fortuna, nem falta me fizeram nunca lugares rendosos, riquezas, ostentações. Ler mais

sábado, 26 de janeiro de 2013

"Eu não tenho dúvidas de que o mundo se transforma..."

Do livro de José Régio Poesia de Ontem e de Hoje.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

liquidação nacional

liquidação nacional

via portugal contemporâneo by noreply@blogger.com (Pedro Arroja) on 4/21/10
"O movimento de integração europeia que muitos na Europa defendem e, fora dela, outros parecem acalentar, ainda se envolve de alguma obscuridade. Esse vago pensamento começa a revestir, aqui e além, formas jurídicas conhecidas, como a de federação ou confederação.
Não consegui ainda descortinar os motivos que impelem alguns a aceitar, senão a bendizer, esta sorte de liquidação nacional."
(Salazar, 19 de Janeiro de 1956, in António Trabulo (ed.), O Diário de Salazar, Lisboa: Parceria A.M. Pereira, 9ª Edição, pp. 193-94)

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Declarações de Salazar a Franco Nogueira

via ANGOLA DO OUTRO LADO DO TEMPO... de MariaNJardim em 06/08/09
In Franco Nogueira, «Um político confessa-se (Diário 1960-1968)»
«Não há dúvida: os americanos evoluíram alguma coisa, mesmo muito», principia Salazar. «Há ano e meio, há dois anos, julgaram que uma pressão, uma ameaça, um ultimato nos fariam cair, ou pelo menos modificar a nossa política. Bem: já viram que não dava resultado, desistiram. E eles próprios vêem os seus interesses afectados, têm muitos problemas, não sabem como resolvê-los, e estão perplexos. E por isso nos mandam um emissário especial de alta categoria, sem que o tivéssemos solicitado. Muito bem. Mas que nos vem propor? Na conversa consigo e na que teve comigo, reparei que Ball usou repetidamente estas palavras: assegurar a presença, a influência e os interesses de Portugal em África. Ora que significa isto? Que está por detrás disto? Que conteúdo têm estas palavras?
A verdade é que se Angola ou Moçambique são Portugal, este não está nem deixa de estar presente: é, está. Presença, para os americanos, quer dizer outra coisa: a língua, a cultura, alguns costumes que ficassem durante algum tempo até sermos completamente escorraçados. Isto e nada, é o mesmo. E o mesmo se quer dizer com a influência e os interesses. Com isto pretendem os americanos dizer que seriam garantidos os interesses económicos da metrópole, isto é, de algumas empresas ou grandes companhias. Mas tudo isto não vale nada. Que a economia comande a política é particularmente verdadeiro quanto a África. Bem vê: quem tem o dinheiro é que empresta, quem produz é que exporta; e quem tem dinheiro e empresta, e depois não lhe pagam, é levado a emprestar mais e mais; e para garantir esses novos empréstimos é depois levado a intervir, a controlar, a dominar as posições chave. E quem produz é que exporta; mas quando lhe não pagam as exportações, reembolsa-se com a exploração do trabalho e das matérias-primas locais. E ao fazer tudo isto é evidente que expulsa a influência e os interesses económicos de outros mais fracos, que nem podem emprestar tanto, nem exportar tanto. É o neo-colonialismo. Ora, meu caro senhor, nós não poderemos comparar a força económica e financeira da metrópole com a dos Estados Unidos. E o senhor está a ver, não está? Os americanos a oferecerem empréstimos baratos e a longo prazo; os americanos a oferecerem bolsas de estudo para formar médicos, engenheiros, técnicos nos Estados Unidos; os americanos a percorrer os territórios com a propaganda dos seus produtos. Em menos de um ano, de português não havia nada. Não, meu caro senhor, uma vez quebrados os laços políticos, ficam quebrados todos os outros. Mas então, sendo Angola parte de Portugal, não podem os americanos investir e exportar? Podem, decerto, mas têm de negociar com uma soberania responsável e com um governo que sabe exigir, ao passo que se o fizerem com um governo africano, inexperiente e fraco, sai-lhes mais barato. De resto, tudo isto está demonstrado: veja a Argélia, veja o Congo. Mas, para nós, o Ultramar não é economia, e mercado, e matérias-primas, e isso os americanos não o podem entender. Bem: este é um aspecto. Mas que quer dizer Ball com os prazos? É evidente que se os americanos estivessem dispostos a aceitar que Angola seja Portugal, não falavam de prazos. Poderiam querer discutir ou negociar connosco uma qualquer construção política ou jurídica que coubesse nos seus princípios teóricos, e depois apoiar-nos-iam sem reservas. Mas não: querem um prazo. Um prazo, para quê? E que se passa findo esse prazo? E enquanto decorre esse prazo, não acontece nada? Deixamos de existir no mundo, não se fala mais de nós? E os terroristas cessam os seus ataques? Ah!, mas se os americanos podem garantir que os terroristas depõem as armas, então é porque têm autoridade sobre os terroristas, orientam-nos, estão em contacto com eles. E os terroristas depõem as armas sem mais nada? Não exigem condições, não apresentam preço, e os americanos não assumem compromissos? Quais, como, para quando? E que promessas fazem ou fariam à Organização da Unidade Africana? E como justificaria esta o seu silêncio sobre nós e a ausência de ataques contra Portugal? Não, meu caro senhor, os americanos continuam a pensar que com jeito, docemente, conseguem anestesiar-nos e impelir-nos para um plano inclinado. (…) Está claro que se aceitássemos o caminho dos americanos, em troca do Ultramar choveriam aqui os dólares, receberíamos umas tantas centenas de milhões. Ficaríamos para aí todos inundados de dólares e de graça. E sabe? Os que vierem depois de nós ainda haveriam de dizer: afinal era tudo tão fácil, não se percebe mesmo por que é que aqueles tipos não fizeram isto. Mas os dólares iam-se num instante, deixavam umas fábricas e umas pontes, e depois começava a miséria. Duraria o ouro dois ou três anos. Depois era a miséria, a miséria, a dependência do estrangeiro. E em qualquer caso é-nos defeso vender o país.»

