domingo, 16 de novembro de 2008

The Portuguese Discoverers (XV)

The Portuguese Discoverers (XV)

via Carreira da Índia de Leonel Vicente em 14/11/08

The traits of personality that made this lone adventure possible were not all attractive. Henry the Navigator compared himself with Saint Louis, but he was a much less engaging person. He lived like a monk, his biographers observe, and it is said that he died a virgin. At his death he was found to be wearing a hair shirt. All his life he was torn between crusading and exploring. His father, King John I, whose alternative sobriquets were the Bastard or the Great, founder of the Aviz dynasty, had seized the Portuguese throne in 1385. At the decisive battle of Aljubarrota, with the aid of English archers, John defeated the King of Castile and so secured the independence and the unity of Portugal. King John cemented his English alliance by marrying the devout and strong-willed Philippa of Lancaster, daughter of John of Gaunt, but he still kept his mistress in the palace to which she came as queen. "She found the Court a sink of immorality" a pious and optimistic latter-day Portuguese historian observes, "she left it as chaste as a nunnery." And she bore the King six sons, the third of whom, Henry, was born in 1394.

"The Portuguese Discoverers", from "The Discoverers", Daniel J. Boorstin, The National Board for the Celebration of Portuguese Discoveries, Lisbon, 1987

Daniel J. Boorstin - antigo director da Biblioteca do Congresso

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Peixe do Capim [Toqueia]

CRÓNICA VII - Peixe do Capim

Os preconceitos alimentares de quem vive no mato longe dos grandes rios ou lagos, marcam a diferença em relação à atitude das populações ribeirinhas que pescam e comem peixe. A pesca em Angola, tal como hoje se pratica, regista muita influencia dos métodos introduzidos pelos portugueses, mas nem sempre foi assim. De qualquer modo, não é da moderna pesca artesanal nem da indústria da pesca que vou ocupar-me, porque a minha idéia é recordar aos mais jovens, antigos métodos da pesca tradicional e velhas estórias de pescarias em épocas passadas.

O litoral, a Sul, era quase desabitado e a pesca no mar fazia-se especialmente no norte do país, onde os habitantes construiam paliçadas nas encostas da praia, utilizando paus de bordão e folhas de palmeira, para beneficiarem do movimento de vai-vem das marés. Na maré vazante, os peixes que penetram no cerco, devido à subida das águas, não podem escapar-se, retidos na precária rede e podem ser agarrados à mão.

Sistema similar ainda se utiliza hoje nos grandes rios do país, especialmente no Cuanza, Cuango, Cubango, Cassai, etc. Este tipo de actividade pesqueira é praticada normalmente pelos homens. São eles que constroem as represas com paus espetados no leito do rio e contra os quais colocam as armadilhas, cestas cónicas de vime, que aprisionam os peixes que circulam ao sabor da corrente. Diferente é a pesca lacustre, estacional e praticada essencialmente por mulheres, que fazem da pesca da «tukeya» uma festa. A «tukeya» é um peixe minúsculo, peixe de chana mais pequeno do que os chamados «joaquinzinhos» e que se encontra na região da Cameia, no leste do país, onde, com as chuvas, se formam grandes lagos temporários e de pouca profundidade.

As mulheres juntam-se em ranchos e metem-se nas águas das lagoas, praticando grandes pescarias colectivas, enquanto cantam e dançam. Trata-se de uma actividade secular, embora as referências escritas sobre esta prática tradicional datem apenas da primeira metade do século XX. As primeiras anotações escritas sobre a «tukeia» pertencem a Don António d’Almeida, com apóstrofe, homem de letras e linhagem, que foi goverrnador do Bié e Luchazes, vasto território que abrangia as superfícies das actuais províncias do Bié, Moxico e Cuando-Cubango.

Amo e senhor desse domínio imenso e ignoto, D. António quiz conhecê-lo palmo a palmo. Investigador, meteu-se pelo mato e pelas anharas que calcurreou. A pé, em tipoia, a boi cavalo, em carro boer, automóvel ou combóio, que já avançava pelas chanas do leste, Don António viajou muito e conheceu bem a região que devia administrar mas não administrou. Quando somou suficiente conhecimento sobre o território que ia governar, já se tinha esgotado o tempo da sua comissão como governador. Desse tempo e dessas viagens ficaram os seus escritos e entre eles anotações da sua passagem pelas chanas da Cameia, lugar de areais e vegetação de meia altura. Nesses relatos refere-se, reticente, ao tema fascinante da «tukeya». Don António escrevia com deleite e era minucioso na descripção de tudo o que observava, mas nem sempre investigava a fundo.

Seria meia manhã quando notou, ao longe, quase sobre a linha do horizonte, a existência de um estranho manto de prata que reflectia a luz do Sol. Era um manto que cobria as bissapas e o capim, numa vasta área. Intrigado com o fenómeno, foi perguntando aos sipaios e logo aos pisteiros, o que era aquilo, luminoso, lá ao longe. Foi aí que o governador ouviu falar pela primeira vez da «tukeya», o peixe da anhara. À medida que a caravana avançava, o manto branco desdobrava-se mais nitidamente no que pareciam peixinhos prateados, incrivelmente empoleirados nas bissapas e no capim.

O cheiro que exalavam era nauseabundo e o assombro de Don António, indescriptivel. Até onde a vista alcançava não existia rasto de água, todo o chão era de areia ou lama seca e gretada, aqui e ali plantado de arbustos entremeados no capim com mais de um metro de altura. O insólito desta paisagem é que os peixes eram peixes de verdade e estavam empoleirados na vegetação. De entre os acompanhantes, os poucos que conheciam ou eram da região, não compreendiam o assombro dos demais e com naturalidade, respondiam, simplesmente, que os peixinhos eram «tukeia». Havia os que permaneciam em silêncio ou conversavam entre si, mas a maioria, sobretudo os carregadores, que chegavam ao lugar pela primeira vez, manifestavam-se curiosos, também, perante a novidade.

Não havendo explicação lógica e à falta de outros elementos, deduziu D. António que estava perante uma espécie desconhecida de peixes voadores, que se haviam reunido, inexplicavelmente, em tão estranho lugar. E assim nasceu a lenda dos peixes voadores das anharas ou dos peixes do capim.


(Leia a seguir «Tukeya o Peixe Voador»).

    AUXILIAR DE LEITURA
  • Anhara – Savana.
  • Bissapa – ou Vissapa – Qualquer arbusto silvestre.
  • Chana – O m.q. anhara. Savana. Lezíria.
  • Luxazes – ou Luchazes – Nome pelo qual se conhecia uma vasta região do Leste de Angola.
  • Tukeya – tukeia ou tuqueia – Peixe lacustre das anharas do leste da Angola.

Crónicas do Kandimba - Por Sebastião Coelho

The Portuguese Discoverers (XIV)

The Portuguese Discoverers (XIV)

via Carreira da Índia de Leonel Vicente em 13/11/08

Still, to exploit its many advantages, Portugal needed a leader – someone to draw people together, to organize resources, to point the direction. Without such a leader all other advantages would have been nothing. Prince Henry the Navigator was a curious combination of a bold heroic mind and an outreaching imagination, with an ascetic stay-at-home temperament. Frigid to individuals, he was passionate for grand ideals. His talent of obstinacy and his power to organize proved essential for the first great enterprise of modern discovery.

In the perspective of history, it is not so surprising that the pioneer of modern exploration never himself went out on an exploring expedition. The great medieval adventure in Europe – crusading – called for risk of life and limb against the infidel. Modern exploration had to be an adventure of the mind, a thrust of someone's imagination, before it became a worldwide adventure of seafaring. The great modern adventure – exploring – first had to be undertaken in the brain. The pioneer explorer was one lonely man thinking.

"The Portuguese Discoverers", from "The Discoverers", Daniel J. Boorstin, The National Board for the Celebration of Portuguese Discoveries, Lisbon, 1987

Daniel J. Boorstin - antigo director da Biblioteca do Congresso

"BYE BYE", FRANCOFONIA!

via Sopas de Pedra de A. M. Galopim de Carvalho em 13/11/08
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NOS MEUS ANOS DE FACULDADE, como aluno, o francês dominava as relações académicas, os compêndios e manuais de estudo. Nesse período áureo da penetração da inteligência gaulesa na nossa vida cultural e científica, em particular, no ensino superior e na investigação, a maioria dos estágios dos nossos assistentes e jovens investigadores tinha lugar em França, na maioria, em Paris. São muitos os nomes dos grandes autores francófonos sobre os quais assentou o essencial da preparação dos universitários da minha geração. A par destes, os grandes autores alemães, que os havia, pouco saíam das estantes das bibliotecas, mercê de uma língua que só um ou outro dominava. Com maior divulgação, mas não tanta quanto a dos livros em francês, havia os dos autores que faziam uso da língua inglesa, em especial, americanos, britânicos e uns tantos do Norte da Europa.
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Os anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945) deram hegemonia ao inglês, situação que se tem vindo a acentuar com a globalização de múltiplos sectores da actividade dos povos deste planeta já referido, por alguns, por "aldeia global". Um caso paradigmático desta evolução de que fui testemunha, passou-se com o livro "Géologie des Argiles", de George Millot, editado em Paris, pela Masson, em 1964. Obra notável e pioneira deste que foi meu mestre, abriu-me o caminho aos estudos que empreendi, permitindo que me antecipasse, aos meus pares americanos e ingleses, nas conclusões a que cheguei, dada a pouca penetração do francês no universo anglófono. As concepções deste ilustre professor de Estrasburgo só tiveram a divulgação, que se impunha, e a correspondente penetração na comunidade dos geólogos, a partir da edição deste seu livro, em inglês, sob o título "Geology of Clays", na Springer-Verlag, N.Y., em 1971.
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Uma influência da francofonia na nomenclatura das rochas foi a que, em minha opinião, deu origem a uma imprecisão que ainda hoje persiste em muitos manuais de ensino e, até, em textos científicos. Trata-se do uso da expressão rocha eruptiva, como sinónima de rocha magmática ou ígnea. O qualificativo magmática indica, e bem, que a rocha resultou da solidificação de um magma, isto é, um material rochoso total ou parcialmente no estado de fusão e, portanto, incandescente ou ígneo, de que temos exemplo na lava saída de uma erupção vulcânica. Neste caso, a rocha que se forma, o basalto, por exemplo, é, de facto, eruptiva. Outras rochas magmáticas como, por exemplo, o granito, resultam da solidificação em profundidade, na crosta, de magmas que nunca brotam à superfície e que, portanto não dão origem a erupções. Designar estas rochas por eruptivas é, de facto, um erro.
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Os grandes petrógrafos franceses do princípio do século XX foram beber esta imprecisão aos seus antecessores alemães, da segunda metade do século XIX, eles, sim, os criadores do termo germânico, Eruptivgestein, aplicado a qualquer rocha magmática, eruptiva ou não, e, daí, a expressão roche éruptive dos autores franceses. Foi, sobretudo, a partir destes que a expressão rocha eruptiva, com o mesmo significado de rocha magmática, entrou e teima em persistir, erroneamente, na terminologia geológica portuguesa.
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Há uma vintena de anos, ao tempo do Presidente François Mitterand, veio a Lisboa um seu enviado especial, com o propósito de contactar a comunidade dos nosso cientistas especializados em França e, desses contactos, concluir sobre as medidas a serem tomadas pelo seu governo, no sentido de reactivar a francofonia, já então, em franca regressão. O sujeito, cujo nome se me apagou da memória, ouviu de nós recomendações, entre as quais recordo as relacionadas com o preço das edições francesas e a necessidade de se aumentar o número de bolsas de estudo a subsidiar pelo seu governo. Posto isto, regressou à pátria e nunca mais ninguém ouviu falar nele nem no problema que o trouxera até nós.
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Hoje em dia, os nossos investigadores científicos, à semelhança de franceses, belgas e outros francófonos, quaisquer que sejam os seus domínios de especialização, escrevem os respectivos trabalhos (papers) na língua de Shakespeare. Isto, se quiserem que os seus resultados tenham a divulgação que pretendem dar-lhes, e, o que também é considerado importante, sejam citados internacionalmente no exigente e selectivo scientific índex (ISI).

Inauguração do novo edifício do Grémio dos Industriais de Pesca de Moçâmedes

via GENTE DO MEU TEMPO. de mnjardim em 12/11/08


1º e 2ª fotos: Inauguração do novo Edifício do Grémio dos Industriais de Pesca do Distrito de Moçâmedes com a presença do Governador Geral de Angola e do Governador do Distrito de Moçâmedes, Nunes da Ponte, entidades eclesiásticas, etc. Na 2ª foto distinguem-se os industriais ligados Industria da Pesca do Distrito, Lourdino Tendinha (à esq.), João Thomás da Fonseca e Segismundo Sampaio.

3ª foto: A fachada do bonito e moderno edifício
do Grémio dos Industriais de Pesca do Distrito de Moçâmedes, em plena Avenida da Praia do Bonfim.

O Grémio da Industria da Pesca e seus derivados do Distrito de Moçâmedes foi criado a 1 de Maio de 1949 , tomando o lugar do Sindicato da Industria da Pesca de Moçâmedes que fora criado em 1930 com o nome de Sindicato de Pesca e Comércio de Moçâmedes, tendo como 1º Presidente o Dr. Carlos Alberto Torres Garcia. Tentava-se com a sua criação debelar a crise que se instalara no sector na década anterior, devido à crise de mercados de consumo que fizera paralisar o escoamento do peixe que se acumulava nos armazéns, ao ponto de ter sido deitado de novo ao mar. Chegara-se ao ponto do Sindicato ter que dar senhas de crédito aos pequenos industriais/pescadores possuidores de sacadas para pagamento do peixe que lhes ia sendo entregue. Contudo, julgava que com o Sindicato das Pesca os problemas estaria resolvido, não foi isso que aconteceu. Logo após a sua formação geraram-se dois grupos, de industriais/ /exportadores que se «guerreavam» entre si, criando situações complicadas, com a acumulação de dívidas, acções em tribunais, etc. De acordo com a orientação dada ao Sindicato, este não obrigava à sindicalização, e o Conselho Especial de Consulta e Parecer, que o Diploma previa, transformou-se num tribunal de pequenos delitos, originando-se uma situação absolutamente insustentável com exportações arbitrárias, sem qualquer espécie de controlo. O desacordo entre o governo e o grupo dissidente acentuou-se ao ponto de os Sindicatos serem dissolvidos criando-se a Federação dos Sindicatos de Pesca e os industriais//exportadores tomaram o controlo dos sindicatos e continuaram a exportar para o Congo até que o Governo Geral acabou demitindo.

Por Decreto nº 43 123 (DG, 1960)18 de Agosto de 1960 criado o Instituto das Industrias de Pesca de Angola sede em Luanda com o fim de orientar e fiscalizar a produção do pescado, a sua transformação e o comércio dos produtos fabricados; coordenar as indústrias de pesca e de transformação afins e, como não podia deixar de ser... desenvolver o espírito corporativo.
O mesmo Decreto obrigava à revisão dos estatutos dos grémios e ao saneamento das respectivas situações financeiras, o que veio a suceder pela Portaria nº 14 254, de 12 de Março de 1966, que aprovava os Estatutos dos Grémios dos Industriais de Pesca de Angola (BOA, 1966).
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O Grémio dos Industriais de Pesca viria a extinguir-se também, por força plano da reestruturação da Indústria de Pesca de Angola e da formação do Instituto da Pesca de Angola em 1970, que teve o Dr. Andrade como 1º Presidente.

