domingo, 20 de julho de 2008

A cidade

via INCONFORMISTA.INFO by Miguel Vaz on 7/19/08
"Oswald Spengler, em Le Déclin de l'Occident (Gallimard, 1948), traçou de forma infinitamente mais correcta, a evolução da cidade, desde o burgo até à «cidade mundial».
A diferença entre o burgo e a cidade não reside apenas nas suas dimensões. O burgo não se opõe fundamentalmente ao campo. Construído em redor do mercado, ele constitui o ponto de intersecção de um certo número de interesses rurais. Está ligado à terra e depende da «natureza», de que ele adopta os hábitos e os ritmos.
Com a «cidade de cultura», isto é, a cidade tradicional, a natureza encontra-se, pelo contrário, nitidamente dominada, tanto do ponto de vista económico como do ponto de vista político. A cidade transforma-se em pequena sociedade autónoma, em constante evolução em relação ao meio ambiente. Torna-se o sujeito colectivo da hstória dos seus habitantes. A relação entre a cidade e o campo é, então, análogo à relação entre a sociedade e a «natureza». É nisso que as sociedades citadinas são pleneamente históricas, por oposição às sociedades rurais, que são sociedades de repetição. (O campo desempenhando um papel, indispensável, de reserva humana potencial destinada a actualizar-se progressivamente nas cidades — ao mesmo tempo que se efectua a sua própria substituição.)
Mas a «cidade de cultura» em breve se expande. Desdobra-se em arrabaldes que, pouco a pouco, vão absorvendo os meios rurais circundantes. A relação com a natureza deixa de ser dialéctica para passar a ser esterilizante. O mundo rural é esvaziado, sem que tenha tempo de se renovar. Paralelamente, a gestão da cidade torna-se cada vez mais pesada e burocrática. Formas geométricas e cristalizadas substituem-se às formas orgânicas. O anonimato é a regra, encontrando-se o indivíduo desprovido de meios para se situar, de forma perdurável, em relação ao seu próprio meio. É assim que surge a «cidade mundial», submetida, segundo as épocas, ao poder dos tecnocratas ou dos funcionários imperiais. A sua aparição, diz-nos Spengler, corresponde ao estádio da «petrificação» das culturas.
«Estas cidades gigantescas e pouco numerosas», escreve, «banem e matam, em todas as civilizaçãos, sob o conceito de província, e por inteiro, a paisagem que foi a mãe da sua cultura (...). Elas transformam-se na história petrificada de um organismo».
«As cidades mundiais do tempo dos Han e dos índios da dinastia dos Maurya», acrescenta ele, «possuiram as mesmas formas geométricas. As cidades mundiais da civilização euro-americana encontram-se longe de haver atingido o cume da sua evolução. Vejo aproximar-se o tempo em que se construirão cidades urbanas de dez ou vinte milhões de habitantes».
É a este estádio aquele a que chegámos.
Todos os Estados modernos se encontram, hoje, confrontados com o mesmo problema: como canalizar o crescimento das grandes cidades sem prejuficar as exigências da vida social — ou o seu desenvolvimento? Neste domínio, e até agora, tem prevalecido o pragmatismo e a visão a curto prazo. Mas hoje, não é já possível que as cidades continuem a crescer por si próprias. As mais futuristas das propostas não faltam. Mas as soluções não são mais do que uma questão técnica, de planos, e de «metrópoles de equilíbrio». O exemplo de Nova Iorque dá que pensar: o fracasso desta cidade representa o fracasso de um certo modo de organização e de povoamento urbanos."

Alain de Benoist
in "Nova Direita Nova Cultura – Antologia crítica das ideias contemporâneas", Lisboa, Fernando Ribeiro de Mello/Edições Afrodite, 1981

sábado, 19 de julho de 2008

Se vis pacem, para bellum

Se vis pacem, para bellum

via INCONFORMISTA.INFO by Miguel Vaz on 7/18/08
"Quem não conhece o antiquíssimo aformismo que diz: «Se queres paz, prepara-te para a guerra.» Se vis pacem, para bellum? No entanto, não bastam apenas os preparativos de guerra para gozar a paz. Para chegar a esta é preciso passar por aquela. A paz conquista-se através da guerra. E a paz verdadeira, a paz interior, no lugar e na consciência, apenas se conquista com a guerra exterior, guerra na rua e na sociedade. Vale mais lutar com a consciência limpa do que viver em paz - paz aparente - com a consciência atormentada ou subjugada."

sexta-feira, 18 de julho de 2008

A adoração a matadores de crianças- A ADORAÇÃO A MATADORES DE CRIANÇAS

via Falando Francamente by Silvio Lopes on 7/17/08

A adoração a matadores de crianças

TZIPORA RIMON

Enquanto Israel tem um imperativo moral de trazer seus soldados para casa, rejeita qualquer esforço para legitimar o Hizbollah.

