sexta-feira, 20 de junho de 2008

Fala quem sabe: Rosa Coutinho em 1975

via nonas de nonas em 19/06/08
«Numa entrevista do Almirante Rosa Coutinho ao Diário de Notícias de 10 de Novembro de 1975, diz-se: "Uma das dificuldades que se apresentou para a descolonização de Angola foi o facto de militarmente a guerra colonial não apresentar ali, em 25 de Abril, as mesmas condições que se verificavam em Moçambique ou na Guiné. Assim, em Angola, as forças portuguesas dominavam praticamente quase todo o território. Os movimentos, de certo modo, estavam a ser batidos, excepto na região de Cabinda, e o movimento que mais sofreu com isso foi exactamente o MPLA.
Dada a acção das guerras coloniais portuguesas, o MPLA, no 25 de Abril, estava praticamente destroçado, sob o ponto de vista militar. Naturalmente que esta situação veio depois a complicar o problema da descolonização, já que o movimento com maior implantação política era, na altura, o militarmente mais fraco".
Não sabemos, no que se refere a Cabinda, em que se fundamenta a afirmação feita de que "os movimentos, de certo modo, estavam a ser batidos, excepto na região de Cabinda...", pois no 1.º trimestre de 1974, bem como em 25 de Abril, a actividade contra essa parcela do território de Angola era exercida apenas pelo MPLA e consistia em incursões de pequena profundidade e duração ou em acções de fogo, a partir da República Popular do Congo, que nunca chegaram a constituir perigo grave.»
General Joaquim da Luz Cunha

In "África - a vitória traída", Editorial Intervenção, 1977, págs. 182/183.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Viagens de Pêro da Covilhã (XVII)

Enviado para você por Rui Moio através do Google Reader:

via Carreira da Índia de Leonel Vicente em 19/06/08

Pondo de parte a questão das problemáticas e antiquíssimas circum-navegações de África, admitindo – e admitindo sem inspiração de falso patriotismo, simplesmente porque nos parece exacto – que a parte austral do continente foi desconhecida até à viagem de Bartolomeu Dias, fica, no entanto, o facto incontestável de que se acreditava na possibilidade da circum-navegação. A geografia sistemática dos antigos, e depois a dos árabes e da Idade Média, admitia em geral a hipótese de um mar envolvente, e portanto a de uma comunicação do oceano Atlântico com o oceano Índico. A dúvida estava no modo porque se estabelecia essa comunicação; que podia fazer-se pelo mar livre e desembaraçado, ou talvez por canais estreitos de difícil ou impossível navegação, como dizia, por exemplo, o geógrafo árabe Albyruny.

Não havia pois a certeza, mas havia a esperança de poder passar. Havia esta esperança em Portugal já no tempo do infante D. Henrique, e com mais razão no de D. João II. Quando, a partir do cabo das Palmas, a costa africana começou a correr no rumo de leste, imaginou-se ser ali a passagem, o que estava de acordo com as opiniões de alguns antigos cosmógrafos, os quais limitavam a África pelo sul logo nas proximidades do equador. Depois, passado o golfo de Guiné, a costa voltou a correr norte sul, e ficou-se na dúvida acerca da sua terminação.

"Viagens de Pêro da Covilhã", Conde Ficalho, ed. Viagens Alma Azul, Outubro 2004

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quarta-feira, 18 de junho de 2008

Uma visão (lúcida) da história, do país e do mundo...

via NOVA ÁGUIA de Direcção: Paulo Borges, Celeste Natário e Renato Epifânio em 18/06/08
- "Com as descolonizações, os povos criaram uma memória nacional por oposição aos colonizadores. Criou-se a ideia de que a expansão fora algo infamante, exigindo-se mesmo assunções de culpa. Ora, em meu entender, isso é tão disparatado como a glorificação desses colonizadores. Os processos históricos têm dinâmicas próprias e há que pô-las no respectivo contexto".

- "Penso que os políticos são sobretudo ignorantes. Eles próprios não receberam formação cultural e resistem a ela como a qualquer coisa que não se domina. O que é deliberada é a decisão de que tudo o que importa é o lucro. O ataque à cultura assume assume, aliás, várias formas: uma delas é querer submeter os países da Europa a uma única língua (o Inglês) em detrimento das línguas nacionais. No nosso país há já escolas superiores em que se dão aulas em Inglês e em que os professores, quando reunidos, usam esta língua. A União Europeia, na sua génese, tinha como objectivo, o respeito pela diversidade e pelas especeficidades nacionais. Por outro lado, hoje é a Economia que dita a agenda da inestigação científica."

- "Os programas de História do Ensino Secundário são perfeitas aberrações. Não há sentido do que é a História e de como ela deve pôr problemas não só sobre o passado mas também sobre o homem de hoje. Prefere falar-se em conceitos, o que está totalmente errado (...). Por outro lado, os jovens são despropositadamente infantilizados. Evita-se tudo o que seja esforço (...).".

Excertos de uma entrevista a Vitorino Magalhães Godinho (JL, 18.06.2008, pp. 12-14)

Viagens de Pêro da Covilhã (XVI)

Enviado para você por Rui Moio através do Google Reader:

via Carreira da Índia de Leonel Vicente em 18/06/08

Restava o outro lado da missão – procurar o caminho por onde vinham as especiarias a Veneza, Génova e outros portos da Europa, e remontar até à origem dessas especiarias. Para isso era necessário dirigir-se a um dos portos do Mediterrâneo oriental, onde as especiarias embarcavam para Veneza, por exemplo, Alexandria, penetrar ali nas terras sujeitas aos mouros ou muçulmanos, e subir depois pelo trilho dos comércio, até onde esse trilho levasse. Talvez à Índia, talvez mais longe. Tratava-se unicamente por todo esse caminho, de saber ver, e de saber fixar na memória ou nas notas o que se havia visto. Era impossível nesta parte formular um plano, ou marcar um itinerário. Tudo por ali devia ser novo e imprevisto, pelo menos para os portugueses; e o êxito dependia da prontidão das resoluções, tomadas à medida e feição dos acontecimentos. Esta parte da missão ia mais especialmente, segundo julgamos, confiada a Pêro da Covilhã; e depois veremos com quanta perspicácia e persistência dela se desempenhou.

"Viagens de Pêro da Covilhã", Conde Ficalho, ed. Viagens Alma Azul, Outubro 2004

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Tribunais Militares e Plenários da Ditadura Militar e do Estado Novo (1)

via Caminhos da Memória de Irene Pimentel em 18/06/08

Por solicitação do Ministro da Justiça, o historiador Fernando Rosas coordenou uma equipa de investigadores do Instituto de História Contemporânea (IHC) da Universidade Nova de Lisboa, constituída por Inácia Rezola, Irene Pimentel, João Madeira e Luís Farinha, que procedeu ao primeiro estudo académico sobre os tribunais políticos especiais que existiram em Portugal entre 1926 e 1974. Durante esse quase meio século do século XX português, funcionaram tribunais especialmente criados para julgar o que a Ditadura Militar e o Estado Novo consideraram como "crimes políticos e sociais" ou "crimes contra a segurança do Estado". Os tribunais políticos especiais foram uma peça importante do sistema de repressão punitiva, progressivamente centrado na polícia política, que a Ditadura foi montando até 1933 e que a emergência do Estado Novo, a partir dessa data, institucionalizou duradouramente.

Foram de dois tipos os tribunais políticos especiais criados pela Ditadura Militar e o Estado Novo entre 1926 e 1974. Entre o golpe militar de 1926 e o fim da II Guerra Mundial, funcionaram, com um estatuto jurídico só estabilizado a partir de 1933, os Tribunais Militares Especiais. Era uma justiça militar que expeditivamente executava as prioridades persecutórias definidas pela PVDE. Com a derrota do nazi-fascismo no conflito mundial, a judicialização formal da justiça política fez parte do pacote adaptativo do regime salazarista aos "ventos da vitória" das democracias. Em 1945 surgiram, assim, os Tribunais Plenários, tribunais judiciais da confiança política do regime que nunca deixaram de funcionar como verdadeiro apêndice judicial da PIDE, sigla do novo nome com que foi crismada a polícia política no âmbito, também, das alterações essencialmente cosméticas do pós-guerra.

