sexta-feira, 6 de junho de 2008

Viagens de Pêro da Covilhã (IV)

Enviado para você por Rui Moio através do Google Reader:

via Carreira da Índia de Leonel Vicente em 29/05/08

A carta é evidentemente falsa, e sem dúvida teria sido forjada na Europa; talvez simples impostura de algum aventureiro literário, que daí quisesse tirar proveito, talvez uma pia fraude dos que assim pretendiam fortalecer a coragem dos cristãos, confirmando a existência de um natural e poderoso aliado. É certo, no entanto, que a carta foi naqueles tempos geralmente considerada verdadeira; e a lenda, assim ampliada, foi passando de simples e mal fundado boato, a realidade quase segura e provada. Tanto, que alguns anos depois, no de 1177, o mesmo papa Alexandre III, embora ignorasse onde realmente se poderia encontrar aquele misterioso personagem, parece ter-lhe enviado, ou procurado enviar-lhe, uma carta assim dirigida: Charissimo in Christo filio, illustri et magnifico indorum regi, sacerdotum sanctissimo. […]

A lenda devia, porém, ter um fundo real, que é necessário procurar. E em primeiro lugar podemos estabelecer, que o Preste João dos primeiros tempos, do séc. XII, XIII e em parte ainda do século XIV, se colocava geralmente na Ásia. E digo geralmente, porque não é lícito afirmar, que ninguém então pensasse na África, e nomeadamente na Etiópia. Algumas opiniões valiosas, posto que bastante isoladas, julgam a carta de Alexandre III dirigida já ao rei da Abissínia. Mas, mesmo que a carta seja autêntica e fosse dirigida ao rei abexim – e nenhuma das coisas está provada – fica de pé o que dissemos, isto é, que a opinião geral se voltava para a Ásia. […]

"Viagens de Pêro da Covilhã", Conde Ficalho, ed. Viagens Alma Azul, Outubro 2004

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Viagens de Pêro da Covilhã (V)

Enviado para você por Rui Moio através do Google Reader:

via Carreira da Índia de Leonel Vicente em 30/05/08

Deixando outras notícias de viajantes, que nos levariam muito longe, devemos, no entanto, examinar um pouco mais longamente a que nos dá Marco Polo. O livro deste célebre veneziano foi muito lido, antes e depois de impresso. Durante séculos constituiu umas das principais ou a principal autoridade em coisas da Ásia. Em Portugal foi lido e estudado já no tempo do infante D. Henrique; foi vertido em português e impresso logo depois de 1500; e ainda anos mais tarde os nossos eruditos, como Damião de Góis e João de Barros, citavam correntemente o que ele havia dito do Preste João. A versão de Marco Polo interessa-nos, por tanto, pela sua essência, e ainda mais pela autoridade de que gozou, porque representa a opinião recebida e clássica durante muito tempo. Marco Polo conta detidamente – escrevia em 1298 pouco mais ou menos – a história daquele grande senhor, de cujo poder todos falavam na Europa, história passada menos de um século antes. Conta como o Preste João se indispôs com os tártaros, que antes eram seus tributários; como um novo, e ainda relativamente obscuro, chefe dos tártaros lhe mandou pedir uma filha em casamento; como o Preste, indignado com aquela audácia de um antigo súbdito e servo seu, tratou desabridamente os enviados: como aquele obscuro chefe dos tártaros, que era nem mais nem menos do que Chenghiz-Khan, se ressentiu e marchou contra ele, desbaratando-o e matando-o numa batalha campal nas planícies de Tenduc. […]

"Viagens de Pêro da Covilhã", Conde Ficalho, ed. Viagens Alma Azul, Outubro 2004

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quinta-feira, 5 de junho de 2008

Viagens de Pêro da Covilhã (VI)