Por dois longos anos, as famílias dos soldados israelenses da reserva Eldad Regev e Ehud Goldwasser aguardaram notícias com grande agonia. Por dois anos, questionaram se seus filhos estavam vivos ou mortos e conviveram com o fato de que, embora o sangue tivesse sido encontrado no local do seqüestro, não havia certeza de que seus amados tinham recebido tratamento médico.

Essa é a forma mais cruel de tortura que o Hizbollah deliberadamente infligiu às famílias. O povo de Israel também aguardou notícias, demonstrando grande consternação com o sofrimento dessas famílias, e todo israelense sabe que era apenas uma questão de azar o seqüestro desses dois soldados em particular e que isso poderia ter acontecido com um familiar ou amigo. Eles foram seqüestrados em 12/7/2006. Patrulhavam uma cerca próxima à fronteira quando o Hizbollah lançou um ataque através da fronteira visando seqüestrar qualquer cidadão israelense. Os israelenses também têm sua parcela de responsabilidade por Eldad e Ehud. Um dos valores mais importantes de Israel é o cuidado com os jovens que arriscam suas vidas para defender a população civil.

Esse princípio está arraigado na cultura israelense, emanando de nosso senso de moralidade e solidariedade, assim como de nossa ética judaica. Faz parte de nosso grande respeito pela vida, respeito tão profundo que Israel se prontificou a agir mesmo diante da menor esperança de vida.

Em apoio a esse valor supremo, Israel decidiu pagar um preço caro para o retorno de seus dois filhos. A intransigência do Hizbollah não tem tamanho, recusando-se a entrar em acordo, mesmo ao custo da guerra. Rejeitar a oferta apenas levaria a mais sofrimento e não ajudaria na obtenção de melhores termos. Israel concordou com a libertação de quatro membros do Hizbollah e do terrorista Samir Kuntar. Para o Hizbollah, Kuntar é um grande herói. Para Israel e o restante do mundo civilizado, é um dos terroristas mais desprezíveis.

Kuntar era membro da OLP (Organização para a Libertação da Palestina), que se infiltrou no norte de Israel pelo mar em 21/4/1979. No calar da noite, invadiram um prédio, capturando Danny Haran e sua filha Anat, de quatro anos de idade, enquanto o resto da família se escondeu. Quando chegaram ao litoral, Kuntar fez que a pequena Anat o visse dar um tiro à queima-roupa em seu pai e, logo em seguida, matou a menina, esmagando sua cabeça em uma pedra com a coronha do rifle.Entrementes, a mãe da família, escondida em um armário com a sua filhinha de dois anos, Yael, acidentalmente sufocou a própria filha enquanto tentava abafar o choro dela e evitar que Kuntar as encontrasse. Kuntar também tem responsabilidade por essa morte, bem como pela de um policial, Elyahu Shachar. Esse é o assassino de crianças que está sendo saudado com ovações e paradas pelo Hizbollah. Esse é o assassino brutal cuja libertação será considerada uma vitória pelos extremistas em toda a região.Como parte do acordo, o Hizbollah também receberá os corpos dos mortos na Segunda Guerra do Líbano ou em ataques infiltrados em Israel. Entre os mortos estará uma mulher, Dalal al-Maghrabi, que comandou o ataque a Israel que ficou conhecido como massacre da estrada costeira, de 1978. Naquela atrocidade, 37 israelenses perderam a vida.Essa é a assassina cujo corpo terá um funeral de heroína.Essa é a assassina brutal que será a heroína idolatrada pelos membros do Hizbollah.O Hizbollah é uma organização terrorista extremista patrocinada pelo Irã. Se o passado e o presente forem qualquer indicação do futuro, a organização terrorista continuará a comemorar os assassinos de sangue frio como ídolos de seu "ethos" de violência.

