sexta-feira, 31 de outubro de 2008

The Portuguese Discoverers (V)

The Portuguese Discoverers (V)

via Carreira da Índia by Leonel Vicente on 10/31/08

Obra fundada na mais moderna bibliografia e assente em aparato crítico, impõe-se como um grande quadro das viagens terrestres e marítimas a que a Humanidade assistiu ao longo dos tempos. Na parte VI refere-se aos descobrimentos que nos séculos XV e XVI deram uma nova imagem do mundo e alargaram o conhecimento do homem. Nos capítulos 21 a 24, o autor reconhece a acção pioneira dos portugueses no processo da expansão europeia na África, no Oriente e na América. Com mestria põe em relevo os móbeis desse processo, a visão esclarecida dos seus condutores e o papel dos navegantes que contribuíram para o destino histórico de Portugal.

O Professor Boorstin construiu uma verdadeira saga dos descobrimentos portugueses, onde reis e marinheiros, mercadores e religiosos, cronistas e viajantes surgem redivivos através do seu esmerado talento literário. O autor não precisou de escrever muito para traçar a sua história, nem de recorrer à apologia para ser fiel à verdade dos acontecimentos. Ergueu uma obra documentada e séria, o que justifica a iniciativa da Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses de proceder à reprodução dos mencionados capítulos da edição original.

"The Portuguese Discoverers", from "The Discoverers", Daniel J. Boorstin, The National Board for the Celebration of Portuguese Discoveries, Lisbon, 1987

Daniel J. Boorstin - antigo director da Biblioteca do Congresso


quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O GRANDE RIO DO SUL

via Sopas de Pedra by A. M. Galopim de Carvalho on 10/30/08
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Guadiana em Mértola. In: www.tripadvisor.com
NAQUELE ANO DE 1961 o director do meu departamento, na Faculdade de Ciências, mandou-me acompanhar um seu colega francês, da Universidade de Reims, a realizar trabalho de campo na região de Mértola. Tive, assim, oportunidade de percorrer o Guadiana em alguns dos seus mais belos troços, hoje submersos, e isso encorajou-me a conhecê-lo de outros ângulos que não os da geologia.
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"Dizem que havia um pastor antre Tejo e Odiana, que era perdido de amor per ua moça Joana", escreveu, no século XVI, Bernardim Ribeiro, na Écloga de Jano e Franco.
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Grande rio do sudoeste ibérico, de importância capital na estruturação do território peninsular, o Guadiana foi usado pelos Romanos como divisória entre duas das grandes províncias administrativas do império, a Bética, a oriente, e a Lusitânia, a poente, confrontadas ao longo do troço que hoje corre a jusante do Caia. Rio designado, até ao século VIII, por Ana, os Árabes respeitaram-lhe o nome, antepondo-lhe uadi, que significa rio, o mesmo elemento composicional que nos ficou nas designações de alguns cursos de água no sul do país, como Odeleite, Odemira e outros mais, termo que está igualmente em uso nos uedes do noroeste africano, os vales secos correspondentes aos rios temporários característicos das terras semiáridas do Magrebe.
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Uadiana ou Odiana foi o nome deste importante curso de água, eixo do al Garb al Andalus, expressão que, em árabe, quer dizer o ocidente da Hispânia, ou seja, grosso modo, a Andaluzia, hoje na Espanha, o Alentejo e o Algarve. Odiana sobreviveu à reconquista, no século XIII, e assim se manteve, por mais três centenas de anos, na linguagem dos portugueses. Antre Tejo e Odiana era o nome da grande comarca e da circunscrição administrativa meridionais, ao tempo em que este rio foi fronteira entre os reinos de Portugal e de Leão. Por seu lado, os castelhanos transformaram o uadi, radicado na região ao longo de cinco séculos de ocupação islâmica, em guadi, elemento que ainda hoje compõe o nome de muitos rios do sul de Espanha, como Guadalimar, Guadalupe, Guadojoz e, o mais conhecido de todos, o grande Guadalquivir. Guadiana é, assim, um nome importado que se impôs em virtude da sua posição raiana e que substituiu o antigo Odiana, influência que não se verificou com os nomes Odeleite, Odiáxere e outros com a mesma raiz, correspondentes a rios mais afastados da influência castelhana.
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Desde sempre, como qualquer grande rio, o Guadiana foi pólo de atracção das populações. Os mais antigos testemunhos datam do Paleolítico, representado por abundantes utensílios em pedra lascada jacentes nos seus terraços. Tal atracção percorreu toda a Pré-história e os tempos históricos até aos nossos dias, sendo de assinalar, entre outros, os vestígios da ocupação romana, deixados nas minas de pirite de S. Domingos, a presença islâmica, hoje bem conhecida em Mértola, os vários castelos e praças fortes edificados nas suas margens e cercanias, o porto mineraleiro do Pomarão e as muitas dezenas de açudes construídos no seu leito a fim de lhe represarem as águas e, com isso, mover as respectivas azenhas.
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Na continuidade da relação do Homem com a terra, temos hoje a barragem de Alqueva, obra imensa que representa, para muitos, o mais recente e talvez o mais grandioso e esperançoso abraço entre o Alentejo e o grande rio. Assim os inconfessáveis interesses de alguns não estraguem as esperanças desses muitos.

