sexta-feira, 6 de junho de 2008

Viagens de Pêro da Covilhã (V)

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via Carreira da Índia de Leonel Vicente em 30/05/08

Deixando outras notícias de viajantes, que nos levariam muito longe, devemos, no entanto, examinar um pouco mais longamente a que nos dá Marco Polo. O livro deste célebre veneziano foi muito lido, antes e depois de impresso. Durante séculos constituiu umas das principais ou a principal autoridade em coisas da Ásia. Em Portugal foi lido e estudado já no tempo do infante D. Henrique; foi vertido em português e impresso logo depois de 1500; e ainda anos mais tarde os nossos eruditos, como Damião de Góis e João de Barros, citavam correntemente o que ele havia dito do Preste João. A versão de Marco Polo interessa-nos, por tanto, pela sua essência, e ainda mais pela autoridade de que gozou, porque representa a opinião recebida e clássica durante muito tempo. Marco Polo conta detidamente – escrevia em 1298 pouco mais ou menos – a história daquele grande senhor, de cujo poder todos falavam na Europa, história passada menos de um século antes. Conta como o Preste João se indispôs com os tártaros, que antes eram seus tributários; como um novo, e ainda relativamente obscuro, chefe dos tártaros lhe mandou pedir uma filha em casamento; como o Preste, indignado com aquela audácia de um antigo súbdito e servo seu, tratou desabridamente os enviados: como aquele obscuro chefe dos tártaros, que era nem mais nem menos do que Chenghiz-Khan, se ressentiu e marchou contra ele, desbaratando-o e matando-o numa batalha campal nas planícies de Tenduc. […]

"Viagens de Pêro da Covilhã", Conde Ficalho, ed. Viagens Alma Azul, Outubro 2004

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quinta-feira, 5 de junho de 2008

Viagens de Pêro da Covilhã (VI)

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via Carreira da Índia de Leonel Vicente em 02/06/08

Não estava, porém, na natureza das coisas, que se desfizesse tão prontamente uma lenda, da qual se pode bem dizer, que renascia das suas cinzas. Não cabendo já na Tartária, restava-lhe a Índia; e ali se alojava tanto mais à vontade, quanto este nome era então extremamente vago. Havia várias Índias: uma Índia menor, aquém do Indo; uma Índia maior, entre o Indo e o Ganges; uma Índia terceira, além do Ganges. Esta era uma das divisões mais usadas; mas variava muito, e a nomenclatura ainda mais. Alguns escritores abrangiam mesmo sob o nome de Índia uma parte maior ou menor da África Oriental. Nestas Índias se colocou muito tempo o Preste João, vagamente em qualquer uma delas com maior persistência na Índia terceira, além do Ganges, a mais vasta, a mais remota, a menos conhecida. […]

E agora, antes de passarmos à face africana da questão, podemos resumir brevemente as principais feições da chamada lenda. No ano de 1145, isto é em plena efervescência do espírito das Cruzadas, um bispo asiático traz a Roma a notícia da existência no extremo Oriente de um príncipe cristão, rico e poderoso. […] Em volta da notícia formou-se de certo mais tarde, e é natural que se formasse, uma lenda popular, na qual entrariam como materiais, a memória do antigo Presbyteros Johannes de Efeso, a longevidade sobrenatural atribuída a S. João Evangelista, a esperança do reino de Deus na terra, e outros elementos místicos desta espécie de criações. […]

"Viagens de Pêro da Covilhã", Conde Ficalho, ed. Viagens Alma Azul, Outubro 2004

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Viagens de Pêro da Covilhã (VII)

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via Carreira da Índia de Leonel Vicente em 03/06/08

