quinta-feira, 30 de outubro de 2008

The Portuguese Discoverers (I)

via Carreira da Índia by Leonel Vicente on 10/27/08

Nota Prévia

É uma verdade reconhecida que os descobrimentos marítimos do século XV foram o grande pórtico da Idade Moderna. A penetração no Oceano Atlântico, começada ao redor de 1420, permitiu a exploração da costa africana que terminou com a chegada de Bartolomeu Dias ao Cabo da Boa Esperança (1488). Em tentativas que decorrem nesse intervalo, descobriram-se os arquipélagos da Madeira, Açores, Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe, além de mais ilhas sonhadas pela imaginação do tempo. A busca de terras nas direcções Norte e Oeste, "para além da grandeza do mar Oceano" foi outro objectivo dos navegadores que traziam com eles a ânsia de dilatar o Cosmos. Esse longo processo culminou em três momentos decisivos da história universal: a chegada de Cristóvão Colombo ao Novo Mundo (1492); a ligação directa entre Portugal e o Oriente, efectuada por Vasco da Gama (1498); e o achamento por Pedro Álvares Cabral da terra que veio a ser o Brasil (1500).

"The Portuguese Discoverers", from "The Discoverers", Daniel J. Boorstin, The National Board for the Celebration of Portuguese Discoveries, Lisbon, 1987

Daniel J. Boorstin - antigo director da Biblioteca do Congresso

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Tarrafal - O «período agudo»

Tarrafal - O «período agudo»

via Caminhos da Memória by Caminhos da Memória on 10/28/08
Em Agosto de 1937, depois de uma tentativa frustrada de fuga por parte de um grupo de prisioneiros, estes foram forçados a cavar uma vala em volta do campo, que garantisse maiores condições de segurança e matasse à nascença quaisquer ilusões de sucesso em novas tentativas de evasão. É a este acontecimento que Edmundo Pedro [...]

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Salazar o republicano

Salazar o republicano

via Centenário da República by libnitz@hotmail.com (Rui Monteiro) on 10/1/08


Oliveira Salazar conseguiu alimentar durante muito tempo a lenda dos seus sentimentos monárquicos. O conhecimento que hoje temos dos seusescritos de juventude, a observação cuidada dos acontecimentos políticos da época e o conteúdo da correspondência entre Salazar e Caetano, revelam que o seu alegado "monarquismo" se inseriu num habilidoso jogo político através do qual Salazar conseguiu obter o apoio de alguns monárquicos para sustentar o seu "Estado Novo" [2] .
O seu anti-monarquismo começou a revelar-se dentro do Centro Católico, quando, no seu Congresso de 1922, vinga a tese de Salazar de que o Centro deveria aceitar o regime republicano "sem pensamento reservado". Monárquicos católicos, com destaque, entre outros, para Fernando de Sousa (Nemo), Alberto Pinheiro Torres, Pacheco de Amorim, abandonaram então o Centro Católico.
Ao chegar ao poder, no discurso que proferiu em 9 de Junho de 1928, a solução do "problema político" do regime (Monarquia ou República) surgia ainda em último lugar nas suas prioridades. Uma resolução tomada dois anos depois, porém, revelava a grande distância que ia entre as suas palavras e os seus actos. Após a falhada Monarquia do Norte, em 1919, umas centenas de oficiais do exército foram afastados do serviço ou demitidos, quando dominava a cena política o Partido Democrático de Afonso Costa. Mais tarde, o governo de António Maria da Silva, para amainar os animos já muito exaltados contra a 1ª República, apresentou no Parlamento e no Senado um projecto visando a reintegração no serviço activo daqueles oficiais. O golpe militar de 28 de Maio de 1926 interrompeu o processo, mas, em 1930, o tenente-coronel Adriano Strecht de Vasconcelos apresentou ao presidente Carmona um documento intitulado "A Situação Jurídica dos militares afastados do serviço do Exército em 1919″, pedindo justiça. Oliveira Salazar reagiu impedindo a reintegração daqueles oficiais monárquicos.
Na sequência da morte de D. Manuel II, em 2 de Julho de 1932, a ilusão do "monarquismo" de Salazar caiu por completo quando o seu Governo se apropriou dos bens da Casa de Bragança instituindo a Fundação da Casa de Bragança. A derradeira prova de que Salazar não queria a Monarquia deu-se em 1951 no Congresso da União Nacional, em Coimbra. Em discurso encomendado por Salazar, Marcello Caetano vem a travar naquele congresso as teses da Restauração da Monarquia [3].
Fonte :http://portuga-coruche.blogs.sapo.pt/tag/estado


... quem quer ter "fé" que acredite na República....

