quarta-feira, 19 de novembro de 2008

The Portuguese Discoverers (XVIII)

via Carreira da Índia de Leonel Vicente em 19/11/08

The Portuguese armada stormed the fortress at Ceuta on August 24, 1415, in a onde-sided battle. Well armed and armored, and supported by a contingent of English archers, they overwhelmed the Muslims, who were reduced to hurling rocks. Within a day the Portuguese crusaders had taken the Infidel stronghold and provided Prince Henry his moment of glory. Only eight Portuguese had been killed, while the city streets were piled with Muslim bodies. By afternoon the army had begun sacking the city, and the spiritual rewards of killing infidels were supplemented by more worldly treasure. This occasion gave Prince Henry his first dazzling glimpse of the wealth that lay hidden in Africa. For the loot in Ceuta was the freight delivered by the caravans that had been arriving there from Saharan Africa in the south and from the Indies in the east. In addition to the prosaic essentials of life – wheat, rice, and the salt – the Portuguese found exotic stores of pepper, cinnamon, cloves, ginger, and other spices. Ceutan houses were hung with rich tapestries and carpeted with Oriental rugs. All in addition to the usual booty of gold and silver and jewels. […].

"The Portuguese Discoverers", from "The Discoverers", Daniel J. Boorstin, The National Board for the Celebration of Portuguese Discoveries, Lisbon, 1987

Daniel J. Boorstin - antigo director da Biblioteca do Congresso

The Portuguese Discoverers (XVII)

via Carreira da Índia de Leonel Vicente em 18/11/08

Prince Henry, still only nineteen, was assigned the task of building a fleet up north in Oporto. After two years' preparation, the Crusade against Ceuta was launched in an aura of miracles and omens. A monk near Oporto had a vision of the Virgin Mary handing a glittering sword to King John. There was an eclipse of the sun. Then Queen Philippa, after a long and ill-advised religious fast, fell mortally ill. Summoning the King and her three eldest sons, she gave each a fragment of the True Cross to wear in holy battle. To each prince she also gave a knightly sword, and with her expiring breath she blessed the expedition against Ceuta. A papal bull, solicited for the occasion, offered all the spiritual benefits of a Crusade to those who died in this effort.

"The Portuguese Discoverers", from "The Discoverers", Daniel J. Boorstin, The National Board for the Celebration of Portuguese Discoveries, Lisbon, 1987

Daniel J. Boorstin - antigo director da Biblioteca do Congresso

PARA OBAMA LER E MEDITAR - O AFEGANISTÃO DE ONTEM...

PARA OBAMA LER E MEDITAR - O AFEGANISTÃO DE ONTEM...

via O FUTURO PRESENTE de noreply@blogger.com (jaime nogueira pinto) em 16/11/08
AFEGANISTÃO

Os Ingleses estão experimentando, no seu atribulado império da Índia, a verdade desse humorístico lugar-comum do século XVIII: «A história é uma velhota que se repete sem cessar.» O fado ou a Providência, ou a entidade qualquer que lá de cima dirige os episódios da campanha do Afeganistão, em 1847, está fazendo simplesmente uma cópia servil, revelando assim uma imaginação exausta.Em 1847, os Ingleses – «por uma razão de estado, uma necessidade de fronteiras científicas, a segurança do império, uma barreira ao domínio russo da Ásia...» e outras coisas vagas que os políticos da Índia rosnam sombriamente retorcendo os bigodes – invadem o Afeganistão, e aí vão aniquilando tribos seculares, desmantelando vilas, assolando searas e vinhas: apossam-se, por fim, da santa cidade de Cabul; sacodem do serralho um velho emir apavorado; colocam lá outro de raça mais submissa, que já trazem preparado nas bagagens, com escravas e tapetes; e logo que os correspondentes dos jornais têm telegrafado a vitória, o exército, acampado à beira dos arroios e nos vergéis de Cabul, desaperta o correame e fuma o cachimbo da paz... Assim é exactamente em 1880. No nosso tempo, precisamente em 1847, chefes enérgicos, messias indígenas, vão percorrendo o território, e com grandes nomes de pátria, de religião, pregam a guerra santa: as tribos reúnem-se, as famílias feudais correm com os seus troços de cavalaria, príncipes rivais juntam-se no ódio hereditário contra o estrangeiro, o homem vermelho, e em pouco tempo é todo um rebrilhar de fogos de acampamento nos altos das serranias, dominando os desfiladeiros que são o caminho, a entrada da Índia... E quando por ali aparecer, enfim, o grosso do exército inglês, à volta de Cabul, atravancado de artilharia, escoando-se espessamente por entre as gargantas das serras, no leito seco das torrentes, com as suas longas caravanas de camelos, aquela massa bárbara rola-lhe em cima e aniquila-o. Foi assim em 1847, é assim em 1880. Então os restos debandados do exército refugiam-se em alguma das cidades da fronteira, que ora é Gasnat ora Candaar: os Afegãs, correm, põem o cerco, cerco lento, cerco de vagares orientais: o general sitiado, que nessas guerras asiáticas pode sempre comunicar, telegrafa para o vice-rei da Índia, reclamando com furor «reforços e chá e açúcar!» (Isto é textual; foi o general Roberts que soltou há dias este grito de gulodice britânica; o Inglês, sem chá, bate-se frouxamente.) Então o governo da Índia, gastando milhões de libras como quem gasta água, manda a toda a pressa fardos disformes de chá reparador, brancas colinas de açúcar e dez ou quinze mil homens. De Inglaterra partem esses negros e monstruosos transportes de guerra, arcas de Noé a vapor, levando acampamentos, rebanhos de cavalos, parques de artilharia, toda uma invasão temerosa... Foi assim em 47, assim é em 1880.

EÇA DE QUEIRÓS, "Cartas de Inglaterra"

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

The Portuguese Discoverers (XVI)

via Carreira da Índia de Leonel Vicente em 17/11/08

To celebrate his formal treaty of friendship with Castile in 1411, King John followed the chivalric custom of the age by planning a tournament, to last a full year. Knights were to be invited from all over Europe, and the jousts would give the King's three eldest sons who had just reached manhood the opportunity to earn their knighthoods by public acts of chivalry. But the three princes, reinforced by the King's treasurer, dissuaded King John from this expensive panoply. They urged him instead to offer them opportunity for deeds of Christian valor by launching a Crusade against Ceuta, a Muslim stronghold and trading center of the African side opposite Gibraltar. There, too, the King could atone for the Christian bloodshed in his earlier campaigns by "washing his hands in the blood of the infidel." Young Prince Henry helped Plan this expedition, which, in a number of unexpected ways, was to shape his life.

"The Portuguese Discoverers", from "The Discoverers", Daniel J. Boorstin, The National Board for the Celebration of Portuguese Discoveries, Lisbon, 1987

Daniel J. Boorstin - antigo director da Biblioteca do Congresso

domingo, 16 de novembro de 2008

Um texto de Mia Couto sobre Obama

Um texto de Mia Couto sobre Obama

via Entre as brumas da memória de Joana Lopes em 15/11/08
E se Obama fosse africano? (*)

Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África.

The Portuguese Discoverers (XV)

The Portuguese Discoverers (XV)

via Carreira da Índia de Leonel Vicente em 14/11/08

The traits of personality that made this lone adventure possible were not all attractive. Henry the Navigator compared himself with Saint Louis, but he was a much less engaging person. He lived like a monk, his biographers observe, and it is said that he died a virgin. At his death he was found to be wearing a hair shirt. All his life he was torn between crusading and exploring. His father, King John I, whose alternative sobriquets were the Bastard or the Great, founder of the Aviz dynasty, had seized the Portuguese throne in 1385. At the decisive battle of Aljubarrota, with the aid of English archers, John defeated the King of Castile and so secured the independence and the unity of Portugal. King John cemented his English alliance by marrying the devout and strong-willed Philippa of Lancaster, daughter of John of Gaunt, but he still kept his mistress in the palace to which she came as queen. "She found the Court a sink of immorality" a pious and optimistic latter-day Portuguese historian observes, "she left it as chaste as a nunnery." And she bore the King six sons, the third of whom, Henry, was born in 1394.

"The Portuguese Discoverers", from "The Discoverers", Daniel J. Boorstin, The National Board for the Celebration of Portuguese Discoveries, Lisbon, 1987

Daniel J. Boorstin - antigo director da Biblioteca do Congresso

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Peixe do Capim [Toqueia]

CRÓNICA VII - Peixe do Capim

Os preconceitos alimentares de quem vive no mato longe dos grandes rios ou lagos, marcam a diferença em relação à atitude das populações ribeirinhas que pescam e comem peixe. A pesca em Angola, tal como hoje se pratica, regista muita influencia dos métodos introduzidos pelos portugueses, mas nem sempre foi assim. De qualquer modo, não é da moderna pesca artesanal nem da indústria da pesca que vou ocupar-me, porque a minha idéia é recordar aos mais jovens, antigos métodos da pesca tradicional e velhas estórias de pescarias em épocas passadas.

O litoral, a Sul, era quase desabitado e a pesca no mar fazia-se especialmente no norte do país, onde os habitantes construiam paliçadas nas encostas da praia, utilizando paus de bordão e folhas de palmeira, para beneficiarem do movimento de vai-vem das marés. Na maré vazante, os peixes que penetram no cerco, devido à subida das águas, não podem escapar-se, retidos na precária rede e podem ser agarrados à mão.

Sistema similar ainda se utiliza hoje nos grandes rios do país, especialmente no Cuanza, Cuango, Cubango, Cassai, etc. Este tipo de actividade pesqueira é praticada normalmente pelos homens. São eles que constroem as represas com paus espetados no leito do rio e contra os quais colocam as armadilhas, cestas cónicas de vime, que aprisionam os peixes que circulam ao sabor da corrente. Diferente é a pesca lacustre, estacional e praticada essencialmente por mulheres, que fazem da pesca da «tukeya» uma festa. A «tukeya» é um peixe minúsculo, peixe de chana mais pequeno do que os chamados «joaquinzinhos» e que se encontra na região da Cameia, no leste do país, onde, com as chuvas, se formam grandes lagos temporários e de pouca profundidade.