Já nos fins do século XV, o príncipe, que despacha Pêro da Covilhã em sua procura, é D. João II, a quem ninguém pode negar uma vista larga e perspicaz, uma deliberação fria, e intentos eminentemente práticos. O que seduzia estes homens não era por certo o vago sabor poético da lenda, era a importância da realidade possível. Sobre todos eles – especialmente sobre os dos antigos tempos, que a D. João II, moviam já outras razões – sobre todos eles pesavam duras preocupações religiosas e políticas, nascidas da apertada situação da Europa, do isolamento da cristandade ocidental, do poder crescente do Islamismo, da desesperada situação dos principados cristãos da Palestina e da Síria, cuja conservação se julgava necessária, não só à dignidade do cristianismo, como à segurança na Europa. O mito do Preste João é, pois, singular; não vive dos elementos poeticamente vagos, que habitualmente sustentam os mitos, mas das considerações políticas e diplomáticas, que habitualmente os destroem. Forma-se em volta dele uma lenda, uma destas criações da Esperança e da Fé, que resistem a todas as desilusões, porque ele seria um aliado salvador, se fosse real. […]

"Viagens de Pêro da Covilhã", Conde Ficalho, ed. Viagens Alma Azul, Outubro 2004

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Viagens de Pêro da Covilhã (VIII)

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via Carreira da Índia de Leonel Vicente em 04/06/08

Tem-se dito geralmente, que a responsabilidade da transferência do Preste João da Ásia para a África pertence aos portugueses, e em primeiro lugar a Pêro da Covilhã. Alguns eruditos não lhe levaram mesmo muito a bem a sua intervenção; e Ludolf, por exemplo, adverte com dureza, que ele se enganou, julgando encontrar na África o que devia procurar na Ásia, porque era ignorante e rude em história e geografia. É necessário distinguir. Se se trata de quem fixou definitivamente no consenso geral, no que hoje chamaríamos a opinião pública, a identidade do Preste João com o Negus da Abissínia, a responsabilidade pertence sem dúvida aos portugueses, e primeiramente a Pêro da Covilhã, e essa responsabilidade não é grave, visto como o antigo Preste asiático se esvaira em fumo. Se se trata, porém, da ideia em si, o caso, muda de figura, porque a ideia é muito mais antiga. […] A situação geográfica do Preste João permanecia, pois, extremamente vaga, e unicamente podemos afirmar que muitos pensaram já em o colocar nas terras da África, antes da viagem de Pêro da Covilhã. É certo, no entanto, que estas notícias do começo do século XV, sobretudo as que alargavam os domínios do Preste João para ocidente até às praias africanas do Atlântico, é certo, digo, que estas notícias deviam exercer uma grande influência no ânimo dos portugueses, que justamente iam entrar em cena.

"Viagens de Pêro da Covilhã", Conde Ficalho, ed. Viagens Alma Azul, Outubro 2004

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Viagens de Pêro da Covilhã (IX)

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via Carreira da Índia de Leonel Vicente em 05/06/08

De feito, por aqueles princípios do século XV, Portugal começa francamente a ter uma história exterior. Até então, a sua actividade fora principalmente interna: e não admira que assim sucedesse. Ganhar aos mouros as terras do sul, de Soure e Leiria, por Santarém e Lisboa, ao Litoral do Algarve; defender dos exércitos de Leão as terras do norte, delimitando as mal definidas fronteiras, vila a vila e castelo a castelo; sobretudo, ligar em um todo que constituísse uma nação, os retalhos de diversa natureza e diversa procedência, desde as férteis e húmidas veigas do Minho, dote de D. Teresa, até às hortas e figueiras de Silves, ultimamente tomado aos árabes; tudo isto constituiu a obra da primeira dinastia – e não foi pequena. Mas, no princípio do século XV a nação estava formada, a coroa firmemente segura na cabeça do mestre de Aviz, os horizontes desanuviados para os lados de Castela, pelo menos por algum tempo, e Portugal podia entrar numa nova fase da sua história.