Por sua vez, o Instituto da Pesca de Angola criou as suas «secretarias» regionais, ou seja, Institutos da Pesca nas capitais de distrito dedicados à pesca, tais como Benguela, Porto Amboim e Luanda. Essa reestruturação levou os industrias de pesca do distrito de Moçâmedes a se organizarem, através da criação da Associação dos Industriais de Pesca, só que agora alguns, poucos, ficaram preferivelmente de fora, isolados, como foi o caso de Gaspar Gonçalo Madeira, que exportava individualmente tendo para tal aberto uma empresa independente em Lourenço Marques (finais de 50). peixe seco meia cura e ultimamente congelado.
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Em Moçâmedes, a criação do Instituto da Pesca levou consigo parte dos antigos funcionários do Grémio dos Industriais de Pesca, enquanto outros, saíram para trabalhar em Bancos, etc. Na altura da transição foi nomeado pelo Instituto da Pesca de Angola para director do Instituto da Pesca de Moçâmedes, o moçamedense Carlos Manuel Guedes Lisboa, industrial de pesca e funcionário do extinto Grémio da Pesca

Finalmente, Moçâmedes exibia já em vésperas da Independência de Angola (1974), 86 sócios inscritos dedicados à industria da pesca, sendo a seguinte a relação em 31/12/74, conforme vem descrito no livro de Carlos Cristão «Memórias da Angra do Negro - Moçâmedes - Namibe (Angola), desde a ocupação efectiva, Lx 2005:

