domingo, 10 de maio de 2009

Açores, um laboratório vulcanológico desaproveitado

via Sopas de Pedra de A. M. Galopim de Carvalho em 10/05/09
Vulcão do Pico
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JÁ O TENHO ESCRITO por diversas vezes e afirmado em vários fóruns que é lamentável que não se promova uma certa regionalização no ensino da Geologia, nesta e noutras parcelas do território nacional. Aqui, onde o programa oficial é exactamente o mesmo que vigora nas escolas do continente, os professores, ao cumpri-lo obrigatoriamente, não lhes resta tempo para abordar, sequer, a única matéria face à qual dispõem de exemplos didácticos bem concretos, variados e abundantes.
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No conjunto das suas nove e belas ilhas, os Açores são um laboratório vulcanológico do maior interesse, excepcional, tendo em conta, não só as múltiplas expressões de uma prolongada e complexa actividade vulcânica passada e presente, como também o quadro tectónico, à escala global, onde se inserem, dada a sua localização no encontro de três grandes placas litosféricas (americana, eurasiática e africana), num chamado "ponto triplo", sobreposto a um muito provável hot spot (ponto quente), entendido como uma imensa fonte de calor em profundidade, no manto superior, e sem esquecer as investigações em curso nos fundos marinhos envolventes, com destaque para o hidrotermalismo a nível do substrato oceânico.
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Vêm estas considerações a propósito da recente instalação, no Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores (OVGA), em São Miguel, de um terminal electrónico que vai possibilitar ao cidadão, em geral, e aos estudantes, em particular, a observação em tempo real de alguns vulcões activos neste nosso planeta e ouvir as explicações que sobre eles são dadas por especialistas. Inserido na Rede Vulcanológica Internacional, o OVGA é mais um argumento a favor desta possibilidade de permitir à Região Autónoma promover o ensino, a sério, da Vulcanologia e demais temas a ela associados, nomeadamente, Petrologia, Geoquímica, Geodinâmica, Sismologia, Geotermia, entre os mais destacáveis.

Caldeira de colapso do Faial
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Cones vulcânicos imponentes e embrionários, testemunhos dos mais variados tipos de actividade, desde as escoadas lávicas de basalto às violentamente explosivas, com pomitos e ignimbritos, caldeiras de colapso, macro e microssismos, fumarolas e outras expressões de vulcanismo residual, há de tudo nestas belas paisagens da Macaronésia.
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E uma coisa é certa. A experiência mostra que um ensino deste tipo, praticando e aprofundando um dado tema, cria hábitos de trabalho e incentiva a procura da excelência, com reflexos positivos numa melhor atitude face às restantes disciplinas curriculares.

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«DN» de 9 de Maio de 2009

Entrevista a Alain de Benoist (1/3)

via INCONFORMISTA.INFO de Miguel Vaz em 09/05/09
(Traduzido de uma entrevista original do blogue Dissonance)

Alain de Benoist, bom dia e obrigado por aceitar responder a estas questões. Pode sintetizar o seu percurso muito variado na cena intelectual e filosófica francesa?
Não se resume em algumas linhas um itinerário intelectual de meio século. Sou escritor, jornalista e também filósofo. Tenho bastante obra publicada, tanto em França como no estrangeiro. Dirijo igualmente duas revistas que criei, uma (Nouvelle Ecole) em 1968, a outra (Krisis) em 1988. Os meus domínios preferenciais são a história das ideias e a filosofia política. Não pertenço a qualquer partido ou movimento político, e não desejo pertencer a nenhum. Na época de transição que constitui o nosso actual horizonte, tento desempenhar da melhor forma possível o papel que todo o intelectual digno do seu nome deve assumir: compreender e fazer compreender melhor o mundo em que vivemos.

Qual é a sua opinião acerca do actual panorama políticoa francêsa? Thierry Meyssan afirmou recentemente numa entrevista que "Sarkozy não é de direita nem de esquerda, mas queria fazer como os yankees". Pensa que o futuro político das sociais-democracias europeias passa pelo modelo americano, do tipo "dois candidatos eleitos em primárias (ilusão de democracia) que defendem globalmente as mesmas ideias"?
Que os candidatos se apresentem às eleições sejam ou não designados previamente pelas «primárias», parece-me um detalhe completamente desprezável. A actual cena política francesa, como a maior parte das cenas políticas ocidentais, é uma cena pré-codificada. Isso significa que os únicos que têm possibilidade de aceder ao poder são aqueles de quem se sabe previamente não terem qualquer intenção de mudar (ou tentar mudar) os fundamentos de uma sociedade actualmente totalmente dominada pela ideologia comercial. Desse ponto de vista, não há hoje qualquer alternativa. A alternativa foi substituída pela alternância, tendo como consequência uma decepção permanente das massas populares, uma crise generalizada da representação e um fosso que não para de crescer entre o povo e a nova classe político-mediática.