Acerca de cada um destes tipos de tribunais políticos especiais, o trabalho debruça-se sobre a conjuntura histórica em que surgiram e sobre a evolução dos seus regimes jurídicos e funcionamento; estabelece a lista dos réus e analisa as suas características sociológicas, bem como os tempos de prisão e as sentenças de que foram alvo. Apura ainda a lista dos juízes e de outros magistrados, estuda a sua actuação; faz a lista dos advogados de defesa escolhidos pelos réus e debruça-se sobre o seu papel na defesa dos direitos e liberdades fundamentais, nas mais difíceis e arriscadas condições. Finalmente, divulga-se, quer para o TME, quer para os TP, o decorrer, em concreto de alguns processos mais significativos.

Entre as várias conclusões permitidas pelo estudo, conta-se, em primeiro lugar, a de que os tribunais políticos especiais sob a Ditadura nunca deixaram de ser um apêndice judicial das prioridades repressivas da polícia política e do regime, embora eles tivessem variado com as épocas e conjunturas históricas vividas pelo próprio regime. Entre 1926 a 1945, a Ditadura Militar e o Estado Novo, na sua primeira fase, adoptaram uma forma aberta e assumidamente discricionária de justiça político-militar de que o Tribunal Militar Especial foi uma peça importante. O carácter massivo da repressão política no parto e na consolidação do novo regime contradiz alguma visão corrente deste período como de passividade e desmobilização das forças sociais e políticas que lhe resistiam.

No entanto, os 10 366 processos políticos abertos no TME que foi possível localizar, só parcialmente espelham esse fenómeno de massificação da repressão. Em primeiro lugar, porque antes e depois de 1933 a justiça política é largamente governamentalizada, administrativa e extra-judicial. Os governos da Ditadura Militar, e depois os do Estado Novo, sempre usaram o poder de impor, por tempo indeterminado, a qualquer preso político, a prisão preventiva, o internamento em colónias penais, o banimento do país ou a fixação da residência, mesmo sem sentença condenatória em julgamento ou sequer culpa formada, e para além do cumprimento da pena quando ela existia. Em segundo lugar, porque o TME só começa efectivamente a funcionar em 1933 e antes, as várias soluções de tribunais militares ensaiadas em 1927, 1930 e 1932 apenas funcionaram limitadamente, o que facilitou o exercício discricionário de uma justiça extra-judicial por parte dos governos e da polícia política relativamente a uma massa crescente de presos políticos.

O carácter de massa de repressão política transparece na própria origem dos processos remetidos para os tribunais militares, até à criação da PVDE, em 1933. Os processos políticos chegados chegam das comarcas, das empresas, das autarquias locais, da PSP e da GNR, deixando entender que a polícia política só progressivamente terá ganho a capacidade de se afirmar - designadamente sobre os militares - como centro do sistema de justiça política, assegurando o "abastecimento" processual do TME. A afirmação da hegemonia da PVDE não significou contudo o abrandamento da repressão política massiva neste período. A conjuntura da Guerra Civil de Espanha, entre 1936 e 1939, com os seus 8293 presos políticos 3, mais de 2000 por ano, representa o pico de toda a história da repressão do regime (entre 1936 e 1939 só 21% dos presos políticos serão levados a julgamento no TME).

No período de 1926 a 1945, em Portugal, o Governo, as autoridades militares e depois a PVDE actuam como investigadores, julgadores, carcereiros, com uma ilimitada capacidade de investigar, interrogar, torturar, prender, condenar, deportar, exilar, banir, tudo por tempo indeterminado e em cadeias privativas da polícia, sem qualquer limitação legal específica, mesmo que formal. Fruto desta situação, os julgamentos que acabavam por realizar-se no TME (só 3 975 dos mais de 10 000 processos constituídos atingem a fase de julgamento), quase não chegam a ter nem uma aparência de legalidade formal. A maioria dos presos políticos não vai a julgamento (73% do total, de acordo com o registo de entrada de presos na PVDE entre 1933 e 1945); dos que são constituídos réus no TME, para uma amostra de 5 588 réus, 48% são condenados e mais de metade são despronunciados (784), absolvidos (1264) ou amnistiados (851).