A Industrial, Lda. (Porto Alexandre)
A Industrial do Canjeque, Lda. (Moçâmedes/Canjeque)
A Industrial Conserveira do Sul, Lda. (Porto Alexandre)
A Industrial de Moçâmedes, Lda. (Moçâmedes)
A Mariquita, Ind. Lda. (Moçâmedes)
Abano & Coimbra, Lda. (Porto Alexandre)
Adérito Augusto Sanches, Lda. (Porto Alexandre)
Agripesca Ind. Lda. (Moçâmedes)
Alvaro Thomás Serra Fernandes (Moçâmedes)
Amadeu Gonçalnes e Neves, Lda. (Moçâmedes)
António Francisco Antunes (Porto Alexandre)
António Francisco Baraço (Herds) (Moçâmedes)
Antunes da Cunha, Lda. (Porto Alexandre)
Associação Industrial de Peixe Seco de Moçâmedes (Moçâmedes)
Barbosa & Santos, Lda. (Porto Alexandre)
Beira Mar, Lda. (Porto Alexandre)
Bento & Irmão, Lda. (Moçâmedes)
Cabrita, Lda. (Baía dos Tigres)
Carmo & Martins, Lda. (Porto Alexandre)
Carvalho Oliveira & Cª (Moçâmedes)
Compª de Pesca Angola, Lda. (Moçâmedes)
Compª Ind. e Com. de Pesca Angola, SARL. ( Cipesca-Moçâmedes)
Compª Ind. Produtos do Mar, SARL (Porto Alexandre)
Compª Alexandrense de Produtos de Pesca (Porto Alexandre)
Cooperativa de Produtos do Mar (Porto Alexandre)
Costa & Silva, Lda.
Dafisilva - DA. Figueiras & Silva, Lda. (Moçâmedes)
Dídio Alceu Pimentel Pacheco (Porto Alexandre)
Duarte & Lourenço, Lda. (Porto Alexandre)
Empresa Ind. Farinhas e Oleos de Peixe, Lda. (Porto Alexandre)
Empresa Ind. e Mercantil de Pescas, SARL (Moçâmedes)
Empresa Ind. do Pinda. Lda. (Moçâmedes)
Empresa de Pesca do Sul, Lda. (Moçâmedes)
Ferreira & Filhos, Lda. (Moçâmedes)
Francisco Baptista (Porto Alexandre)
Herds Dionísio Costa Tavares (Porto Alexandre)
Humberto Sena Tendinha (Porto Alexandre)
Industrial de Peixe Namibe Lda (Luanda)
J. Patrício Correia, Lda (Moçâmedes)
João Duarte Filhos, Lda. (Moçâmedes)
João Thomás da Fonseca & Cª (Moçâmedes)
Joaquim Conceição Camarinha (Moçâmedes)
José Dias Ferreira (Moçâmedes)
José Domingos da Conceição Martins (Porto Alexandre)
José Evangelista Aldeia (Moçâmedes)
José Joaquim Carreiro Correia (Porto Alexandre)
José Venâncio Delgado (Porto Alexandre)
Juventino Ferreira Graça , Lda. (Porto Alexandre)
Mamedes Sucessores, Lda. (Porto Alexandre)
Manuel Martins Ramos (Porto Alexandre)
Manuel Mendes Mamedes, Herds. (Porto Alexandre)
Mário Lino Caldeira (Porto Alexandre)
Marques & Marques, Lda. (Porto Alexandre)
Mercantil Piscativa, Lda. (Porto Alexandre)
Olímpio Mário Aquino, Lda. (Moçamedes)
Parceria de Pesca, Lda. (Moçâmedes)
Pescaria Algarve, Lda. (Porto Alexandre)
Pescarias Namibe, Lda. (Moçâmedes)
Pestana e Carvalho, Lda. (Moçâmedes)
Rogério Napoleão Gonçalves (Porto Alexandre)
Sampaio (Irmãos), Lda. (Porto Alexandre)
Sancho e Arvela, Lda. (Porto Alexandre)
Sociedade Ango-Algarve, Lda. (Moçâmedes)
Sociedade Armadores das Pescas de Angola, SARL (ARAN - Moçâmedes)
Sociedade Congeladora do Sul, Lda. (Porto Alexandre)
Sociedade de Conservas da Lucira, Lda. (Moçâmedes)
Sociedade de Conservas Sagres, Lda. (Moçâmedes)
Sociedade Frigo Pesca do Sul, Lda. (Moçâmedes)
Sociedade Ind. Alexandrense, Lda. (Porto Alexandre)
Sociedade Ind. da Baía dos Tigres, Lda. (Moçâmedes)
Sociedade Ind. do Cabo Negro, Lda. (Moçâmedes)
Sociedade Ind. da Vissonga, Lda. (Lucira)
Sociedade de Pesca da Lucira, Lda. (Lucira)
Sociedade Piscatória dos Tigres, Lda. (Moçâmedes)
Sociedade Piscatoria do Sul, Lda. (Porto Alexandre)
Sopeixe Ind. SARL. (Porto Alexandre)
Somar, Sociedade de Produtos do Mar, SARL (Moçâmedes)
Sopesca, Sociedade Ang. de Pescarias SARL. (Moçâmedes)
Sul Angolana, Lda (Porto Alexandre)
Tendinha & Irmãos, Lda. (Porto Alexandre)
Trocado & Irmãos, Lda. (Porto Alexandre)
Venâncio Guimarães e Compª. (Moçâmedes)
Venâncio Guimarães Sobrinho, Lda. (Moçâmedes)
Veríssimo & Irmão, Lda. (Porto Alexandre)


Para lêr mais, clicar AQUI

(*) José de Matos Garcia foi presidente da Câmara Municipal de Moçâmedes e presidente do Sindicato de Pesca do Distrito de Moçâmedes, sendo um dos homens mais destacados do seu tempo, tanto em Porto Alexandre como em Moçâmedes.


