João Camoesas: carta aberta a Salazar
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
João Camoesas: carta aberta a Salazar
Ele tem o mundo na mão
George W. Bush:
"Nunca mais esquecerei a minha primeira decisão enquanto Presidente:
telefonaram-me a perguntar de cor queria a alcatifa da Sala Oval.
Pensei que estivessem a brincar comigo".
Brincaram com ele e ele vingou-se: brincou connosco!
Sobre Obama, espero que não perca muito tempo com a decoração da Casa Branca e que se preocupe com o que realmente é importante.
Para vocês, quais deverão ser as prioridades de Obama?
Para mim é acabar com Guantanamo. Já!
Luís Castro
McCain
Digam o que disserem, prefiro mil vezes este discurso, ao repetitivo "Yes We Can".
"I'm going to fight for my cause every day as your president. I'm going to fight to make sure every American has every reason to thank God, as I thank him: that I'm an American, a proud citizen of the greatest country on Earth, and with hard work, strong faith and a little courage, great things are always within our reach. Fight with me. Fight with me.
Fight for what's right for our country.
Fight for the ideals and character of a free people.
Fight for our children's future.
Fight for justice and opportunity for all.
Stand up to defend our country from its enemies.
Stand up for each other; for beautiful, blessed, bountiful America.
Stand up, stand up, stand up and fight. Nothing is inevitable here. We're Americans, and we never give up. We never quit. We never hide from history. We make history.
Thank you, and God bless you and God bless America"
(Excerto pescado aqui)
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Piriquito
| Logo pela manhã, ainda a fogueira da véspera ardia, triste e sem cor já e junto a ela um vulto de um homem , sentado sobre um tronco velho, encolhido e estático, parecendo adormecido, aproveitava o último calor do fogo, que também parecia estar cheio de frio, tantas eram as cinzas que o cobriam. - O homem está à tua espera, disseram-me. Chegou de madrugada para te ver e falar. Estavamos no deserto, no Omahua, onde chegara na noite anterior. E pensei, como é que o homem sabia que eu estava ali, quem era ele e porquê? - Sou o Piriquito, o guia do teu pai Fernando. Fernando era meu tio, caçador, e terá feito milhares de kilometros com o Piriquito, pelo Iona, pela Pediva, por aquele sul imenso, dunas, savanas... e outros areais, afluentes do Kuroca, esse rio fantástico, tão feroz nas suas enchentes avassaladoras e o cerne da vida dos chamados "Mukurocas". O Piriquito era "Mukuroca" e pensou que eu fosse o filho do meu tio Fernando e estava ali para saber notícias da família. Disse-lhe,o meu tio morreu e ele ficou triste. Voltei a ver o Piriquito, 4 anos depois, à entrada do Iona, junto ao rio Kuroca. Estava na mesma, parecia que os anos não passavam por ele, alto, altivo, magro e só podia ir ao Namibe, que distava daquele local cerca de 200km, dali a um mês, porque tinha ainda de ir à Namibia, atravessar a fronteira e voltar ali e só depois ia ao Namibe...a pé. Achei incrivel, e senti um respeito enorme por aquele homem, tão simples, prático, inteligente, sensivel e simpático, puro. Estes dois episódios fazem-me lembrar um outro, que se passou há 46 anos. Comiamos numa mesa mesmo em frente à mesa do Professor Portugal, no internato do Liceu Diogo Cão, no Lubango. Eu, os dois Esteves, Zé Carlos e Jorge e o Carlos Ferrão. Eramos dos mais putos do Internato. Nessa altura também o Dr.Higino Vieira vivia no Internato com a sua prole, uma vez que a sua casa estava em obras, acréscimo de mais alguns quartos, visto serem 11 os filhos. Chega um dia o Professor Portugal à nossa mesa, trazendo um miúdo negro pela mão e diz-nos que doravante ele se sentaria ali conosco e que se chamava Manuel João Kangombe, mas como o nome era muito complicado e á boa maneira portuguesa de dar novos nomes aos negros, perguntou qual seria o melhor nome para ele. Era um miúdo como nós e olhando para ele, eu disse: - Piriquito. E ficou Piriquito, filho de um soba de Caconda, o Piriquito do Internato, que jogou na Académica do Lubango (tinha habilidade para a bola) e que depois da independência foi delegado da Sonangol no Huambo, esse mesmo, amigo de sempre, que já partiu para lugar incerto. Piriquito, é um bom nome. Luanda, 6 de Junho de 2006 Fonte: Blogue "Mario Tendinha's Site" |
segunda-feira, 3 de novembro de 2008
DIAMANTES
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A sua utilização como gema consome cerca de 20% da lavra, cifrada em mais de 160 milhões de quilates/ano (um quilate equivale a 0,2g). Além das variedades com interesse gemológico, há duas variedades, em agregados terrosos – o bort e o carbonado – com interesse nas indústrias de abrasivos e de equipamentos de corte e de perfuração.
O grande valor desta espécie mineral, quer como gema quer como matéria-prima em muitas outras indústrias, levou à produção de diamantes sintéticos. Hoje vulgarizada, esta actividade, desenvolveu-se a partir dos anos 50 do século XX, datando de 1953 a produção do primeiro diamante artificial, por Henri Moisson, em Paris. Produzem-se anualmente mais de 100 toneladas de diamante sintético maioritariamente para a indústria, registando-se, no mercado, um número crescente de pedras com qualidade gemológica, quer incolores, quer em cores vivas.
II Round (Para os mais Distraídos)
"Raia a aurora das mais amplas liberdades em 25 de Abril de 1974. Na primeira reunião após o acontecimento o Conselho da Faculdade aprova, por unanimidade(1), uma moção em que, recordando os serviços prestados durante tantos anos à escola pelo professor que acabava de ser deposto da presidência do Conselho de Ministros, faz votos por que ainda um dia o veja de novo restituído à Cátedra que honrou: e esse voto foi bastante para que todos quantos nele participaram se vissem privados dos seus lugares, afastados do ensino, "saneados" como se dizia, sem forma de processo.Aí está como em Portugal num lado se põe o ramo e noutro se vende o vinho.
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(l) Na ausência do Dr. Diogo Freitas do Amaral. Este meu antigo assistente e dedicado colaborador tem declarado repetidas vezes que se estivesse presente seria incapaz de votar o que se votou..."
domingo, 2 de novembro de 2008
Livro: Até na prisão fui roubado! de Artur Agostinho
Um livro de memórias das prisões da liberdade abrilinas, este "Até na prisão fui roubado!" onde Artur Agostinho nos relata a sua experiência nas masmorras da Penitenciária de Lisboa e de Caxias em nome da liberdade às mãos da tropa fandanga do COPCON.Artur Agostinho foi vítima da farsa do filme cómico em que muitos outros foram intérpretes involuntários na mesma acusação, tipo chapa 4, a da hilariante e anedótica acusação de andarem de carro funerário a transportar armas "fascistas" para o golpe spinolento de 28 de Setembro de 1974.
"Alguém me havia encarregado de fazer um transporte de armas que, pelo seu volume, teria de ser rodado de extremos cuidados. Foi, por isso, que imaginei – dizia-se – a macabra encenação de fazer esse transporte num carro funerário. No caixão, em vez de um defunto, seguiam espingardas, metralhadoras e algumas granadas de mão. Dentro do carro (sentado junto do caixão) ia eu, vestido de padre, não para a cerimónia da encomendação da alma do inexistente defunto mas para vigiar a preciosa carga e a fazer a sua entrega aos revolucionários a que se destinava.
Apesar de impecavelmente disfarçado e das barbas postiças que tivera o cuidado de colocar, fui descoberto, numa «barreira», à entrada da ponte sobre o Tejo. Foi, então, que os diligentes «vigilantes» chamaram o COPCON que me transportou a Caxias.
Esta a «maravilhosa» versão posta a circular, no dia seguinte à minha prisão.
(…) Outras versões mais ou menos fantásticas seriam posteriormente postas a circular.
Uma delas, era apenas «variante» da primeira, pois limitava-se a uma mudança de guarda-roupa: em vez de padre eu era… uma freira! A história caiu pela base porque se esqueceram que eu usava bigode e francamente, uma religiosa com aquele «ornamento» seria pouco… convincente.
Também se disse que eu tinha, lá para as bandas de Colares, um verdadeiro arsenal de armas e munições, além de uma emissora clandestina.
Finalmente, chegou-me aos ouvidos uma outra história segundo a qual fora detido nos estúdios da Radiotelevisão, quando me preparava para ler uma proclamação ao País, anunciando o êxito do já citado «golpe» de 28 de Setembro. Mas também à volta desta havia algumas variantes: enquanto, para uns eu estava na RTP, para outros encontrava-me na Emissora Nacional. Para outros ainda, a minha prisão tivera lugar à entrada do Rádio Clube Português onde pelos vistos, também me dispunha a… «proclamar»!
Concluindo: fui preso numa quantidade de lugares, ao mesmo tempo, graças a um dom de ubiquidade que não sabia possuir.
Afinal, a minha prisão fora simplesmente efectuada quando estava a dormir tranquilamente na minha casa, «disfarçado» com um pijama de riscas azuis que não é sequer, dos que mais gosto de usar…"
Artur Agostinho, "Até na prisão fui roubado!", pp. 61/62/63, 1976.