Enviado para você por Rui Moio através do Google Reader:

via Carreira da Índia de Leonel Vicente em 02/06/08

Não estava, porém, na natureza das coisas, que se desfizesse tão prontamente uma lenda, da qual se pode bem dizer, que renascia das suas cinzas. Não cabendo já na Tartária, restava-lhe a Índia; e ali se alojava tanto mais à vontade, quanto este nome era então extremamente vago. Havia várias Índias: uma Índia menor, aquém do Indo; uma Índia maior, entre o Indo e o Ganges; uma Índia terceira, além do Ganges. Esta era uma das divisões mais usadas; mas variava muito, e a nomenclatura ainda mais. Alguns escritores abrangiam mesmo sob o nome de Índia uma parte maior ou menor da África Oriental. Nestas Índias se colocou muito tempo o Preste João, vagamente em qualquer uma delas com maior persistência na Índia terceira, além do Ganges, a mais vasta, a mais remota, a menos conhecida. […]

E agora, antes de passarmos à face africana da questão, podemos resumir brevemente as principais feições da chamada lenda. No ano de 1145, isto é em plena efervescência do espírito das Cruzadas, um bispo asiático traz a Roma a notícia da existência no extremo Oriente de um príncipe cristão, rico e poderoso. […] Em volta da notícia formou-se de certo mais tarde, e é natural que se formasse, uma lenda popular, na qual entrariam como materiais, a memória do antigo Presbyteros Johannes de Efeso, a longevidade sobrenatural atribuída a S. João Evangelista, a esperança do reino de Deus na terra, e outros elementos místicos desta espécie de criações. […]

"Viagens de Pêro da Covilhã", Conde Ficalho, ed. Viagens Alma Azul, Outubro 2004

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Viagens de Pêro da Covilhã (VII)

Enviado para você por Rui Moio através do Google Reader:

via Carreira da Índia de Leonel Vicente em 03/06/08

Já nos fins do século XV, o príncipe, que despacha Pêro da Covilhã em sua procura, é D. João II, a quem ninguém pode negar uma vista larga e perspicaz, uma deliberação fria, e intentos eminentemente práticos. O que seduzia estes homens não era por certo o vago sabor poético da lenda, era a importância da realidade possível. Sobre todos eles – especialmente sobre os dos antigos tempos, que a D. João II, moviam já outras razões – sobre todos eles pesavam duras preocupações religiosas e políticas, nascidas da apertada situação da Europa, do isolamento da cristandade ocidental, do poder crescente do Islamismo, da desesperada situação dos principados cristãos da Palestina e da Síria, cuja conservação se julgava necessária, não só à dignidade do cristianismo, como à segurança na Europa. O mito do Preste João é, pois, singular; não vive dos elementos poeticamente vagos, que habitualmente sustentam os mitos, mas das considerações políticas e diplomáticas, que habitualmente os destroem. Forma-se em volta dele uma lenda, uma destas criações da Esperança e da Fé, que resistem a todas as desilusões, porque ele seria um aliado salvador, se fosse real. […]

"Viagens de Pêro da Covilhã", Conde Ficalho, ed. Viagens Alma Azul, Outubro 2004

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Viagens de Pêro da Covilhã (VIII)

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via Carreira da Índia de Leonel Vicente em 04/06/08

Tem-se dito geralmente, que a responsabilidade da transferência do Preste João da Ásia para a África pertence aos portugueses, e em primeiro lugar a Pêro da Covilhã. Alguns eruditos não lhe levaram mesmo muito a bem a sua intervenção; e Ludolf, por exemplo, adverte com dureza, que ele se enganou, julgando encontrar na África o que devia procurar na Ásia, porque era ignorante e rude em história e geografia. É necessário distinguir. Se se trata de quem fixou definitivamente no consenso geral, no que hoje chamaríamos a opinião pública, a identidade do Preste João com o Negus da Abissínia, a responsabilidade pertence sem dúvida aos portugueses, e primeiramente a Pêro da Covilhã, e essa responsabilidade não é grave, visto como o antigo Preste asiático se esvaira em fumo. Se se trata, porém, da ideia em si, o caso, muda de figura, porque a ideia é muito mais antiga. […] A situação geográfica do Preste João permanecia, pois, extremamente vaga, e unicamente podemos afirmar que muitos pensaram já em o colocar nas terras da África, antes da viagem de Pêro da Covilhã. É certo, no entanto, que estas notícias do começo do século XV, sobretudo as que alargavam os domínios do Preste João para ocidente até às praias africanas do Atlântico, é certo, digo, que estas notícias deviam exercer uma grande influência no ânimo dos portugueses, que justamente iam entrar em cena.