Sobre o contrabando (candonga) de peixe seco, dizem-nos as crónicas de Sebastião Coelho (Crónicas do Candimba):

ANGOLA, PEIXES E PESCADORES
Já te contei a razão pela qual aos fardos de peixe seco lhe chamavam «malas de peixe». Acrescentarei que todas tinham o mesmo aspecto, a mesma forma, dimensões precisas e o peso líquido de 30 quilos. De um modo geral havia grande respeito pela qualidade e apresentação do produto, cuidado que não se notava noutras actividades industriais.
O peixe, sem cabeça, fosse corvina ou carapau, depois de seco e salgado, devia acomodar-se em camadas sobrepostas e em zig-zag simétrico, «cabeça com rabo, rabo com cabeça». Formava blocos compactos que deviam ser atados e contidos em esteiras feitas com fibra grossa de mateba. As malas de peixe ganharam tal popularidade e valor comercial no interior de Angola que, em 1950 e anos seguintes, se transformaram no principal produto de candonga interna do país.
Porque razão se contrabandeava peixe seco ? Simplesmente porque a secagem e o transporte estavam regulados e obedeciam a regras claras estabelecidas pelo Estado e aplicadas pelo Grémio dos Industriais de Pesca. Tudo isto tinha que ver com sanidade e impostos. Quem se desviasse destas regras era considerado marginal e perseguido. Mas o não cumprimento da lei dava lucro fácil e volumoso. Aos industriais e aos candongueiros que entravam no negócio ilegal, o que gerava intrigas, delações e lutas ferozes. Os camiões que transitavam clandestinamente ou seja, com cargas não fiscalizadas, deviam escapar-se a corta mato e tinham os seus caminhos exclusivos que atravessavam a vasta anhara de Benguela. Sobre a areia, as picadas estendiam-se e entrelaçavam num espectacular labirinto, cujas curvas e contra curvas eram dominadas, apenas, por duas categorias de camioneiros, os autenticos «candongueiros» e os «pecadores».
E não era candongueiro quem queria. A própria natureza do delito impunha duras condições. Dinheiro para o negócio, coragem e decisão para enfrentar tanto a polícia como os ladrões que faziam de polícias, boas armas, incondicionais ajudantes ou companheiros de viagem que fossem bons atiradores e, sobretudo, um camião novo, agil e rápido, para evitar encrencas. A partir daqui a mercadoria ou seja o «peixe seco» comprava-se em qualquer pescaria ou salga e havia muitas ao longo da costa, legais ou clandestinas, desde Benguela à Baía dos Tigres e todas dispostas a vender por «dinheiro doce» as malas de peixe que escondiam ou lhes sobravam.
Reconhecidamente, o grande entreposto situava-se na Baía Farta e praias dos arredores, especialmente a Caóta e Caótinha. O negócio era à vista e sempre de noite. Poucos se arriscavam durante o dia. Carregava-se o camião, tapava-se com lonas o melhor que se podia e no acto pagava-se a mercadoria, «cash» e mais barata do que a tabela oficial. Esse era o cerne do negócio, facilmente denunciado pelo cheiro nauseabundo e persistente do peixe seco, que deixava vestígio ou esteira odorífera durante quilómetros, depois da passagem do candongueiro. O cheiro não deixava ocultar a carga aos fiscais que andavam bem armados, ganhavam bem e ainda por cima recebiam metade do valor da multa. Fiscais eram polícias comuns ou guardas fiscais que se passeavam pelas entradas e saidas das cidades principais à caça da multa.
Uma vez em andamento o candongueiro não parava mais e não baixava dos cem quilómetros por hora, escapando-se. Escolhia o caminho como uma lotaria ou inventava novas picadas que só ele conhecia. Se, por acaso, se encontrava com a fiscalização, estavam em risco a carga, o camião e o modo de vida. Velocidade e tiros eram as armas que entravam em jogo. Era um vale tudo. A polícia atirava a matar e de cima dos camiões da candonga, os ajudantes também atiravam a matar.
Dessa guerra e da velocidade dependia a vitória da lei ou a sobrevivência do rico negócio de vender peixe seco na clandestinidade. Contudo, os fiscais não eram o único perigo que o candongueiro enfrentava na estrada. Havia também os falsos fiscais, que eram candongueiros ladrões. Diziam-lhes «pecadores», porque naom só assaltavam os transportistas legais, como se encarniçavam sobre os candongueiros «bons», para lhes roubarem as cargas e completarem eles o negócio.
Todas as noites havia, em qualquer lugar do mato e sem testemunhas, estórias fortes de perseguições e roubos e tiros. Se alguém ficava no terreno, os leões ou os mabecos encarregavam-se de limpar o terreno... As malas de peixe e os transportes desapareciam por artes mágicas. Havia as máfias da candonga e as máfias da fiscalização e por vezes, associações das duas máfias. O peixe seco fazia parte obrigatória da ração dos contratados que deviam receber em cada dia uma caneca de fuba e um peixe seco, o salário da fome. A candonga dava resultado porque havia sempre comprador assegurado, o patrão do contratado.