SALAZAR, O ABANDONO

SALAZAR, O ABANDONO

via Os Veencidos Da Vida by Lory Boy on 2/21/08
«Hão-de dizer muito mal de mim. É por isso que eu dou importância à publicação dos livros brancos: explicarão como se defenderam os direitos portugueses, e o cuidado e o pormenor com que isso se fez.»

Por entre o rol dos discursos de Salazar, existe uma página particularmente significativa no que se refere à sua capacidade de prever o futuro. Foi escrita em 1958, quando já trinta anos tinham corrido sobre o momento em que tomara conta da pasta das Finanças para não mais deixar o governo do País. Mas poderia tê-lo sido hoje, tão actual e lúcida se revela no julgamento dos homens e no abandono a que a história o havia de condenar post mortem.
Refiro-me ao seu discurso de 1 de Julho de 1958.
Como é sabido, Salazar nunca improvisou o pensamento ou a palavra.
Meditava, concebia, compunha em silêncio, e lia depois em público o que havia elaborado na intimidade do seu gabinete. De onde o rigor terminológico e doutrinário das suas intervenções, e também da peça que nos importa reter aqui.

Naquele texto, após aludir ao problema da longevidade dos governantes e considerar que a questão se colocava em Portugal relativamente a si próprio, o então Chefe do Govemo rematava com duas importantes passagens do Novo Testamento, ambas extraídas da paixão de Cristo: o abandono do Mestre e a traição de S. Pedro. "Muito desejara eu que todos os que são guindados às culminâncias das honrarias e do poder e o julgam sua pertença e direito, ou alguma vez gozaram dos favores da multidão, meditassem um pouco a paixão de Cristo como é descrita em qualquer dos Evangelhos. Há sobretudo dois pontos dignos de reparo." O primeiro – escreve – é o que se refere à apoteose, ao verdadeiro triunfo popular de Cristo aquando da sua entrada em Jerusalém, no domingo de Ramos, e à sua desgraça escassos dias depois, entregue que foi a uma morte desonrosa na cruz. "Em quatro dias – anota Salazar -, que tantos são os que vão de domingo a quinta-feira, secaram as flores, murcharam as palmas e os louros, calaram-se os hossanas e os vivas e até as gentes miraculadas não consta que tornassem a aparecer."

O segundo passo digno de registo diz respeito a S. Pedro, caput dos Apóstolos, clara "emanação da natureza", homem "aberto, simples, leal, firme na amizade como uma rocha", sobre quem o Mestre quis edificar a sua igreja. Suspeito na noite mesma da detenção do Senhor de fazer parte da sua gente, havia de negar três vezes que o conhecia, num gesto que ficou para sempre como "o protótipo da traição, a traição pura".

E Salazar prossegue: "Ainda se pode admitir que a amizade houvesse diminuído, que a fé se entibiasse, que o futuro se deparasse incerto quanto à aceitação da nova doutrina. Mas o conhecimento pessoal do Mestre, esse era um facto incontroverso." E por isso Cristo há-de ter sentido uma "tristeza infinita", a tristeza que inunda "uma alma acusada sem provas e condenada inocente."

Temos aqui, por conseguinte, num único fragmento de texto, duas faces da mesma moeda: o abandono e a traição.
Duas fortes, irredutíveis realidades. Qual o significado delas? Qual a oportunidade do seu emprego naquela conjuntura?
Pode afirmar-se, sem margem para erro, que o tema da deslealdade humana vinha ocupando o espírito de Salazar desde há muito. Revela-o, quanto à inconstância das multidões, uma entrevista concedida a António Ferro em plena época carismática, na qual, respondendo a uma pergunta do jornalista sobre porque é que não era mais acessível à multidões que o vitoriavam, Salazar afirmava não poder adular o povo sem ir contra a sua consciência e que o Estado Novo, sendo embora um regime popular, não era todavia um governo de massas.