quinta-feira, 28 de maio de 2009

83 Anos do 28 de Maio

via FALANGISTA CAMPENSE de Francisco Pereira em 27/05/09

28 de Maio Sempre! Comunismo nunca mais!

terça-feira, 28 de abril de 2009

Debates

via INCONFORMISTA.INFO de harms em 28/04/09
«O senhor não vê a facilidade com que toda a gente discute nos jornais e pelos cafés, sem que, por assim dizer, surja ninguém com colaborações sérias e valiosas que tanto seriam de agradecer? Duma maneira geral, não há, neste País, quem realize. Pensa-se e divaga-se com abundância e facilidade impressionantes, mas, chegados á hora das realizações serenas, das provas reais, poucos são os que resistem à seriedade grave dos problemas que pesam sobre o país».

António Oliveira Salazar
in "Citações", Org. de Fernando de Castro Brandão, 2008.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Não discutimos a pátria

"No terreno político e social, para nós portugueses que somos de hoje e velhos de oito séculos, já não há processo que possa ser revisto, debate que possa ser aberto, pedaço de soberania ou de terra que nos pese e estejamos dispostos a alijar de cansados ou cépticos.
Sem receio colocámos o nacionalismo português na base indestrutível do Estado Novo; primeiro, porque é o mais claro imperativo da nossa História; segundo, porque é inestimável factor de progresso e elevação social; terceiro, porque somos exemplo vivo de como o sentimento pátrio, pela acção exercida em todos os continentes, serviu o interesse da Humanidade. Vocação missionária se tem podido chamar a esta tendência universalista, profundamente humana do povo português, devido à sua espiritualidade e ao seu desinteresse. Em qualquer caso ela não tem ponto de contacto com o suspeito internacionalismo humanitário de hoje, a defender que as fronteiras se abatam para alargar as próprias em prejuízo das alheias - Não discutimos a Pátria. "

A. O. Salazar, Não discutimos a Pátria, Nova Arrancada, 2002.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

(título desconhecido)

via Estado Novo de Abrantes em 13/11/08

PONTE 25 DE ABRIL OU PONTE SALAZAR ?
Leiam e meditem sobre o que o próprio Salazar, na época, pensava sobre o assunto


Já tenho lido algures que existe um número de pessoas a tentar criar uma espécie de petição para que a actual Ponte 25 de Abril volte a chamar-se ponte Salazar.
Não querendo ser "desmancha prazeres", até porque não concordo com a acção nem discordo, apresento aqui o que Salazar pensava sobre o assunto:

O texto é retirado de uma das obras de Franco Nogueira (Expressões de Salazar de Fevereiro a Agosto de 1966)

Na época o estadista disse:

O "essencial, em todo o caso é ter pronta a Ponte".
E o nome?
"Vi num estudo que a Ponte tinha o meu nome. E, isso, não poderá ser, como expliquei ao senhor ministro das Finanças.
Se não há melhor, podemos chamar-lhe Ponte de Lisboa."
A titulo privado, acompanhado por Arantes de Oliveira, Salazar faz uma visita prévia à Ponte. Vê o seu nome escrito em letras de bronze e pergunta: " As letras estão fundidas no bronze ou simplesmente aparafusadas ?". Porque ? " É que se estão fundidas no bloco de bronze vão dar depois muito trabalha a arrancar…"