Sebastião Coelho
ver tb
Cronicas do Candimba

Julieta Gandra

Julieta Gandra

via Caminhos da Memória de Diana Andringa em 12/11/08
Maria Julieta Guimarães Gandra nasceu a 16 de Setembro de 1917 em Oliveira de Azeméis e formou-se em Medicina, em Lisboa. Aí conheceu Ernesto Cochat Osório, natural de Angola, com quem veio a casar e a ter um filho. Em meados dos anos 40, o casal parte para Angola. Em Luanda, Julieta Gandra depressa se torna [...]

Menosprezar os combatentes de liberdade é um insulto à memória histórica

Menosprezar os combatentes de liberdade é um insulto à memória histórica

via Folhas de História de História - Mestra da Vida em 12/11/08
É fácil aos benificiários de liberdade hoje esquecerem-se ou mesmo menosprezar os sacrificios de todos aqueles que arriscaram muito e precioso das suas vidas por uma causa comum. Teotonio R. de Souza designa tal menosprezo um pecado contra a história (a sin against history) num texto de opinião publicado hoje com destaque especial no diário [...]

terça-feira, 11 de novembro de 2008

The Portuguese Discoverers (XII)

via Carreira da Índia de Leonel Vicente em 11/11/08

The ability to come home again was essential if a people were to enrich, embellish, and enlighten themselves from far-off places. In a later age this would be called feedback. It was crucial to the discoverer, and helps explain why going to sea, why the opening of the oceans, would mark a grand epoch for humankind. In one after another human enterprise, the act without the feedback was of little consequence. The capacity to enjoy and profit from feedback was a prime human power. Seafaring ventures, and even their one-way success, were themselves of small consequence and left little record in history. Getting there was not enough. The internourishment of the peoples of the earth required the ability to get back, to return to the voyaging source and transform the stay-at-homes by the commodities and knowledge that the voyagers had found over there. Fourth-century coins made in Carthage have been found in the Azores, and ancient Roman coins seem to have been left in Venezuela by vagrant wind-driven vessels. Vikings from Norway and Iceland appear to have touched North America from time to time in the Middle Ages. In 1291 the Vivaldi brothers from Genoa set out to round Africa by sea, but they disappeared. It is possible, too, that in pre-Columbian times a Chinese or Japanese junk may have been driven off course all the way to the shores of America. But these acts and accidents that produced no feedback spoke only to the wind.

"The Portuguese Discoverers", from "The Discoverers", Daniel J. Boorstin, The National Board for the Celebration of Portuguese Discoveries, Lisbon, 1987

Daniel J. Boorstin - antigo director da Biblioteca do Congresso