quinta-feira, 16 de abril de 2009

Era uma vez… Portugal (XI)

via Carreira da Índia de Leonel Vicente em 16/04/09

OS PORTUGUESES NA ETIÓPIA

Quando se fala de Descobrimentos Portugueses, é comum referir-se os contactos com as civilizações africanas e asiáticas, nomeadamente a Índia, a China e o Japão, efectuados pelos portugueses no século XVI. De facto, a chegada ao Oriente e o prolongado diálogo com estas culturas deixou marcas bem visíveis que se estendem até aos nossos dias. No entanto, outros locais há de que se fala hoje muito pouco, mas onde a presença portuguesa se fez sentir com grande vigor naquela época. Um dos reinos mais importantes que os portugueses ansiavam alcançar, e que se revelou um dos locais onde os contactos foram mais proveitosos, foi a Etiópia. É sobre a presença portuguesa neste reino africano que vamos falar hoje.

A Etiópia, ou Abissínia, era no século XVI um remoto reino cristão, conhecido na Europa e em Portugal sob o nome de Prestes João. Acerca deste nome corriam as mais fabulosas histórias, imaginando os europeus tratar-se de um poderoso e riquíssimo reino cristão, que se encontrava para além do Mundo Muçulmano, e que ansiava por contactar a Europa cristã para poder em conjunto, imaginava-se então, derrotar o Islão e libertar Jerusalém e os Lugares Santos. Acerca deste reino mais ou menos mítico circulavam na Europa ideias vagas e confusas, que só os portugueses vieram definitivamente esclarecer. Aliás, o Prestes João está directamente ligado ás origens da Expansão Portuguesa. Uma das motivações do Infante D. Henrique em ultrapassar o Cabo Bojador e promover o avanço e exploração da costa ocidental africana foi a de tentar contornar Marrocos e o Mundo Muçulmano, tentando encontrar o tal reino cristão de que se falava na sua época. Mais tarde, D. João II prosseguiu tal política, mas agora subordinada ao objectivo de encontrar o caminho marítimo para a Índia.

Ficou a dever-se a este monarca a primeira iniciativa bem sucedida de contactar o Prestes João, ou seja, a Etiópia. Trata-se da famosa expedição de Afonso de Paiva e Pero da Covilhã, que seguindo por terra até ao Médio Oriente deveriam aí recolher todo o tipo de informações a enviar para Lisboa, de modo a complementar a viagem marítima que simultâneamente efectuava Bartolomeu Dias, e que dobrou o Cabo da Boa Esperança. Pero da Covilhã tinha como objectivo a Índia, cabendo a Afonso de Paiva encontrar e contactar a Etiópia, e inteirar-se da condição deste reino. Após uma série de peripécias, entre as quais a morte do mesmo Afonso de Paiva, é Pero da Covilhã encarregado pelo rei de seguir o caminho do Prestes João. Assim fez, tendo sido o primeiro português a ali chegar. Nunca regressou a Portugal, por motivos que só alguns anos mais tarde se vieram a descobrir.

Nenhuma das informações sobre a Etiópia recolhidas por Pero da Covilhã chegou a Lisboa. Não foi, assim, possível desfazer as ideias fabulosas sobre este reino que desde há muito circulavam na Europa. Os portugueses continuavam a acreditar que o Prestes João era um reino extenso, muito populoso e poderosíssimo em termos militares. Entretanto, morrera D. João II e subira ao trono D. Manuel I. Este monarca possuía o seu próprio projecto de expansão, que assentava no estabelecimento português no Oriente, mas também na aliança com a Etiópia. Os portugueses chegaram entretanto à Índia, avançando cada vez mais para Oriente. Afonso de Albuquerque tomara Goa, Ormuz e Malaca, estabelecendo as bases do futuro Estado da Índia. Quanto à Etiópia, foram feitos os primeiros contactos, embora a verdadeira dimensão e importância daquele reino ainda não fosse clara, nem sequer para os portugueses que se encontravam na Índia.

É em 1514 que esta situação se altera. A rainha etíope, tendo tomado conhecimento do estabelecimento dos portugueses no Oriente, decide enviar um embaixador a D. Manuel, chamado Mateus. Este homem deveria ser imediatamente transportado para Lisboa, mas na verdade foi tratado com muito pouco respeito pelos portugueses. É que muitos destes o tomaram como um falsário, sujeitando-o a todo o tipo de discriminações. Há, porém, outra razão para tais descortesias: uma boa parte da corte e da classe dirigente portuguesa opunha-se aos projectos do rei D. Manuel, nomeadamente à sua política de aliança com a Etiópia para uma futura frente comum contra os muçulmanos. Assim sendo, é natural que os capitães ligados a estes sectores da corte tudo fizessem para dificultar a vida ao embaixador etíope. Este, no entanto, acabou por chegar a Lisboa, sendo recebido pelo rei com cortesia.

D. Manuel decide responder com uma outra embaixada, chefiada por Duarte Galvão e que deveria entregar valiosos presentes ao imperador etíope. Porém, a morte deste embaixador, já não muito longe da Etiópia, fez abortar a missão e adiou os contactos com aquele reino. O pobre Mateus, que já à ida para Portugal sofrera toda uma série de vexames, enfrentou assim novas atribulações. Vagueou durante vários anos pela Índia, sofrendo um tratamento inadequado à sua dignidade de embaixador.

Só em 1520 é que o novo vice-rei Diogo Lopes de Sequeira decidiu refazer a embaixada, que atingiu finalmente a Etiópia. Aqui, os portugueses aperceberam-se finalmente da realidade deste reino, bem diferente das histórias que corriam na Europa sobre o Prestes João: tratava-se na verdade de um pequeno reino montanhoso, cristão é certo, mas de dimensão modesta, cercado por reinos muçulmanos por todos os lados e que esperava a ajuda portuguesa para se libertar da crescente asfixia a que se via sujeito. A embaixada trocou uma série de presentes, demorando-se cerca de seis anos nesta região.

Existe um relato pormenorizado desta embaixada, escrito pelo padre Francisco Álvares e chamado "Verdadeira Informação das Terras do Preste João das Índias". Trata-se de um precioso testemunho da situação social, política e económica da Etiópia daquela época, na verdade a primeira descrição deste reino de que há conhecimento. É o padre Francisco Álvares que nos desvenda finalmente o destino de Pero da Covilhã, que chegara a este reino mais de trinta anos antes. Fora bem recebido pelo rei, passando a ocupar um lugar na sua corte. Porém, havia sido impedido de regressar a Portugal, sendo forçado a permanecer no reino. Eis o que diz a este respeito Francisco Álvares, apercebendo-se de que elementos da corte etíope pressionavam o rei a que os não deixasse sair:

"[Estes homens] aconselhavam ao Preste que nos não deixasse tornar nem sair de seus reinos porque dizíamos mal da terra, e que sempre fora costume destes reinos não deixarem ir os forasteiros que a eles vinham. Nós tínhamos suspeita disto pelo que ouvíamos e estes nos diziam e pelo que já sabíamos de João Gomes e João clérigo, portugueses que cá vieram. E a estes portugueses não os deixaram ir, porque diziam que lhes causaria morte irem-se. E assim Pero da Covilhã, outro português que há quarenta anos que partiu de Portugal, por mandado del rei D. João, e trinta e tantos anos que é nestes reinos."

Mau-grado estes mal-entendidos, a embaixada foi bem sucedida, e os contactos entre Portugal e a Etiópia desenvolveram-se nos anos seguintes. A presença portuguesa neste reino passou a ser cada vez mais marcada pela missionação, principalmente jesuítica, que tentava modificar a religião local. É que os etíopes eram cristãos, mas não católicos. Eram coptas, estando sujeitos ao Patriarca de Alexandria, e não ao Papa de Roma. Havia, assim, diversas diferenças que os jesuítas tentaram, em vão, eliminar, fracassando igualmente em tentar submeter a igreja local à obediência papal. De resto, a influência portuguesa manteve-se forte durante o século XVI e o XVII, deixando profundas marcas na construção das casas e das fortalezas, pontes e vias de comunicação, que ainda hoje podem ser apreciadas em diversas cidades e ruínas etíopes.

Paulo Jorge de Sousa Pinto - texto de apoio a programas de rádio sob a designação "Era uma vez… Portugal", emitidos entre 1993 e 1996 pela RDP-Internacional, em associação com a Sociedade Histórica da Independência de Portugal

Era uma vez… Portugal (X)

via Carreira da Índia de Leonel Vicente em 15/04/09

DUARTE PACHECO PEREIRA E O "ESMERALDO DE SITU ORBIS"

Duarte Pacheco Pereira é uma das figuras mais interessantes da História dos Descobrimentos Portugueses. Tendo sido um dos homens de confiança de D. João II, e mais tarde de D. Manuel I, acompanhou e participou nalguns dos momentos-chave da Expansão Portuguesa do seu tempo. Foi marinheiro e guerreiro, geógrafo, cosmógrafo e diplomata. A ele se ficaram a dever importantes vitórias militares, mas igualmente observações e estudos que compilou numa obra a que deu o estranho título de Esmeraldo de Situ Orbis. Se a parte final não oferece dúvidas, tratando-se do título de uma obra de Geografia da Antiguidade, já o nome Esmeraldo é obscuro. De qualquer modo, trata-se de um roteiro da costa africana, desde Marrocos ao Cabo da Boa Esperança, que escreveu entre 1505 e 1508, mas que nunca chegou a completar. É desta obra singular e de alguns aspectos da vida do seu autor que vamos hoje falar.

Não se conhece a data exacta de nascimento de Duarte Pacheco Pereira, mas tal ocorreu provavelmente por volta de 1460, em Lisboa. Era da média nobreza de serviços da Coroa, sendo o seu antepassado mais célebre Diogo Lopes Pacheco, um dos assassinos de Inês de Castro. Cavaleiro da casa de D. João II, desde muito cedo manifestou interesse pelas viagens de descobrimento da costa africana então promovidas por aquele monarca. Foi durante as décadas de 1480 e 1490 que Duarte Pacheco Pereira acompanhou de perto a exploração da costa e o desenvolvimento da ciência náutica portuguesa, tendo desenvolvido uma série de observações e estudos de náutica, de carácter prático. Para tal deslocou-se à Mina, a S. Tomé, e a outros diversos pontos da costa africana. Em 1488 encontrava-se doente na ilha do Príncipe, tendo sido Bartolomeu Dias, no regresso da sua célebre viagem de descobrimento do Cabo da Boa Esperança, que o trouxe de regresso a Portugal. Em 1494, a sua experiência nos assuntos de náutica levou a que acompanhasse a delegação portuguesa que nessa data assinou o célebre Tratado de Tordesilhas, que dividiu definitivamente o mundo em duas esferas de influência.

Nos primeiros anos do século XVI, Duarte Pacheco Pereira deslocou-se á Índia, onde tomou conhecimento dos primeiros passos que a presença portuguesa percorria naquela região. A ele se deveu uma formidável vitória contra o Samorim de Calecut, em 1504, quando conseguiu sucessivamente derrotar as investidas deste rei com uma força de apenas 150 portugueses, aliados do rei de Cochim. Por este facto foi recebido com todas as honrarias em Lisboa, pelo rei D. manuel, e Luís de Camões chama-o de "Aquiles Lusitano" nos seus Lusíadas.

Duarte Pacheco Pereira inicia então a escrita da sua obra, fruto do seu longo contacto com a costa africana e da sua vasta experiência acumulada de navegação. O Esmeraldo destinar-se-ia a servir de roteiro da costa, de uso comum dos pilostos e marinheiros portugueses. Contém inúmeras referências de utilidade prática, tal como o modo de reconhecimento da costa, a forma de determinar a latitude e o melhor rumo a seguir a cada momento. Está igualmente repleto de informação comercial sobre os produtos trocados em cada ponto de África e os cuidados a ter com as populações mais belicosas. Eis um exemplo:

"Jaz o porto de Ali e o rio do Barbacis Leste e Oeste, e tem na rota cinco léguas, e este rio é muito aparcelado e de grandes baixos; há resgate de escravos, seis e sete por um cavalo, posto que não seja bom; e o capitão que a este resgate for, guarde-se destes negros, que são muito má gente; e este rio se aparta em latitude da linha equinocial contra o polo ártico catorze graus e quinze minutos".

O Esmeraldo de situ orbis é geralmente considerado como o resultado da experiência prática de navegação dos portugueses, que pela primeira vez punha em causa uma série de tradições geográficas herdadas da Antiguidade e que agora se vinha a constatar estarem erradas. Duarte Pacheco Pereira, embora conheça algumas e se baseie frequentemente nelas, é o primeiro a notar que estão em muitos aspectos desfazadas da realidade. Por exemplo, dizia-se que as regiões mais próximas do equador eram desabitadas, formando a chamada Zona Tórrida, pois a extrema temperatura impedia a vida humana. Os portugueses provaram o contrário, e Pereira di-lo no seu trabalho. Por exemplo, quando fala do Cabo de Lopo Gonçalves:

"Esta terra é muito vizinha do círculo da equinocial [ou seja, do Equador], da qual os antigos disseram que era inabitável e nós por experiência achamos o contrário".

O critério de veracidade deixou assim de ser os autores da Antiguidade, e passou a ser, numa frase célebre da sua autoria: "A experiência, que é madre de todas as coisas, que nos desengana e toda a dúvida nos tira".

É ainda motivo de polémica a sua misteriosa viagem para Ocidente em 1498, que refere brevemente na sua obra. Dizem alguns que chegou ao Brasil antes de Pedro Álvares Cabral, outros á América do Norte, outros ainda que nunca terá empreendido tal viagem. Eis o misterioso passo do Esmeraldo:

"Temos sabido e visto como no terceiro ano de vosso reinado no ano de Nosso Senhor de 1498, dondo nos Vossa Alteza mandou descobrir a parte ocidental, passando além da grandeza do Mar Oceano, onde é achada e navegada uma tão grande terra firme, com muitas e grandes ilhas adjacentes a ela (…) e posto que seja assaz fora, é grandemente povoada".

Duarte Pacheco Pereira deixou o seu Esmeraldo incompleto. A sua descrição cessa repentinamente no Rio do Infante, ou seja, no ponto exacto onde chegou Bartolomeu Dias na sua viagem. Não terá tido tempo de a terminar, ou provavelmente não conseguiu reunir com a profundidade desejada as informações respeitantes à costa oriental de África. De resto, a sua obra permaneceu inédita durante muitos anos. O precioso original, ilustrado de mapas e desenhos de sua autoria, perdeu-se até hoje, só se conhecendo duas cópias, que ficaram inéditas até ao final do século passado.

A sua biografia não cessa aqui. Em 1508, como já referimos, cessou a escrita do seu Esmeraldo, e logo em 1509 segue em perseguição de um célebre corsário francês que ameaçava as costas portuguesas e a navegação atlântica. Consegue localizá-lo ao largo do Cabo Finisterra, onde alcança a vitória. Prestou ainda outros serviços ao serviço do rei D. Manuel, que o nomeia capitão da fortaleza da Mina. Os últimos anos da sua vida foram, porém, mais cinzentos. Acusado de corrupção no desempenho do seu cargo, é enviado para Lisboa e afastado. O novo rei D. João III não o favoreceu como o seu antecessor, pelo que Duarte Pacheco Pereira chega mesmo a ameaçar colocar-se ao serviço do rei de Espanha Carlos V. Não o chegou, porém, a fazer. Faleceu entretanto, cerca de 1530, talvez pobre, mas certamente injustiçado dos serviços que cumpriu e da obra que escreveu durante a sua vida.

Paulo Jorge de Sousa Pinto - texto de apoio a programas de rádio sob a designação "Era uma vez… Portugal", emitidos entre 1993 e 1996 pela RDP-Internacional, em associação com a Sociedade Histórica da Independência de Portugal

terça-feira, 14 de abril de 2009

o mais radioactiva, melhor”

via Sopas de Pedra de A. M. Galopim de Carvalho em 12/04/09
-JÁ LÁ VAI O TÃO AFAMADO tempo das termas e das águas medicinais, um privilégio de uns tantos, nascido em finais do século XIX. Preteridas progressivamente pela imensa, poderosa e democratizada oferta turística associada ao litoral e, sobretudo, às praias, as que ainda existem são relíquias da arquitectura e exploração hoteleiras do primeiro quartel do século XX. A par do seu uso, nos próprios locais, com instalações adequadas, algumas dessas águas passaram a ser comercializadas engarrafadas. Captadas, entre outras, ao longo de uma importante falha geológica, a mesma rotura da crosta terrestre que determinou a extensa depressão que se estende, para norte da Régua, até Verin (Ourense), já em Espanha, passando pela bela e fértil veiga de Chaves. Estas águas, ao circularem no granito, recebem dele, por contaminação, uma certa dose de radioactividade a níveis que, parece estar provado, não têm efeitos indesejáveis sobre a saúde de quem a bebe.
-
Recuando à passagem do século XIX ao XX, com a descoberta da radioactividade, por Becquerel, em 1897, e do rádio, pelo casal Marie e Pierre Curie, em 1902, vamos assistir à utilização deste elemento químico radioactivo, associado ao urânio (elemento que, nessa altura, era considerado um material sem qualquer utilidade) na nossa mina da Urgeiriça (Nelas), numa então novíssima terapêutica, a designada radioterapia, ainda hoje aplicada em oncologia, já não com o dito elemento rádio, mas com substitutos mais eficazes e de manipulação menos perigosa, como é, por exemplo, o cobalto radioactivo. Radioactividade era, assim, nesses anos, o dernier cri em medicina. Como tal, a palavra tinha uma conotação altamente positiva, tendo-se tornado comercialmente interessante. Neste enquadramento, assistiu-se à valorização deste processo natural na publicidade destas águas que, além de carbonatadas sódicas e carbogasosas, com base em análises disponibilizadas pela então Direcção-Geral de Minas e Serviços Geológicos, passaram a estar rotuladas, de "fortemente radioactivas".
-
Nessa época ninguém imaginava o que viriam a ser, anos depois, os trágicos acontecimentos de Hiroshima e Nagasaki, em 1945, com mais de 200 000 mortes de civis. Com esta tragédia a radioactividade passou, de imediato, a estar associada à bomba atómica, uma associação sempre renovada com os lamentáveis acidentes em centrais nucleares como foram os de Three Miles Island, na Pensilvânia, em 1979, e de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986. Radioactividade tornou-se, assim, palavra proscrita e, nessa medida, a sua alusão nos rótulos e na publicidade destas águas desapareceu como por encanto.

25 de Abril de 1974 - Os Verdadeiros Comandantes da Revolução

via Caminhos da Memória de Eduardo Graça em 13/04/09
Entre a madrugada do dia 25 de Abril e o 1º de Maio de 1974 vivi enclausurado no Quartel do Campo Grande, em Lisboa, onde hoje funciona uma universidade privada e naquela época estava sediado o 2º Grupo de Companhias de Administração Militar. Lá entrei já a madrugada ia alta, tal conjurado, com o António [...]

Era uma vez… Portugal (IX)

via Carreira da Índia de Leonel Vicente em 14/04/09

DUARTE PACHECO PEREIRA
E OS PRIMÓRDIOS DO IMPÉRIO PORTUGUÊS DO ORIENTE

A viagem de Vasco da Gama abriu definitivamente as portas da Índia aos portugueses. Resolvido o problema da rota para Oriente, colocou-se então a questão de avaliar as realidades locais, de modo a viabilizar a melhor actuação. Vasco da Gama, chegado a Calecut, procura estabelecer relações de amizade com o rei local, de forma a permitir futuramente o comércio. Porém, se este primeiro contacto é marcado pelo optimismo, já Pedro Álvares Cabral, na armada seguinte, se apercebe que as condições são bem menos favoráveis: existem muito menos cristãos do que se supunha inicialmente, e o comércio das especiarias é controlado pela comunidade muçulmana, hostil aos portugueses. Assim, o rei D. Manuel conclui que o estabelecimento dos portugueses na Índia exige o uso da força militar. Nos anos seguintes, a política seguida pretendia criar uma alternativa a Calecut, que se mostrou hostil. Os portugueses acabam por se aliar ao rei de Cochim, rival de Calecut, de modo a canalizar as apetecidas especiarias da costa do Malabar, ao mesmo tempo que se alargam os contactos com outras cidades. É nestes primeiros anos que se joga o futuro Império Português Oriental, já que a fragilidade das posições portuguesas só podia ser compensada pela bravura e coragem de alguns homens. E um destes, protagonista da primeira grande vitória militar, foi Duarte Pacheco Pereira.

Duarte Pacheco Pereira é uma das figuras mais interessantes da História dos Descobrimentos Portugueses. Cavaleiro da casa de D. João II, cosmógrafo e geógrafo, explorador do Atlântico Sul, adquiriu desde muito cedo uma grande experiência de navegação, que nos deixou no seu roteiro, chamado Esmeraldo de Situ Orbis. Desconhece-se a data do seu nascimento, mas sabe-se que efectuou diversas viagens de exploração da costa africana, cujo conhecimento é aliás demosntrado na sua obra. Em 1488 encontra-se doente na ilha do Príncipe, e é Bartolomeu Dias, no regresso da sua histórica viagem de dobragem do Cabo da Boa Esperança, que o transporta para Portugal. Em 1494, participa na negociações do Tratado de Tordesilhas, integrado na equipa de D. João II que assinou com Espanha a divisão do mundo em duas esferas de influência. É ainda muito debatida e polémica a sua misteriosa viagem para Ocidente em 1498, que refere brevemente na sua obra. Dizem alguns que chegou ao Brasil antes de Pedro Álvares Cabral, outros á América do Norte, outros ainda que nunca terá empreendido tal viagem.

Mas falemos da sua estadia no Oriente. Duarte Pacheco Pereira parte para a Índia na armada de Afonso de Albuquerque em 1503, chegando a Cochim em Outubro. Aí já se encontra uma outra armada portuguesa. O objectivo comum era o do definitivo estabelecimento em Cochim, aproveitando a abertura do rei local. Para tal era porém necessário construir uma fortaleza, e preparar a inevitável guerra com Calecut. Nos fins de 1504, Afonso e Francisco de Albuquerque regressam a Lisboa, deixando Duarte Pacheco Pereira em Cochim com uma pequena força de apenas 150 portugueses.

Com esta pequena força militar, Duarte Pacheco Pereira tinha várias missões a cumprir, a mais importante das quais era a defesa de Cochim dos ataques de Calecut. De facto, o Samorim de Calecut prepara imediatamente uma poderosa e numerosa força militar, de vários milhares de homens, para invadir o seu pequeno vizinho. De Março a Julho de 1504 atacou por várias vezes, utilizando diversas técnicas, desde o ataque maciço e em força ás surtidas ocasionais, chegando mesmo a envenenar os poços em que os portugueses se abasteciam de água. Todas fracassaram, e Duarte Pacheco Pereira conseguiu que este poderoso rei se retirasse, finalmente, a 24 de Julho. Sobre este dia escreveu o cronista João de Barros:

"Finalmente, o dia não foi tão próspero como os feiticeiros do Samorim lhe tinham prognosticado; e porque ainda lhe ficou esperança, que tornando outra vez alcançaria vitória que refizesse todas as perdas passadas, veio daí a certos dias em hora de melhor eleição (…). Simulando ele que se tornava a refazer para tornar á guerra, se recolheu de todo com perda de dezoito mil homens, treze ne enfermidade, que por duas vezes sobreveio no seu arraial, e os cinco na guerra que continuou, a qual guerra durou seis meses."

O Samorim de Calecut retirou-se, assim, definitivamente, aceitando a derrota e assinando a paz. Estava, assim, ganha a primeira grande prova por que passaram os portugueses no início da sua fixação na Índia. Duarte Pacheco Pereira foi então triunfalmente recebido pelo rei de Cochim, que se manteve, assim como os seus sucessores, um tradicional aliado dos portugueses até á conquista da cidade pelos holandeses em 1663.

Duarte Pacheco Pereira empreendeu ainda várias acções de pacificação e de aprofundamento da fixação portuguesa, nomeadamente em Coulão, onde os feitores portugueses enfrentavam dificuldades. Parte de Cananor no início de 1505 com destino a Portugal, onde chega alguns meses depois. É recebido com uma grande procissão em Lisboa, em que participou ao lado do rei D. Manuel, que mandou celebrar esta vitória por todo o país. Os feitos de Duarte Pacheco Pereira no Oriente ficaram célebres, sendo registados por todos os cronistas e poetas, inclusivamente por Luís de Camões, que o designa por "Aquiles Lusitano" n'Os Lusíadas.

Duarte Pacheco Pereira não terminou aqui os seus feitos. De facto, logo em 1509 segue em perseguição de um célebre corsário francês que ameaçava as costas portuguesas e a navegação atlântica. Consegue localizá-lo ao largo do Cabo Finisterra, onde alcança a vitória. Prestou ainda outros serviços ao serviço do rei D. Manuel, que o nomeia capitão da fortaleza da Mina. Os últimos anos da sua vida foram, porém, mais cinzentos. Acusado de corrupção no desempenho do seu cargo, é enviado para Lisboa e afastado. O novo rei D. João III não o favoreceu como o seu antecessor, pelo que Duarte Pacheco Pereira chega mesmo a ameaçar colocar-se ao serviço do rei de Espanha Carlos V. Não o chegou, porém, a fazer. Faleceu entretanto, cerca de 1530, talvez pobre, mas certamente injustiçado dos serviços que cumpriu ao longo da sua vida.

A presença portuguesa no Oriente foi-se fortalecendo progressivamente. Pouco depois da acção de Duarte Pacheco Pereira, chega á Índia o primeiro vice-rei, D. Francisco de Almeida, que vinha estabelecer definitivamente a presença portuguesa na região. Foi, porém, o seu sucessor, o famoso Afonso de Albuquerque, o fundador do Império Português do Oriente. Mais do que fixar a presença portuguesa em várias cidades, estabelecendo acordos de comércio com as autoridades locais, Afonso de Albuquerque segue uma política de conquista das cidades mais importantes do Índico, o que consegue em Goa, Ormuz e Malaca. Mas o seu bom sucesso muito deve á acção pioneira de alguns homens, entre os quais tem um lugar destacado Duarte Pacheco Pereira.

Paulo Jorge de Sousa Pinto - texto de apoio a programas de rádio sob a designação "Era uma vez… Portugal", emitidos entre 1993 e 1996 pela RDP-Internacional, em associação com a Sociedade Histórica da Independência de Portugal

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Era uma vez… Portugal (VIII)

via Carreira da Índia de Leonel Vicente em 13/04/09

DUARTE LOPES E A "RELAÇÃO DO CONGO"

Em 1578, partia de Lisboa, com destino a Luanda, um português chamado Duarte Lopes, acompanhando um seu tio que seguia para África com diversas mercadorias. Os portugueses ensaiavam então uma primeira fixação definitiva nesta região, com a fundação de Luanda três anos antes, por Paulo Dias de Novais. Os contactos com o reino do Congo eram, porém, muito anteriores. Na verdade, contavam já com quase um século, desde que Diogo Cão chegara à foz do Zaire e fora bem recebido pelas autoridades locais. Duarte Lopes teve ocasião de conhecer com alguma profundidade a região, efectuando diversas vigens no interior do continente que o tornaram no primeiro grande explorador europeu de África. Vamos hoje acompanhar alguns passos da sua vida, assim como a obra que nos deixou, chamada de "Relação do Reino do Congo e das terras circumvizinhas".

Conhece-se muito pouco da vida de Duarte Lopes. Sabe-se que terá nascido em Benavente em meados do século XVI, de família cristã-nova, e ignora-se a data da sua morte. Os dados da sua biografia referem-se sobretudo à sua estadia no reino Congo. Aqui viveu durante alguns anos, até 1584. Durante este tempo, Duarte Lopes viajou por diversas regiões de África, em parte graças aos favores do rei do Congo, que conseguiu captar, em parte devido à sua curiosidade e espírito aventureiro. No decorrer de tais viagens recolheu um vasto conjunto de informações, que mais tarde viriam a ser publicadas, e que constituem a primeira descrição fidedigna do interior de África. Por esta altura, os portugueses detinham um conhecimento de África que só muito mais tarde veio a ser suplantado. Todos conhecemos as viagens pioneiras de Livingstone e de Stanley, e também dos portugueses Serpa Pinto, Capelo e Ivens, no século passado. Estes homens exploraram o interior de África, mas não foram os primeiros, ao contrário do que muitas vezes se julga. Já alguns portugueses, entre os quais Duarte Lopes, haviam dados os primeiros passos. A este propósito escreveu um historiador belga, no século XIX:

"Comparando uma carta de África, feita no ano de 1850, antes das viagens de Barth, Livingstone e Speke, com uma carta dos fins do século XVI, depois das grandes explorações de Diogo Cão, Francisco Gouveia e Duarte Lopes, vê-se que o interior desse continente era muito menos conhecido há 30 anos do que há 300 anos".

Em 1585, após as suas viagens, Duarte Lopes regressa à Europa. A sua posição no interior do reino do Congo era tal que é nomeado embaixador deste reino junto do agora rei de Portugal Filipe I, e também junto do Papa. O Congo era nesta altura um reino cristão, mas havia uma situação de tensão e conflito com os portugueses estabelecidos em Angola. Duarte Lopes não consegue os seus objectivos junto do rei de Portugal, e segue para Roma, onde o Papa Sisto V o recebe favoravelmente. A política do rei do Congo nesta época, de que Duarte Lopes era porta-voz, era a de obter margem de manobra e apoio que contrabalançasse o peso crescente dos portugueses de Luanda, que ameaçavam o seu poder local e o seu prestígio.

É em Roma que Duarte Lopes entra em contactado com o humanista Filippo Pigafetta, certamente interessado em obter informações acerca com continente africano, que o português parecia conhecer tão bem. Dos contactos entre as duas personagens viria o italiano a escrever uma obra, chamada de "Relação do reino do Congo e das terras circumvizinhas", que sairia em 1591. Na verdade, não sabemos se o italiano escreveu directamente dos relatos de Duarte Lopes, nem se este acompanhou de perto a redacção do texto. Desta forma, é impossível distinguir o que proveio das informações do português do que foram os acrescentos e correcções do humanista italiano.

Mas tal não diminui o interesse da "Relação". Nela o autor mistura descrições do Congo e das suas diversas regiões com a história do reinado desde a chegada dos portugueses, onde estão patentes as diferenças com a mentalidade europeia, mas igualmente o sentimento de curiosidade e interesse pela civilização africana. Eis como Lopes e Pigafetta descrevem os habitantes da terra:

"Os homens e mulheres são negros, alguns menos, tirando mais a baço, e têm os cabelos crespos e negros, alguns também vermelhos, a estatura dos homens é de mediana grandeza, e tirando-lhes a cor negra, são parecidos com os Portugueses: as pupilas dos olhos de diversas cores, negras e da cor do mar, e os lábios são grossos, como os Núbios e outros negros, e assim os seus rostos são cheios e subtis e váricos como nestas regiões, não como os negros da Núbia e da Guiné, que são disformes."

Esta obra conheceu uma rápida expansão por toda a Europa, tendo sido traduzida pouco depois para outras línguas, o que revela o interesse que este tema despertava na época. Pigafetta fez acompanhar o texto com uma série de desenhos e ilustrações supostamente baseadas no relato de Duarte Lopes. Mas estas mostram que quem as desenhou nunca esteve em África: os habitantes parecem europeus, as cidades congolesas assemelham-se a Roma Clássica e mesmo os animais não têm correspondência com a realidade: a zebra, por exemplo, é claramente um cavalo pintado às riscas.

Noutros aspectos, provavelmente os que provêm mais directamente de Duarte Lopes, a obra revela rigor e cuidado. A descrição da capital do reino, S. Salvador do Congo (no Norte da actual Angola) e das suas diversas províncias, assim como a história do reino desde a chegada dos portugueses, é muito interessante e provavelmente fidedigna. É particularmente curiosa a forma como descreve as alterações que a conversão do rei ao Cristianismo e o contacto com os portugueses provocaram ao nível do quotidiano e do vestuário local:

"Antigamente este rei e os seus cortesãos vestiam-se de panos de palma, com os quais se cobriam da cintura para baixo, apertando-os com cintos feitos da mesma matéria e de belos lavores; no ombro traziam um rabo de zebra preso a um cabo, por ser de uso antigo naquelas regiões; na cabeça tinham carapuças de cor amarela e encarnada; andavam descalços a maior parte deles. Mas depois daquele reino ser cristianizado, os grandes da corte começaram a vestir-se à moda dos portugueses, trazendo mantos, capas, tabardos de escarlata e de telas de seda; na cabeça, chapéus e barretes, nos pés, alparcas de veludo, de couro, e borzeguins à moda portuguesa. Logo que o rei se converteu ao Cristianismo, reformou também a sua corte de certo modo imitando a de Portugal, e principalmente quanto ao modo de estar à mesa. Possui baixela de ouro e de prata, com um salva para comer e beber."

Duarte Lopes regressou novamente a Madrid, onde voltou a contactar Filipe II e a informá-lo das vantagens de intervir no Congo e de promover o relacionamento com o aquele rei. Lopes pretendia provavelmente incrementar a acção evangelizadora naquela região de África, invocando para tal o interesse da Coroa Portuguesa nas possíveis riquezas, como ouro e prata, que estariam hipoteticamente por descobrir no interior do reino. Nada mais conhecemos da sua vida, nem sequer se alguma vez regressou a África. Apenas conhecemos a sua "Relação do Congo", que permaneceria durante muito tempo como a mais importante descrição de um reino africano.

Paulo Jorge de Sousa Pinto - texto de apoio a programas de rádio sob a designação "Era uma vez… Portugal", emitidos entre 1993 e 1996 pela RDP-Internacional, em associação com a Sociedade Histórica da Independência de Portugal

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Património geológico do Alentejo

via Sopas de Pedra de A. M. Galopim de Carvalho em 09/04/09
Pulo do Lobo

O CHÃO QUE PISAMOS NO ALENTEJO, desde a planície a perder de vista aos alcantilados rochosos da Serra de S. Mamede, não foi sempre como hoje se nos apresenta. Mudou radicalmente no decorrer de uma velhíssima história geológica. Com as suas planuras, vales e serranias, a paisagem alentejana, bem como a de todo o interior do País e da Península Ibérica, é o que resta de uma grande cadeia montanhosa, com mais de trezentos milhões de anos, que percorreu o que é actualmente o sul da Europa e o noroeste africano. Quase completamente arrasada pela erosão no decurso dos tempos que se lhe seguiram, pôs a descoberto toda a complexidade das suas entranhas, hoje esventradas, de que fazem parte diversos tipos de rochas geradas em profundidade, a partir de magmas incandescentes, e muitos outros, representados por rochas formadas nos mais diversos ambientes, desde desertos áridos e florestas tropicais a mares quentes e frios, litorais e profundos, etc., muitas delas transformadas ao longo dessa imensidade de tempo. Esta grande cadeia de montanhas resultou, por seu turno, do enrugamento e elevação de milhares de metros de espessura das respectivas camadas rochosas, a maior parte das quais acumuladas no fundo de um grande oceano que aqui existiu há mais de 600 milhões de anos e que se fechou na altura, à semelhança do que está a acontecer ao Mediterrâneo, com a consequente elevação dos Alpes e das montanhas a eles associadas.
.
Temos, pois, aqui documentos de uma longa e complexa história que sabemos e podemos contar.
.
Dos antiquíssimos terrenos da região de Arronches - Campo Maior, terras emersas ao tempo desse oceano, às actuais planícies aluviais do Sado, com escassos milhares de anos, estão representadas, nesta que é a maior província de Portugal, formações geológicas de todas as eras da história da Terra.
.
Os mármores de Estremoz - Vila Viçosa, Viana e Trigaches, a Faixa Piritosa, em especial, em Aljustrel e na região de Neves - Corvo (Castro Verde - Almodôvar), importantes reservas de cobre, estanho, zinco e chumbo, e, ainda, a perspectiva animadora de exploração do ouro em Montemor-o-Novo, constituem georrecursos mineiros da maior importância para o país. Mas, para além deste valioso património económico no domínio da actividade extractiva, são muitas as ocorrências geológicas espalhadas por este "Aquém - Tejo" com valor como georrecursos culturais, classificáveis como monumentos naturais, na medida em que são documentos decifráveis, tantas vezes grandiosos e espectaculares, dos mais variados episódios de uma história muito antiga, não só local e regional, como nacional e, por vezes, global. Com dimensões que vão de um simples afloramento rochoso, a um sítio ou a toda uma paisagem, tais monumentos continuam à espera de ser convenientemente salvaguardados, antes que o progresso civilizacional, o betão e o asfalto os engulam e destruam para todo o sempre. Numa época em que os Parques Geológicos e o Turismo de Natureza proliferam por todos os países com preocupações ambientais, urge localizá-los, valorizá-los e dotá-los de condições de visibilidade para fruição por parte do grande público, permitindo-lhe conhecer a sua história mais antiga e, ainda, uma melhor integração no todo natural.
.
Sem esquecer uma parte importante do Geoparque Naturtejo (uma honrosa realidade no nosso território), incluem-se, entre as mais conhecidas ocorrências, algumas pedreiras e minas desactivadas ou esgotadas, como as do Lousal e São Domingos, que, para além dos aspectos geológicos, guardam testemunhos relacionáveis com a vida das respectivas populações, numa espécie de arqueologia industrial do maior interesse histórico, etnográfico e sociológico.

Tofller, Alvin

via Citador em 08/04/09
Tema: Direcção
Você tem que pensar nas coisas grandes enquanto faz as pequenas, pois assim estas irão conduzi-lo à direcção certa