quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Batalha de Carenque

via Sopas de Pedra de A. M. Galopim de Carvalho em 21/01/09
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O PROCESSO QUE FICOU CONHECIDO por "Batalha de Carenque" remonta a 1986, quando dois finalistas da Licenciatura em Geologia da Faculdade de Ciências de Lisboa, Carlos Coke e Paulo Branquinho, meus ex-alunos, descobriram um vasto conjunto de pegadas de dinossáurios no fundo de uma pedreira abandonada, na altura a ser usada como vazadouro de entulhos e lixeira clandestina, em Pego Longo, concelho de Sintra, na vizinhança imediata de Carenque. Esta importante jazida paleontológica corresponde a uma superfície rochosa com cerca de duas centenas de pegadas, de onde sobressai, pela sua excepcional importância, um trilho com 132 metros de comprimento, no troço visível, formado por marcas subcirculares, com 50 a 60cm de diâmetro, atribuídas a um dinossáurio bípede. Além deste, considerado na altura o mais longo trilho contínuo da Europa, identificaram-se, na mesma superfície, pegadas tridáctilas atribuíveis a carnívoros (terópodes), parte delas igualmente organizadas em trilhos. O chão que suporta estas pegadas corresponde ao topo de uma delgada camada de calcário do Cretácico, com cerca de 95 milhões de anos, com 10 a 15cm de espessura, levemente basculada para Sul. Muito fracturada (à escala centimétrica), esta camada assenta sobre uma outra, bem mais espessa, de natureza argilosa, condições que dão grande fragilidade a esta jazida.
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Para além das consequências inevitáveis de degradação decorrentes do uso deste enorme buraco como vazadouro, fui alertado, em Maio de 1992, para o facto de o traçado da então projectada Circular Regional Exterior de Lisboa (CREL) vir a destruir a maior parte do trilho principal, precisamente no seu troço mais interessante. Louvavelmente, a Brisa, empresa interessada neste processo, apercebeu-se do valor patrimonial em causa, mantendo -se em consonância com o Museu Nacional de História Natural na procura de soluções que corrigissem uma tal situação, não desejável.
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Após uma longa batalha, de que a comunicação social de então deu ampla divulgação, a abertura dos túneis de Carenque foi, finalmente, a solução aceite pelo governo, representando para as finanças públicas um esforço acrescido, na ordem de um milhão e seiscentos mil contos (8 milhões de euros), merecedor de aplauso. Dois anos e meio depois, a 9 de Setembro de 1995, o então Primeiro-Ministro Cavaco Silva inaugurava a Circular Regional Exterior de Lisboa (CREL), tendo tido a atenção de me incluir na comitiva que com ele percorreu os túneis de Carenque sob as pegadas de dinossáurios que tanta tinta têm feito correr. Terminava, assim, uma primeira batalha entre os cifrões e a cultura de que esta, em boa hora, saiu vitoriosa. Mas a guerra não ficou ganha. Há, ainda, como todos sabemos, uma última batalha que é imperioso e urgente ganhar. Ganhá-la passa pela conveniente musealização do sítio, cujo projecto de arquitectura, "Museu e Centro de Interpretação de Pego Longo (Carenque)", aprovado pela Câmara de Sintra em 2001, aguarda há sete anos o necessário cabimento de verba. A sua concretização, que deve rondar, aos preços actuais, os 3,5 milhões de euros, não necessita ser encarada em bloco. Pode ser faseada no tempo, começando pelas peças mais urgentes e atractivas. (ver post "Há 95 milhões de anos, na região de Carenque" - [aqui]) Não é compreensível ter-se dispendido tanto dinheiro na abertura dos túneis, para salvaguarda da jazida, e não viabilizar, agora, o financiamento necessário à conclusão da obra prevista e tirar dela os dividendos que é lícito esperar como potencial pólo de atracção turística.