O que de forma alguma quer dizer que, muitos deles, não tenham cumprido, às ordens da PVDE, períodos mais ou menos longos de prisão sem julgamento. Por outro lado, as penas aplicadas pelo TME foram prioritariamente penas correccionais, o que pouco significava, pois vários presos conheceram longas penas de prisão sem julgamento, para, pouco antes da sua libertação, no fim da guerra, virem a ser julgados e condenados em penas de prisão correccional. No entanto, se é difícil estabelecer com fiabilidade o tempo de prisão efectiva, foi possível concluir que para uma amostra de 1 276 presos, o tempo médio de encarceramento entre o julgamento e a sua libertação foi superior a 4 anos. Se a isto se somar o tempo de prisão antes do julgamento, obtém-se um elevado padrão médio de confinamento efectivo (1).

(1) Dados retirados da «Introdução» e da «Conclusão» do estudo sobre os tribunais militares e plenários da ditadura militar e do Estado Novo, entregue ao Sr. Ministro da Justiça, em Junho de 2008.

(Continua)

terça-feira, 17 de junho de 2008

Indiana Jones

Enviado para você por Rui Moio através do Google Reader:

via sorumbático de noreply@blogger.com (Nuno Crato) em 17/06/08
Por Nuno Crato

A REVISTA "NEW SCIENTIST" relatava recentemente uma discussão curiosa. Queixam-se alguns arqueólogos da maneira como a sua profissão é retratada na ficção e no cinema. Na realidade, os verdadeiros investigadores não passam a vida em aventuras violentas, disputando peças arqueológicas em locais misteriosos. Ao contrário do que transparece, por exemplo, no filme "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal", assim como noutros da mesma série, os arqueólogos passam anos e anos estudando e catalogando peças, dirigindo escavações e recuperando ruínas obscuras. Os tesouros são poucos e as perseguições também. As grandes descobertas são extremamente raras e o trabalho rotineiro é a regra. O herói Indy é pois uma personagem que não faz jus ao trabalho dos verdadeiros investigadores do passado.

Outros arqueólogos, contudo, dizem que os filmes de Indiana Jones têm atraído muitos jovens para a sua actividade, existindo um interesse redobrado pelas carreiras de investigação histórica. Contrapõem os primeiros dizendo que não vale a pena enganar os jovens e que os que são motivados pelas aventuras cinematográficas não estão certamente interessados na verdadeira arqueologia.

Estas discussões são quase tão velhas como o mundo, mas contrapõem duas realidades diferentes. Uma coisa são os sonhos de infância; outra as realidades da juventude adulta. Uma coisa são os motivos, felizmente algo idealistas e românticos, que levam muitos jovens a escolher carreiras científicas; outra são as realidades do trabalho.

Muitos jovens mudam enquanto aprendem. Não vale a pena levar tudo demasiado a sério. E há ainda adultos, como eu, que gostam de Indiana Jones.

«Passeio Aleatório» - «Expresso» de 12 de Junho de 2008

Coisas que você pode fazer a partir daqui:

Viagens de Pêro da Covilhã (XV)

Enviado para você por Rui Moio através do Google Reader:

via Carreira da Índia de Leonel Vicente em 17/06/08

De tudo isto, podemos, me parece, concluir com segurança, contra a opinião de Damião de Góis, do padre Teles, de Ludolf, do padre Kircher e de vários outros, que Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva não encontraram casualmente na África o que deviam procurar na Ásia; mas pelo contrário saíram já de Portugal – pelo menos um deles – expressamente enviados à Etiópia.