... quem quer ter "fé" que acredite na República....

via Centenário da República by joaoamorimblogge@gmail.com (João Amorim) on 10/24/08

"O catolicismo não tem sido nem é capaz de ser amigo do povo. Mal dêste, se dêle confiasse a resolução do problema essencial da sua existencia. Seria um atraso na vida coletiva, só comparável a um cataclismo que fizesse voar em estilhas o orbe terraqueo!"

Afonso Costa, conferência na Imprensa Nacional de Lisboa, 1914

Uma audácia...

Uma audácia...

via Centenário da República by joaoamorimblogge@gmail.com (João Amorim) on 10/22/08

"Falei então ao sr. de Almeida sobre a visita às prisões e Lisboa. Foi motivo para que ele verberasse, uma vez mais, os processos do sr. Afonso Costa.
– Contra estes processos, disse-me, já eu protestei na Camara e não cesso de protestar, tanto no meu jornal como nas assembleias publicas. (...) Comtudo não posso admitir que qualquer individo suspeito de preferencias pelo monarquismo seja preso pela mais arbitraria das formas e acho perfeitamente intoleravel que os presos estejam, até ser julgados, numa longa detenção preventiva – e as mais das vezes ainda em que escandalosas condições! Repito o que já disse este regime que não tem nada de republicano, que é a propria negação de Republica, não pode continuar durando. E é que não durará. Dê lá por onde dér, e no intuito de lhe por côbro, empregarei toda a minha energia...
– Quando ia retirar-me perguntei ao sr. de Almeida se julgava possivel uma restauração monarquica.
– No estado de anarquia em que nos debatemos pode vingar um golpe de audácia.
(...) "

Jornal "República". Entrevista a António José de Almeida, 4 de Novembro de 1913.

E no estado de anarquia em que nos debatemos fará sentido que Comemoração?
Isso é que é uma audácia!

Definição de Fascismo - Autobiografia de Mussolini

Fascismo - Wikipédia, a enciclopédia livre:

"Em 1928, na 'Autobiografia' ditada a Richard Washburn Child, Mussolini disse que estudou muito o risorgimento e o desenvolvimento da vida intelectual italiana depois de 1870, que 'meditou muito com os pensadores alemães', que admirava os franceses, e que um dos livros que mais o tinha interessado fora A Psicologia das Multidões de Gustave Le Bon. Colocando-se o problema da Revolução, Mussolini rejeitava o bolchevismo, e que, a ser realizada uma Revolução em Itália, esta deveria ser 'tipicamente italiana', firmando-se 'nas dimensões magnificentes das ideias de Mazzini e com o espírito de Carlo Pisacane' [2]"

domingo, 26 de outubro de 2008

Um Caso Triste!

Foram a leilão no passado dia 25 de Outubro:
«... conjunto de 15 cartas e seis bilhetes, até agora desconhecidos do público, vai a leilão no dia 25, no Hotel Fénix, às 15.00, por iniciativa de Nuno Gonçalves, leiloeiro e livreiro.»

Do teor destas cartas ressalta a profunda ingratidão para com o Prof. Marcelo Caetano e o Dr. Salazar do assistente de Marcelo Caetano e antigo líder do CDS, Prof. Diogo Freitas do Amaral.
Que tratado de psicologia e de sociologia se poderia elaborar com exemplos destes!? perante acontecimentos adversos, algumas pessoas trocam de personalidade como quem troca de camisa. É triste, muito triste!...
Rui Moio


Um Caso Triste!
via Os Veencidos Da Vida by Lory Boy on 10/22/08
"A quem como discipulo beneficiou dos ensinamentos do Mestre cumpre assinalar o luto e a divida de gratidão."
Pedro Soares Martinez

O Desabafo...
Marcello Caetano
Presidente do Conselho de Ministros entre 1968 e 1974, sucessor de Salazar; Professor Catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, é considerado o pai da escola Administrativista Portuguesa. É um dos maiores juristas da história do Direito Português, e o melhor no campo do Direito Administrativo.