Afinal, pela própria declaração do Chefe de Estado e nas lápides dos padrões, sempre a Ponte ficou a designada por Ponte Salazar.
"Teimosia do Presidente e do Ministro" , comenta Salazar, "mas é um erro" e explica:
" Acreditem: os nomes de políticos só devem ser dados a monumentos e obras públicas cem ou duzentos anos depois da sua morte. Salvo casos de Chefes de Estado, sobretudo se estes forem reis, porque então se consagra um símbolo da Nação. Mas se se trata de figuras politicas, como é o meu caso, então há que esperar, há que deixar sedimentar, e se ao fim de duzentos anos ainda houver na memória dos homens algum traço do seu nome ou da sua obra, estão até é justo que se lhe preste tal homenagem."
Depois, Salazar aponta o indicador num gesto de quem avisa. "… O meu nome ainda há-de ser retirado da ponte e por causa do que agora se fez, os senhores vão ter problemas". Repete: "os senhores vão ter problemas".

Bem! Isto só de um visionário como foi o Professor Doutor António de Oliveira Salazar.
A simplicidade de um homem na grandeza da obra.
Manuel Abrantes

pimenta na língua

pimenta na língua

via portugal contemporâneo de noreply@blogger.com (Pedro Arroja) em 19/11/08

A censura sempre existiu em Portugal, com excepção de breves períodos que normalmente foram maus para a sociedade portuguesa. Foi o Marquês de Pombal que criou a censura na sua versão moderna e laica, substituindo a Inquisição.

O Estado Novo restaurou a censura depois da desordem cívica e política da I República. Tem-se afirmado que a censura institucional, tal como praticada no regime de Salazar, era dirigida especialmente contra o comunismo. Trata-se apenas de meia verdade. Primeiro, porque a censura estava dirigida a todas as expressões do pensamento político que, na opinião dos governantes, atentassem contra a coesão da sociedade portuguesa, e não exclusivamente contra o comunismo.

Segunda, porque a censura tinha como um dos seus objectivos prioritários, senão mesmo o principal, defender os portugueses contra as agressões praticadas sobre eles pelos próprios portugueses. Salazar tinha vivido o período de "liberdade de expressão" da I República e tinha-se apercebido que, na nossa cultura, a "liberdade de expressão" resultava invariavelmente na opressão da expressão: as pessoas acabavam por se coibir de exprimir em público as suas ideias para evitar os insultos, as calúnias, os boatos e as difamações que são uma marca distintiva e permanente da nossa vida pública sob o regime de "liberdade de expressão". Trata-se de uma versão da chamada Lei de Gresham ("a moeda má expulsa a moeda boa").

Salazar não tinha ilusões a este respeito:

"...Temos agora o aspecto moralizador da censura, a sua intervenção necessária nos ataques pessoais e nos desmandos da linguagem. A nossa Imprensa, que tem melhorado consideravelmente, oferecia-nos, por vezes, nalguns dos seus órgãos, a triste imagem de um saguão: intrigas, insultos, insinuações, pessoalismos, provicianismos, baixa intelectualidade..." (1)

Noutra altura,

"Falando do caso concreto da imprensa portuguesa, acha que o nível desta se não elevou [com a censura] e que não ganhou em correcção e compostura? O que perdeu a essa Imprensa [a da I República]? Os insultos e as baixas expressões? Mas vale a pena verter lágrimas sobre tal prejuízo?". (2)

Na opinião de Salazar - a minha é hoje idêntica - os portugueses tendiam por norma a ser malcriados e soezes uns com os outros em público. A censura visava conter-lhes a má-criação e, em última instância, pôr-lhes pimenta na língua, que é aquilo que ainda hoje muitos portugueses precisam.