"Viagens de Pêro da Covilhã", Conde Ficalho, ed. Viagens Alma Azul, Outubro 2004

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quarta-feira, 4 de junho de 2008

Revolta contra a Guerra Moderna

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via INCONFORMISTA.INFO de Miguel Vaz em 04/06/08
"Depois de chegados à superprodução e à condição de nações que, demográfica ou industrialmente, «não têm espaço», impõe-se uma saída e, onde a «guerra indirecta» e as acções diplomáticas não forem suficientes, passa-se às acções militares, que têm, aos nossos olhos, um significado extremamente mais baixo que o que podem ter tido as invasões bárbaras. Este género de subversão tem atingido, no decorrer dos últimos tempos, proporções mundiais, sob a cobertura da retórica mais hipócrita. Têm sido mobilizadas as grandes ideias da «humanidade», da «democracia» e da «liberdade dos povos», enquanto por um lado - no plano exterior - (…) se fez descer o ideal heróico ao nível policial, porque as novas «cruzadas» não souberam encontrar uma bandeira melhor que a de uma «acção contra o agressor»; e, do lado interior, para além das fumaças desta retórica, a única força determinante tem sido a vontade de poder brutal e cínico de obscuras forças capitalistas e colectivistas internacionais.
Ao mesmo tempo, a «ciência» conduziu a uma extrema mecanização e «tecnicização» da aventura guerreira, pelo que hoje em dia não é tanto o homem que combate contra o outro homem, mas sim é a máquina que combate contra o homem, sendo em caso limite utilizados - com a guerra aérea «total» indiscriminada, com as armas atómicas e as armas químicas - sistemas racionais de extremínio em massa, obscuros e inexoráveis, sistemas que anteriormente só podiam ser concebidos para aniquilar micróbios ou insectos. Que milhões e milhões de homens, arrancados maciçamente a ocupações e vocações completamente estranhas às do guerreiro, tenham sido feitos literalmente, como se diz na gíria técnica militar, «material humano», e morram em aventuras semelhantes - isto sim, é que é uma coisa santa e digna do nível actualmente atingido pelos «progressos da civilização». O que julgar de acordo com os valores da «outra margem» não chegará na maior parte dos casos, a ver muito mais, no sangue que corre pelos campos, que o adubo de que a terra precisa."

Julius Evola
in "Revolta Contra o Mundo Moderno", Publicações Dom Quixote (1989)

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segunda-feira, 2 de junho de 2008

Palavras para quê?!

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via nonas de nonas em 01/06/08

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quarta-feira, 28 de maio de 2008

Nós, o 28 de Maio e a Revolução Nacional, por Rodrigo Emílio

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via nonas de nonas em 27/05/08
NÓS, O 28 DE MAIO E A REVOLUÇÃO NACIONAL