"O Diogo era devoto de Salazar, amigo do presidente Tomás, de quem um tio era ajudante, ao ponto de ir preparar os seus exames para o Palácio de Belém! A revolução dos cravos foi sobretudo a derrocada do carácter dos portugueses. Que homem!"
(...)
"Não sei o que pensas a respeito do CDS - para mim tem sido um desapontamento, como para a maioria das pessoas minhas conhecidas que a princípio acreditaram nele. E as atitudes do meu antigo discípulo - assistente Diogo do Amaral - na política e em relação a mim foram um dos maiores desgostos que neste período sofri"
(Carta de 13 de Abril de 1977)

"na verdade, no desgraçado panorama da política portuguesa actual, não há melhor"(que o CDS)
(...)
"Quanto ao CDS, compreendo muito bem a tua posição (...). As minhas razões de desconsolo com o partido e de indignação com o presidente são pessoais. E infelizmente justificadíssimas. No ano passado estive muito mal de saúde com o desgosto que me deu o sr. Diogo do Amaral. Mas isso é coisa minha e vocês têm de se agarrar ao que houver de menos mau."
(Carta de 28 de Abril de 1977)

"O que me impressiona no panorama político português actual é não ver ninguém com qualidades morais de liderança do País e sobretudo da chamada direita. Infelizmente conheço muito bem os Kaúlzas e os Adrianos Moreiras que tudo sacrificam à ambição do mando e tive um enorme desapontamento com o Diogo do Amaral. Do Galvão de Melo, simpatiquíssimo desmiolado que durante anos conheci fiel sustentáculo do salazarismo, nem se fala."
(Carta de 25 de Maio de 1977)

"Cá cou passando menos mal, assombrado(embora não surpreendido)com o espectáculo da democracia portuguesa. O Tal Soares deveria escrever um livro intitulado 'Como se Destrói um País'"
(Carta não identificada pelo DN)


...e a resposta (do visado).
Diogo Freitas do Amaral
Professor Catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, especialista em Direito Administrativo, foi largos anos assistente de Marcello Caetano no período de regência deste da disciplina de Direito Administrativo. Considerado como sucessor de Marcello Caetano, é ainda hoje o maior especialista vivo de Direito Administrativo em Portugal.

"Considero um grande elogio ser acusado por adversários da democracia em ter contribuído para a consolidar, em Portugal, em vez de, como pretendiam, ter alinhado nos golpismos de direita, que foram tentados em 1974/75 e nos quais sempre recusei colaborar"
(...)
"Pelo relato que me foi feito, as figuras políticas mais atacadas nessas cartas são as do Dr. Mário Soares e a minha própria, ao mesmo tempo que os nomes mais elogiados como sendo capazes de fazer regressar, por via militar, Portugal ao regime da Constituição de 1933 são os generais António de Spínola, Galvão de Mello e Kaúlza de Arriaga"
(...)
"Não lhe levo a mal porque estava profundamente deprimido no seu exílio no Brasil. De resto, sinto-me em muito boa companhia junto do Dr. Mário Soares e considero um grande elogio ser acusado por adversários da democracia em ter contribuído para a consolidar em Portugal"


segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Cunha Leal: um retrato de Salazar

via Caminhos da Memória by Caminhos da Memória on 10/9/08


Discurso por ocasião da travessia aérea do Atlântico Sul, 1922
(como director do jornal O Século)

Um texto de Fernanda Paraíso (*)

Francisco Pinto da Cunha Leal (1888-1970), que foi reitor da Universidade de Coimbra entre 1924 e 1925, conheceu Salazar quando este era professor de Economia e Finanças em Coimbra.

