terça-feira, 2 de junho de 2009

Nahum Goldmann - Sem as indemnizações alemãs, Israel não teria metade da sua infra-estrutura actual

via Um Homem das Cidades de Diogo em 12/05/09
Alguns excertos da entrevista de Nahum Goldmann ao jornal «Le Nouvel Observateur», de 25 de Outubro de 1976:

«Na sua grande maioria, a opinião judaica era hostil a qualquer contacto com os Alemães. Compreendo bastante bem essa atitude e disse muitas vezes que, se o povo judeu tivesse aceitado unanimemente a ideia de negociar indemnizações em dinheiro com os alemães, teria tido vergonha de ser judeu. O povo judeu devia por isso manifestar a sua oposição mas não era necessário que os seus líderes a tivessem em conta; é isto a política». Ler mais

Os homens entre si

via INCONFORMISTA.INFO de Miguel Vaz em 31/05/09
"Com os clubes e as «sociedades secretas», afirma Lionel Tiger, «os homens fazm a corte aos homens». As grandes confrarias profissionais, as corporações estudantis, as ordens, as sociedades secretas são meios de reforçar (e de exaltar) o vínculo intermasculino. Seja no colégio ou no exército, as «cerimónias de iniciação», por vezes bizarras e mesmo cruéis, evoam os ritos de passagem da puberdade (com a transposição que se impõe: é-se«adulto» quando se detémo conhecimento ou o poder) e apertam os laços entre «iniciados». Os clubes femininos, pelo contrário soçobram regularmente na desordem e nos mexericos.
(...) Tiger lembra que o homem, em relação à mulher, é ao mesmo tempo mais racional e mais irrazoável. O homem sabe que se lança por vezes em aventuras sem esperança, que enfrenta desafios extravagantes. Mas ele pensa que não deve «dar o braço a torcer». Esta concepção do sacrifício inútil decorre directamente de uma ética de honra. A mulher, ela, vê as coisas de outro modo. Ela reprova ao homem o seu «orgulho». Ela acusa-o de correr atrás de «quimeras», e de negligenciar as suas responsabilidades familiares. Para ela, nunca se dá o braço a torcer quando se é «razoável».
No fim de contas, o homem é sempre uma criança. Os alemães têm uma palavra para isto: Das Kind im Manne — a criança que, no homem feito, é a memória viva de um passado sempre destinado e inspirar o futuro.
Montherlant dizia que «um homem sem criancices é um monstro horrível». Nietzche, ao contrário, propunha «pôr na acção a seriedade que a criança põe no jogo» — quer dizer, precisamente, consideraras coisas sérias como um jogo. Daí, no homem, essa nostalgia dos lugares de infância e dos amores adolescentes — dos quais Jules Romains pode dizer que são uma mistura de angelitude e de obscenidade.
As sociedades que acentuam a segurança, o conforto, às quais repugna o risco, são sociedades em que os valores masculinos estão em declínio. «Faça amor, não a guerra» é um slogan feminino que se traduz por: «Façam-nos amor, não façam guerra entre vocês».
O homem nunca acaba, como nos tempos da sua infância, de ir aos ninhos de pássaros. Não tanto pelos ninhos, aliás, mas para trepar ao alto das árvores. Ele quer sempre ir mais longe, mais depressa, mais alto. Ele tem prazer na competição, ele admira os records. A mulher pergunta «para que é que isso serve». É por isso que cabe à mulher preservar o que o homem adquiriu. A sociedade mantém-se assim — e renova-se eternamente.»

Alain de Benoist
in "Nova Direita Nova Cultura – Antologia crítica das ideias contemporâneas", Lisboa, Fernando Ribeiro de Mello/Edições Afrodite, 1981

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Os riscos azuis

via Caminhos da Memória de Caminhos da Memória em 28/05/09
  Um texto de Daniel Ricardo (*)   Este é o quinto e último post de uma série intitulada «Censuricídio», onde será divulgada a versão integral, por vezes mais completa, de textos publicados na VISÃO História, n.º 2 e na VISÃO de 23/4/2008. Se clicar no ícone «Censuricídio», acederá ao texto anterior. Textos, fotos, anúncios, até o boletim meteorológico [...]

quinta-feira, 28 de maio de 2009

As mulheres nas crises académicas de Coimbra

via Caminhos da Memória de Maria Manuela Cruzeiro em 27/05/09
  1. A participação das mulheres nos movimentos estudantis da década de sessenta, pontuados pelas crises de 61-62, 64-65 e 68-69, tem, como vem sendo assinalado, uma crescente expressão quer quantitativa, quer qualitativa. O que significa que a entrada em massa das mulheres no movimento associativo alterou profundamente as suas características. E, para tal, basta comparar [...]