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Passados mais de treze anos sobre esta data, o trânsito automóvel flui normalmente sob um raro e valioso património, lamentavelmente deixado ao abandono. Entretanto, a jazida degrada-se sob a vigência de uma administração cega, surda e muda, indiferente aos milhões já ali investidos, não obstante a obra em falta representar muito pouco face à cifra já gasta com a abertura dos túneis.
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E quando, em nome dos euros, se argumenta contra este empreendimento, podemos responder com o enorme potencial turístico desta jazida. A topografia do terreno permite uma boa adaptação do local aos fins em vista, dispondo do lado SW de um pequeno relevo (residual da exploração da pedreira) adaptável, por excelência, a miradouro, de onde se pode observar, de um só golpe de vista e no conjunto, toda a camada – uma imensa laje pejada de pegadas – levemente basculada no sentido do local do observador, numa panorâmica de justificada e invulgar grandiosidade. Em acréscimo deste significativo potencial está o facto de a jazida se situar na vizinhança de uma grande metrópole e numa região de intensa procura turística (Sintra, Queluz, Belas) e, ainda, o de ser servida por duas importantes rodovias, a via rápida Lisboa-Sintra (IC-19), por Queluz, e a Circular Regional Externa de Lisboa (CREL-A9) que a torna acessível pelo nó de Belas e, no futuro, mais comodamente, pelo nó de Colaride.
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O reconhecimento desta jazida como valioso e excepcional relíquia geológica e paleontológica, à escala internacional, é hoje um dado adquirido. Assim e tendo em conta a condição privilegiada da região sintrense e a sua classificação, pela UNESCO, como Património Mundial, justifica-se todo o envolvimento que possa surgir, por parte das Administrações Local e Central, nesta realização, que transcende não só as fronteiras da autarquia, como também as do País. Todos sabemos que os dinossáurios constituem um tema de enorme atracção entre o público e que qualquer iniciativa neste domínio da paleontologia está votada ao sucesso. A exposição dos dinossáurios robotizados, levada a efeito pelo Museu Nacional de História Natural, assim o demonstrou. Nesta realidade, a Jazida de Pego Longo, convenientemente adaptada a uma oferta de turismo da natureza, de grande qualidade e suficientemente bem equipada e promovida, garante total rentabilidade a todo o investimento que ali se queira fazer.
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Pela minha parte, continuo a oferecer, graciosamente, o meu trabalho na concretização deste projecto. Como cidadão profundamente envolvido nesta causa, sinto-me no dever e no direito de nela voltar a insistir. Esquecidas dos poderes local e central, as pegadas de dinossáurios de Carenque estão bem vivas na mente de todos os que, como eu, sabem do que estão a falar, ou seja, os geólogos, docentes e investigadores nacionais nesta área científica e todos os especialistas internacionais que aqui acorreram, das Américas à China e à Mongólia, sem esquecer, claro, os nossos vizinhos da Europa. Estão, ainda, no coração de todos os que respeitam os valores da Natureza.
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Lembrando a sessão de dia 11 de Fevereiro de 1993, no Parlamento, na qual foi votada, por unanimidade (coisa rara), a recomendação ao executivo, no sentido da salvaguarda desta jazida paleontológica, apelo, uma vez mais, ao governo e à autarquia sintrense que reúnam vontades e interesses a fim de que se não perca este valioso património tão antigo quanto cento e doze mil vezes a História de Portugal.

Sopas de pão

Sopas de pão

via Sopas de Pedra de A. M. Galopim de Carvalho em 18/01/09
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INICIALMENTE USADA para referir o pedaço de pão migado e embebido no caldo, a palavra sopa, com origem no germânico suppa, chegou-nos através do francês soupe.
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Fazer sopas de pão, deve ter começado por ser um acto de elementar economia. Foi um modo de aproveitar o pão duro, onde já se não metia o dente. Só molhado! Daí à prática corrente de avolumar com pão os magros cozinhados, foi um nunca mais acabar de experiências, em que as mais bem sucedidas estão hoje à nossa mesa e na de alguns restaurantes que descobriram o seu grande interesse gastronómico, face a uma clientela crescente em procura deste e de outros tipos de bens culturais.
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Entre nós, sopas também refere os pedaços de pão, em fatias ou nacos cortados à faca, ou migados à mão, quer os que já estão embebidos no caldo, quer os que ainda estão em vias de o ser. É neste último contexto que molhamos a sopa na travessa, num gesto generalizado que nos permitimos fazer a coberto da frase tradicional e de bom-tom, «isto não se deve fazer...», mas que sempre se faz. Era ainda neste contexto que o meu tio Almaça, com oficina de sapateiro à Porta Nova, sempre que se queria ver livre de mim, ordenava, gracejando, «vai lá dizer à tia que vá migando as sopas, que eu já lá levo o pão».
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Sopas de pão é assim uma redundância muito nossa, que evita possíveis confusões. Sopas de pão e açorda são sinónimos no sentido alentejano deste termo. Ao dizer sopas (no plural) disto ou daquilo referimo-nos a uma só confecção se esta for à base de pão. Mas se delas (sopas) não fizer parte o pão, estamos a falar de diferentes tipos de sopa (no singular). O alfacinha pega nas sopas de favas de uma qualquer receita alentejana, tira-lhe o pão, corta-lhe no alho e nos coentros e faz dela uma delicada e excelente sopa de favas, cremosa, bem batida num aveludado puré que, quando muito e eventualmente, servirá com umas migalhitas de pão torrado ou frito. O alentejano, ao contrário, agarra numa ligeira sopa de alface, carrega-lhe no alho e nos coentros, acrescenta-lhe queijo, escalfa-lhe uns ovos, miga-lhe pão em quantidade e transforma-a numas fartas e perfumadas sopas de alface.
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Entre as muitas sopas de pão ganharam relevo as açordas e os ensopados, sendo variável, consoante os lugares ou as famílias, o emprego destas expressões. Ensopados, no geral, são os de borrego, mas ouve-se falar de ensopado de lebre, de ervilhas ou de favas. Açordas são geralmente as de coentros ou de poejos, mas também as há de tomate e outras. A culinária não é ainda uma disciplina científica, antes segue os caminhos da vivência e, também, os da arte. Não há, pois, grande mal em não seguir à risca sistemáticas e nomenclaturas. Que cada um chame as coisas pelos nomes que aprendeu e de que mais gosta.
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Entre nós, as sopas de pão são normalmente comidas com colher e garfo. A colher leva à boca e o garfo ajuda, quer no ajeitar da sopa na colher, quer na divisão dos condutos. Só não precisam de garfo as tais, ditas "de mão no bolso", uma vez que, não havendo conduto, só trabalha a mão que agarra na colher.

Prof. Costa Leite Lumbrales e a Universidade

Prof. Costa Leite Lumbrales e a Universidade

via Os Veencidos Da Vida de Lory Boy em 20/01/09
"Nesta Universidade se formou(Salazar), nesta escola deu as suas aulas, dela saiu para realizar uma grande obra nacional que é o desenvolvimento lógico da sua actividade de intelectual. O seu espírito traduz também o espírito desta escola, velha mas cheia de mocidade, da mocidade que lhe emprestais e daquela com que procura sempre desempenhar a sua missão, servir os mais altos ideais, contribuir para o engrandecimento da Nação. Tem sido essa sempre a missão da Universidade de Coimbra, a sua tradição: ser alheia a lutas que dividam mas não aos movimentos que interessam à vida e ao engrandecimento da Nação. Não é política a Universidade; a sua missão é procurar a verdade, alheia a partidos, a sectarismos e a paixões. Mas porque é portuguesa e sempre tem servido a Nação, nunca foi surda ao apelo que esta lhe fizesse para a servir e engrandecer...

Foi moda em tempos dizer que a missão do intelectual é um devaneio do espírito, uma ânsia vaga de construir sistemas e agitar ideias, um desprendimento do mundo exterior — não só nas comodidades que oferece, mas nas realidades que parece impor. Que a verdade está dentro de cada um, ou melhor, que é cada um que cria a sua verdade, alheia aos outros, alheia ao mundo, porque o mundo é ele.

A Universidade trabalha sem cansaço para encontrar a verdade, para ensinar os homens a procurá-la e servi-la. Por isso serviu sempre a Nação como realidade indiscutível, sem dobrar a verdade aos interesses da política e sem se recusar em nome da ciência a servir a Nação. Uma e outra têm o seu lugar numa mesma escala de valores, uma e outra vivem da Verdade, e para servi-la.

Há sempre porém, quem repita a pergunta de Pilatos; mas certo é que a Verdade se revela a quem tem fé e quer conhecê-la, e quando o orgulho dos homens os leva a desprezá-la, ela mostra bem duramente, como nos nossos dias, que não consente a vida aos que pensam ter dentro de si a sua essência."

João Pinto da Costa Leite (Lumbrales), Uma importante data comemorativa (Conf. do Prof. JPCLL sob o título: Salazar, professor e homem de Estado, lida no dia 27 de Abril de 1938, na Sala dos Capelos da Univ. de Coimbra), in Boletim da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra vol.15, ano 1938-39, p.397-398


Prof. Costa Leite Lumbrales e o Nacionalismo Português

Prof. Costa Leite Lumbrales e o Nacionalismo Português

via Os Veencidos Da Vida de Lory Boy em 20/01/09
"O nacionalismo português não repousa nem em reivindicações externas ou desejos de expansão, nem numa preocupação de domínio económico, nem em reivindicações de raças, mas apenas na preocupação de fazer a Nação forte em si mesma, de não permitir que particularismos, sectarismos, interesses individuais mal compreendidos prejudiquem a sua grandeza, ofendam a sua unidade, lesem os seus interesses como um todo orgânico e uma realidade histórica que tem de viver pela solidariedade estreita entre os seus membros e tem de condicionar os interesses de cada um. Significa que não são legítimos interesses, actividades, agrupamentos, partidos que não se contenham dentro dos interesses da Nação, que os desconheçam como norma fundamental da sua actividade; que ponham problemas e procurem resolvê-los à luz de doutrinas, de critérios, de paixões, de interesses alheios ao da comunidade, que a história, o sangue, o sacrifício e a fé fizeram uma unidade e realidade que tem de presidir às actividades de todos os que dentro dela se contêm. Não existem interesses de classe fora do interesse nacional; o Estado é de todos, não pode ser de um partido ou de uma facção; a produção é um elemento de vida nacional, não uma mera fonte de lucros individuais. E como a harmonia do conjunto não pode resultar de acções divergentes e antagónicas, a produção e a vida económica não podem desenvolver-se sob o signo do lucro ou da avidez, mas sim sob o de uma função remunerada segundo o valor que tiver para a vida da Nação.

Esta não é um grupo fechado ou alheio aos outros, mas não se dilui neles. É uma realidade viva que colabora com as outras; mas para isso tem de ter asseguradas as condições essenciais da sua própria existência — sem o que não pode viver e colaborar na vida internacional. O mundo não é um aglomerado amorfo de indivíduos, mas um todo orgânico que não pode viver sem que tenham vida sã os órgãos que o compõem. Por isso mesmo, a consciência nacional, longe de se opor à colaboração das Nações, é indispensável à sua realização efectiva. Indivíduo e Estado, Nação e Humanidade, não são termos antagónicos e em luta permanente, mas elementos orgânicos de um composto que em Deus tem A expressão da sua unidade...

Por isso a vida nacional não pode ser o reflexo de um partido, de uma facção, de uma opinião perfilhada ou não pela maioria. A vida política tem que exprimir a verdade, a unidade da Nação, os seus interesses superiores, e são esses interesses, os reais, os da vida, que têm que estar representados janto do Estado para informar e dirigir a sua acção. Acode-nos ao espírito aquele trecho de PASCAL: «os que não amam a verdade, vão buscar à multidão dos que a negam o pretexto da sua contestação...»."

João Pinto da Costa Leite (Lumbrales), Uma importante data comemorativa (Conf. do Prof. JPCLL sob o título: Salazar, professor e homem de Estado, lida no dia 27 de Abril de 1938, na Sala dos Capelos da Univ. de Coimbra), in Boletim da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra vol.15, ano 1938-39, p.394-396

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

O rei-fado

O rei-fado

via Caminhos da Memória de Caminhos da Memória em 19/01/09
Um texto de Paulo Pinto (*) No dia 20 de Janeiro de 1554, exactamente há 455 anos, nascia uma criança que iria mudar os destinos de Portugal. Era um rapaz. Órfão de pai. Viria a ser chamado de D. Sebastião e sob os seus ombros carregou as esperanças, as frustrações e os anseios de toda uma [...]

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

In Memoriam T.C. - (Teresa Coelho)

In Memoriam T.C.

via Ciberescritas de admin em 18/01/09

(Clicar na imagem para ler)

E aqui podem ir ler depoimentos dos amigos e dos que a conheceram.

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domingo, 18 de janeiro de 2009

Afinal, ainda cá estão

via Sopas de Pedra de A. M. Galopim de Carvalho em 14/01/09

AS PRIMEIRAS OSSADAS de dinossáurios estudadas cientificamente eram vistas como sendo fósseis de répteis de proporções gigantescas, pelo que foram imaginados como monstruosos, medonhos, terríveis. Partindo desta convicção, Richard Owen, primeiro director do Museu de História Natural de Londres, atribuiu-lhes, em 1841, o nome por que ficaram conhecidos e que resultou da reunião de dois elementos: dino, do grego deinós, que quer dizer medonho, terrível, e sáurio, do grego saurós, que significa lagarto, réptil.
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A partir dos seus restos ósseos chegámos às imagens que hoje temos destes animais do passado. A configuração corporal das respectivas réplicas assenta em aturado trabalho de investigação científica. As texturas e as cores da pele são, porém, pura imaginação. Para além do estudo minucioso dos seus inúmeros fósseis, procura-se hoje conhecer os seus hábitos. Estudam-se os seus movimentos e modos de locomoção e especula-se sobre a sua fisiologia e o seu psiquismo.
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Os dinossáurios fizeram a sua aparição há cerca de 235 milhões de anos, no primeiro período da Era Mesozóica, ou seja, no Triásico. Viveram, diversificaram-se e expandiram-se em todos os continentes, durante cerca de 170 milhões de anos. Entre eles houve quadrúpedes gigantescos, herbívoros, uns com mais de 30m de comprimento e outros altos como um prédio de 4 andares, pesando dezenas de toneladas. Houve bípedes, uns herbívoros, outros carnívoros, numa imensa variedade de formas e tamanhos, desde os muito pequenos aos gigantescos e monstruosos.
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Os dinossáurios do nosso imaginário desapareceram, quase totalmente, repito, quase totalmente, há cerca de 65 milhões de anos, de forma abrupta, na sequência de uma grande catástrofe, à escala global (cuja causa continua a ser tema de preocupação dos cientistas) que vitimou cerca de três quartos dos grupos biológicos que então viviam. Durante muitos milhões de anos foram animais terrestres, alguns vivendo na proximidade de rios, lagos ou pântanos, como sucede a muitos animais dos nossos dias. Nunca foram, porém, animais marinhos e só no final da era mesozóica, ao evoluírem para as aves, foram voadores. Sabemos hoje que as aves são descendentes de um ramo de dinossáurios corredores e carnívoros que, afinal, não se extinguiu. Portanto, ao comermos peru ou frango, estamos a comer dinossáurios. Ao vermos uma avestruz estamos a ver o maior dinossáurio dos dias de hoje e ao ouvirmos um rouxinol, estamos a escutar o canto de um dinossáurio muito pequenino.
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Os dinossáurios continuam, pois, entre nós nos museus, no cinema, na banda desenhada, numa variedade imensa de artigos à nossa disposição no comércio e, ainda, bem vivos, por todos os lugares da Terra, representados pela imensa variedade das aves.

18 de Janeiro de 1934

18 de Janeiro de 1934

via Caminhos da Memória de Irene Pimentel em 17/01/09
Logo que chegou à chefia do poder, em 5 de Julho de 1932, António de Oliveira Salazar começou a elaborar a Constituição sobre a qual assentaria o seu novo regime, o Estado Novo. Após ser plebiscitado, o texto constitucional foi promulgado em Abril de 1933, no ano em que o novo regime salazarista criou a [...]