(1) António Ferro, Entrevistas a Salazar, Lisboa: Parceria A.M. Pereira, 2007, p. 33.
(2) ibid., p. 159

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Salazar o republicano

Salazar o republicano

via Centenário da República by libnitz@hotmail.com (Rui Monteiro) on 10/1/08


Oliveira Salazar conseguiu alimentar durante muito tempo a lenda dos seus sentimentos monárquicos. O conhecimento que hoje temos dos seusescritos de juventude, a observação cuidada dos acontecimentos políticos da época e o conteúdo da correspondência entre Salazar e Caetano, revelam que o seu alegado "monarquismo" se inseriu num habilidoso jogo político através do qual Salazar conseguiu obter o apoio de alguns monárquicos para sustentar o seu "Estado Novo" [2] .
O seu anti-monarquismo começou a revelar-se dentro do Centro Católico, quando, no seu Congresso de 1922, vinga a tese de Salazar de que o Centro deveria aceitar o regime republicano "sem pensamento reservado". Monárquicos católicos, com destaque, entre outros, para Fernando de Sousa (Nemo), Alberto Pinheiro Torres, Pacheco de Amorim, abandonaram então o Centro Católico.
Ao chegar ao poder, no discurso que proferiu em 9 de Junho de 1928, a solução do "problema político" do regime (Monarquia ou República) surgia ainda em último lugar nas suas prioridades. Uma resolução tomada dois anos depois, porém, revelava a grande distância que ia entre as suas palavras e os seus actos. Após a falhada Monarquia do Norte, em 1919, umas centenas de oficiais do exército foram afastados do serviço ou demitidos, quando dominava a cena política o Partido Democrático de Afonso Costa. Mais tarde, o governo de António Maria da Silva, para amainar os animos já muito exaltados contra a 1ª República, apresentou no Parlamento e no Senado um projecto visando a reintegração no serviço activo daqueles oficiais. O golpe militar de 28 de Maio de 1926 interrompeu o processo, mas, em 1930, o tenente-coronel Adriano Strecht de Vasconcelos apresentou ao presidente Carmona um documento intitulado "A Situação Jurídica dos militares afastados do serviço do Exército em 1919″, pedindo justiça. Oliveira Salazar reagiu impedindo a reintegração daqueles oficiais monárquicos.
Na sequência da morte de D. Manuel II, em 2 de Julho de 1932, a ilusão do "monarquismo" de Salazar caiu por completo quando o seu Governo se apropriou dos bens da Casa de Bragança instituindo a Fundação da Casa de Bragança. A derradeira prova de que Salazar não queria a Monarquia deu-se em 1951 no Congresso da União Nacional, em Coimbra. Em discurso encomendado por Salazar, Marcello Caetano vem a travar naquele congresso as teses da Restauração da Monarquia [3].
Fonte :http://portuga-coruche.blogs.sapo.pt/tag/estado


domingo, 3 de agosto de 2008

leves leituras de verão...

via Spectrum by Spectrum on 8/3/08

"(...) o fascismo e o nacional-socialismo, que divergem do comunismo pelas suas concepções económicas e pelas suas exigências espiritualistas, assemelham-se a ele pelo conceito de estado totalitário. Tanto para um como para outro, o partido é o estado, a cujos fins se encontra subordinada toda a actividade dos cidadãos; os homens existem apenas para a grandeza e glória do estado."

António de Oliveira Salazar, Como se reergue um Estado, 1937

sábado, 5 de julho de 2008

Uma vida ao serviço da Nação

Uma vida ao serviço da Nação

via Legião Patriótica de Legionário em 04/07/08

Como nota prévia à 2.ª edição da minha Antologia de Salazar (1955), escrevi: "Nesta época de superficialidades, incertezas e contradições que o mundo vive, destaca-se singularmente o pensamento de Salazar - vigoroso, firme e profundo, a traçar directrizes seguras em relação aos problemas essenciais da vida e da pessoa humana.
"A ordem cronológica e a diversidade das fontes dos extractos fazem avultar a constância do pensamento de Salazar: igual em 1909 como em 1955, igual nos discursos, como nos artigos de jornal e nas entrevistas - a mesma directriz, sempre a mesma certeza... e até a mesma actualidade!".
E em nota prévia à 3.ª edição (1966): "0 tempo decorrido veio plenamente confirmar a justeza destas palavras - que hoje se revestem ainda de mais acentuada oportunidade.
"Mas o estilo próprio e único de Salazar revela-se igualmente na acção; observe-se, por exemplo, a sua imediata e feliz reforma fiscal de 1929: que simplicidade e concisão de linguagem - e que facilidade de execução, tanto para os serviços como para os contribuintes!
"Outro claro exemplo desse estilo próprio e único, tanto de dizer como de agir, é a sua recente frase, que fez história: "Para Angola, rapidamente e em força!".
"De Salazar se pode dizer: UMA VIDA CONSAGRADA AO SERVIÇO DA NAÇÃ0.