Ela continuará em sua obsessão de destruir Israel e desestabilizar o Líbano -como ocorreu há dois anos, quando o Hizbollah começou uma guerra ao sul do Líbano, em ruidosa desconsideração ao impacto causado na população local.

Que não haja erros: enquanto Israel tem um imperativo moral de trazer seus soldados para casa, rejeita qualquer esforço para legitimar o Hizbollah, seus objetivos e táticas. A comunidade internacional deve reconhecer o perigo representado pelo Hizbollah e seu bando extremista à estabilidade do Oriente Médio e deve apoiar os elementos

pragmáticos na região, que desejam fazer a paz por meio do diálogo e do compromisso.

TZIPORA RIMON é embaixadora de Israel no Brasil.

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Ben-Gurion - Devemos usar o terror, o assassínio e a confiscação da terra pa...

Ben-Gurion - Devemos usar o terror, o assassínio e a confiscação da terra para libertar a Galileia da sua população árabe

via Um Homem das Cidades by noreply@blogger.com (Diogo) on 7/15/08
A figura abaixo mostra a divisão da Palestina entre palestinianos e israelitas desde 1946 até 2000. A verde, o território palestiniano e a branco, o território israelita.

Figura 1 – A Palestina em 1946.

Figura 2 – A Palestina em 1947, após a partilha do território pelas Nações Unidas.

Figura 3 – A Palestina em 1967.

Figura 4 – A Palestina em 2000.

(Clicar para aumentar o tamanho da imagem):


Para melhor compreensão da «evolução na redistribuição» da Palestina entre palestinianos e israelitas, vejamos a opinião de alguns dos principais dirigentes israelitas:

Moshe Dayan (1915 — 1981), foi responsável pelas mais importantes vitórias de Israel nas guerras contra seus vizinhos árabes.

- "Se se tem o Livro da Bíblia, e o Povo do Livro, então tem-se também a Terra da Bíblia – dos Juízes e dos Patriarcas em Jerusalém, Hebron, Jericó e das terras em redor." [If you have the Book of the Bible, and the People of the Book, then you also have the Land of the Bible -- of the Judges and of the Patriarchs in Jerusalem, Hebron, Jericho and thereabouts] - Moshe Dayan, Jerusalem Post, August 10, 1967.

- "Reparem na Declaração de Independência Americana. Não contém qualquer menção a limites territoriais. Nós não somos obrigados a fixar os limites do Estado." [Take the American Declaration of Independence. It contains no mention of territorial limits. We are not obliged to fix the limits of the State.] - Moshe Dayan, Jerusalem Post, August 10, 1967


Menachem Begin (1913-1922) foi um politico israelita, Prémio Nobel da Paz e Primeiro Ministro de Israel.

- "Esta terra foi-nos prometida e nós temos direito a ela." [This land has been promised to us and we have a right to it.] – Afirmação de Menachem Begin em Oslo, Jornal Davar, 12 de Dezembro de 1978.

- "A Terra de Israel será devolvida ao povo de Israel. Toda ela. E para sempre." [Eretz Israel will be restored to the people of Israel. All of it. And for ever.] - Menachem Begin, The Revolt: The History of Irgun, p. 33.

- "O povo Judeu possui um incontestável, eterno, direito histórico à Terra de Israel, a herança dos seus antepassados..." [the Jewish people have unchallengeable, eternal, historic right to the Land of Israel, the inheritance of their forefathers] - (Iron Wall, p. 354-355)


David Ben-Gurion (1886 — 1973), judeu polaco, foi o primeiro chefe de governo de Israel.

- "O status quo não será mantido. Fundámos um Estado dinâmico, empenhado na expansão." [To maintain the status quo will not do. We have set up a dynamic state, bent on expansion.] - Ben-Gurion, Rebirth and Destiny of Israel, p. 419 [Renascimento e Destino de Israel].