Revela-o de igual modo uma frase dita a Christine Garnier acerca da volubilidade da opinião pública: "Os que desejam aplaudir-me hoje hesitariam em desviar-se de mim se outra paixão se apoderasse deles?"
Político hábil, bom conhecedor da natureza humana, educado à sombra dos moralistas de outrora – um António Vieira, um Heitor Pinto, um Manuel Bernardes –, Salazar sabia que, valendo as coisas na proporção do que custam e exigindo os grandes ideais grandes renúncias, a lealdade era na vida planta frágil. Lealdade a tudo quanto fosse relevante: um princípio, uma crença, uma instituição, uma pessoa. Lealdade, em última análise, à própria consciência subjectiva, que consiste em descer o indivíduo ao fundo de si mesmo para ouvir a sua voz interior e ordenar-se por ela.

Sabia, por isso, que são muito mais abundantes no mundo os homens de meios que os homens de princípios, os homens de interesses que os homens de ideais, os homens de ocasiões que os homens de convicções.

A grande maioria dos cidadãos serve, com efeito, o poder onde quer que ele esteja, e os poderosos onde quer que os encontre.
Até o próprio S. Pedro.
A atitude de Pedro ilustra uma constante da conduta humana, que é a fuga nos momentos de risco. Se o apóstolo veio a arrepender-se depois e a arrostar pela vida fora com as maiores provações, aquilo que o distingue do ser mediano não é a queda in se, a traição, a infidelidade, mas justamente o contrário – o arrependimento, a contrição.
Ora, a exemplo de todos os bons governantes, Salazar não ignorava esta lei da vida. Sendo os homens como são, sabia que tão logo abandonasse o governo, mediante renúncia, incapacidade ou morte política, alguns dos amigos da véspera, dos colaboradores, dos seguidores, dos aduladores, agindo com reserva mental, ficariam dispostos a colaborar com o novo Príncipe.

Simplesmente, observa-se aqui um fenómeno curioso: à medida que ele próprio se ia pombalizando (no dito de espírito de Afonso Lopes Vieira), à medida que o poder, pela passagem do tempo, se lhe ia convertendo numa segunda natureza, mais a questão da deslealdade humana parecia cativá-lo. É o que induzem os factos, independentemente do juízo que deles se faça.
Senão vejamos.
Em 1958 aborda e espiritualiza o tema no citado discurso de 1 de Julho.
Na década de 60 várias vezes o retoma. Assim, a Pedro Theotonio Pereira afirma que não vai deixar memórias mas que as escrevesse ele e contasse a verdade, relatando o que tinha visto e ouvido.
A Franco Nogueira comenta, num prognóstico claro: "Cheguei ao fim. Os que vierem depois, vão fazer diferente ou vão fazer o contrário e contra mim."

Significativo é também o episódio da inauguração da ponte sobre o Tejo, ocorrido em 1966. Salazar efectua uma visita prévia à ponte com Arantes e Oliveira e vê o seu nome implantado em letras de bronze nos respectivos padrões. Pergunta ao ministro: "As letras estão fundidas no bronze ou simplesmente aparafusadas?". Porquê? "É que se estão fundidas no bloco de bronze vão dar muito mais trabalho a arrancar." E, na sequência, explica aos presentes: a ponte ficou com o nome Salazar por insistência do Presidente da República mas isso "é um erro": "os nomes de políticos só devem ser dados a monumentos e obras públicas cem ou duzentos anos depois da sua morte. Salvo os casos de Chefes do Estado, sobretudo se estes forem reis, porque então se está a consagrar um símbolo da Nação." Após o que vaticina, apontando com o indicador: "O meu nome ainda há-de ser retirado da ponte. Por causa do que agora se fez, os senhores vão ter problemas."

Gonçalo Sampaio e Mello
Jurista
Excerto do Texto Públicado na Revista Magazine Grande Informação

(Mas que belo texto Senhor Professor!)

O abandono de Salazar

via Os Veencidos Da Vida by Lory Boy on 10/28/08
Ao Prof. Gonçalo Sampaio e Mello

Postei aqui, um dia, parte de um dos mais belos - e consequentemente um dos meus preferidos - artigos que li sobre Salazar.
Hoje publico a continuação.

O texto é maravilhoso, uma obra de arte. Não lhe fico indiferente.
Primeiramente pelo autor, um dos meus Mestres, a quem, como ensinou e escreveu o Professor Pedro Soares Martinez, devem ser prestadas as devidas homenagens assinalando a divida de gratidão, como discípulo que beneficiou dos seus ensinamentos.

E depois porque o texto está escrito de uma forma magnifica.
Trata-se de um juízo histórico muito real, muito racional, mas ao mesmo tempo muito humano.

O texto (que encontrei num jornal comemorativo do centenário do nascimento de Salazar - tem portanto 20 anos!), não traiu as minhas expectativas. Pelo contrário, o Mestre, como que justificando a razão de ter ocupado esse seu lugar, cumpriu e fez aquilo que dele se esperava: surpreendeu.

Resta-me deixa-lo para que também vós o possais apreciar.

(Aqui fica a continuação do texto antes aqui publicado)

Quer isto dizer que renegava a sua obra? Não. Mas contemplando-se a si mesmo, olhando em redor, conhecendo a terra e o meio sobre que governara durante 40 anos, Salazar havia previsto o seu fim e a sentença da História. E tinha razão.
Ter razão é, no juízo mais simples que se conhece, ver as coisas não como parecem, mas como elas são na realidade
Penetrá-las fundamente ab imo pectore. Salazar teve, pois, razão ao prever, por gestos, palavras e atitudes, o seu abandono e fê-lo como Chateaubriand, para além-túmulo.
Mas ocorre perguntar agora: teria previsto o grau, a latitude desse abandono?
É sabido que nas épocas de ruptura da História de Portugal, muitos são os que desertam do lugar onde se encontram e passam para o campo dos vencedores. Em regra, a grande maioria adapta-se ao novo tempo e dos homens públicos, como do povo, parece precária a lealdade. Mas é certo também que os chefes, em Portugal, mesmo depois de cair, sempre tiveram partidários. Poucos, talvez — mas ilustres. (...)

Mas, é lícito sabê-lo: e Salazar? Quem são, quais são os partidários de Salazar?
Tendo orientado os destinos da nação por quatro décadas, entre 19(28) e 1968, reunido à sua volta figuras eminentes da política, da economia, da ciência, da sociedade, da cultura, conseguindo obter, enquanto vivo, o apoio de grande parte do País, lutando galhardamente até ao fim por uma obra colectiva que o transcendia, recusando para Portugal, o papel de mordomo de interesses estrangeiros — Salazar deixou atrás de si uma herança que pode ser contestada mas não ignorada. Uma herança política, doutrinária e moral.
Mas se existe herança — onde estarão os herdeiros?
Difícil é dizê-lo.
O tempo próximo diluiu a memória das coisas, um véu cobriu a vida pública e entre os amigos, os companheiros, os correligionários, os seguidores, os aduladores, os muitos que andaram pêlos labirintos do Estado Novo, ninguém aparece, com efeito a reclamá-la.

Homens que exerceram funções de governo, que ocuparam cargos de responsabilidade, que serviram na administração pública, no Exército, na diplomacia, na magistratura, no parlamento, na câmara corporativa — desapareceram: calando uns, traindo outros, dissimulando quase todos, numa deserção dir-se-ia que completa, num oportunismo político generalizado. Um houve que guardou silêncio prudente, à espera de ganhar trinta dinheiros: outro negou o que afirmava, passando a afirmar o que negava; outro ainda, político até à medula, correu a louvar os poderosos ou a inscrever-se num partido qualquer, desde que viável; e apareceu até quem, senhor de boa memória, quisesse reviver a fábula de Pedro sobre o burro que, um dia, vendo o leão, rei dos animais, já moribundo, — por ele passou ostensivamente e lhe deu um coice.
De súbito, havia-se feito para surpresa geral, uma descoberta: ninguém tinha afinidade política ou espiritual com Salazar, ninguém tinha «mentalidade de herdeiro», e portanto a herança estava jacente. Bem puderam a calúnia, a má-fé e a vesga paixão ideológica deformar à vontade episódios, ideias e figuras, que, em verdade, ninguém contestou fosse o que fosse ou mandou ad rem quem o fazia. Importava era perder os anéis, para conservar os dedos.
Mas, perguntar-se-á: não houve excepções à regra? Não houve quem tivesse ficado no seu posto?
Com obra notória, de vulto, houve uma, com efeito: a de Franco Nogueira — homem que não era, aliás, nem nunca fora, do regime, tendo apenas servido o País, patrioticamente, numa conjuntura internacional extremamente desfavorável. E outras haveria, por certo. Mas quantas? Quais?
Salazar, escrevendo além-túmulo, tinha razão. Neste reino de vira-casacas e novos-ricos da soberania que é o Portugal de hoje, o que mais importa é ainda meditar na atitude de Pedro e na paixão de Cristo. Elas permitem, entre outras coisas, recordar a cada homem uma grande verdade: que ele não passa de uma hora na história e tudo é efémero sobre a terra. Que, portanto, de pouco lhe vale ser trânsfuga. Salazar estava certo. Velhas mas proféticas palavras.