"Para avaliar da grandeza da obra de Salazar é necessário ter presente a dificílima situação do País, em todos os sectores, quando tomou conta dos seus destinos: há 40 anos ninguém teria ousado desejar que se viesse a realizar tanto como o que efectivamente se alcançou - e a maior parte das aspirações durante muitos anos debalde formuladas na imprensa e no parlamento designadamente as da Igreja, antes tão maltratada -, só com Salazar vieram a ser satisfeitas". Ora, ainda hoje se pode dizer isso mesmo de Salazar: trabalhava, a tempo inteiro, pela Nação; sempre calmamente, sem pressas nem enervamentos - e em que tudo, de forma natural, tinha a sua ordem e hierarquia. Era meticuloso, tanto nas coisas grandes como pequenas.

No célebre discurso 0 Meu Depoimento, proferido no Palácio da Bolsa do Porto, em 7 de Janeiro de 1949, começou por dizer assim:

"Devo à Providência a graça de ser pobre: sem bens que valham, por muito pouco estou preso à roda da fortuna, nem falta me fizeram nunca lugares rendosos, riquezas, ostentações. E para ganhar, na modéstia em que me habituei e em que posso viver, o pão de cada dia não tenho de enredar-me na trama dos negócios ou em comprometedoras solidariedades. Sou um homem independente.
"Nunca tive os olhos postos em clientelas políticas nem procurei formar partido em que me apoiasse mas em paga do seu apoio me definisse a orientação e os limites da acção governativa. Nunca lisonjeei os homens ou as massas, diante de quem tantos se curvam no Mundo de hoje, em subserviências que são uma hipocrisia ou uma abjecção.
"Se lhes defendo tenazmente os seus interesses, se me ocupo das reivindicações dos humildes, é pelo mérito próprio e imposição da minha consciência de governante, não por ligações partidárias ou compromissos eleitorais que me estorvem. Sou, tanto quanto se pode ser, um homem livre". E assim continuou o seu discurso...

É fora de dúvida que Salazar sempre levou uma vida modesta - como bem modesta era a sua "moradia" em Santa Comba; a sua alimentação era a de qualquer português da classe média. Quando saía, a sua "segurança" era feita apenas por um carro da PIDE, com um agente e um inspector.

Indiscutivelmente, tinha Salazar um estilo de vida naturalmente simples: não procurava aplausos de multidões; e embora fosse exigente quanto à justiça que julgava ser-lhe devida, não era muito sensível propriamente a elogios que, por vezes, encobriam desejos de benesses.

Mas amigos tive, que não pensavam assim; e foram curiosos nos seus pontos de vista. Um dia, no Rossio, encontrei o Dr. Sá Nogueira, figura imponente, ligado à Oposição, então Presidente da Ordem dos Advogados, e a quem chamavam o "Bengalário da Ordem", por andar sempre de bengala. E falando nós de Salazar, disse-me: "Realmente, ele é excepcional, em cultura e seriedade, esta muito acima disto tudo... Eu só não lhe perdoo... é que ele é um vaidoso, disfarçado de modesto!".

Numa tarde de férias em Lousado, ouvi um amigo que muito bem conhecia Salazar, dizer assim: "Ele gosta da glória de desprezar a glória!".

Bastantes eram as anedotas que corriam sobre Salazar, sobretudo nos primeiros tempos, em que a sua preocupação de poupança tinha impressionado o Povo. Quem não se lembra da campanha Produzir e Poupar?

Eis, pois, algumas dessas anedotas:

Pergunta a Salazar: "Dois e dois, quantos são?".
Resposta: "Sendo para pagar, são 4. Mas para receber, são 22!".
Um contínuo, um dia chegou mais tarde; entrou no gabinete de Salazar (no Ministério das Finanças) e disse que a mulher se tinha sentido mal de noite, e de manhã tinha ido com ela ao hospital; e depois, ao vir para o Ministério, "segui a regra de Vossa ExceIência e vim a correr atrás do eléctrico - e assim poupei os oito tostões do bilhete...".
Salazar: "Está bem; mas para outra vez venha a correr atrás de um taxi: poupa mais... e chega mais cedo".

Na ementa de um restaurante, figurava "Bacalhau à Salazar"; perguntou o cliente como era; resposta: "É parecido com Bacalhau à Gomes de Sá, só que com muito pouco bacalhau".

Nos estabelecimentos de artigos de cozinha, havia um pequeno utensílio, com cabo de madeira e uma pá de borracha, para rapar bem os tachos; era chamado "Salazar".

Também às revistas do Parque Mayer não faltavam alusões ao espírito de poupança de Salazar:

Um grupo folclórico entra no palco, e canta: "Nós vimos de Santa Comba, de Santa Comba / É o grupo do pim-pam-pum, / Da terra onde todos dão... / Mas tirar... só tira um!
Aparece António Silva, como professor da escola de Santa Comba.
Compére: "Então, é o professor de Santa Comba...".
A. Silva: "Sou, sou, e há muitos anos".
Compére: "Então foi professor daquele aluno... o António?".
A. Silva: "Fui, fui, e lembro-me muito bem dele".
Compére: "0Ihe lá: ele dava... dava boas lições?".
A. Silva: "Bem, ele dar... não dava - tirava..., tirava bons apontamentos".