O Legitimismo: Faustino da Madre de Deus
O Legitimismo é uma corrente de pensamento político favorável à recuperação da situação legítima do absolutismo e à contra-revolução defendendo que a legitimidade do poder está no regime monárquico. Teve o seu auge durante as fatais investidas dos inimigos da ordem entre 1820 e 1934. O Absolutismo, em Portugal, vigorava desde o reinado de D. João II alcançando a máxima virilidade no século XVIII com D. José I. Após a invasão estrangeira, a partir de 1807, que desgraçou o país, e a Revolução Liberal de 1820 que jubilava com ela, fiéis defensores de Portugal se insurgiram contra o escândalo da traição. Nessa luta pela antiga ordem se bateram nobremente o Marquês de Penalva, José agostinho de Macedo, José Acúrcio das neves, Frei Fortunato de são Boaventura, Ribeiro Saraiva, Gouveia Pinto, Gama e Castro e o autor em abordagem, Faustino da Madre de Deus. A Monarquia, a Nobreza, o Tradicionalismo e Deus eram, no entender destes generais do pensamento, os pilares sagrados que permitiam a elevação para uma sociedade equilibrada e ordenada segundo princípios divinos."Os Luzitanos em 1144 estavão constituidos em Corpo de Nação como consta de muitos documentos: e que daquela época por diante forão tratados e reconhecidos, em todo o mundo, com o nome de Nação Portugueza". O que permitiu esta união lusitana e a consequente vitória foi o espírito de Deus e a força do braço de D. Afonso Henriques. Nas causas das desgraças lusitanas no passado, o autor diagnostica a divisão, a traição.
Madre de Deus, conhecendo bem os preceitos liberais, olhava-os com enorme desconfiança pois previa que as suas intenções eram a destruição de todas as nações: "pertendem destruir as actuaes constituições para tornar a constituillos de novo; logo pertendem destruir as Nações". Quem olhar atentamente para o panorama político internacional, e para a sua tendência para o governo único mundial, dá toda a razão a este ilustre defensor da Monarquia hereditária. Ainda em relação às duvidosas e sinistras tolerâncias dá uma lição de lógica, que todos entendem sem dificuldade: "os amigos da ordem não devem tratar com indiferença doutrinas, das quais está dependente o socego publico: Aqueles que não querem distinguir as cousas; he porque as querem confundir, ou porque não fazem caso da confusão: qualquer destas acções he reprehensivel; e ambas criminosas sendo premeditadas; pois então não se encaminharão a fins bons e honestos; dirigem-se a perturbar a sociedade".
Para aqueles que misturam o cristianismo com o diabolismo liberal, Madre de Deus também tem uma palavra a dizer: "é muito indigno que [os liberais] chamem a Jesu Christo hum impostor, de que são testemunhas cento e milhares de pessoas, que o têm ouvido, em cujo número entro eu, e queirão apoiar os seus procedimentos na doutrina de Jesu Christo!".
Segundo Madre de Deus os liberais não têm qualquer legitimidade para se apoderarem das nações: "Dai a cada hum o que he seu – he o principio geral de justiça, e base de toda a jurisprudencia: O que se adquire por meios reprovado não he de quem o adquirio, he daquelles a quem foi usurpado, ou extorquido: e he bem sabido, que as revoluções subversivas estão reprovadas por todas as nações do mundo civilisado: Esses meios não dão, nem podem dar ao usurpador direito de possuir as cousas usurpadas: taes meios sim dão posse, mas não o direito de possuir". E continua a argumentar que "Se a posse dos usurpadores lhes desse direito sobre as cousas usurpadas, então teriam hoje os Mouros direito de dominar Portugal, porque o dominárão por usurpação". Depois de desfeitas as confusões deixa ainda uma recomendação: "Obedecer a usurpadores só por evitar a própria destruição; só em quanto não há forças para reagir contra a usurpação".
A tese principal que legitima a Monarquia Absoluta parte do pressuposto de que "a Nação é a collecção dos povos, e o Rei he a Nação personificada". E logo, "os Reis de Portugal, em que a Nação está personificada, deverá exercitar estes três poderes [Executivo, Legislativo, Judicial] com a mesma authoridade com que a Nação os exercitaria se fosse hum Ente racional". E a fonte da desgraça dos povos advém logicamente da subversão: "o desprezo das leis he o cunho da decadencia das nações".
Portugal, tal como as outras nações europeias, ficou refém da hidra liberal algum tempo depois das primeiras invasões francesas, "a monstruosa Constituição de 1822 em vez de garantir (conforme os seus authores tinhão proclamado) a Monarquia Portugueza, propunha-se a destruir esta proveitosa instituição". Madre de Deus, inspirado divinamente alertava para o perigo: "que os povos nunca mais tornem a ser instrumentos do infernal império dos malvados liberaes".