As mulheres juntam-se em ranchos e metem-se nas águas das lagoas, praticando grandes pescarias colectivas, enquanto cantam e dançam. Trata-se de uma actividade secular, embora as referências escritas sobre esta prática tradicional datem apenas da primeira metade do século XX. As primeiras anotações escritas sobre a «tukeia» pertencem a Don António d’Almeida, com apóstrofe, homem de letras e linhagem, que foi goverrnador do Bié e Luchazes, vasto território que abrangia as superfícies das actuais províncias do Bié, Moxico e Cuando-Cubango.

Amo e senhor desse domínio imenso e ignoto, D. António quiz conhecê-lo palmo a palmo. Investigador, meteu-se pelo mato e pelas anharas que calcurreou. A pé, em tipoia, a boi cavalo, em carro boer, automóvel ou combóio, que já avançava pelas chanas do leste, Don António viajou muito e conheceu bem a região que devia administrar mas não administrou. Quando somou suficiente conhecimento sobre o território que ia governar, já se tinha esgotado o tempo da sua comissão como governador. Desse tempo e dessas viagens ficaram os seus escritos e entre eles anotações da sua passagem pelas chanas da Cameia, lugar de areais e vegetação de meia altura. Nesses relatos refere-se, reticente, ao tema fascinante da «tukeya». Don António escrevia com deleite e era minucioso na descripção de tudo o que observava, mas nem sempre investigava a fundo.

Seria meia manhã quando notou, ao longe, quase sobre a linha do horizonte, a existência de um estranho manto de prata que reflectia a luz do Sol. Era um manto que cobria as bissapas e o capim, numa vasta área. Intrigado com o fenómeno, foi perguntando aos sipaios e logo aos pisteiros, o que era aquilo, luminoso, lá ao longe. Foi aí que o governador ouviu falar pela primeira vez da «tukeya», o peixe da anhara. À medida que a caravana avançava, o manto branco desdobrava-se mais nitidamente no que pareciam peixinhos prateados, incrivelmente empoleirados nas bissapas e no capim.

O cheiro que exalavam era nauseabundo e o assombro de Don António, indescriptivel. Até onde a vista alcançava não existia rasto de água, todo o chão era de areia ou lama seca e gretada, aqui e ali plantado de arbustos entremeados no capim com mais de um metro de altura. O insólito desta paisagem é que os peixes eram peixes de verdade e estavam empoleirados na vegetação. De entre os acompanhantes, os poucos que conheciam ou eram da região, não compreendiam o assombro dos demais e com naturalidade, respondiam, simplesmente, que os peixinhos eram «tukeia». Havia os que permaneciam em silêncio ou conversavam entre si, mas a maioria, sobretudo os carregadores, que chegavam ao lugar pela primeira vez, manifestavam-se curiosos, também, perante a novidade.

Não havendo explicação lógica e à falta de outros elementos, deduziu D. António que estava perante uma espécie desconhecida de peixes voadores, que se haviam reunido, inexplicavelmente, em tão estranho lugar. E assim nasceu a lenda dos peixes voadores das anharas ou dos peixes do capim.


(Leia a seguir «Tukeya o Peixe Voador»).

    AUXILIAR DE LEITURA
  • Anhara – Savana.
  • Bissapa – ou Vissapa – Qualquer arbusto silvestre.
  • Chana – O m.q. anhara. Savana. Lezíria.
  • Luxazes – ou Luchazes – Nome pelo qual se conhecia uma vasta região do Leste de Angola.
  • Tukeya – tukeia ou tuqueia – Peixe lacustre das anharas do leste da Angola.

Crónicas do Kandimba - Por Sebastião Coelho

The Portuguese Discoverers (XIV)

The Portuguese Discoverers (XIV)

via Carreira da Índia de Leonel Vicente em 13/11/08

Still, to exploit its many advantages, Portugal needed a leader – someone to draw people together, to organize resources, to point the direction. Without such a leader all other advantages would have been nothing. Prince Henry the Navigator was a curious combination of a bold heroic mind and an outreaching imagination, with an ascetic stay-at-home temperament. Frigid to individuals, he was passionate for grand ideals. His talent of obstinacy and his power to organize proved essential for the first great enterprise of modern discovery.

In the perspective of history, it is not so surprising that the pioneer of modern exploration never himself went out on an exploring expedition. The great medieval adventure in Europe – crusading – called for risk of life and limb against the infidel. Modern exploration had to be an adventure of the mind, a thrust of someone's imagination, before it became a worldwide adventure of seafaring. The great modern adventure – exploring – first had to be undertaken in the brain. The pioneer explorer was one lonely man thinking.

"The Portuguese Discoverers", from "The Discoverers", Daniel J. Boorstin, The National Board for the Celebration of Portuguese Discoveries, Lisbon, 1987

Daniel J. Boorstin - antigo director da Biblioteca do Congresso