"Viagens de Pêro da Covilhã", Conde Ficalho, ed. Viagens Alma Azul, Outubro 2004

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Viagens de Pêro da Covilhã (IX)

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via Carreira da Índia de Leonel Vicente em 05/06/08

De feito, por aqueles princípios do século XV, Portugal começa francamente a ter uma história exterior. Até então, a sua actividade fora principalmente interna: e não admira que assim sucedesse. Ganhar aos mouros as terras do sul, de Soure e Leiria, por Santarém e Lisboa, ao Litoral do Algarve; defender dos exércitos de Leão as terras do norte, delimitando as mal definidas fronteiras, vila a vila e castelo a castelo; sobretudo, ligar em um todo que constituísse uma nação, os retalhos de diversa natureza e diversa procedência, desde as férteis e húmidas veigas do Minho, dote de D. Teresa, até às hortas e figueiras de Silves, ultimamente tomado aos árabes; tudo isto constituiu a obra da primeira dinastia – e não foi pequena. Mas, no princípio do século XV a nação estava formada, a coroa firmemente segura na cabeça do mestre de Aviz, os horizontes desanuviados para os lados de Castela, pelo menos por algum tempo, e Portugal podia entrar numa nova fase da sua história.

"Viagens de Pêro da Covilhã", Conde Ficalho, ed. Viagens Alma Azul, Outubro 2004

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quarta-feira, 4 de junho de 2008

Revolta contra a Guerra Moderna

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via INCONFORMISTA.INFO de Miguel Vaz em 04/06/08
"Depois de chegados à superprodução e à condição de nações que, demográfica ou industrialmente, «não têm espaço», impõe-se uma saída e, onde a «guerra indirecta» e as acções diplomáticas não forem suficientes, passa-se às acções militares, que têm, aos nossos olhos, um significado extremamente mais baixo que o que podem ter tido as invasões bárbaras. Este género de subversão tem atingido, no decorrer dos últimos tempos, proporções mundiais, sob a cobertura da retórica mais hipócrita. Têm sido mobilizadas as grandes ideias da «humanidade», da «democracia» e da «liberdade dos povos», enquanto por um lado - no plano exterior - (…) se fez descer o ideal heróico ao nível policial, porque as novas «cruzadas» não souberam encontrar uma bandeira melhor que a de uma «acção contra o agressor»; e, do lado interior, para além das fumaças desta retórica, a única força determinante tem sido a vontade de poder brutal e cínico de obscuras forças capitalistas e colectivistas internacionais.
Ao mesmo tempo, a «ciência» conduziu a uma extrema mecanização e «tecnicização» da aventura guerreira, pelo que hoje em dia não é tanto o homem que combate contra o outro homem, mas sim é a máquina que combate contra o homem, sendo em caso limite utilizados - com a guerra aérea «total» indiscriminada, com as armas atómicas e as armas químicas - sistemas racionais de extremínio em massa, obscuros e inexoráveis, sistemas que anteriormente só podiam ser concebidos para aniquilar micróbios ou insectos. Que milhões e milhões de homens, arrancados maciçamente a ocupações e vocações completamente estranhas às do guerreiro, tenham sido feitos literalmente, como se diz na gíria técnica militar, «material humano», e morram em aventuras semelhantes - isto sim, é que é uma coisa santa e digna do nível actualmente atingido pelos «progressos da civilização». O que julgar de acordo com os valores da «outra margem» não chegará na maior parte dos casos, a ver muito mais, no sangue que corre pelos campos, que o adubo de que a terra precisa."

Julius Evola
in "Revolta Contra o Mundo Moderno", Publicações Dom Quixote (1989)

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segunda-feira, 2 de junho de 2008

Palavras para quê?!

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via nonas de nonas em 01/06/08

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