Há pessoas que não sabem falar - e que não sabem sequer viver - senão no plural; outras há que só no singular sabem viver, que só no singular sabem falar.
Pertencendo embora ao número das segundas, de bom grado aqui renuncio, por agora, à primeira pessoa do singular, trocando-a desta vez pela primeira do plural, - já que, tratando-se de ponderar sobre o que foi a Revolução do 28 de Maio (e até sobre o que ela não chegou a ser...), 60 anos depois da sua eclosão, um direito e um dever me assistem: os de por aqui falar em nome de uma geração que foi a última a servir activamente o Estado Novo em vida deste, e uma das poucas que por ele se bateram depois disso - pelas armas, pelas artes, e por pensamentos, palavras e obras.
A geração decimal de 60 - pois que é dessa mesmo que se trata - serviu, de facto, a Revolução Nacional, defendendo-a, primeiro, da subversão universitária e da subversão cultural; defendendo-a, em seguida, da subversão catolaica e pseudo-cultural e da subversão armada; e, por fim, defendendo o regime do próprio regime, já na agonia do mesmo, isto é: quando a Comissão Liquidatária do Estado Novo - e que viria a ser a Comissão Instaladora do flagelo de Abril - já a seu bel-prazer operava, no alto do poder e nas suas alfurjas, por tudo quanto era sítio, através de grande parte do pessoal menor da «marcelice» e de boa parte do seu pessoal maiorzinho...
(Portugal, por essa época, ainda era da família, mas já dele se não falava senão em voz baixa. As pessoas tinham por ele essa deferência desprezível que nos merece um parente de idade, por cuja herança se esperou tempo demais. Contáva-se tostão a tostão, o que ele poderia deixar, da honra ao resto. Um dia, vem a saber-se que ele tudo delapidara já e que à sua ruína não faltava nada, nada - nem mesmo a vergonha. A Pátria desonrava as guerras que tratava sem ter a hombridade de as fazer até ao fim e já então mendigava em Washington os seus fins de mês. A desonra, como uma grande palavra desajeitada, introduzia-nos, bombásticamente, na vida pública).
Depois... Bom: depois continuámos, ainda e sempre, e na mesma, a defender a memória e bom nome do regime, não já na medida do possível, mas sim na medida do impossível, quando a traição - traição militar, traição diplomática e também política - aos territórios de além-mar-em-África-e-na-Oceania se consumou aquém-do-mar e quando aqui no que era, até então, o cais do império português na Europa - se destravaram contra nós ventos e marés de desatada perseguição, que nos encaminharam, a uns para a prisão; a outros para o exílio e para a clandestinidade; e a outros, ainda, para simples formas de resistência passiva, para formas altivas de intransigência interior.
E, uma vez depois de reagrupados, ainda forças nos soçobraram para montarmos guarda nas colunas corajosas de um semanário de combate suicida - como A RUA -, de lá descendo, de quando em vez, ao meio da rua, em ordem a tirar o medo ao país, que então tiritava, valentemente, de norte a sul.
Foi, de resto, aí - n`«o único jornal da direita que não era» (ou que talvez fosse...) «do centro» -, que desafiadoramente se comemorou, pela primeira vez depois de Abril, o 28 de Maio (promovido, entretanto, a valor proibido) e que se rendeu homenagem àquele, com quem nós, portugueses, «subimos esforçadamente a encosta duma nova restauração», - para, do alto dela, afinal, nos desempenharmos de novo (e até certo ponto, de vez): SALAZAR.
Só à simples menção do seu nome, um vivo frémito de emoção nos assalta, pois que, graças a ele - e sobretudo a ele! - é que nós já hoje nos podemos gabar - «com toda a honra, com todo o orgulho e sem nenhum proveito» - de ter pertencido à era do combate e não à do debate; à idade do duelo e não à do diálogo; à geração da guerra e não à do cessar-fogo.
(Por esta última, nutrimos, aliás um desdém desmedido, um aristocrático desprezo, uma indiferença senhorial, que já não nos damos ao cuidado sequer de disfarçar).
Desgraçadamente, quis o acaso que não nos seja concedido comemorar este Sexagésimo Aniversário do advento do Estado Novo dentro das coordenadas circunstanciais a que o mesmo faz jus. Justo seria, com efeito, que tão memorável efeméride, a pudéssemos nós assinalar dentro de parâmetros históricos diametralmente opostos aos da hora presente. De facto, a única situação consentânea com um quadro evocativo da acção, altamente empreendedora, que o antigo regime protagonizou em mais de quatro décadas nobilitantes, seria o esplendor - e nunca o fim: o fim histórico - de Portugal. Mas o que se há-de fazer?...
Esta terra, pelos vistos, antes que perder-se com gente sabida, do que salvar-se com base em provas dadas por gente sabedora?!...
De modo que chegámos ao que chegámos e aqui estamos no lindo estado de indigência em que nos achamos.