Não quero com isto dizer, que em Portugal se soubesse então muito nitidamente o que era a Etiópia, ou se conhecessem os seus limites. Aquele nome fora sempre – como dissemos já – e conservava-se ainda muito vago. Podia pois facilmente imaginar-se, que o rei da Etiópia ou Preste João exercesse algum domínio, ou pelo menos alguma influência na Índia. Sobre todos estes pontos se deviam ter ideias confusas, e em grande parte erradas; mas, em todo o caso, admitia-se, que o Preste João era um rei da África oriental, soberano dos conhecidos padres abexins.

A este rei da Abissínia ia directamente dirigido um dos escudeiros de D. João II, segundo parece Afonso de Paiva.

"Viagens de Pêro da Covilhã", Conde Ficalho, ed. Viagens Alma Azul, Outubro 2004

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segunda-feira, 16 de junho de 2008

Guiné 63/74 - P2951: (Ex)citações (3): A guerra de África acrescentou 15 ano...

via Luís Graça & Camaradas da Guiné de noreply@blogger.com (Luís Graça) em 16/06/08
Lisboa > Um dos derradeiros símbolos do Estado Novo: a Ponte Salazar, inaugurada em 1966, rebaptizada Ponte 25 de Abril, em 1974 > Vista sobre o porto de Lisboa > 16 de Março de 2008 > Foto tirada por Luís Graça, no decurso da travessia da ponte, por ocasião da 18ª Meia/Mini-Maratona de Lisboa. Sob esta ponte e partindo do Porto de Lisboa, passaram várias centenas de milhares de homens em armas a caminho de África.

Foto: © Luís Graça (2008). Direitos reservados.

Excerto da entrevista a André Gonçalves Pereira (*), por Christina Martins e Isabel Vicente. Expresso nº 1859, de 13 de Junho de 2008. Revista Única, pp. 62-74.
Pergunta - Fez tropa ?

Resposta - Sim, felizmente, logo após na licenciatura [em Direito]. Se tivesse demorado mais um ano, teria sido chamado para a guerra.

Pergunta – Que marcas deixou a guerra [do Ultramar] na sociedade portuguesa ?

Resposta – Muitas. Salazar tinha momentos de grande perspicácia, e a guerra de África acrescentou 15 anos ao regime. Admito que ele tenha compreendido que, depois da campanha do general Humberto Delgado, em 1958, era a maneira de reencontrar alguma unidade. Nos primeiros anos, pode dizer-se que a guerra era encarada de forma patriótica. Mas, à medida que se foi percebendo que não tinha solução, a opinião foi mudando.

Pergunta – E isso aconteceu quando ?

Resposta – Num dia de Abril de 1962, quando 18 estudantes da Universidade de Lisboa – entre os quais o Presidente Joaquim Chissano, de Moçambique, que cursava Medicina – desapareceram. Assim como vários alunos meus da Faculdade de Direito, que também fugiram. Tornou-se-me evidente que Portugal não tinha conseguido conquistar as elites (…).

Como visitava muito as colónias, verificava que a vida lá não era nem de longe o sonho que pintavam em Portugal. A discriminação racial era um facto evidente… Sobretudo quando estive nas Nações Unidas em 1960, em que a África se tornou independente. A partir daí, comecei a compreender que era inevitável a descolonização (…)
______________
Nota de L.G.:

(*) André Gonçalves Pereira, nascido em 1936, filho de mãe francesa e de pai de origem goesa, advogado desde 1959, professor de direito, assistente de Marcelo Caetano, doutorado aos 25 anos, professor catedrático aos 32, sócio sénior do mais antigo escritório de negócios em Portugal, constituído em 1928 (Gonçalves Pereira, Castelo Branco & Associados, Sociedade de Advogados, RL), amigo de Pinto Balsemão e de Sá Carmeiro, antigo Ministro dos Negócios Estrangeiros nos VII (1981) e VIII Governos Constitucionais (1981/83), como independente …

Durante o Estado Novo, foi representante de Portugal na Comissão Jurídica da Assembleia Geral das Nações Unidas (1959/66). Ficou célebre a sua boutade sobre o miserável vencimento dos ministros portugueses que, no caso dele, nem dava para os charutos...


Vd. postes anteriores desta série, (Ex)citações: