Fonte: Herald - 26Nov2008
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Não se avança amaldiçoando o passado!
Fonte: Herald - 26Nov2008
The Portuguese Discoverers (XXIII)
To Sagres came sailors, travelers, and savants from all over, each adding some new fragment of fact or some new avenue to facts. Besides Jews, there were Muslims and Arabs, Italians from Genoa and Venice, Germans and Scandinavians, and, as exploring advanced, tribesmen from the west coast of Africa. At Sagres, too, were manuscript records of the great travelers that Prince Henry's brother Pedro had collected during his grand tour (1419-1428) of the European courts. In Venice Pedro had received a copy of Marco Polo's travels along with a map "which had all the parts of the earth described, whereby Prince Henry was much furthered."
With these facts came the latest navigating instruments and newest navigating techniques. The mariner's compass was already well known, but its use was still haunted by superstitious fears of its occult power, believed to be akin to necromancy. Only a century before, tricks such as those performed with the lodestone had got Roger Bacon in trouble. At Sagres the compass, like other instruments, was tested only by whether it helped the mariner reach out farther and then find his way home. […]
"The Portuguese Discoverers", from "The Discoverers", Daniel J. Boorstin, The National Board for the Celebration of Portuguese Discoveries, Lisbon, 1987
Daniel J. Boorstin - antigo director da Biblioteca do Congresso
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Hortas de Moçâmedes

Como referi atrás, um passeio às Hortas de Moçâmedes era sempre uma diversão. Dançava-se, cantava-se , tocava-se, conversava-se, namorava-se, faziam-se piqueniques, almoçava-se, comiam-se saborosos frutos acabadinhos de retirar das árvores, mangas, goiabas, uvas, etc. etc. Não reconheço esta Horta, se era a do Torres, se a do Benfica ou a do Quipola, ambas do Venâncio Guimarães ou de outro proprietário, nem se era na margem de cá ou ma margem de lá do rio Bero. Ainda que na década de 60 já não fossem tão religiosamente cumpridos como eram dantes, estes passeios ainda se faziam de quando em quando, talvez por gente mais nova como é o caso deste grupo de estudantes que vemos aqui.
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Mas falar das «Hortas» de Moçâmedes é muito mais do que falar destes usos e costumes tão gratificantes para as gentes do Namibe. É falar da sua história, é falar, por ex. da sua flora...
Por tal, transcrevo aqui parte de um texto retirado do livro de um conterrâneo nosso, nessa matéria muito mais conhecedor que eu:
...«O distrito de Moçâmedes possuía uma rica flora nas terras humosas das margens do Bero e do Giraul: leguminosas, figos roxos, variadas árvores de fruto, videiras, oliveiras, tamarindeiros, goiabeiras, tangerineiras, mulembas ou figueiras, etc. Era contudo nas margens do rio São Nicolau, especiamente na margem esq., que se cultivaram as melhores àrvores de fruto de todo o sul do distrito. Na margem esq., eram os mamoeiros, os diospirios, as bananeiras ,as nespera-cereja-dendém, o palmeira de óleo palma., et., etc. A razão é que na margem esq., dada a inclinação do terreno e à presença de uma lage cerca 5 km , há curso de àgua permanente e à dt. apenas por infiltração.
Na margem esq., o 1º colono aí se instalou foi o bacharel em medicina J. Duarte de Almeida tendo bastado construir uma vala para apoveitamento água do rio ao longo do qual instalou comportas que forneciam água necessária ao regadio das suas culturas agrícolas. Na margem dt., foi necessário a Serafim Nunes de Figueiredo, accionista da Companhia de Moçãmedes, proprietária da fazenda, abrir uns quantos poços para obter água que entretanto desaparecia tendo que a aguardar de novo por infiltração que as águas voltassem a ter o nível estático dos poços. Também a terramargem dt. necessitava de mais qualidade de matéria orgânica e adubos químicos, e até os próprios animais diferenciavam o seu aspecto, porquanto nas margens esq. os corvos eram totalmente negros e menos brilhantes e os da dt. a plumagem era negra, luzidia e com uma gola branca no pescoço. Mesmo as rolas e piriquitos tinham aspecto diferente, côr e tamanho. Havia no distrito 8 exemplares de alfarrobeira cidade a dar fruto e decorar rua cidade entre Administração do Concelho Civil do Concelho e a Escola Portugal e também pitangueiras e tamareiras a embelezar as propriedades e os jardins. Também nas ruas, havia a jubea trazida pelos colonos de Pernambuco, a gravílea ,a acácia, o jacarandá, a ravenela ou árvore dos viajantes, a buganvília as euforbiáceas, os hibiscus e tantas outras. Havia a paleira de leque «Ravenala» (urânia-soberba), que crescem margens Cunene, Cuando e Bero, descoberta em Madagáscar no século xvi e trazida para os jardins de várias cidades mundo…Na província do Namibe espécies herbácias arbustivas e arbóreas começam com a consoante M (um…) Macenda, Mopane, muance, muanda, mubange, mucamba, mucibi, mucongo, mufufuta, muilo-labe, mungo, mungolo, mungondo , mulhambe , munhamde, munquia, mupaco, mupalaia, mupanda, muta, muquequete, murilaonde, mussemba, eram espécies arbóreas para construção civil e marcenaria. Mililampepo, muije, mijinque, mulambe, mulelame, mujongue, mulemba, muleu, mulucolo, mulumba, mumbula muriomuere, munguai, muncurio, mumo ou mumona, mumbula eram espécies arbóreas destinadas a contrução naval;
Mugongo, monpeque mucuma, muleia muquice, mutaku mutia e mutundo, eram espécies arbóreas tintureiras e também cosmética e para fins medicinais; Mucuio, mufufuta, muhi-hi, mupanda mutiati e mutungo eram espécies arbóreas destinadas obtenção carvão; Maboque mamoeiro manga, matambote m'noxa; Muchieia, muco, mucuri, mucuriungo, muemba, mugumbire, muamuia, muilo, mujinque, mujoroso, mulemba, mulolo, mulondo, mulungo, mubé, mumbimba, muno ou muambo, munguengue, munhande, musa, mutunda ou cangagulu, eram espécies arbóreas de fruto comestível;In Memórias de Angra do Negro- Moçâmedes, de António A. M. Cristão
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Nota: O Mu que antecipa sempreDi as palavras significa neste dialecto: «um»
Frutos de Angola, clicar AQUI
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Sobre a cultura do algodão e da cana de açucar levadas para os vales do Giraúl, do Bero e do Curoca pelos primeiros colonos idos do Brasil, diz-nos um trecho do livro «O Distrito de Moçâmedes» da autoria do moçamedense Dr.Manuel Júlio de Mendonça Torres o seguinte: ...«a cultura da preciosa malvácea, iniciada pelos colonos de 49 e 50 assumira no sul de Angola um tão acentuado desenovimento que o porto de Moçâmedes chegou a ser, de todos os portos da província, aquele por onde se vazia maior exportação de algodão. E a cultura da cana, tentada siultaneamente no distrito, merecera, de igual modo, po suas vantagens económicas, vigilantes cuidados aos antigos colonos, que vieram medrar, com natural pujança,Giraúl, do nos vales do Bero e do Curoca, a conhecida gramínea.»
O último quartel do século XIX foi pois um periodo florescente da agricultura distrital, agricultura que em determinada época atingiu um determinado grau de prosperidade, e que foi, a par da industria piscatória levada pelos algavios, o motor de arranque da economia do distrito.
Diz-nos ainda o Dr.Manuel Júlio de Mendonça Torres: «...a quebrar a monotonia do deserto, estadeavam-se, então, luxuriantes, pitorescos, os deliciosos oásis, cheios de sombra e de frescura, formados nas margens dos rios e nas abas da Chela, riquíssimos em húmus, onde os antigos colonos ensaiaram, com sucesso, além das culturas do algodão a cultura de açucar postos em aspa; ...»
Aliás, os dois emblemas expressivos do Brazão de Armas do Município de Moçâmedes, concedido à Câmara Mnicipalde Moçâmedes por Decreto de 29 de Mao de 1891 eram um ramo de algodoeiro e uma cana de açúçar. A cultura da preciosa malvácea, iniciada, e da cana, as das plantas hortenses e as das árvores frutíferas.
terça-feira, 25 de novembro de 2008
The Portuguese Discoverers (XXII)
The Portuguese Discoverers (XXII)
Prince Henry, for all these reasons, made Sagres a center for cartography, for navigation, and for shipbuilding. He knew that the unknown could be discovered only by clearly marking the boundaries of the known. This meant, of course, junking the caricatures drawn by Christian geographers and replacing them with cautious, piecemeal maps. And this required an incremental approach.
In the spirit of the portolanos, the coast pilots, he accumulated the bits of many mariner's experiences to fill out an unknown coast. The Jews, wherever they were, had long since become powerful cultural ambassadors and cosmopolitanizers. The Catalan Jew from Majorca, Jehuda Cresques, son of the cartographer Abraham Cesques, whom we have already met, was brought to Sagres, where he supervised the piecing together of the geographic facts brought back by Prince Henry's seafaring explorers. […]
"The Portuguese Discoverers", from "The Discoverers", Daniel J. Boorstin, The National Board for the Celebration of Portuguese Discoveries, Lisbon, 1987
Daniel J. Boorstin - antigo director da Biblioteca do Congresso
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
The Portuguese Discoverers (XXI)
The Portuguese Discoverers (XXI)
The visitor to Portugal today can see a lighthouse on the ruins of the fortress that Prince Henry made his headquarters for forty years. There Prince Henry initiated, organized, and commanded expeditions, on the frontier of mystery. In the first modern enterprise of exploring, from that spot he sent out an unbroken series of voyages into the unknown. Today's visitor to the harsh inhospitable cliffs of Sagres senses the appeal that place must have had for an ascetic prince who wanted to separate himself from the formalities of an effete court.
At Sagres Prince Henry became the Navigator. There he applied the zeal and energy of the crusader to the modern exploring enterprise. Prince Henry's court was a primitive Research and Development Laboratory. In the crusader's world the known was dogma ant the unknown was unknowable. But in the explorer's world the unknown was simply the not-yet discovered. And all the trivia of everyday experience could become signposts. […]
"The Portuguese Discoverers", from "The Discoverers", Daniel J. Boorstin, The National Board for the Celebration of Portuguese Discoveries, Lisbon, 1987
Daniel J. Boorstin - antigo director da Biblioteca do Congresso
sexta-feira, 21 de novembro de 2008
The Portuguese Discoverers (XX)
The Portuguese Discoverers (XX)
But still the crusader, he organized a Portuguese fleet and declared his intention to capture Gibraltar from the infidels. When King John forbade that expedition after it was already underway, Prince Henry returned home sulking. Instead of joining the court in Lisbon where he would have shared the burdens of royal government, he went far southward through the Algarve to Portugal's Land's End, Cape Saint Vincent, the southwestern tip of Europe.
Ancient geographers had given a mystic significance to that extremity of land, the borderland of the watery unknown. "Sacred Promontory" (Promentorium Sacrum) was what Marinus and Ptolemy had christened it. The Portuguese, translating this into Sagres, made it the name of the nearby village.
"The Portuguese Discoverers", from "The Discoverers", Daniel J. Boorstin, The National Board for the Celebration of Portuguese Discoveries, Lisbon, 1987
Daniel J. Boorstin - antigo director da Biblioteca do Congresso
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
The Portuguese Discoverers (XIX)
The Portuguese Discoverers (XIX)
Prince Henry gathered information about the interior lands from which the treasures of Ceuta had come. He heard tales of a curious trade, "the silent trade", designed for peoples who did not know each other's language. The Muslim caravans that went southward from Morocco across the Atlas Mountains arrived after twenty days at the shores of the Senegal River. There the Moroccan traders laid out separate piles of salt, of beads from Ceutan coral, and cheap manufactured goods. Then they retreated out of sight. The local tribesmen, who lived in the strip mines where they dug their gold, came to the shore and put a heap of gold beside each pile of Moroccan goods. Then they, in turn, went out of view, leaving the Moroccan traders either to take the gold offered for a particular pile or to reduce the pile of their merchandise to suit the offered price in gold. Once again the Moroccan traders withdrew, and the process went on. By this system of commercial etiquette the Moroccans collected their gold. Tales of the bizarre process fired Prince Henry's hopes.
"The Portuguese Discoverers", from "The Discoverers", Daniel J. Boorstin, The National Board for the Celebration of Portuguese Discoveries, Lisbon, 1987
Daniel J. Boorstin - antigo director da Biblioteca do Congresso
(título desconhecido)

Leiam e meditem sobre o que o próprio Salazar, na época, pensava sobre o assunto
Já tenho lido algures que existe um número de pessoas a tentar criar uma espécie de petição para que a actual Ponte 25 de Abril volte a chamar-se ponte Salazar.
Não querendo ser "desmancha prazeres", até porque não concordo com a acção nem discordo, apresento aqui o que Salazar pensava sobre o assunto:
O texto é retirado de uma das obras de Franco Nogueira (Expressões de Salazar de Fevereiro a Agosto de 1966)
Na época o estadista disse:
E o nome?
"Vi num estudo que a Ponte tinha o meu nome. E, isso, não poderá ser, como expliquei ao senhor ministro das Finanças.
Se não há melhor, podemos chamar-lhe Ponte de Lisboa."
A titulo privado, acompanhado por Arantes de Oliveira, Salazar faz uma visita prévia à Ponte. Vê o seu nome escrito em letras de bronze e pergunta: " As letras estão fundidas no bronze ou simplesmente aparafusadas ?". Porque ? " É que se estão fundidas no bloco de bronze vão dar depois muito trabalha a arrancar…"
Afinal, pela própria declaração do Chefe de Estado e nas lápides dos padrões, sempre a Ponte ficou a designada por Ponte Salazar.
"Teimosia do Presidente e do Ministro" , comenta Salazar, "mas é um erro" e explica:
" Acreditem: os nomes de políticos só devem ser dados a monumentos e obras públicas cem ou duzentos anos depois da sua morte. Salvo casos de Chefes de Estado, sobretudo se estes forem reis, porque então se consagra um símbolo da Nação. Mas se se trata de figuras politicas, como é o meu caso, então há que esperar, há que deixar sedimentar, e se ao fim de duzentos anos ainda houver na memória dos homens algum traço do seu nome ou da sua obra, estão até é justo que se lhe preste tal homenagem."
Depois, Salazar aponta o indicador num gesto de quem avisa. "… O meu nome ainda há-de ser retirado da ponte e por causa do que agora se fez, os senhores vão ter problemas". Repete: "os senhores vão ter problemas".
Bem! Isto só de um visionário como foi o Professor Doutor António de Oliveira Salazar.
A simplicidade de um homem na grandeza da obra.
Manuel Abrantes