Já que tem um grande conhecimento político, vou levantar o tema dos extremos no nosso país: tem-se frequentemente a impressão que a FN (Frente Nacional) não é mais do que um balão (para uma grande maioria de eleitores frustrados) constituído por "um grande vazio" (ausência de programa económico claro, tomadas de posição geopolítica contraditórias, incapacidade de gerir autarquias, etc.) mas mantida unida e em posição de força pelo seu presidente, Jean Marie Le Pen. Enquanto se desenham novas linhas políticas no interior do próprio movimento nacional (Soral apostando num soberanismo azul-branco-vermelho e no anti-sionismo, ou pelo contrário os identitários anti-jacobinos e euro-regionalistas), como vê o pós-Le Pen? A extrema-esquerda parece igualmente em reestruturação, depois do desmoronamento do PC (Partido Comunista) e a não penetração da LCR (Liga Comunista Revolucionária), PT e LO (Luta Operária) e o aparecimento do NRA liderado por Drucker... Dir-se-ia que este movimento é totalmente incapaz de aproveitar a oportunidade que no entanto se oferece (precarização social, crise financeira, etc). Estarão estes dois "não acontecimentos" ligados, constituindo a "prova" da abstenção total de oposição ao "sistema" (os partidos liberais da situação)?
A Frente Nacional obteve um certo sucesso no passado graças à soma de dois eleitorados bastante diferentes: um eleitorado popular, principalmente operário, e um eleitorado proveniente das camadas médias e inferiores das classes médias e da pequena-burguesia. Esse segundo eleitorado deixou de apoiar Le Pen durante a eleição presidencial de 2007 para se juntar a Nicolas Sarkozy. Está hoje desiludido, mas isso não o leva a regressar à FN. Esta última, por seu lado, nunca aprendeu a lição do seu sucesso junto das classes populares. Os trabalhadores estão incrivelmente ausentes das instâncias dirigentes. O aproveitamento do partido, a sua banalização na paisagem política, a idade do seu líder, as suas divisões permanentes, explicam a estagnação actual. O período pós-Le Pen tem grande probabilidade de ver a FN dividir-se definitivamente em duas partes, subsequencialmente marginalizadas.
A extrema-esquerda beneficia, num contexto de crise social agravada, do espaço aberto pela aproximação do Partido Socialista à sociedade de mercado e pela social-democratização do PC, que já não é hoje um fantasma. Mesmo nesse contexto, no entanto, não marca tantos pontos como se esperaria. A razão principal baseia-se no povo não se reconhecer nas suas tomadas de posição. A esquerda radical, em particular, evita constantemente acusar o patronato de fazer dos imigrantes um exército de reserva do capital, que permite a redução dos salários dos autóctones. É por essa razão que Olivier Besancenot (líder da LCR), para citar um exemplo, tem um sucesso mediático que não se verifica nas urnas. O poder estabelecido utiliza, para além disso, Besancenot e os seus amigos para dividir a esquerda, da mesma forma que François Mitterrand utilizou a Frente Nacional para dividir a direita. Voltamos, por isso, à mesma constante: o povo não dispõe actualmente de nenhum partido no qual possa reconhecer-se.

Falamos da esquerda e da direita radical, que se entregam frequentemente à retórica anti-europeia ou soberanista. Esta palavra faz sentido numa época de mundialização? A França tem alguma hipótese de sobreviver (demograficamente, culturalmente, economicamente) sem a Europa? Qual é para si o futuro das nações europeias?
Os soberanistas são pessoas muito simpáticas, com quem partilho certas posições (no que diz respeito aos EUA ou à burocracia de Bruxelas, por exemplo), mas ainda não compreenderam que os tempos mudaram. O Estado-nação, que foi a forma política privilegiada durante a modernidade, entrou numa crise irreversível. Hoje é ultrapassado por cima (pela subida das influências planetárias) e por baixo (a emergência das redes e comunidades, o localismo, as exigências quotidianas dos cidadãos). O futuro não está mais nos Estados nacionais, mas nas grandes uniões continentais, cadinhos de cultura e civilização, as únicas formas capazes de regular a mundialização e de construir pólos activos num mundo multipolar.

(Continua...)

O que é o nacional-sindicalismo?

via INCONFORMISTA.INFO de Miguel Vaz em 09/05/09
«O Nacional-Sindicalismo é um Movimento Nacionalista de carácter económico-social.
Combate o comunismo, o socialismo, a democracia e a maçonaria e defende a organização corporativa e sindicalista nacional como meio próprio de assegurar à Nação condições de progresso e prosperidade e, a todos os Portugueses, uma era de justiça e paz social.
Proclama o Nacional-Sindicalismo que é necessário valorizar e proteger o Trabalho, sob todas as suas formas, dignificar a família, moralizar e robustecer a Nação.
Afirma o Nacional-Sindicalismo que o equilíbrio de todos os valores sociais, num espírito de justiça e franca solidariedade, é condição indispensável para que, ajudando-se uns aos outros, todos eficazmente concorram, material, moral e espiritualmente para a felicidade colectiva e individual.»