Salientei atrás que, com Salazar, e naturalmente, tudo tinha a sua vez - a sua hierarquia. Ora, curioso é notar que, mesmo depois, quando já muito doente, o pouco de vida que dele restava ainda mantinha essa sua personalidade. Assim:
Poucos meses antes do seu falecimento, minha Mulher telefonou à D. Maria, pedindo ao Senhor Presidente que nos recebesse - e ao casal do Dr. José Manuel da Costa (chefe de gabinete com quem eu tinha servido).
Dias depois a resposta afirmativa veio assim: "Primeiro, às 15 horas, o Dr. José Manuel da Costa e D. Maria Emília; e depois, às 15.30 horas, o Dr. Manuel da Fonseca e D. Maria Delfina".
Para evitar fadiga, a visita era só um de cada vez. Assim, quando entrei, após os cumprimentos, Salazar disparou-me a pergunta: "Então o que vai lá por fora?". Ora como se mantinha a dúvida sobre se Salazar saberia da sua substituição.... fugi à resposta - e disse que continuava o mau tempo e que até ali pela janela se viam as nuvens muito escuras... A resposta desejada não era esta, mas Salazar não insistiu na pergunta...


Como escreveu Marcello Caetano, na Enciclopédia Verbo (rubrica "Estado Novo"): "Após a Primeira Grande Guerra, produziu-se a crise da concepção liberal e individualista do Estado, manifestando-se em muitos países europeus a necessidade de uma nova concepção que permitisse a intervenção do Estado na vida económica, condicionasse o exercício das liberdades individuais afirmando a supremacia do interesse geral e favorecesse a protecção e promoção social das classes trabalhadoras num clima de paz social.
"Os regimes, em geral saídos de revoluções nacionais, que procuraram pôr em prática essa forma autoritária e social de governo, disseram-se defensores do Estado Novo".

Assim, tivemos realmente em Portugal um regime de autoridade, de raiz nacional; porém de forma nenhuma totalitário, ou de cunho "fascista".

Mas um juízo correcto sobre a obra do Estado Novo impõe a sua comparação com as dos regimes, quer anterior quer posterior.

Regime anterior (1910-26).

Como regra, o País estava quase na estaca zero. Por exemplo: o escudo era das moedas mais desacreditadas da Europa; meses houve com os vencimentos dos funcionários pagos com atraso; câmaras municipais, e até casas comerciais, imprimiam "cédulas", que tinham valor local de papel-moeda; os governos eram mais que provisórios e as revoluções mais que frequentes; não havia portos minimamente equipados, nem barcos capazes, quer de pesca ou marinha mercante; em todo o Norte do país, não havia fábrica alguma com técnico engenheiro ou de Economia; praticamente nada de pontes novas, de edifícios escolares, de novos hospitais, de edifícios novos para o Exército e para a Marinha, nem equipamentos - e nem sequer eram reparados os frequentes e grandes buracos das estradas, mesmo principais; pelo menos nas aldeias do Norte, sucessivos grupos de pobres (um dia certo da semana) batiam às portas, a pedir esmola; e a caminho das grandes romarias, mendigos exibiam suas chagas e aleijões, clamando por uma "esmolinha".

Houve, porém, uma nota muito positiva deste regime: os seus políticos responsáveis eram francamente patriotas - e, como assim, defensores do Ultramar: ver Nação Una, de Norton de Matos, com prefácio de Egas Moniz e comentário do Prof. Barbosa de Magalhães; e em 1953, Norton de Matos voltou a publicar África Nossa. E Cunha Leal, Nuno Simões, Ramada Curto, etc.

Nas Forças Armadas: nos últimos anos da Monarquia, muitos dos Heróis de África eram republicanos - e tal como depois na República, muitos eram monárquicos: acima da política, triunfava o patriotismo português. Aliás, a letra do que veio a ser Hino Nacional é eloquente testemunho do patriotismo dessa época - e tal como, depois, no Estado Novo.

Estado Novo (1926-44).

Graças à acção de Salazar, o País entrou em franca recuperação, em todos os sectores. Assim:

1) pronta reabilitação do escudo, que veio a ser das moedas mais valorizadas do mundo, a par do dólar americano e do franco suíço; orçamentos não equilibrados; não mais vencimentos em atraso; substituição e sucessivo aumento de reservas de ouro, que no fim do regime eram perto de 900 toneladas; insignificante dívida pública, externa e interna, sempre limitadas a níveis tidos por convenientes;

2) obras públicas: grande rede de edifícios escolares, a todos os níveis de ensino; aeroportos e remodelação de portos; novos hospitais, e tribunais, e quartéis para o Exército, Marinha e Aviação; remodelação das estradas e construção de pontes; reparação de edifícios e monumentos nacionais, etc. etc., e a Ponte Salazar;

3) grandes barragens, quer de energia eléctrica, quer de irrigação agrícola e abastecimento público; florestação de várias serras, sem árvores; planos de fomento; arranque do desenvolvimento quer industrial, quer do turismo (de início, com as Pousadas; depois, com médios e grandes hóteis), etc. etc.;

4) no campo social: deixou de haver quer grupos de pobres a pedir pelas portas, quer filas de mendigos, em dias de romaria; e início de salários mínimos, horário de trabalho, abono de família e assistência médica e medicamentosa; construção de esplêndidos bairros sociais, com casas adquiridas por encargo mensal compatível com os salários de então; e criação das Casas do Povo e Casas dos Pescadores; e férias na FNAT, a preço acessível aos trabalhadores; e cursos de Formação Profissional Acelerada, etc. etc.;

5) fomento do ensino a todos os níveis - e criação do ensino técnico-profissional, nas escolas comerciais e industriais e agrícolas; grande campanha contra o analfabetismo, em grande parte vindo do regime anterior;

6) celebração da Concordata com a Santa Sé, a pôr termo a injustiças sofridas pela Igreja Católica - e assegurando-Ihe liberdade de culto;

7) a grandiosa Exposição do Mundo Português, em frente ao Mosteiro dos Jerónimos;

8) construção de grandes paquetes: Santa Maria, Vera Cruz e Infante D. Henrique;

9) e, principalmente, o espectacular sucesso no campo da cultura: Artes, Letras e Ciências.
Com efeito: o sentido quer de dignidade, quer de grandeza que o Estado Novo imprimiu à vida nacional, em breves anos fez com que surgisse uma vasta plêiade de grandes valores, tanto na Situação, como na Oposição, com nomes que o povo ainda bem recorda e que agora não têm par. Apenas uma breve resenha: Medicina: Egas Moniz (prémio Nobel, em 1943) e Francisco Gentil (fundador do Instituto Português de Oncologia); Matemática: Bento Caraça, Vicente Gonçalves, Esparteiro, Mira Fernandes; Engenharia: Duarte Pacheco, Edgar Cardoso, etc.; Escultura: Francisco Franco, Leopoldo de Almeida, Barata Feyo, etc.; Arquitectura: Raul Lino, Cotinelli Telmo, Januário Godinho, etc.; Pintura: Vieira da Silva, Almada Negreiros, João Reis, Henrique Medina, Cargaleiro, Carlos Botelho, etc.; Direito: em Coimbra, Alberto dos Reis e Antunes Varela; em Lisboa, Marcello Caetano, Cavaleiro Ferreira, etc.; Advocacia: Bostorf Silva, J. G. Sa' Carneiro, Azeredo Perdigão, etc.; Teatro e cinema: actrizes: Rey Collaço, Maria Mattos, Palmira Bastos e Laura Alves; actores: Vasco Santana, António Silva, Vilarett, Ribeirinho, etc.; Escritores: Júlio Dantas, Aquilino Ribeiro, Vitorino Nemésio, Miguel Torga, Fernando Namora, etc. etc.; Poetas: José' Régio, Correia de Oliveira, Moreira das Neves, etc.; jornalistas: António Ferro, Norberto Lopes, Ferreira da Costa; Historiadores: Alfredo Pimenta, Damião Peres, Jaime Cortesão, António José Saraiva, Franco Nogueira; Realizadores de cinema: Lopes Ribeiro, Leitão de Barros, Artur Duarte, com filmes que ainda hoje se recordam e são vistos com muito agrado na televisão; Música: piano: Viana da Motta, Varela Cid, Maria João Pires; violoncelo: Guilhermina Suggia; maestros e compositores: Freitas Branco, Frederico de Freitas, Tavares Belo, Ruy Coelho, Jolli Braga Santos; canções populares: Alberto Ribeiro; fado: Alfredo Marceneiro, Hermínia Silva, Amália Rodrigues; Cultura popular: renasce o artesanato, em peças de barro e cerâmica, e de ferro forjado e de cobre; e surgem grupos folclóricos, por todo o País, e que de tudo foi grande impulsionador António Ferro.

Depois do 25 de Abril de l974.

Muitos foram os sectores da vida nacional que entraram em decadência. Assim:

1) empobrecimento do País: o escudo passou a queda deslizante (quanto valia e quanto vale, em relação à peseta?); muitas toneladas de ouro foram vendidas ou hipotecadas (quantas?); grande baixa do stock de divisas/dólar (quanto era e quanto é?); brutal aumento da circulação fiduciária (era de 49 milhões de contos; e agora, de quanto é?); a inflação, que era muito baixa, subiu em flecha, tendo ultrapassado muito os 20 por cento/ano; e sobretudo: brutalíssimo aumento da dívida pública, interna e externa (de quanto são? e como vão ser pagas?);

2) grande aumento da corrupção: só no IARN e na Reforma Agrária, os desvios. ultrapassam, em muito, tudo quanto foi "desviado" nos quarenta e oito anos do regime anterior! - e que é feito do antigo Fundo Militar do Ultramar? Dantes, apontavam-se... os que se "governavam" agora, apontam-se os que são sérios;

3) e não é só desonestidade a nível das pessoas: onde está, minimamente, a seriedade de um regime que permite a retirada - ou mesmo destruição - de estátuas e outros símbolos da época em que foram feitos? - e que muda nomes de pontes, de estádios, etc., pondo-Ihes outros, ligados ao regime actual? Assim disse o Cardeal Patriarca de Lisboa, em recente homilia pascal: "Quem não se apercebe da duplicidade de comportamentos, da ambiguidade de atitudes, dos jogos de poder, numa palavra, da desonestidade reinante, por vezes em nome do progresso e da modernidade dos tempos?";

4) obras públicas: sofreram forte declínio; apenas com o actual Governo, de Cavaco Silva, se voltou ao ritmo do Estado Novo (só que, agora, grande parte é com fundos comunitários europeus);

5) e casas de habitação? Em 25 de Abril de 1974, em Lisboa e arredores, havia um défice de 15-20 000 habitações; com a "via socialista", o défice passou a 150-200 000! - e todos os anos se vai agravando! Como é que um casal de trabalhadores pode agora arrendar ou comprar uma casa - como durante o Estado Novo?

6) galopante aumento do custo de vida: já muitos trabalhadores, e muitíssimos reformados, vivem hoje pior que antes do 25 de Abril;

7) e até crise cultural; com flagrante objectividade, o insuspeito e antigo oposicionista Prof. Rodrigues Lapa disse, em entrevista ao vespertino A Tarde, de 25 Agosto 1983: "A crise cultural depende, em boa parte, da crise política que estamos atravessando. 0 País vive um dos períodos mais dramáticos da sua longa história, assinalado pela corrupção do carácter e promoção de falsos valores. Com estes ingredientes nocivos como pode florescer a cultura?"

Porém, o grande e irreversível pecado do actual regime foi a precipitada entrega das nossas Províncias Ultramarinas - e assim, subitamente, reduzindo Portugal a 4 por cento do seu anterior território, com afronta a cinco séculos de história! - Ler 0 Fim Histórico de Portugal, do historiador Doutor Amorim de Carvalho, há pouco falecido. E causaram a miséria e fome a largos milhões que eram então Portugueses: brancos, mestiços e pretos.
Agora, reduzido a 4 por cento, quanto valerá Portugal no contexto europeu? Certamente mais que a Galiza, mas talvez menos que a Catalunha; aliás, em vários domínios (produtos agrícolas, inclusive), já estamos a ser invadidos pelos Espanhóis: oxalá que não venha a colonização cultural.

Em conclusão: do confronto acima evidenciado, resulta que o Estado Novo foi muito melhor que o regime anterior - e muitíssimo melhor que o actual.
E, pois, honroso ter servido o Estado Novo - e até porque Salazar era bem exigente com os seus colaboradores, como sabido é. Felizmente, só poucos dos que então serviram o Estado Novo procuram ocultar essa circunstância (ou por fragilidade de espírito, ou por vontade de conseguir vantagens no actual regime). Aliás, o povo aprecia é que os antigos servidores de Salazar, natural e honradamente, se afirmem como tais e prestem homenagem à sua obra, sem paralelo nos últimos anos de Portugal. Por mim, quando me perguntam se depois do 25 de Abril não mudei pelo menos um pouco..., costumo responder que sim - e até mudei bastante: quando secretário, era 80 por cento salazarista; agora, realmente mudei, mas para 99 por cento.

Por Manuel Batista Dias da Fonseca
Secretário particular (1946-49)