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sábado, 27 de outubro de 2012

Os Ladrões do Poder e os ladrões da penúria – ontem, tal como hoje...

Padre António Vieira
Padre António Vieira - Sermão do Bom Ladrão

"Não são ladrões apenas os que cortam as bolsas. Os ladrões que mais merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e as legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais, pela manha ou pela força, roubam e despojam os povos.

Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos; os outros furtam correndo risco, estes furtam sem temor nem perigo.

Os outros, se furtam, são enforcados; mas estes furtam e enforcam."

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Santo Agostinho
SANTO AGOSTINHO (1991) A CIDADE DE DEUS, Vol I. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian. (Livro IV, Cap IV: p.383)

«Afastada a justiça, que são, na verdade, os reinos senão grandes quadrilhas de ladrões? Que é que são, na verdade, as quadrilhas de ladrões senão pequenos reinos? Estas são bandos de gente que se submete ao comando de um chefe, que se vincula por um pacto social e reparte a presa segundo a lei por ela aceite. Se este mal for engrossando pela afluência de numerosos homens perdidos, a ponto de ocuparem territórios, constituírem sedes, ocuparem cidades e subjugarem povos, arroga-se então abertamente o título de reino, título que lhe confere aos olhos de todos, não a renúncia à cupidez, mas a garantia da impunidade.

Foi o que com finura e verdade respondeu a Alexandre Magno certo pirata que tinha sido aprisionado. De facto, quando o rei perguntou ao homem o que lhe parecia isso de infestar os mares, respondeu ele com franca audácia: " O mesmo que a ti parece isso de infestar todo o mundo; mas a mim, porque o faço com um pequeno navio, chamam-me ladrão; e a ti, porque o fazes com uma grande armada, chamam-te imperador

Fonte: Blogue "Um Homem das Cidades", post de 25Out2012.

sábado, 14 de junho de 2008

Padre António Vieira em dia de Santo António.

Enviado para você por Rui Moio através do Google Reader:

via Um Jardim no Deserto em 13/06/08

SERMÃO DE SANTO ANTÓNIO AOS PEIXES

[...] Diz Deus que comem os homens não só o seu povo, senão declaradamente a sua plebe! Plebem meam, porque a plebe e os plebeus, que são os mais pequenos, os que menos podem e os que menos avultam na república, estes são os comidos. E não só diz que os comem de qualquer modo, senão que os engolem e devoram: Qui devorant. Porque os grandes que têm o mando das cidades e das províncias, não se contenta a sua fome de comer os pequenos um por um, ou poucos a poucos, senão que devoram e engolem os povos inteiros: Qui devorant plebem meam. [...]
(Padre António Vieira, Sermão de Santo António aos Peixes, IV (proferido em 1654 em S. Luís do Maranhão - Brasil)

Leia mais deste extraordinário e actualíssimo texto, neste belo postal do blogue A Imagem da Paisagem.

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