- "Devemos usar o terror, o assassínio, a intimidação, a confiscação da terra, e o corte de todos os serviços sociais para libertar a Galileia da sua população árabe." [We must use terror, assassination, intimidation, land confiscation, and the cutting of all social services to rid the Galilee of its Arab population.] - David Ben-Gurion, May 1948, to the General Staff. From Ben-Gurion, A Biography, by Michael Ben-Zohar, Delacorte, New York 1978.

terça-feira, 15 de julho de 2008

Vidas Portuguesas: António Quadros (1923-1993)

via NOVA ÁGUIA by Romana Valente Pinho on 7/14/08
"Se a Nação é a comunidade natural dos nascidos ou oriundos do mesmo território e se o Estado é a expressão política desta comunidade natural, ainda precária, a Pátria é a relação viva, profunda, substancial de um povo, não só com uma tradição contínua, transmitida de pais para filhos e articulada por laços culturais, políticos e jurídicos, mas também com um projecto teleológico original. § Por outras palavras, a Pátria, até etimologicamente, não é só a relação de cada um com a terra em que nasceu, é mais do que isso, é a relação com a terra dos Pais, com a comunidade dos antepassados, é uma vinculação antes humana e familiar do que telúrica ou territorial, implicando, por isso mesmo, desde que assumido dinamicamente o conceito, a prospectividade de um movimento para o futuro. Terra dos Pais, é necessariamente também a Terra dos Filhos e dos Irmãos. E, nesta transmissão amplificante, desenvolve-se um espírito personalizado, um projecto, uma teleologia nacional".
António Quadros, Portugal – Razão e Mistério, Livro II

Apontamento Biográfico
António Gabriel de Quadros Ferro nasceu na cidade de Lisboa no dia 14 de Julho de 1923. Se fosse vivo faria 85 anos.
Filho dos escritores António Ferro (1895-1956) e Fernanda de Castro (1900-1994), António Quadros licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e dedicou-se, durante toda a sua vida, à filosofia, à literatura e à arte de uma forma geral. Por esse motivo, fundou, entre outras instituições, a Associação Portuguesa de Escritores e o Instituto de Arte, Decoração e Design (IADE). Na sua actividade profissional fundou e dirigiu alguns dos periódicos mais importantes do seu tempo, a saber, Acto, 57 e Espiral.
Discípulo de Álvaro Ribeiro (1905-1981), foi um dos membros mais activos do grupo da Filosofia Portuguesa.
Morreu no dia 21 de Março de 1993, com apenas 69 anos.