Já agora são menos do que poucos os que não consentem, sem protesto, que quase todos os dias rematados traidores recuperem a pele de honrados cidadãos. Por nós (e digamo-lo, já de caminho) nunca para esses olhamos - que não tenhamos a sensação de estar a sujar a vista; e basta pronunciar-lhes o nome - para termos logo a sensação de estar a sujar a voz; e se calha de lhes ouvirmos a voz - lá temos nós a sensação de estarmos a sujar os tímpanos.
... E assim por diante.
É natural. Somos gente dotada de sentidos bastante apurados e realmente exigentes.
Daí que tudo aquilo que por cá nos servem não nos sirva.
Estávamos nós habituados a «viver habitualmente» - e estávamos, afinal, muito mal habituados, a verdade é essa. E nisso, vão direitinhas para o Estado Novo (honra lhe seja!) todas as culpas e mais algumas. Quer pela alta qualidade, quer ainda pela infinidade dos serviços que à Nação prestou - e esses, sim: de utilidade pública -, ao largo de um período histórico de longo curso, o antigo regime teve o condão de nos dotar de muito má boca... Pena foi que o mesmo regime não se tivesse sabido dotar de orgãos de duração, efectivos e eficazes.
Resultado: a sequência foi desagradável. De um dia para o outro, nós não éramos mais o Cristo das nações, mas um povo ocupado, que choramingava baba e ranho sobre os seus infortúnios. É sempre aborrecido, muito penalizador, imensamente humilhante, termo-nos considerado o umbigo do mundo e ver, às tantas, que não somos senão as suas glândulas lacrimais.
Em 1974, quando foi a vez de russos e americanos se substituírem aos portugueses na «libertação» - digo: na presúria - do solo lusíada, a atmosfera que se criou foi imediatamente a de um exame. O corpo docente do reviralho e todos os seus sociais oportunistas (que já, à data, eram mais do que as mães) pegaram e meteram o país numa sala de aulas. Foi então que cada qual se viu obrigado a recitar, de cor e salteado, a sua liçãozinha de terrorismo. Finda a guerra (e bem mal e porcamente findou ela!...), uma grande aragem de boa vontade percorreu de lés-a-lés o território. Nunca nós nos injuriámos tão alegremente uns aos outros; e jamais nos amámos tanto entre nós, como nessas horas.
A burguesia adorava os terroristas, com uma sensível predilecção pelos terroristas mortos. Os comunistas, esses, andavam perdidinhos de amor pelo exército, em particular, e pelas forças armadas em geral; aliás, eram quase todos Capitães, Majores, Coronéis.
Escusado será dizer que essas jornadas memoráveis forneceram um contingente de dissabores bastante apreciável. No meio disso, éra-nos recordado, a cada passo, que lutávamos pelo Direito - palavra portadora de maiúscula aos domingos e feriados. Mais. Éra-nos constantemente repetido que as chacinas são óptimas para a saúde, que ajudam imenso a activar a circulação do sangue dentro de um país e que aos assassinos, e aos peritos em falsos testemunhos que porventura sobrevivessem (e todos se encontram aí de boa saúde...), estava de antemão reservada uma situação de futuro garantido.
Quanto ao sistema político entretanto implantado, apresenta vantagens bastante consideráveis, uma vez que põe os bárbaros num lado, os neutros noutro e Portugal em parte nenhuma.
Continuando. Dizíamos nós que o regime saído da Revolução de Maio não soube criar orgãos de duração. De facto, não. E o mal foi esse. Nem tudo, porém estará perdido se redutos aguerridos como o MAN tomarem para si esse papel e se dispuserem a reanimar, «rápidamente e em força», a ordem nacional revolucionária, incursa no espírito inicial do regime, e ao depois postergada...
Por outras palavras: nada, ou nem tudo, estará irreparávelmente comprometido se todos aqueles que integram o nosso movimento se empenharem, a fundo, na produção de futuro para o destino da Revolução Nacional. - Como?
- Primeiro que tudo, subtraindo a sobredita Revolução à situação de orfandade em que a deixou o desaparecimento do seu chefe. E, depois, refazendo, de alto a baixo, aquilo que de menos imperfeito começou a ser feito à 60 anos - e a ser desfeito à 12.
Nós é certo que pouco pudemos contra o 25 de Abril; mas o 25 de Abril também nada pôde nem poderá contra nós.
Enganaram-se os que dizem, pois, que a Revolução Nacional dorme em paz.
Não dorme tal. Não. Ainda mexe. Mais: prepara-se para palpitar de novo, e de vez, no ânimo, no corpo e no espírito da generalidade da gente moça.
Quer isto dizer que a Revolução Nacional não fica assim: não vai ficar onde a deixaram os que não souberam fazer até ao fim nem perecer.
O espírito de ingratidão não pode prevalecer sobre o espírito de fidelidade.
Logo, a Revolução Nacional não acabou. A Revolução Nacional continua. Vai continuar. Melhor dizendo: vai começar. Dentro de momentos...
E poderá ser que, graças a Ela, o coração exausto deste velho país recomece, enfim, a bater como dantes.
Rodrigo Emílio.

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