Gonçalo Sampaio e Mello
in Dossier Semanário, 27 de Abril de 1989

The Portuguese Discoverers (IV)

The Portuguese Discoverers (IV)

via Carreira da Índia by Leonel Vicente on 10/30/08

Contra versões menos correctas sobre a essência e significado dos descobrimentos, a historiografia contemporânea reconhece hoje as grandes verdades implícitas no carácter prioritário e original da expansão portuguesa. A ciência náutica e a história documental mostram o papel decisivo que Portugal desempenhou na abertura de novos mundos. Nos últimos anos, várias obras se têm consagrado, no país e no estrangeiro, ao estudo da problemática dos descobrimentos. Mas nenhuma parece ter obtido maior audiência que o livro The Discoverers (Nova Iorque – Toronto, 1983), da autoria do Professor Daniel J. Boorstin, antigo director da Biblioteca do Congresso.

"The Portuguese Discoverers", from "The Discoverers", Daniel J. Boorstin, The National Board for the Celebration of Portuguese Discoveries, Lisbon, 1987

Daniel J. Boorstin - antigo director da Biblioteca do Congresso

The Portuguese Discoverers (III)

The Portuguese Discoverers (III)

via Carreira da Índia by Leonel Vicente on 10/29/08

As viagens portuguesas permitiram a abertura de novas rotas, o aproveitamento de novas terras e o contacto com novas civilizações. Tendo de início a orientação do Infante D. Henrique (1394-1460), que a História celebrizou como o Príncipe Navegador, os descobrimentos tiveram depois no Rei D. João II (1455-1495) o homem de pensamento superior que deu à empresa uma expressão universal. Mas o empreendimento contou também com o esforço dos homens do mar – capitães, pilotos, roteiristas, artífices e cartógrafos –, que sentiram a empresa como um imperativo nacional. Na identificação do poder soberano e da vontade colectiva, os descobrimentos assumiram-se em Portugal como a voz de uma comunidade que tinha consciência de um grande ideal.

"The Portuguese Discoverers", from "The Discoverers", Daniel J. Boorstin, The National Board for the Celebration of Portuguese Discoveries, Lisbon, 1987

Daniel J. Boorstin - antigo director da Biblioteca do Congresso

The Portuguese Discoverers (II)

The Portuguese Discoverers (II)

via Carreira da Índia by Leonel Vicente on 10/28/08

Os descobrimentos quatrocentistas deveram-se, na sua primeira fase, à acção dos portugueses. Mais do que a aventura de uma pequena Nação, que deixou o espaço ibérico para enfrentar o desconhecido, as viagens marítimas surgem como a mensagem da Europa latina e cristã transplantada para outros mares e continentes. Se outras nações seguiram depois a rota dos oceanos – Castela ainda no século XV, a Inglaterra, a França e a Holanda no século XVI –, deveram-no ao esforço prioritário dos portugueses. Foram os meios técnicos e a experiência marítima destes que abriram as condições pioneiras para fazer dos descobrimentos uma epopeia universal.

"The Portuguese Discoverers", from "The Discoverers", Daniel J. Boorstin, The National Board for the Celebration of Portuguese Discoveries, Lisbon, 1987

Daniel J. Boorstin - antigo director da Biblioteca do Congresso

The Portuguese Discoverers (I)

via Carreira da Índia by Leonel Vicente on 10/27/08

Nota Prévia

É uma verdade reconhecida que os descobrimentos marítimos do século XV foram o grande pórtico da Idade Moderna. A penetração no Oceano Atlântico, começada ao redor de 1420, permitiu a exploração da costa africana que terminou com a chegada de Bartolomeu Dias ao Cabo da Boa Esperança (1488). Em tentativas que decorrem nesse intervalo, descobriram-se os arquipélagos da Madeira, Açores, Cabo Verde e S. Tomé e Príncipe, além de mais ilhas sonhadas pela imaginação do tempo. A busca de terras nas direcções Norte e Oeste, "para além da grandeza do mar Oceano" foi outro objectivo dos navegadores que traziam com eles a ânsia de dilatar o Cosmos. Esse longo processo culminou em três momentos decisivos da história universal: a chegada de Cristóvão Colombo ao Novo Mundo (1492); a ligação directa entre Portugal e o Oriente, efectuada por Vasco da Gama (1498); e o achamento por Pedro Álvares Cabral da terra que veio a ser o Brasil (1500).

"The Portuguese Discoverers", from "The Discoverers", Daniel J. Boorstin, The National Board for the Celebration of Portuguese Discoveries, Lisbon, 1987

Daniel J. Boorstin - antigo director da Biblioteca do Congresso