Apontamento Crítico
A filosofia da cultura portuguesa que António Quadros defende está associada ao projecto áureo e universal destinado aos portugueses, cujos pressupostos se baseiam na paideia dionisíaca, essencialmente no Culto do Espírito Santo. Esta apologia propõe uma visão ecuménica para o cristianismo e para o catolicismo. O autor crê que, num tempo futuro, todas as grandes religiões se fundirão entre si por meio da Nova Aliança e estabelecerão uma nova Era - a do Espírito Santo. Tal Idade promover-se-á em direcção a um movimento universal e ecuménico e realizará a Profecia que está revelada no Apocalipse de São João: o re-estabelecimento da Nova Jerusalém. Este Tempo ou Idade do Espírito Santo que o autor propõe é inspirado na hermenêutica joaquimita das Três Idades que Jaime Cortesão (1884-1960) e Agostinho da Silva (1906-1994) discutem nas suas obras. Deste modo, à semelhança destes dois autores, António Quadros apresenta uma leitura muito mais fiel àquela que foi veiculada pela tradição do franciscanismo espiritual do que à interpretação deixada pelo próprio Joaquim de Fiore. Tal reflexão conduzirá Quadros a um questionamento acerca da ideia de Deus e da ideia de Pátria.
O pensamento de António Quadros acerca de Deus poder-se-á enquadrar, de um ponto de vista estrito, no seio daquilo que se convencionou chamar movimento da filosofia portuguesa e, genericamente, no contexto da tradição cristã e agostiniana que, desde Paulo Orósio (385-420), vigora em Portugal. Tal reflexão desenvolve-se, portanto, no enquadramento de um conjunto de postulados que são caros aos pensadores da filosofia portuguesa. O que António Quadros parece defender é que, à semelhança do povo de Israel, Portugal é também um povo eleito por Deus. Embora todas as nações, em si, sejam, plurais, diversas e diferentes, parece que Portugal é mais plural, mais diversa e mais diferente do que todas as outras. E só o é porque Deus assim o quis, porque a ele confiou um projecto maior, a saber, purificar a razão humana por meio do Espírito Santo. Independentemente de os portugueses terem sido eleitos por Deus ou, como preferia Agostinho da Silva, se terem auto-eleito para a edificação de uma empresa universal, o que importa realçar é a característica dessa demanda. Quadros sintetiza-a, à maneira camoneana e pessoana, enquanto epopeia de Deus através do homem português, como aventura de Deus na terra.
Todos os aspectos que António Quadros trata na sua obra relativamente à ideia de Deus e à noção de Pátria estão intimamente relacionados com a crítica que, desde o século XVII, se faz a uma suposta estrutura psicológica e cultural do ser português e que ganhou mais evidência através do polemismo que António Sérgio (1883-1969) lhe empregou. Desta forma, a análise da polémica que António Sérgio erige em torno do sebastianismo torna-se fundamental por variados motivos. Em primeiro lugar porque o autor de Poesia e Filosofia do Mito Sebastianista concede demasiada importância aos polemismos sergianos, ou seja, tende a qualificá-los como redutores e ameaçadores da sobrevivência da lusitanidade; em segundo porque considera que o sebastianismo abarca a essência do ser português; e em terceiro porque o ideólogo dos Ensaios permite-nos questionar acerca daquilo que está para cá da dimensão mitológica e imaginária do movimento sebástico e que, ao contrário do que supõe António Quadros, não é algo unicamente historicista, sociológico, reducionista e menor. Uma leitura entrecruzada da polémica sergiana com o projecto áureo português proposto por Quadros conduzir-nos-á a uma reflexão mais apurada sobre a conceptualização de uma filosofia da cultura portuguesa.
Reconstituamos a polémica e analisemos, com isenção, os argumentos de cada lado. É a partir da sua colaboração n' A Águia, logo após a implantação da República em Portugal, que António Sérgio se manifesta contra os princípios que orientam, em certa medida, a edição dessa revista por Teixeira de Pascoaes (1877-1952). A bem da verdade, António Sérgio não conseguiu distinguir o D. Sebastião histórico do movimento mítico-saudosista que se fundou a seguir ao seu desaparecimento no deserto marroquino e, nesse ponto específico, António Quadros tem razão. No entanto, este último relevou todos os aspectos negativos que conduziram a tomada do Norte de África, por parte do Rei Desejado, ao fracasso e à perda da independência portuguesa. Para o autor de Poesia e Filosofia do Mito Sebastianista, à semelhança de Pascoaes, o abismo em que Portugal caiu (o Portugal real e histórico), constituiu-se enquanto catarse e permitiu que o país se elevasse para uma dimensão superior, espiritual, mítica que transcende qualquer queda histórica, objectiva e factual. Ao menosprezar esta vertente a favor de uma outra que enaltece apenas a poesia, o romantismo, a mitologia, Quadros também errou e, em certa medida, cometeu o mesmo pecado que Sérgio cometera: confundir dimensões que, a priori, não podem sequer tocar-se, quanto mais reunir-se. Uma coisa é filosofar a propósito daquilo que é misterioso, simbólico, enigmático, arquetipal, inefável, essencial, mitológico, outra é confundir ou misturar dimensões, como se cada uma pudesse influir categorialmente na outra. Tanto António Sérgio como António Quadros não conseguiram distinguir os erros do D. Sebastião histórico do romantismo do D. Sebastião mitológico, por exemplo. Ora, o âmago da polémica reside precisamente aqui. Sérgio, e outros como ele que defendem o racionalismo e o idealismo crítico, denunciam os malefícios que foram impregnados à educação dos portugueses por via de uma exaltação messiânica, profética, romântica e saudosista da historiografia lusitana e que, no seu entender, conduziram Portugal para a inércia, para o atraso social e cultural, para o conservadorismo, para a pequenez mental. Por sua vez, António Quadros, e todo o movimento da filosofia portuguesa, consideram que Portugal é detentor de um projecto áureo, universal e congregador para toda a humanidade e que, por esses motivos, não poderá ater-se somente àquilo que é temporal, contemporâneo, progressista, mas, acima de tudo, àquilo que extrapola este patamar e se ocupa do mito, dos símbolos, dos arquétipos e das formas.