José Luiz Supico
in "Doutrina Nacional-Sindicalista (aspectos económico-sociais)", Edições Falcata, 2007.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Era uma vez… Portugal (XXVI)

via Carreira da Índia de Leonel Vicente em 08/05/09

NUNO ÁLVARES BOTELHO

A História da presença portuguesa no Oriente está recheada de histórias de grandes feitos militares, sobretudo na sua época áurea, o século XVI. Entre os grandes capitães figuram os nomes de Afonso de Albuquerque, D. João de Castro, Duarte Pacheco Pereira e outros, que são geralmente citados como exemplos de coragem, bravura e capacidade de liderança no campo de batalha. Na verdade, apontam-se geralmente estes nomes, entre outros, para ilustrar uma época de prosperidade, a Idade de Ouro do Império Português do Oriente, em oposição ao século XVII, geralmente visto como uma era de decadência económica e derrocada militar. Na verdade, porém, podemos constatar que nesta época de dificuldades incomparavelmente maiores, quando os ingleses e holandeses faziam guerra sem tréguas aos portugueses enfraquecidos, outras figuras destacaram-se igualmente em diversos domínios, seja no campo das reformas administrativas, da política ou da guerra. Neste último caso convém destacar devidamente a figura de um grande capitão, por vezes esquecido, que provou ser, em condições nítidamente adversas, um excelente estratega e um comandante militar de primeiro plano: Nuno Álvares Botelho, considerado por alguns como o último grande capitão português da Índia.

Nuno Álvares Botelho começou a sua vida militar muito novo. Originário da alta nobreza da corte, teve ocasião de, durante mais de 15 anos, aprender as lides da guerra no mar nas armadas de vigia das costas de Marrocos, entre 1598 e 1616. Aqui teve oportunidade de dominar perfeitamente os conhecimentos e as técnicas da luta naval, de que se tornou um exímio mas prudente capitão. O seu conhecimento não se esgotou, porém, nas costas africanas. Seria na Índia que se destacaria como o melhor comandante português, procedendo a arrojadas empresas que o tornariam numa personagem lendária, ainda em vida. Nuno Álvares Botelho foi por duas vezes á Índia entre 1617 e 1620, como comandante da armada da carreira Lisboa-Goa. A terceira foi definitiva, e ocorreu em 1624, com uma forte armada destinada a aliviar a aflitiva situação militar que os portugueses enfrentavam por todo o Índico.

A situação dos portugueses no Oriente havia-se degradado progressivamente desde os finais do século XVI. Nesta data haviam chegado ás águas do Índico os primeiros navios holandeses, ingleses e franceses, inimigos dos espanhóis, logo, dos portugueses que tinham agora um rei comum. Os norte-europeus haviam-se instalado no Oriente e tornavam-se a cada dia mais poderosos, ameaçando directamente as posições portuguesas. Durante as primeiras décadas, os portugueses, á custa de enormes despesas e de um grande esforço humano e financeiro, haviam conseguido resistir aos assaltos inimigos, mas a situação tendia a agravar-se. Em 1622 o primeiro grande golpe é desferido sobre Ormuz, cidade-chave de controle do Golgo Pérsico e que Afonso de Albuquerque havia tomado em 1515. Naquela data, o Xá da Pérsia, aliado aos ingleses, tomara a cidade de assalto, perante a impotência das forças portuguesas. A armada que Nuno Álvares Botelho comanda em 1624 destina-se precisamente a disputar o domínio do Estreito de Ormuz. Em Fevereiro de 1625 a armada portuguesa trava combate com uma frota anglo-holandesa muito superior em número e poder naval. Embora não fosse conclusiva, a batalha permitiu aos portugueses recuperar o prestígio na região e, provavelmente, salvar Mascate das investidas inglesas.

Durante os anos seguintes, ou seja até 1628, todo o esforço das autoridades portuguesas na Índia estava virado para a recuperação de Ormuz e a retomada do controle da região. Nuno Álvares Botelho empreendeu incessantes acções com este fim, onde se destacou a sua capacidade de comendo e de conhecimento das tácticas de guerra naval. Não conseguiu, porém, por falta permanente de meios, atingir os seus objectivos. Pelo contrário, constata que o poderio naval dos inimigos, quer holandeses quer ingleses, crescia sem parar, ameaçando outras posições portuguesas, pelo que se tornava necessário enviar socorros a todo o lado ao mesmo tempo.