Três anos depois, quando já interrompidas as suas relações pessoais com o então Ministro das Finanças (1928-1932), Cunha Leal descreve-o nestes termos:

«Bisonho, avesso às fáceis relações com os contemporâneos de escola, naturalmente misógino, refugiado dentro do seu orgulho como um cágado dentro da concha protectora, conservou-se sempre um quase isolado, calcando, implacavelmente, os seus próprios sonhos com o cilindro de uma alma fria, tristemente despida das ilusões fagueiras da mocidade.» (Obra Intangível, pág. 43)

Volvidos mais de trinta anos, Cunha Leal volta a analisar as origens da personalidade de Oliveira Salazar nas suas Memórias, propondo-se: «tentar definir a tessitura espiritual [de Salazar] tal como a minha observação directa me permitiu visioná-la através das nossas relações».

Cunha Leal refere as origens humildes de Oliveira Salazar e a sua educação como factores preponderantes da sua análise, citando o próprio que se define como «integrado no grupo social dos "pobres, filhos de pobres"». Sobre o Seminário de Viseu, que Salazar frequentou entre 1900 e 1908, ou seja, dos 11 aos 19 anos, Cunha Leal recorda que o próprio Salazar afirmava «dever àquela casa grande parte da [sua] educação que doutra forma não faria». Seguidamente, tece algumas considerações sobre o abandono da carreira eclesiástica do jovem Salazar, que confessou ter «perdido a fé em que lá me educaram» e vai terminar o ensino secundário já no Liceu de Viseu, entre 1909 e 1910.

Eis alguns excertos do retrato de Oliveira Salazar, visto por um homem apenas um ano mais velho, e que o conheceu pessoalmente, com alguma intimidade:

«Nascido em 1889 começou a cursar a Universidade de Coimbra com 21 anos e meio de idade, isto é com maturidade espiritual superior à da generalidade dos restantes caloiros. Esta circunstância, aliada à inferiorização material decorrente duma honesta e sadia pobreza, à origem pouco correntia da sua escolaridade, a um ingénito ensimesmamento anímico, a acentuadas dificuldades de expressionismo oratório e à imensidade do orgulho a que são atreitos certos solitários, afastou-o, radicalmente, das doces leviandades da boémia estudantil tradicional e acabou por transformá-lo num ser hipocondríaco e taciturno, aferrado ao estudo como única tábua para navegar num oceano de desconsolo íntimo.»

E mais adiante:

«Confesso o meu pecado ou… a minha virtude. Dos contactos conimbricenses com o Dr. Oliveira Salazar resultou simpatizar com ele. Era um homem hermético [...] meticuloso como professor, exigente, com tendência para a severidade austera [...] Faltava-lhe calor humano e, por isso, confinava a sua actividade docente dentro do conceito dum distanciamento altaneiro entre mestre e discípulos [...] Quando me punha, porém, a reflectir na evolução da sua vida, tratava logo de fazer um sério esforço de compreensão. Que de desconsolos íntimos não viria ele fazendo refluir da zona da consciência para as geenas do subconsciente! A vida é fácil e, frequentemente, doce para os favorecidos da fortuna, mas é de extrema dureza para quantos, apesar da sua pobreza, anseiem por trepar na escala social, sem, contudo, renegarem a sua origem, antes orgulhando-se dela. Se, ao longo da trajectória de certas criaturas de Deus, se não proporciona aos seus organismos, pletóricos de energia física e espiritual, a alternância do cumprimento dos deveres, mais modestos do que gratos, com gozos por vezes simples, como a contemplação embevecida dos sublimes encantos de que a natureza é pródiga, a par de outros de valor moral mais complexo, como os derivados das ferroadas do sexo e do amor e de tantas outras expansões cuja necessidade desabrocha espontaneamente, [...] então não é de estranhar que a melancolia se aposse delas. E, quando a auto convicção do seu valor intrínseco refine com a educação e o consequente ascenso cultural, é de crer que se gere na alma de tais pessoas um ressentimento que, em regra, descambará em neurastenia quando se vejam privadas, por mor da conjugação da penúria material com a timidez, de satisfações e honras sociais. E esse estado temperamental virá a descambar em tirania se, um dia, na roleta do Destino, acertarem no número que, inesperadamente os sagre como vencedores omnipotentes».

Cunha Leal, As Minhas Memórias, Coisas dos Tempos Idos, volume III, Lisboa, 1968 (págs. 169-175)

(*) Biografia de Fernanda Paraíso