Futuristas!

via INCONFORMISTA.INFO de Miguel Vaz em 26/05/09
"É um movimento essencialmente Europeu. A construção do caminho geral e elucidativo do particular de cada colectividade, da parte da Terra que é a cabeça da Geografia.
Marinetti, da raça dos condottieri e essencialmente poeta, foi o seu genial iniciador, e bem pronto intervém decisivamente na política própria da sua colectividade.
Mas Marinetti quando inventou a palavra futurista não fazia afinal nada mais do que reagir violentamente, pelos mesmos processos, contra os movimentos sociais dos povos nórdicos em evidente supremacia sobre os meridionais. De modo que a reacção provocada por Marinetti teve como resultado esplêndido a generalização dum movimento que se estava localizando apenas no Norte da Europa: Quando vencem os comunistas na Rússia surgem simultaneamente os fascistas na Itália. E as outras colectividades da Europa também procuram a expressão política que lhes seja própria, privativa e actual.
A impressão desagradável que provoca nalguns a palavra futurismo é como os petizes que fogem de casa pela primeira vez e aos dez metros já têm medo de não saberem voltar para casa!
Há um verbo grego antigo arkhein que quer dizer o sentido de chegar primeiro. Desse verbo vem a palavra arcaico que quer dizer antigo; em grego, o que veio primeiro. Pensemos naquele dia em que, o que hoje é antigo chegou cá a este mundo pela primeira vez. Nesse dia o antigo era futurista. Pois em grego o sentido d'antigo é precisamente aquele que faz hoje rir na palavra futurista.
O mundo não é novo nem velho. Se não houvesse confusões, se houvesse a coragem para não fazer confusões, o mundo seria apenas antigo. Ser antigo é o direito de recordar. E saber recordar é o único que nos distingue dos outros animais. Bem o sabe o povo que ignora a palavra inteligência e em troca conhece a palavra memória. daqueles que o povo admira diz que têm muito boa memória.
Todos sabemos o que significa actualmente a palavra arcaico: o que já não se usa. Mas o que já não se usa é apenas o feitio que tinha da primeira vez que apareceu. Tirando o feitio tudo o mais continua igual. Arcaico hoje significa o contrário do que queria dizer em grego."

Almada Negreiros
in "Manifestos e Conferências".

83 Anos do 28 de Maio

via FALANGISTA CAMPENSE de Francisco Pereira em 27/05/09

28 de Maio Sempre! Comunismo nunca mais!

terça-feira, 26 de maio de 2009

Há 90 anos, na ilha de Príncipe

via Textos longos, passatempos, etc & tal... de Carlos Medina Ribeiro em 26/05/09
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Por Nuno Crato
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EM 1919, A TEORIA da relatividade de Einstein, formulada em 1905 na sua versão restrita e em 1916 na sua forma geral, era já famosa entre os investigadores, mas era ainda desconhecida do público e ainda muito pouco referida nas universidades. Era então, em grande parte, uma formulação matemática que explicava fenómenos paradoxais sobre o comportamento da luz, mas que não tinha sido objecto de nenhum teste decisivo. A ocasião surgiu em 1919, com um eclipse total que permitiria registar a luz das estrelas passando perto do Sol. Nesse alinhamento, as estrelas tornam-se invisíveis para nós, pois o muito maior brilho do Sol esconde-as.
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Mas durante um eclipse total passam a ser visíveis, pois a Lua esconde completamente a nossa estrela. Fotografando as estrelas no limbo do Sol, pensaram os cientistas, seria possível medir o seu deslocamento aparente. Esse deslocamento seria devido à deflexão da luz na passagem por perto de um objecto de grande massa: o Sol. Ora a teoria de Newton previa um afastamento diferente do previsto pela teoria de Einstein. Era altura de pôr à prova a teoria da relatividade geral.
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Organizaram-se duas expedições para fotografar o eclipse. Uma à ilha de Príncipe e outra a Sobral, no Brasil, dois locais situados na faixa de totalidade do eclipse e dois territórios de língua portuguesa. O astrónomo britânico Arthur Eddington, figura central na comprovação e divulgação da relatividade, esteve em Príncipe, numa expedição atribulada. Outros astrónomos britânicos deslocaram-se a Sobral. Os resultados das medidas, que essencialmente corroboraram a relatividade, deram a Einstein uma notoriedade internacional.
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Tudo isto, e a introdução da relatividade em Portugal, foi discutido esta semana em animadas sessões na Sociedade de Geografia de Lisboa e na Biblioteca Nacional. Nesta última, decorre actualmente a magnífica exposição "Estrelas de Papel", dedicada à astronomia, onde se mostram as obras mais emblemáticas dos séculos XIV a XVIII, incluindo o período da revolução astronómica. A mostra é complementada com alguns instrumentos científicos da época.
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Quinta-feira 28 de Maio, no Observatório Astronómico de Lisboa, à Ajuda, a partir das 14h30, há um outro evento público comemorativo dos 90 anos da expedição de Eddington. Nele se fala do papel dos astrónomos portugueses no acompanhamento das novidades científicas que Einstein e outros trouxeram ao mundo.
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Os interessados, além de seguirem as sessões, podem ler um artigo (doi:10.1017/S0007087408001568) recentemente publicado no "British Journal for the History of Science", onde Elsa Mota, Paulo Crawford e Ana Simões explicam o desinteresse das instituições portuguesas na revolução einsteiniana, mas sublinham o papel de alguns astrónomos, nomeadamente de Manuel S. Melo e Simas (1870-1934), que tentou uma verificação observacional da teoria da relatividade. Este cientista procurou medir a deflexão da luz ao passar perto de Júpiter, o planeta de maior massa do sistema solar, de forma a complementar as observações do eclipse de 1919.
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Quem for ao observatório da Ajuda terá ainda ocasião, no final, de fazer uma visita guiada ao próprio observatório. É uma oportunidade, infelizmente rara, de ver uma das maiores preciosidades científicas do nosso país.
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«Passeio Aleatório» - «Expresso» de 23 de Maio de 2009

