Mostrar mensagens com a etiqueta Diana Andringa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Diana Andringa. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

27 de Janeiro de 1970: Relato de uma prisão atípica

via Caminhos da Memória by Diana Andringa on 1/26/10
O que se segue é a narrativa de uma prisão atípica, a de uma das redactoras deste blogue, há exactamente quarenta anos. Diana Andringa entrava cedo num emprego distante de casa. Quando a PIDE a procurou, já tinha saído. Teve pois tempo de se preparar para a prisão. Foi uma primeira vantagem, mas não a [...]

sábado, 17 de outubro de 2009

Dundo, memória (anti) colonial

via Entre as brumas da memória de Joana Lopes em 17/10/09
(N.B, - Este texto foi escrito pelo meu amigo Jorge Martins que mo enviou para publicação neste blogue. Que fique como incentivo para que não percam o filme de Diana Andringa, que eu só verei na próxima 6ª feira.)Começou o doclisboa 2009. Folheando o programa, encontramos, como de costume, muitos motivos para fazer uma aliciante calendarização de visionamentos até ao dia 25. E, para quem acha

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Da «lumpen-aristocracia» à luta pela independência (5/5)

via Caminhos da Memória de Diana Andringa em 07/09/09
(Primeira, segunda, terceira e quarta parte deste texto.) Entre as repercussões dessa conferência numa sala da Câmara dos Comuns, considera Pinto de Andrade o entendimento, pelos militantes do interior, de um encorajamento à passagem à luta armada: «Dois meses depois, a 4 de Fevereiro de 1961, os militantes do interior, encorajados por essa conferência de Imprensa, [...]

Da «lumpen-aristocracia» à luta pela independência (4/5)

via Caminhos da Memória de Diana Andringa em 06/09/09
(Primeira, segunda e terceira parte deste texto.) Pinto de Andrade troca Paris por Conacry, a primeira base africana: «Para nós, Conacry era uma estância provisória. O que queríamos era aproximar-nos do interior. Com a independência do Congo, começámos a criar novas células. Estávamos em atraso em relação à UPA, que era originária da etnia Bakongo, [...]

sábado, 5 de setembro de 2009

Da «lumpen-aristocracia» à luta pela independência (3/5)

via Caminhos da Memória de Diana Andringa em 03/09/09
(Primeira e segunda parte deste texto.) Em 1954, Mário Pinto de Andrade parte para Paris: «Sentia-me perseguido, como toda a gente, pela PIDE. E pressenti que, não estando ligado propriamente às actividades políticas portuguesas, seria para mim um corte na minha própria formação continuar em Lisboa. Depois, já tinha ligações com o Alioune Diop, com a Présence [...]

Da «lumpen-aristocracia» à luta pela independência (2/5)

via Caminhos da Memória de Diana Andringa em 02/09/09
(A primeira parte deste texto pode ser lida aqui.) Na viagem para Lisboa, Mário tem a companhia do irmão Joaquim e do futuro cardeal Alexandre Nascimento. A saída das Ingobotas – «mais precisamente do Quilómetro 5» – para um jovem que apenas fizera algumas curtas viagens em Angola, foi «uma separação penosa, difícil, um primeiro desenraizamento»: [...]

sábado, 15 de agosto de 2009

«Que cada um de vós se sinta responsabilizado»

via Caminhos da Memória de Diana Andringa em 27/07/09
Extractos de um apelo ao povo português, lido aos microfones de «A Voz da Liberdade», em 21/10/70, por Castro Lobo, representante oficial em Argel do MPLA. N.B. – Trata-se do julgamento de Joaquim Pinto de Andrade e mais nove elementos acusados de pertencerem ao MPLA: Álvaro Sequeira Santos (Zefus), António Ferreira Neto, António Garcia Neto, Diana [...]

sexta-feira, 27 de março de 2009

O Pais pouco original do Medo

via Caminhos da Memória de Diana Andringa em 26/03/09
Durante as dezenas de anos do Estado Novo, muitos portugueses olharam cuidadosamente em redor, na rua, no café ou na tasca, antes de exprimir a sua opinião sobre qualquer assunto tido por «político». Temiam os «bufos», que informavam a polícia política do que ouviam, e os resultados da denúncia: perseguição, desemprego, prisão. O medo insinuava-se nas [...]

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Julieta Gandra

Julieta Gandra

via Caminhos da Memória de Diana Andringa em 12/11/08
Maria Julieta Guimarães Gandra nasceu a 16 de Setembro de 1917 em Oliveira de Azeméis e formou-se em Medicina, em Lisboa. Aí conheceu Ernesto Cochat Osório, natural de Angola, com quem veio a casar e a ter um filho. Em meados dos anos 40, o casal parte para Angola. Em Luanda, Julieta Gandra depressa se torna [...]

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Os olhos, em ditadura

Enviado para você por Rui Moio através do Google Reader:

via Caminhos da Memória de Diana Andringa em 14/06/08

Fizeram bem em escolher aquela fotografia para os cartazes. A da menina que se entre esconde, laço no cabelo, dois ou três dedos na boca, a olhar para o lado esquerdo. Fizeram bem, porque os olhos são, talvez, o que mais marca neste filme, Cartas a uma Ditadura.

Entendam-me: não pretendo, nesta frase, menorizar o documentário de Inês de Medeiros. Pelo contrário: entendo sublinhar a força de algumas das imagens de arquivo que escolheu. Imagens que mais facilmente nos voltam à memória, quando - ao contrário do que então sonhávamos - a Democracia não resolveu, até agora, o problema da pobreza: a oferta de géneros a quem deles precisa, o peixe, em vez da cana de pescar.

Chamávos-lhe, então, «a caridadezinha». José Barata Moura escreveu mesmo, sobre ela, uma canção. Lembram-se? «Vamos todos brincar à caridadezinha, festa, canasta e boa comidinha». Também ele provavelmente acreditava que bastava derrubar o regime para acabar com a humilhação da esmola.

A humilhação da esmola. A de quem recebe, por certo: é isso que mostram os olhos, duros, sem um soriso, daquela mulher a quem oferecem - nas imagens de arquivo do documentário de Inês de Medeiros - enxoval para o filho recém-nascido. É uma imagem longa - como se a pessoa que filmava, constrangida, sentisse a necessidade de aguardar que a mulher finalmente sorrisse. E ela finalmente sorri, mas sem que os olhos mudem. Recebe a esmola - e devolve-nos o desconforto. A humilhação de quem recebe, mas também a humilhação de quem dá: como a senti quando, no Ramalhão, o Natal significava uma visita à «nossa» pobre, com roupinhas para a criança que esse ano tivera, porque as gravidezes se seguiam umas às outras, para alegria do país católico e conservador e das senhoras esmoleres, mães de muito menos filhos.

Os olhos. Os olhos dessa mulher no filme. Os olhos das crianças que, também elas, recebem roupas e brinquedos e guloseimas e não sorriem. Os olhos duros. Os olhos no chão. Acodem-me à memória versos de Manuel Alegre: «Pergunto à gente que passa/ por que vai de olhos no chão. / Silêncio — é tudo o que tem/ quem vive na servidão».

Era esse o país que tínhamos. O que queríamos mudar. As senhoras que falam no filme, as que escreveram a Salazar, as que ainda hoje - não são todas - não distinguem «ditadura» de «democracia» já não me iritam, magoam-me. Porque fazem parte de nós, porque aquele país está dentro de nós, os que vivemos nele, ainda que contra ele. Ainda nos sustém o riso e a alegria. Ainda nos perturba.

Ao meu lado, uma jovem ri - e tem razão. Nascida em democracia, o Estado Novo parece-lhe, sobretudo, ridículo. Não tem, como os que o viveram, o peso desses anos a endurecer-lhes os olhos, a retraír-lhes o riso.

E fico grata aos cineastas que, crianças ainda no 25 de Abril, têm vindo a preservar a memória do que vivemos: Teresa Vilaverde e «Idade Maior», Serge Tréfaut e «Um Outro País», Maria de Medeiros e «Capitães de Abril», Inês de Medeiros e estas «Cartas a uma Ditadura», entre outros. Que recusam a amnésia.

Coisas que você pode fazer a partir daqui: