quinta-feira, 24 de julho de 2008

Etnias

via sorumbático by noreply@blogger.com (Joaquim Letria) on 7/24/08

Por Joaquim Letria

NA QUINTA DA FONTE vai ser difícil resolver as questões levantadas a tiro. Aquilo é entre etnias. E de etnias não há cá quem perceba. Na ditadura, havia o Dr. Pinto Bull, ilustre deputado da Nação e um dos poucos negros licenciados. Era ele e o Dr. Nazareth, cardiologista negro de olhos verdes que garantia que Salazar tinha coração.
Na Televisão havia o Adriano Parreira, um preto que dava notícias como os brancos.
Hoje não há um único deputado de cor, no Governo e na RTP nem pensar, depois dos retornados e africanistas terem tomado conta disto. Até a Assembleia da República perdeu a sua pérola do Ganges, que era o Dr. Narana Coissoró...
Hoje, a AR só tem etnia caucasiana, e tão caucasianos são eles que os portugueses ignoram se são moldavos ou ucranianos, tanto os deputados têm a ver connosco!
Na Quinta da Fonte aquilo só se resolve quando os pretos falarem com os ciganos e vice-versa. Enquanto os caucasianos meterem etnias nisto, não se vai a lado nenhum.
«24 Horas» de 24 de Julho de 2008

quarta-feira, 23 de julho de 2008

As papas da Avó Isabel

via Sopas de Pedra by A. M. Galopim de Carvalho on 7/23/08
.
Imagem colhida in: www.flickr.com
.
A CASA DA MINHA AVÓ, na rua de Frei Brás, em Évora, já não existe. Tenho ideia que era o nº 30. No seu lugar, está lá outra. Eu nasci nessa rua, mas um pouco mais acima, no nº 24. Nessa casa, eu e o meu irmão Mário passámos muito do nosso tempo de crianças. Ali brincámos, aí nos zangámos e voltámos a brincar, vezes sem conta. Ali comemos e dormimos muitos dias e muitas noites, fruindo a doçura e a paciência da mãe da minha mãe, que assim procurava aliviar esta filha da carga dos cinco netos que lhe dera.
.
Entre as muitas recordações desse tempo, a meados dos anos trinta, do século que acabou de virar, mantenho bem vivas as papas da minha avó Isabel. Feitas com farinha de trigo, que ela própria passava na peneira de seda, de malha mais fina, são um manjar de recordações que se libertam à mistura com os aromas da canela e da casquinha do limão.
.
Ao aspirar-lhes o perfume, vêm-me à memória o cheiro a barro do ladrilho regado, um expediente contra o calor do Verão, ou o conforto da lareira nos dias de Inverno, onde ela as fazia, numa sertã de asa comprida, sobre uma trempe de ferro aconchegada ao braseiro. Vejo as cortinas das janelas com pavões em croché e duas grandes oleogravuras polícromas, pendendo da parede, uma evocando a implantação da República, outra, a travessia do Atlântico Sul por Gago Coutinho e Sacadura Cabral. Vejo, ainda, o poial dos cântaros e o nicho na parede caiada, que lhe servia de aparador, e onde estava o copo da água sempre coberto por um naperão bordado. Oiço a sua voz doce, o crepitar da lenha e o chiar da água a abrir fervura na cafeteira e, ainda, o outro chiar, quando, misturado e mexido o café, lhe metia dentro a brasinha que lhe baixava a borra.
.
Tão simples quanto boas, as papas da minha avó não levavam leite. Além da farinha, faziam-se com água, uma colherzinha de banha de porco, "para dar sustento", açúcar e uma casquinha de limão, tudo ao lume, mexendo sempre, no mesmo sentido, com a colher de pau, até engrossarem. Estavam prontas logo que a libertação do vapor, vencendo a viscosidade da mistura, começava a fazer bolhas espessas e sonoras.
.
- Já estão a dar bufas! – Exclamava eu, logo que as via borbulhar, lentas e grossas.
.
Nessa altura a avó arredava-as do lume e misturava-lhes o açúcar amarelo, que era o que então se usava, tornava a mexer bem e levava-as, de novo, ao borralho, durante mais uns instantes.

- Já estão boas – dizia eu, impaciente.
.
- Não tenhas pressa que ainda temos de as deixar arrefecer primeiro. Assim quentes, fazem-te mal à barriga – avisava, experiente.
.
A avó vertia-as, então, em pratinhos rasos, polvilhava-as com mais açúcar e, a seguir, com canela, a fazer enfeites. Depois era esperar um tempo, que sempre me parecia imenso.


O 25 de Abril e Marcello Caetano pelo general Silvino Silvério Marquues

O 25 de Abril e Marcello Caetano pelo general Silvino Silvério Marquues

via nonas by nonas on 7/22/08
«O isolamento do Presidente do Conselho no Quartel do Carmo no dia 25, contra o que estava planeado no caso de emergência, o diálogo travado no Carmo ("isto poder-se-ia ter evitado", disse o general Spínola. "Não é altura para recriminações", disse o general Spínola. "Isto poder-se-ia ter evitado», disse general Spínola. "Não é altura para ausência de ligações, naquele dia, com o Presidente do Conselho), a República e com os ministros mais responsáveis, são factos que confirmam aquilo que se ouviu de duas importantes fontes distintas: a revolução havia sido posta, pelos generais Spínola e Costa Gomes, à disposição do Presidente do Conselho que não aceitou, nem se sabe tenha tomado disposições para a dominar. Isso justificaria a inacção do Executivo e os comportamentos verificados naquele dia. O 25 de Abril teria sido pretexto para uma abdicação. O fácil sucesso teria resultado mais dessa circunstância do que a da acção militar. E aproveitou, evidentemente, do prestígio e popularidade do general Spínola.»
General Silvino Silvério Marques
In «Portugal e agora?» Ed. do Templo. Lisboa, 1978, 1.ª edição, pp. 242/243.

terça-feira, 22 de julho de 2008

De Américo Tomás para Marcello Caetano

De Américo Tomás para Marcello Caetano

via Caminhos da Memória by Miguel Cardina on 7/21/08

Cartas Particulares a Marcello Caetano. 1.ºvolume. Prefácio e notas de José Freire Antunes. Lisboa: Publicações Dom Quixote. 1985.

Vergonhas de Abril

via sorumbático by noreply@blogger.com (Joaquim Letria) on 7/22/08
Por Joaquim Letria
ESTE FIM-DE-SEMANA saiu-me ao caminho gente da Associação Portuguesa de Veteranos de Guerra, a pedir. Vendiam rifas numeradas, mas, no fundo, estavam a pedir esmola.
Os Veteranos de Guerra estavam envergonhados por estarem a pedir, com as suas boinas de militar. Um dia, eram ainda miúdos, disseram-lhes que a Pátria precisava deles e que a sua obrigação era morrer, ficar sem braços ou pernas, cegarem, por Portugal. E eles serviram a Pátria, na guerra.
Não sei se alguns eram dos Deficientes das Forças Armadas. Mas estavam envergonhados. Também o meu amigo Marques Júnior devia ter vergonha na cara quando, há dias, a sua bancada socialista recusou direitos aos deficientes das Forças Armadas.
Cada português tem o seu 25 de Abril. O do meu amigo Marques Júnior, capitão de Abril, é um 25 de Abril triste. É um cravo de tirar e pôr no bolso do paletó, uma vez por ano, nas festas do feriado. A pena que me dá…
«24 Horas» de 21 de Julho de 2008

Política, Ascese e Santidade

via NOVA ÁGUIA: O BLOGUE DA LUSOFONIA by Paulo Borges on 7/22/08

"É necessário que surjam no mundo, a exemplo do que foram os frades-soldados da Idade Média, frades políticos, homens que, imolando tudo o que lhes é estritamente pessoal nas aras do geral, não queriam terras separadas do céu, nem céus separados da terra, mas sempre e sempre e sempre os dois unidos no mesmo esplendor de fraternidade, de paz e de bem-aventurança. Não se suponha, porém, que isto se fará falando ou escrevendo ou pensando; isto se fará fazendo. E fazendo pela não-intervenção absoluta na política de grupos; pela escolha, para governantes, de homens e não de legendas; pela atenção aos problemas locais e imediatos e não só aos planetários e futuros; e, como base de tudo, pela conquista e domínio de si mesmo, através do caminho único que têm apontado a experiência e os séculos: o caminho da ascese mais rigorosa e absoluta, da oração contínua e do amor dos homens em Deus e por Deus."
.
- Agostinho da Silva, "Política e Santidade", in As Aproximações (1960), in Textos e Ensaios Filosóficos. II, Lisboa, Âncora Editora, 1999, p.24.

Apenas acrescentaria que "ascese", neste contexto, quer dizer exercício constante da mente para superar os seus limites cognitivos e afectivos (tal como um atleta se treina para ultrapassar os seus limites físicos), que "oração" pode ser para alguns "meditação", que "homens" se pode dilatar a "todos os seres" e que "Deus" se pode traduzir por Infinito ou Natureza primordial. Sem esta ascese e este amor, creio que a política é o pior dos riscos, para si e para os outros. Mas, como diz Agostinho neste texto, é por isso mesmo que os ascetas, que buscam a santidade da não-dualidade, a ela se devem dedicar: não na esfera do confronto de grupos e partidos, mas no domínio mais amplo da sua transcensão e integração no serviço do Bem comum.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Revista Visão História: A queda de Salazar e a "primavera marcelista"

via nonas by nonas on 7/20/08
Fui um dos compradores do segundo número da Visão História por duas razões: uma pelo portfolio de Eduardo Gageiro, a outra pelas declarações de Mário Soares, de Pinto Balsemão e de Freitas do Amaral.

Pela primeira vez, após sempre o ter negado, Mário Soares conta a forma como foi convidado a fazer parte da lista da Acção Nacional Popular: «Antes de as "eleições" serem marcadas, fui apresentado ao novo secretário-geral da União Nacional (esse e os outros nomes só mudaram depois das eleições), Melo e Castro, pelo antigo director de O Tempo e o Modo, o meu amigo António Alçada Baptista, que, quando eu já estava no exílio, aceitou ser o autor de um livro de "entrevistas" com Marcelo Caetano, ou seja, como lhe disse em Paris, "o António Ferro de Caetano", com menos fôlego e originalidade. Melo e Castro convidou-me para jantar, no Grémio Literário. Com algum cuidado e vários rodeios chegou ao ponto que lhe interessava: convidou-me para figurar, em destaque, na lista concorrente (e obviamente ganhadora) da Acção Nacional Popular.» (p. 88)
Mário Soares refere-se às eleições de 1969, as primeiras sob o mandato de Marcello Caetano.
E mais conta: «Realmente, no primeiro Conselho de Ministros, Marcelo Caetano fez sair um breve comunicado, fixando num ano a minha pena de deportação, contando o tempo de prisão antes sofrido, em Caxias. O que significava que estaria de volta a Lisboa em Novembro, dias antes de meu pai completar 90 anos.
Foi a primeira medida concreta da chamada "Primavera marcelista".

Sobre o bispo vermelho do Porto: «Entretanto, o bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, continuava proibido de entrar em Portugal, no seu exílio no Convento de Tormes, em Espanha, perto de Salamanca. Decidi ir, com a minha filha a conduzir e o meu amigo Raul Rego, então director do República, e sua esposa, visitá-lo, para lhe expressar a nossa solidariedade.» (p. 87).
Por seu lado, o bispo vermelho do Porto endereçou a Marcello Caetano, datada de 29 de Maio de 1969, uma carta que teve resposta de Marcello a 12 de Junho, na qual diz: «Pode vir para Fátima, como deseja, quando quiser. Peço-lhe porém que não se dirija ao Porto enquanto a Santa Sé não resolver a situação do administrador apostólico» (p.82) e que gostaria que o seu regresso «tivesse lugar após o acordo do Governo com a Santa Sé» (p.83).
O testemunho de Freitas do Amaral é interessante e relevante quando atesta como êxitos: «reduziu drasticamente (numa primeira fase) os cortes da Censura; permitiu o regresso do bispo do Porto, exilado em Roma, e do dr. Mário Soares, com residência fixa em S. Tomé» (p. 67) e finaliza o texto desta forma: «Assim, a Revolução não se fez contra Marcello Caetano – mas contra as políticas de Salazar, e apesar das correcções tentadas por Marcello Caetano (por serem insuficientes, não por serem erradas). Por isso considero que este não merecia ter acabado como acabou.» (p. 68)

Balsemão na entrevista presta a Pedro Vieira, quando lhe é questionado «o que pretenderia Marcelo ao chamar os "liberais"? responde: «Numa primeira fase, na fase da Primavera, era encontrar gente não comprometida e até com algumas provas, mesmo limitadas, como era o meu caso, de não estar com o regime de Salazar. Gente que não era da oposição clássica, mas com algum afastamento em relação, que depois podia apoiá-lo para fazer as mudanças. O problema era África. O prof. Marcelo Caetano, de início, quis caminhar para uma Federação, que depois evoluísse para uma espécie de Commonwealth. Numa das últimas conversas com ele, eu disse: "Bom, e a Federação e todo esse projecto?" E a resposta foi: "Aonde é que isso já vai!" Nunca me hei-de esquecer desta frase.» (p. 78)
Pinto Balsemão foi convidado por Marcello para se candidatar à lista da União Nacional pelo distrito da Guarda e reconhece a existência de uma amizade familiar com a família Caetano. (p. 78)

No que diz respeito à Ala Liberal, escreve Marcello Caetano no seu livro Depoimento: «Assentei com o dr. Melo e Castro em tentar recrutar para as listas da União Nacional um núcleo forte de jovens da ala progressista moderada, garantindo-lhes liberdade de movimentos desde que aceitassem os princípios fundamentais comuns à lista em que haviam de ser propostos aos eleitores» (p. 71).
Da Ala Liberal faziam parte: Sá Carneiro, Pinto Balsemão, Magalhães Mota, (estes três foram os fundadores do PPD), José Pedro Pinto Leite, Miller Guerra, Mota Amaral e Magalhães Mota.

Duas outras e novas razões que me deixam satisfeito pela compra desta revista/lixo são: que os escrevinhadores de serviço, quais canetas de ouro, poderão vir a ser um dia Prémio Pullitzer, Prémio Nobel, Prémio Fernando Pessoa e que esta revista – sucessora da revista História (?) – demonstra às claras que Marcello Caetano foi um TRAIDOR ao Estado Novo e que passa a fazer parte - ao lado dos livros de Manuel Maria Múrias "De Salazar a Costa Gomes", Nova Arrancada, Lisboa, 1998; de António José de Brito, "Sobre o Momento Político Actual", ed, do Autor, Porto, 1969; e de Eduardo Freitas da Costa "Acuso Marcello Caetano", Editorial Liber, Lisboa, 1975; - do libelo acusatório de traição aos princípios de Salazar e do Estado Novo confirmando as célebres e premonitórias de Alfredo Pimenta no seu opúsculo "Contra a Democracia", pp. 6/7, Amigos do Agora!, 1949.:
«... O meu conceito de Democracia e a minha repugnância por este sistema absurdo de orgânica política, obrigam-me, por coerência mental e compreensão histórica, a desejar que o meu País não se deixe seduzir pelas fantasmagorias transparentemente interesseiras dos srs. Jorge Botelho Moniz e Marcelo Caetano, arautos da renovação democrática e da reconciliação na Democracia, e tenha sempre presentes os conceitos fundamentais expostos pelo sr. Presidente do Conselho no seu já famoso discurso de 7 de Janeiro deste ano, no Palácio da Bolsa, no Porto.»
Como o Alfredo Pimenta os topava e já em 1949!!!

O 25 de Abril e Marcello Caetano pela PIDE - I

O 25 de Abril e Marcello Caetano pela PIDE - I

via nonas by nonas on 7/20/08
«A PIDE ou o Governo já sabiam que ia ocorrer uma revolução a 25 de Abril?»

«É claro que sabiam. Principalmente depois do golpe das Caldas, a 16 de Março, controlávamos todos os movimentos dos militares subversivos. Sabe o que nos enganou? Estávamos convencidos de que o general Spínola dominava a situação. É que o general Spínola ainda nos inspirava alguma confiança, não era comunista. Sabíamos que ia dar-se o 25 de Abril, o que não sabíamos é que o 25 de Abril teria o desfecho que teve…»
«Acha que Marcello Caetano pode ter combinado com Spínola o 25 de Abril?»

Tenho praticamente a certeza. Na manhã do dia 25 o director da PIDE, major Silva Pais, estabeleceu um contacto com Marcello Caetano, que já estava no Quartel do Carmo, e acordaram que uma brigada da polícia iria buscar o presidente do Conselho. Eu, o Sílvio Mortágua, o Abílio Pires e o Agostinho Tienza fomos os escolhidos. Num carro seguiram o Mortágua, o Tienza e eu. O Pires foi no seu próprio carro, atrás de nós. Seguimos em dois carros para que, em caso de necessidade, um deles pudesse executar uma qualquer manobra de diversão. Íamos esperar o presidente do Conselho à Rua do Carmo. Existe uma ligação – eu não quero ser romanesco e dizer que há uma passagem secreta – entre o Quartel do Carmo e a Rua do Carmo. Essa ligação ainda deve existir hoje, concerteza. O major Silva Pais combinou o nosso encontro com Marcello Caetano para esse local. Seguindo as suas instruções, parámos o carro mais ou menos a meio da Rua do Carmo, uns metros acima dos pilares do elevador de Santa Justa. Como o Marcello nunca mais aparecia, eu disse aos outros para permanecerem ali, subi a Rua do Carmo, virei na Rua Garrett, subi a Calçada do Sacramento e apresentei-me no Quartel do Carmo. Fui recebido pelo comandante-geral da GNR, que me conduziu até ao Marcello. Disse-lhe que estávamos à sua espera na Rua do Carmo, de acordo com o que havia sido combinado com o major Silva Pais, e o Marcello respondeu-me que não era preciso porque já tinha tudo tratado com o general Spínola!... (p. 151)
Nunca recebemos na PIDE qualquer ordem para atacar o Salgueiro Maia e as tropas estacionadas no Carmo. O que se esperava, aliás, era que as tropas fiéis ao governo pusessem cobro àquela situação irregular. Não puseram… E repare que a GNR aquartelada no Carmo era, só por si, uma força, um esquadrão de Cavalaria que tinha certamente autometralhadoras e que, sem necessitar de mais ninguém, podia acabar com aquilo. O Marcello Caetano é que nunca permitiu que a PSP ou a GNR actuassem. Se tivesse dado ordens concretas à PSP ou à GNR nesse sentido, aquilo acabava tudo em cinco minutos.» (p. 153)

Óscar Cardoso
Inspector da PIDE/DGS.

In Bruno Oliveira Santos, Histórias Secretas da PIDE/DGS, Nova Arrancada, Lisboa, 2000.