NOTA: Este texto é uma extensão do que está publicado no 'Sorumbático' [aqui], onde eventuais comentários deverão ser afixados. 

Museu Geológico

via Sopas de Pedra de A. M. Galopim de Carvalho em 24/05/09

-PATRIMÓNIO DE UMA RESPEITADA e saudosa instituição pioneira, nascida m 1857, sob o reinado de D. Pedro V, com a designação de Comissão Geológica do Reino, o Museu Geológico é a memória, que teima em não morrer, de uma instituição que prestigiou o País durante cerca de um século e meio, inexplicavelmente extinta em 2003, num grave atentado à Geologia portuguesa e sentida ofensa aos seus cultores.
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Nos tempos mais recentes, que me foi dado testemunhar, e sob a designação oficial de Serviços Geológicos de Portugal (desde 1917), foi notável a parceria que esta nobre instituição desenvolveu com as universidades nacionais, em especial com a de Lisboa, sobretudo, através dos professores Carlos Teixeira, Orlando Ribeiro e Torre de Assunção, meus mestres. A cartografia geológica do território nacional teve então progressos reconhecidos. Foram muitos os docentes desta Universidade que concluíram os seus doutoramentos com o suporte logístico dos Serviços Geológicos, e foram muitos os geólogos destes mesmos Serviços que se doutoraram na Universidade de Lisboa sob a orientação científica de alguns dos seus professores.
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Por portaria oficial de 1859, a velha Comissão Geológica do Reino ficou instalada em Lisboa, no 2º piso do edifício do antigo Convento de Jesus, na Rua da Academia das Ciências, e é aí que resiste o Museu Geológico, uma relíquia do século XIX, que não pode deixar de ser visitado. Este, que é o mais completo e valioso arquivo da geodiversidade portuguesa, foi constituído aquando da criação da citada Comissão, em especial, a partir dos exemplares colhidos pelos pioneiros e grandes vultos nacionais das Ciências da Terra, Carlos Ribeiro, Nery Delgado, Paul Choffat e por muitos outros que lhes seguiram as pisadas.
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Além do seu enorme valor científico, tem grande interesse histórico e museológico, uma vez que foi nas suas instalações que nasceram a Geologia e a Arqueologia portuguesas, como escreveu o Prof. Magalhães Ramalho, o seu incansável defensor e actual director. Igualmente, a vastidão das salas, o mobiliário e o modelo expositivo muito marcado pelas concepções museográficas e pelo estilo da época, conferem-lhe um carácter único no País, cuja importância patrimonial é reconhecida por especialistas dos vários cantos do mundo.
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As suas vastas colecções, nomeadamente, as de Paleontologia, Estratigrafia, Arqueologia e Pré-história do Homem, revestem-se de grande interesse científico como material de referência, continuando abertas aos investigadores nacionais e estrangeiros.
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Visita a não perder.