(adaptação livre de PINHO, Romana Valente, Deus na tradição do pensamento português contemporâneo: a contribuição de António Quadros, In: A Questão de Deus: História e Crítica)

Bibliografia Indicativa
Ensaio
Introdução a uma estética existencial (1954)
A angústia do nosso tempo e a crise da universidade (1956)
A existência literária: Ensaios (1959)
O Movimento do Homem (1963)
Crítica e Verdade (1964)
O espírito da cultura portuguesa (1967)
Ficção e Espírito (1971)
Portugal, entre ontem e amanhã (1976)
A arte de continuar português (1978)
Fernando Pessoa. Vida, Personalidade e Génio (1981)
Introdução à filosofia da história (1982)
Poesia e Filosofia do Mito Sebastianista, 2 vols (1982-1983)
Fernando Pessoa. Obra Poética e em Prosa (organização), 3 vols. (1986)
Portugal. Razão e Mistério, 2 vols. (1986-1987)
A Ideia de Portugal na Literatura Portuguesa dos últimos cem anos (1989)
O Primeiro Modernismo Português - Vanguarda e Tradição (1989)
Estruturas Simbólicas do Imaginário na Literatura Portuguesa (1992)
Memórias das Origens. Saudades do Futuro. Valores, mito, arquétipos, ideias (1992)
Poesia
Além da Noite (1949)
Viagem desconhecida (1952)
Imitação do Homem (1966)
Ficção
Anjo branco, anjo negro (1960)
Histórias do tempo de Deus (1965)
Pedro e o Mágico (1973)

Eleições imprevisíveis

Eleições imprevisíveis

via sorumbático by noreply@blogger.com (Nuno Crato) on 7/15/08
Por Nuno Crato
UM DOS EPISÓDIOS MAIS ESPECTACULARES da estatística moderna passou-se em 1936, quando as previsões eleitorais da revista norte-americana "Literary Digest" foram contestadas por um ilustre desconhecido chamado George Gallup.
Nas eleições de 1936, após inquirirem mais de 10 milhões de norte-americanos, as sondagens da revista davam a vitória ao candidato republicano Alf Landon, com 57% dos votos. George Gallup, por seu turno, fez apenas três mil inquéritos e previu que o candidato democrata F.D. Roosevelt ganhasse, com 54% dos votos. Ninguém acreditava em Gallup. A revista "Literary Digest" tinha inquirido muito mais votantes. Tinha de estar certa.
O que as pessoas não sabiam era que inquirir mais gente não é sinónimo de melhores previsões. É preciso que a amostra não seja enviesada. George Gallup sabia-o e tinha seleccionado uma amostra aleatória estratificada, como recomendavam para esse tipo de inquéritos os estatísticos que trabalhavam na teoria matemática da amostragem.
Gallup estabelecera proporções para a origem dos inquiridos, conforme o sexo, os rendimentos e o tipo de residência, tentando garantir uma representatividade dos diversos estratos sociais, e escolhera aleatoriamente os inquiridos de cada estrato, de forma a evitar ao máximo as distorções. Roosevelt ganhou as eleições com 61% dos votos e Gallup conquistou a confiança dos norte-americanos.
Passaram sete décadas. De novo os peritos norte-americanos enfrentam eleições muito difíceis de prever. O "International Journal of Forecasting", acaba de publicar uma discussão em que participam 17 especialistas. Irá surgir um novo Gallup?
«Passeio Aleatório» - «Expresso» de 12 de Julho de 2008

segunda-feira, 14 de julho de 2008

FALTA DE VERGONHA

FALTA DE VERGONHA

via o sexo dos anjos by noreply@blogger.com (Manuel) on 7/14/08

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via Legião Vertical by LEGIÃO VERTICAL on 7/14/08

Ao relermos um dos textos publicados no Causa Nacional retivemos estas breves passagens:

«Quem tiver o culto da dignidade, do aprumo, da coragem, não pode deixar de sentir veneração profunda pela arrancada sem esperança dos fiéis do último Mussolini, o Mussolini que, deliberadamente, enveredou pelo rumo do perigo, da amargura, da impopularidade, preferindo quebrar a torcer e mostrando-se, na adversidade do seu dramático e respeito do que nas horas triunfantes das vitórias e dos êxitos estrondosos.

Conforme escreveu Julius Evola (que também esteve com a República Social): "O valor do segundo fascismo está no seu aspecto combatentístico e legionário; como já muito justamente se disse, talvez pela primeira vez na… história, número importante de italianos escolheu, resolutamente, a vida do sacrifício, da derrota, em nome do princípio da fidelidade a um chefe e à honra militar. O seu valor esteve, de uma forma geral, na disposição heróica a lutar ainda que por posições perdidas já."
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