Devido ao agravamento da situação militar por todo o Índico, Nuno Álvares Botelho recolhe-se a Goa, onde faz uma pausa para retomar depois a sua actividade. O sinal de alarme surge imediatamente, desta vez do outro lado do Índico: Malaca estava cercada pelo sultão do Achém, velho inimigo dos portugueses, que já anteriormente havia assaltado a cidade sem êxito, mas que agora havia conseguido reunir uma formidável armada de 236 velas. Chegado o pedido de socorro a Goa, Nuno Álvares Botelho oferece-se para ir. Entretanto, havia integrado o conselho de Governadores da Índia, pelo falecimento do governador anterior. Resolvida a questão da sucessão, prepara-se então a armada de socorro a Malaca, que parte finalmente em Setembro de 1629 comandada pelo capitão Álvares Botelho. Era relativamente pequena, composta apenas de 28 navios pequenos, de remo, mas que a habilidade do comandante conseguiria ultrapassar.

Enquanto a armada fazia o caminho para Malaca, o Achém atacava a fortaleza, mas não conseguindo vencer a determinação dos portugueses da cidade assim como as robustas fortificações de que estava provida. Chegada entretanto a armada de socorro, procedeu-se então ao confronto, em que a habilidade do capitão em combate com a desorientação do general malaio se saldou por uma desastrosa derrota para a armada inimiga, com a destruição quase completa da sua frota. Nuno Álvares Botelho foi então recebido em triunfo na cidade pelo capitão português, procedendo-se á avaliação do valioso saque, sobretudo em peças de artilharia cujo número ultrapassava as 130.

Nuno Álvares Botelho tinha tanto de bom capitão como de modéstia. Era dotado, de facto, de uma personalidade excepcional. Enquanto outros se vangloriavam de pequenos e irrelevantes serviços, este capitão escrevia ao vice-rei de Goa com grande modéstia pessoal, nos termos seguintes:

"Descerquei Malaca, conservei a armada em que sirvo e destruí a dos inimigos, de que sempre se devem infinitas graças a Deus; os capitães e soldados cumpriram tão pontualmente com as suas obrigações como eu desejo que façam sempre todas as minhas coisas."

A situação dos portugueses na região de Malaca não era melhor do que a existente no Estreito de Ormuz. Na verdade, os portugueses haviam sido aqui quase completamente ultrapassados pelos holandeses, que dominavam o comércio das especiarias das Molucas e de outras ilhas da Insulíndia Oriental. Restava aos portugueses o comércio da China, que conseguiria subsistir aos assaltos inimigos. Os holandeses haviam fundado a sua capital no Oriente em Batávia, bem perto de Malaca, pelo que a cidade sufocava lentamente com o aumento do poderio holandês.

Nuno Álvares Botelho tentou, logo após a sua vitória, aliviar a difícil situação em que a cidade se encontrava, fazendo frente ás armadas holandesas que proliferavam na região. Porém, quis o destino que o general português não prolongasse por muito mais tempo as suas façanhas militares. Na verdade, pouco depois da sua retumbante derrota em Malaca, Nuno Álvares Botelho morreu em pleno combate, não sem antes conseguir apresar diversas embarcações holandesas que carregavam pimenta na costa norte de Samatra. Foi a 5 de Maio de 1631, quando, em pleno combate com uma nau holandesa, é atingida a pequena embarcação de transporte em que seguia, morrendo afogado. Foi levado para Malaca onde foram celebradas as exéquias solenes, sendo enterrado na capela-mor. Assim morreu o último grande capitão português na Índia, cujos feitos militares causaram grande impressão na época, nomeadamente entre os cronistas que não deixaram de registar a sua biografia.

Paulo Jorge de Sousa Pinto - texto de apoio a programas de rádio sob a designação "Era uma vez… Portugal", emitidos entre 1993 e 1996 pela RDP-Internacional, em associação com a Sociedade Histórica da Independência de Portugal

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Na pré-história da Psicanálise - As cartas que Freud tentou destruir

"Tenho de contar-te o lindo sonho que tive após o enterro", escreve Sigmund Freud a um amigo dias após a morte do pai. Encontrava-se no barbeiro e lia numa tabuleta: "É obrigatório fechar os olhos." Em "A Interpretação dos Sonhos", o seu primeiro livro, desvendará ao público o sentido da frase: sentia-se obrigado a ser indulgente para com os erros do pai.

A ternura para com Jakob Freud, patente nos escritos de Sigmund, ficou manchada por uma acusação. Ele teria abusado sexualmente de alguns dos filhos quando crianças. "Infelizmente era um desses perversos", confessa Freud a Wilhelm Fliess. "É a causa da histeria do meu irmão mais novo e de algumas das minhas irmãs." Escrita a 11 de Fevereiro de 1897, a carta é uma das muitas que o então obscuro médico de Viena enviava regularmente ao amigo, otorrinolaringologista em Berlim.

Por essa altura, não formulara ainda a teoria do complexo de Édipo. Defendia que os abusos sexuais na infância eram a causa das neuroses. A partir dos relatos recorrentes das pacientes, julgava ser essa a causa da histeria. O misterioso mal, tão espalhado naquela Viena fim de século XIX, remontava a esses acontecimentos traumáticos ocorridos na infância. Normalmente eram infligidos às meninas pelo pai ou um irmão mais velho. Como acontecera com aquela paciente que um dia lhe entra no consultório.

Ela sentia angústia quando andava de carruagem, escreve Freud ao amigo. Uma vez, lançara-se mesmo para a estrada com o veículo em andamento. Entre os oito e os doze anos, conta ela depois, o pai costumava levá-la para a cama. Uma irmã, seis anos mais velha, confessara-lhe ter tido as mesmas experiências. Freud diz-lhe que "coisas semelhantes e muito piores deveriam ter acontecido com ela na primeira infância". Na carta a Fliess, conclui que se trata de mais "uma confirmação da etiologia paterna".

Renunciaria um ano depois à sua hipótese explicativa das neuroses. Entre outras razões, porque "seria sempre preciso acusar o pai de perversão, nomeadamente o meu", escreve ao amigo, a 11 de Setembro. Não deixa de lamentar, porém, ter de abandonar uma teoria de que esperava tanto. "Uma celebridade eterna, a fortuna assegurada, a independência total, as viagens, a certeza de evitar aos filhos todos os problemas que tivera na juventude."

A teoria do complexo de Édipo surge em embrião três semanas depois dessa carta. A 15 de Outubro de 1897, Freud escreve a Fliess que sempre encontrara em si algo que julga comum aos seres humanos. "Descobri, também no meu próprio caso, o fenómeno de me apaixonar pela mãe e ter ciúmes do pai e agora considero-o um acontecimento universal do início da infância." O poderoso efeito de "Rei Édipo", mito onde o herói mata o pai, tão inadvertidamente como depois se casa com a mãe, talvez se devesse ao facto de essa tragédia evocar um sentimento tão universal. "Passou-me fugazmente pela cabeça", acrescenta Freud, "a ideia de que o mesmo estaria também na base do "Hamlet"".

O primeiro objecto de amor para qualquer criança seria a mãe. Embora amando o pai, o pequeno desejaria mesmo a sua morte para o eliminar como rival. No caso da rapariga, ao descobrir a diferença dos sexos, e que não possui um pénis, ela experimenta um profundo despeito contra a mãe e uma profunda atracção pelo pai. A fixação do rapaz pela mãe conduziria à homossexualidade ou à neurose obsessiva. Na origem da histeria e frigidez estaria a fixação da rapariga pelo pai.

Com o complexo de Édipo, Freud teria preferido mascarar a verdade, defendeu Jeffrey Moussaieff Masson, o então psicanalista, hoje etnólogo reputado, que fez publicar em 1981 a correspondência completa de Freud a Fliess. Às pacientes que se lembravam de terem sido violadas pelos pais em criança, a nova teoria teria permitido a Freud argumentar que a recordação nada tinha de real. Era produto das suas imaginações e dos desejos inconscientes pelo pai.

Os relatos da violência sexual que tanto afectara a vida das suas pacientes poderiam assim ser atribuídos à fantasia e líbido infantil, sustenta Masson no seu livro "The Assault on Truth". "Os terapeutas permaneciam do lado dos poderosos e dos triunfadores e não das infelizes vítimas da violência familiar." Para os defensores da teoria Psicanalítica, a interpretação é de uma evidente má-fé. Freud, quando formulou a teoria do complexo de Édipo, deixara apenas de acreditar que todas as neuroses tinham por origem os abusos sexuais na infância. Não se tratou de cobardia face à moral da época.

É uma correspondência repleta de "sinais de alguém apaixonado", refere o biógrafo de Freud, Louis Breger, a propósito das cartas a Wilhelm Fliess. Nessa correspondência, Freud demonstra uma constante necessidade de contacto com o amigo. Sofre quando ele não está disponível. Faz depender da sua aprovação a confiança que deposita em si próprio. "Devo-te tudo. Conforto, compreensão, estímulo na minha solidão, um sentido para a minha vida", escreve em Janeiro de 1895. "Sei que precisas de mim tanto quanto eu de ti, mas também sei que tenho um lugar no teu coração."

Os exemplos são na verdade inúmeros. "Fazes-me muita falta. Sou ainda realmente a mesma pessoa que transborda de projectos enquanto estiveste por perto?" Após um dos seus encontros a sós com Wilhelm Fliess, a que os dois chamavam "congressos", confessa: "Desde então, tenho vivido numa euforia contínua e trabalhado como um jovem." Dias antes de um outro encontro confessa: "Antecipo o nosso congresso como o saciar da fome e da sede."

Na "Correspondência Completa a Wilhelm Fliess", Masson incluiu, sob a forma de notas de rodapé, cartas inéditas de Freud a outras pessoas. Em algumas, este reconhece o carácter homossexual da sua extinta amizade. Em 1910, recorda-a como um impulso amoroso que poderia ter provocado algum tipo de psicose. "Desde o caso com Fliess, em cuja superação me vi ocupado recentemente, essa necessidade extinguiu-se. A investida homossexual foi repelida e utilizada para engrandecimento do meu próprio ego. Obtive sucesso onde o paranóico falharia." Ainda a Sándor Ferenczi, um discípulo, escreverá a propósito, anos mais tarde: "Crê que eu esteja ligado a algum desgosto particular. Na verdade, sinto-me capaz de lidar com todas as coisas e eternamente satisfeito da independência decorrente da superação da minha homossexualidade."

Freud conhecera Wilhelm Fliess um ano após ter casado. Por essa altura, tinha 41 anos, sofria de grave ansiedade depressiva, medo intenso de morrer e fobia a viagens. Decidira submeter-se ao método que começava a aplicar aos pacientes. As cartas ao amigo cedo começam a funcionar como a caixa de ressonância da sua auto-análise. "O meu principal paciente sou eu", escreve numa delas. Para confidente, escolhera alguém que hoje passaria por um charlatão. Fliess estava convencido da estreita relação entre o nariz e a sexualidade. Acreditava também ter descoberto, à semelhança do ciclo menstrual feminino, um ciclo biológico no homem, mas de 23 dias.

A convicção de Freud na pseudoteoria científica é inabalável. Fez-se mesmo operar ao nariz, pelo amigo, juntamente com Emma Eckstein, uma das suas pacientes "histéricas". Quinze dias depois, os médicos descobrem que Fliess esquecera na cavidade nasal de Emma uma compressa. "De repente, ele puxou algo como um fio", escreve Freud a Wilhelm, "e continuando a puxar, antes que tivéssemos tempo de perceber, no mínimo meio metro de gaze foi removido." Emma ficaria com uma deformação no rosto e um ano depois não estava completamente restabelecida. A incúria de Fliess não beliscara no entanto a crença de Freud no amigo. Os sangramentos deviam-se aos "veementes desejos" de Emma, defenderá ainda meses depois.

Como o esmiuçar das experiências sexuais das pacientes não era bem recebido pelos seus colegas de medicina, Wilhelm funcionava também como a única plateia de Freud. O que explica a frequência crescente da correspondência, considera Jeffrey Moussaieff Masson. Detalhes do quotidiano familiar e profissional, problemas de saúde, descrição de sonhos, avanços e recuos nas investigações - de tudo um pouco fala Freud. As cartas são trocadas a um ritmo torrencial, que abranda bruscamente em 1900.

Encontraram-se pela última vez nesse ano. O único testemunho sobre o que se passou foi escrito por Wilhelm. "Percebi em Freud uma animosidade pessoal contra mim que provinha da inveja." Depois de tantos anos de deferência, quase bajulação, Fliess ficou chocado. "Afastei-me dele discretamente e abandonei a nossa correspondência regular. Desde então nada mais ele soube de mim."

A 7 de Agosto de 1901, Freud acusa um ex-amigo e a mulher de Fliess pelo esfriar da relação. "O que está fazendo a sua esposa senão pôr em prática, numa compulsão atroz, uma ideia que Breuer lhe plantou na mente, certa vez, quando lhe disse como era grande a sorte dela por eu não morar em Berlim e não poder interferir no vosso casamento?" Freud não deixará de nutrir por Ida Fliess uma intensa aversão. Em 1910, adverte um discípulo, Karl Abraham, contra os perigos "dessa mulher estúpida, astuciosa, malévola, positivamente histérica; em suma: perversão e não neurose", conclui.

Ida escreveu a Freud, pouco após a morte do marido, em 1926. Pedia-lhe que lhe devolvesse as cartas que Wilhelm enviara antes de a relação se ter "turvado". Havia muitos anos que as queimara, respondeu Freud. Mas se acaso ela tivesse algumas que ele escrevera, pedia-lhe que "as protegesse contra qualquer utilização pública". Ida Fliess vendeu-as poucos anos depois a um coleccionador.

Foi uma "correspondência das mais íntimas que se possa imaginar", recordava o fundador da Psicanálise, em 1936, dois anos antes de morrer. "Seria altamente comprometedor se viesse a cair nas mãos de estranhos", advertia a Maria Bonaparte, a discípula e ex-paciente que conseguira impedir que as cartas fossem vendidas nos Estados Unidos. "Lamentaria ver tudo exposto perante o mundo em geral", justificaria no seu "Caderno de Notas", também inédito até ser divulgado por Jeffrey Moussaieff Masson. Não era a primeira vez que intercedia a favor do amigo. O seu estatuto de princesa da Grécia e Dinamarca permitira-lhe já obter para Freud o visto para o Reino Unido pouco antes de o exército nazi entrar em Viena.

Freud pediu a Maria Bonaparte que não lesse as cartas. Não pensasse, porém, que continham apenas graves indiscrições. Em muitos aspectos, diziam respeito "a palpites e pistas falsas ligadas ao nascimento da psicanálise". Insistirá depois para que ela as queime. Por fim, pediu-lhe mesmo que as lesse para que se convencesse de que deviam ser destruídas. Maria Bonaparte recusou. Poucas vezes o criador de uma nova teoria revelava os raciocínios que o tinham conduzido à sua descoberta, como Freud fazia naquelas cartas.

Até que cheguem a Inglaterra, os papéis tiveram de desafiar um último obstáculo durante a II Guerra Mundial. Antes de serem entregues a Freud em Londres, seguiram de barco, através do Canal da Mancha minado pelo exército alemão, embrulhadas num material impermeável capaz de flutuar. Tudo para que tivessem uma hipótese de serem resgatadas, em caso de naufrágio.

Em 1950, Maria Bonaparte e Anna Freud publicaram 168 das 284 cartas disponíveis. Suprimiram trechos sem que fossem indicadas essas omissões. O princípio utilizado, justificaram, foi o de "omitir ou abreviar tudo aquilo cuja publicação fosse incompatível com o sigilo profissional ou pessoal". Na edição de Masson, as cartas foram publicadas na íntegra juntamente com outras 133, encontradas em diversas bibliotecas e arquivos e tornadas públicas pela primeiríssima vez.

"Passei grande parte do tempo em sua casa de Maresfield Gardens, Londres (casa do pai de Anna no último ano de vida), lendo na biblioteca de Freud e vasculhando gavetas e armários", escreverá no prefácio à "Correspondência Completa...". Anna arrependeu-se, depois, ter-lhe aberto as portas de casa. Segundo o seu biógrafo, Michael Ignatieff, nos últimos anos de vida estava atormentada pelo "parricídio editorial" a que, achava, o seu gesto dera azo.

Pública 30-04-06

Fonte. Grupo do Yahoo Psicanalise_Lista - mensagem de 07Mai2009 de Mirina Gianella

Era uma vez… Portugal (XXV)

via Carreira da Índia de Leonel Vicente em 07/05/09

A CARREIRA DA ÍNDIA E A VIDA A BORDO DAS NAUS

Com a chegada de Vasco da Gama à Índia, em 1498, os portugueses passaram a ter o caminho aberto para a navegação entre a Europa e o continente asiático. A ligação entre Lisboa e a costa indiana, sobretudo Goa, era um aspecto fundamental para a expansão portuguesa no Oriente, obrigando à criação de uma rota permanente de comunicação. Assim se criou a chamada "carreira da Índia", que mais não era do que a ligação permanente, através da melhor rota conhecida, entre aqueles dois portos. A viagem entre Lisboa e Goa era um empreendimento arriscado, longo e difícil, percorrendo uma longa distância através do Atlântico, a passagem do Cabo da Boa Esperança e o rumo á costa indiana; era, no entanto, uma prova por que passavam todos aqueles que se destinavam ao Oriente, ou que de lá regressavam, soldados, fidalgos, missionários ou mercadores.

A viagem de Lisboa à Índia era uma aventura perigosa. Os pilotos portugueses conheciam melhor do que ninguém as diversas etapas da viagem, o seu tempo de duração, os seus pontos difíceis e os seus riscos. A viagem era feita, na sua maior parte, sem haver vista de terra. Por um lado, tal era a prova evidente dos profundos conhecimentos náuticos dos pilotos portugueses, da sua prática de navegação, mas levava frequentemente a situações de perigo iminente. No navio, invariavelmente uma nau, viajavam várias centenas de pessoas, dispostas a partilhar naquele navio um espaço de tempo que rondava, na melhor das hipóteses, os seis meses. Em cada viagem havia um calendário que tinha que ser escrupulosamente cumprido, quer na ida, quer na volta, de forma a tomar os ventos favoráveis e as melhores condições naturais. Um atraso, quer á partida, quer no decorrer da viagem podia obrigar o navio a fazer escala e a atrasar-se vários meses, se se perdesse a monção, ou seja, o vento adequado que sopra nesse sentido apenas durante metade do ano.

No decorrer de uma viagem, vários eram os perigos que espreitavam. Os que mais preocupavam os pilotos eram as condições naturais. Eram frequentes as tempestades, sobretudo no Atlântico, que podiam tanto afundar o navio como afastá-lo da sua rota, não permitindo regressar ao rumo certo na brevidade necessária e comprometer assim toda a viagem. A passagem do cabo da Boa Esperança era o ponto mais crítico de toda a jornada, a manobra mais temida: a turbulência atmosférica nessa região era especialmente severa, a existência de recifes um risco real. Se os ventos fortes eram um perigo, a falta de vento era igualmente temida: é o que se chamava na época "calmaria". Sem vento, com um calor sufocante, os navios paravam, os alimentos degradavam-se mais rapidamente, surgiam as epidemias, a moral a bordo decaía rapidamente, dando lugar ao desalento, á angústia e ao pânico. As calmarias existiam geralmente á latitude do equador, no Atlântico, podendo arrastar-se durante vários dias, como aconteceu á nau Santiago, que partiu de Lisboa rumo á Índia em 1585:

"Continuando o caminho com bom vento entraram na costa da Guiné, e nas calmarias daquela paragem, tão celebrada dos marinheiros da Índia, gastaram 17 dias, passando a Linha a 27 de Maio, de calma tão enfadonha e tão ardente, que as do Alentejo ficam como frios da Noruega em comparação daquela paragem."

Um dos problemas que afligiam todos os que viajavam a bordo era a alimentação: os alimentos frescos estragavam-se em pouco tempo, pelo que a sua renovação era desejável mas nem sempre possível. A água potável degradava-se igualmente com grande rapidez. O seu preço a bordo dos navios aumentava constantemente, obrigando a um racionamento rigoroso. As escalas, em Cabo Verde, em Santa Helena ou em Moçambique eram, portanto, indispensáveis. Não era raro declararem-se epidemias a bordo, afectando uma boa parte das pessoas a bordo, resultado de má nutrição e condições de higiene deploráveis. O escorbuto, resultante da carência de vitamina C, era uma das doenças inevitáveis. A medicina da época, desconhecedora da causa da maior parte destas doenças, limitava-se geralmente a fazer sangrias, o que agravava ainda mais a condição dos doentes. Eis uma descrição, de 1560:

"Iam a bordo 500 e tantas pessoas; não ficaram senão só 15 que não passassem por esta fúria de enfermidades e doenças gravíssimas, assim os homens do mar (…) como os mais fidalgos, soldados, mulheres e meninos. E veio a coisa a tanto, que houve muitos dias juntos 350 doentes, e dia em que se davam 70 e 80 sangrias, e sangravam por meu mandado o barbeiro da nau, o piloto e o sota-piloto, e um grumete que o fazia muito bem. E deram-se por todas 1130 e tantas sangrias".

Um dos aspectos mais interessantes destas viagens refere-se á religiosidade e superstição a bordo, que crescia á medida que a jornada avançava e que os perigos se sucediam. A bordo viajavam invariavelmente clérigos, geralmente missionários de várias ordens religiosas, a caminho ou de regresso da Índia. Abandonados no meio do oceano, confrontando-se com forças poderosas que não compreendiam nem conheciam, em risco permanente de naufrágio ou de epidemia, os homens agarravam-se ás suas convicções religiosas. As viagens são assim momentos de grande fervor religioso. Sucediam-se as preces, as orações e mesmo as procissões a bordo, pedindo protecção divina contra uma tempestade que se avizinhava ou agradecendo o bom rumo seguido ou o vento favorável encontrado. Aliás, considerava-se que as adversidades mais não eram do que castigos pelos pecados cometidos por cada um, pelo que o estado de pureza espiritual era avidamente procurado, multiplicando-se as confissões e os actos religiosos.

Alguns perigos que os navios portugueses enfrentavam eram, no entanto, bem terrenos. Referimo-nos aqui aos navios de piratas ou corsários que frequentemente infestavam as águas do Atlântico. Até ao final do século XVI, o risco era ainda menor, embora presente. Basta relembrar o episódio de Fernão Mendes Pinto, que á partida para a Índia foi atacado por uma navio de piratas franceses logo junto a Sesimbra, sendo despojado dos seus bens e lançado em terra. A partir da década de 1580 o problema agravou-se: Filipe II torna-se rei de Portugal, pelo que os ingleses e holandeses, inimigos dos espanhóis, passam a atacar também os navios portugueses, sujeitos então a depredações constantes. No fim do século, ingleses e holandeses passam o Cabo da Boa Esperança e chegam ao Oriente, procurando estabelecer também posições no Índico. Assim, a guerra de pirataria e corso do atlântico alargou-se igualmente ao Oriente, sujeitando a navegação portuguesa a uma pressão terrível. A guerra naval passou, então, a juntar-se aos perigos das viagens para a Índia, agravando com outros riscos as condições de vida a bordo.

Paulo Jorge de Sousa Pinto - texto de apoio a programas de rádio sob a designação "Era uma vez… Portugal", emitidos entre 1993 e 1996 pela RDP-Internacional, em associação com a Sociedade Histórica da Independência de Portugal

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