As contradições liberais são astutamente desmontadas por Madre de Deus, em relação à Religião de Jesus Cristo afirma que "os liberaes a envolvem nas suas declamações, e trabalhão por apagar este Farol Sagrado construido para guiar os homens ao tremendo porto da Eternidade", e deixa um aviso de que "para que tudo seja obra da Materia, he necessario que a Materia seja infinitamente sabia e poderosa!!! mas qual he o homem, que pode conceber tão monstruosíssimos paradoxos?!...", e remata para que não haja equivocos: "a razão convence-me da existência de hum Deos Author e Supremo Legislador do Universo".
"Com effeito, não há hum só principio razoável pelo qual possa atacar-se a idéa da existência de Deos. Tão certos estão os mesmos inimigos da ordem da impossibilidade de suffocar, ou destruir esta idéa, que para os seus adeptos não desertarem espavoridos, sempre lhes fallão da gloria do Grande Architecto do Universo, que he Deos. Póde-se presumir, pelo que se tem visto, que elles tratem a existência de Deos com a mesma astúcia com que tratão a Religião e as monarquias: no seu alcorão está decretada a extinção dos sacerdotes e dos Reis; mas quando os liberaes fazem as revoluções proclamão a conservação da Religião e dos Monarcas! Assim também póde estar no seu systema de regeneração decretado o materilismo, e usarem aquelle preambulo por impostura; mas com esse mesmo procedimento provão, que reconhecem essa impostura necessária para não serem geralmente odiados e abandonados. Se eles proclamassem o atheismo quase todos os homens abominarião a maçonaria, e nunca ella tivera progredido tanto". A ideia de que o sistema liberal é obra da maçonaria irreligiosa e satânica e que o antigo regime simboliza a ordem e a religião fica mais que provada neste pequeno opúsculo oferecido aos portugueses em 1825. Seguem-se alguns fragmentos de relevância para se perceber bem o pensamento de Faustino da Madre de Deus e para que o tempo não apague a verdade dos factos:
"Hum verdadeiro e desinteressado realista não pode deixar de ser amigo dos povos".
"Eu pugno pela conservação da ordem, porque na conservação da ordem consiste a conservação dos meus semelhantes; e na conservação dos meus semelhantes está envolvida a minha própria conservação".
"Para o comum dos homens, sempre os revolucionários hão-de ser abomináveis: sempre há-de haver milhares e milhões de homens, que se levantem com as armas na mão contra os inimigos da ordem: não por amor dos Monarcas, mas sim por amor das instituições nacionais".
"Que homem há, que não lamente a perigosíssima posição dos Monarcas, que tem a desgraça de ver propagada nos seus Estados essa facção perversa?! Que homem há, que não verta lágrimas sobre os alcantilados precipícios, que cercão hum Rei sujeito a ser enganado por aquelles mesmos de quem se confia!!! Caluniado pelos indignos que o enganão!!! Ouvindo os conselhos de seus amigos e inimigos sem poder distinguir huns e outros, porque os Maçons não tem marca!!!
"Os Reis não são depravados, nem perversos: são heróes verdadeiros: não se affadigão, nem sacrificão por alguma recompensa; porque homem algum os póde recompensar: sacrificão-se e affadigão-se pela conservação e prosperidade dos povos".
"O primeiro dever dos Soberanos he cuidar na conservação e prosperidade de seus vassallos; mas he evidente, que as revoluções subversivas se oppoem a essa prosperidade e conservação".
"A voz do Presidente dos Estados Unidos ameaça a legitimidade dos governos".
"Os inimigos da ordem são inimigos de Deos; porque Deos he o author e conservador de toda a ordem: A facção liberal ou maçónica foi produzida, segundo ella mesma declara, pelos Judeos, e propagada pelos obstinados que virão e não crerão os milagres de Jesu Christo! Esses desgraçados Judeos forão os instrumentos de que se sérvio o espírito das trevas para pôr em duvida os mysterios da Redempção; logo a facção liberal he agente das maquinações de Lúcifer; e logo he inimiga immediata das obras de Deos na Terra".
"Deos fortalecerá os Portuguezes, e permitirá que sejão aquelles poucos escolhidos para extirpar a malvada facção maçónica, que por ser produção indirecta, e agente directo do espírito das Trevas, he inimiga jurada de Deos, dos Reis, e dos povos".
Bibliografia:
Faustino da Madre de Deus, Os Povos e os Reis, Imprensa Régia, Lisboa, 1825.

