sexta-feira, 5 de junho de 2009

Thomas Edison - É o controlo do dinheiro pelos banqueiros privados que const...

via Um Homem das Cidades de Diogo em 03/06/09
Em 1921, Henry Ford mostrou-se interessado em terminar a construção e obter a concessão da barragem Wilson Dam, iniciada pelo Governo em Muscle Shoals, no rio Tennessee, durante a guerra. Ford poderia tornar toda essa zona do Sul mais próspera, agricola e industrialmente, do que ela já alguma vez fora.

[Tradução minha]

Henry Ford afirmou o seguinte:

"Se vamos ficar ou não com a concessão de Muscle Shoals, essa será uma decisão do Congresso. Fizemos a nossa oferta - a única oferta construtiva feita para este empreendimento. Não pretendemos ganhar dinheiro com ele. Tiraremos um pequeno lucro, certamente, digamos 8 por cento, mas não pedimos 20 ou 30 por cento como outros fariam. Gostaríamos de construir aqui um bem grande e duradouro para o povo, que será propriedade dele e colocado ao seu serviço. Tudo o que peço ao Congresso é que me dê a oportunidade. E vou deixar isso nas vossas mãos, se me quiserem aqui, para ver o que é que o Congresso decide."


Thomas A. Edison apoiou os pontos de vista do Sr. Ford. Não só acredita que a grande central hidroeléctrica deveria ser construída e que a concessão devia ser entregue a Ford, como defende ardentemente a sugestão de Ford na qual o Governo pode avançar com a obra e tornar a operação possível sem custos, emitindo moeda com base no valor dos bens em vez de obrigações a pagar juros.

[Esclarecimento: uma Obrigação é o título de uma dívida, emitido por um Governo nacional ou empresa com o objectivo de obter fundos directamente dos mercados financeiros. O emissor compromete-se a devolver o valor nominal da Obrigação mais os juros.]


Apoio de Thomas Edison ao Plano Monetário de Henry Ford

Sobre o ponto de vista da sugestão do Sr. Ford para o Governo financiar a conclusão da barragem, o Sr. Edison reiterou a sua convicção, expressa ontem, de que era um bom plano e que, se por uma vez, o sistema de moeda fosse experimentado para arranjar dinheiro para obras públicas, este país não regressaria ao método clássico.

"Que fique perfeitamente claro que não estou a defender nenhumas mudanças nos bancos e no sistema bancário," disse o Sr. Edison. "Os bancos são um bem poderoso. São essenciais para o comércio do país. É ao comerciante de dinheiro, ao que tem lucros com o dinheiro, ao banqueiro privado, que eu me oponho. Eles obtêm o seu poder através do valor fictício e falso que é dado ao ouro."

"O ouro é uma relíquia dos tempos de Júlio César e o juro é uma invenção de Satanás." O Sr. Edison continuou. "O ouro é intrinsecamente de menor utilidade que a maior parte dos metais. A razão provável para ser mantido como a base do dinheiro é que é fácil de controlar. E é o controlo do dinheiro que constitui a questão do dinheiro. É o controlo do dinheiro que é a raiz de todos os males."

"Como é que este sistema pode ser melhorado ou alterado?" Perguntaram ao Sr. Edison.

"Pode ser feito de várias maneiras. Uma das formas seria produzir tanto ouro que a vantagem psicológica da sua posse seria desfeita. Se todos tivéssemos minas nos nossos quintais ou se ouro sintético pudesse ser feito e vendido a 10 cêntimos o quilo, o ouro desapareceria rapidamente como base do dinheiro. E estamos próximos disso; Há apenas alguns dias um cientista descobriu que o chumbo, um dos metais básicos, e até agora um elemento, é na realidade um composto. Não sabemos quão próximo estamos de descobrir que o ouro é, também, um composto. Toda a riqueza do mundo, segundo os nossos padrões actuais, pode ficar sem valor se for descoberto que o ouro pode ser produzido sinteticamente."


"Se isso acontecesse as pessoas já não teriam confiança nele. O dinheiro tem de ser abundante e o ouro não é abundante. Seria abundante se fosse extraído das minas em grandes quantidades como é possível, mas uma escassez artificial é mantida por aqueles que utilizam o ouro para monopolizar o dinheiro."

"Essa seria uma forma de o fazer – tornar o ouro tão abundante que se afundava o seu valor fictício e a superstição das pessoas com ele."


Tem de se esquecer o ouro

"Há também outra maneira – o método que o meu amigo Ford propôs no outro dia. Ele propôs seguir em frente e esquecer o ouro. Ele disse que o Governo pode financiar Muscle Shoals sem pedir licença aos comerciantes de dinheiro, e penso que ele tem toda a razão sobre isso."

"Evidentemente, enquanto o mundo tiver o ouro como base, temos de reconhecê-lo como um elemento no comércio internacional, mas não é necessário para o comércio dentro das nossas fronteiras. Nos negócios internos podemos esquecê-lo. E nós esquecemo-lo. Se toda a gente nos Estados Unidos subitamente exigisse ouro em troca do seu dinheiro, não haveria ouro suficiente."

"O ouro e o dinheiro são coisas distintas. O ouro é um mecanismo fraudulento pelo qual se pode controlar o dinheiro."

"O ouro não é dinheiro até que o povo dos Estados Unidos e de outras nações lhe coloque o seu selo. Não é o ouro que faz o dólar. É o dólar que faz o ouro. Tirem o dólar do ouro, e deixem-no apenas como um metal amarelo e o seu valor afunda-se. O ouro foi estabelecido por lei, tal como a prata o foi, e o ouro podia ser desestabilizado, retirado de circulação por lei, tal como a prata o foi. Quando a prata foi retirada de circulação o antigo dólar ficou a valer cerca de 50 cêntimos."


"Mas não levantaria nenhuma objecção a sugestão do Sr. Ford para que Muscle Shoals fosse financiada por uma emissão de dinheiro?" Perguntaram ao Sr. Edison.

"Certamente. Existe um conjunto completo de slogans enganadores para que não surja este tipo de senso comum entre as pessoas. As pessoas são tão ignorantes sobre aquilo que pensam que são as complicações do sistema monetário que são facilmente impressionadas pelas palavras pomposas. Haveria nova gritaria sobre dinheiro decretado pelo governo (fiat money) e papel-moeda e regresso ao greenback (antigo papel-moeda dos EUA), e tudo o mais – os mesmos velhos clamores com os quais as pessoas foram reduzidas ao silêncio desde o princípio."


"Mas talvez tenhamos passado o tempo em que só dois por cento das pessoas é que pensam no assunto. Cheguei à conclusão por um questionário que fiz que só dois por cento das pessoas é que pensam." E o Sr. Edison sorriu abertamente. "Talvez já não consigam silenciar durante mais tempo os pensadores americanos. A única dinamite que funciona neste país é a dinamite de uma ideia sólida. Penso que estamos a atingir uma ideia sólida na questão do dinheiro. As pessoas têm um instinto que lhes diz que alguma coisa está errada, e que o erro está de alguma maneira centrado no dinheiro. As pessoas têm também um instinto que lhes diz quando uma proposta é feita no seu interesse ou contra ele."


Baseado no solo e na energia

"Agora, quanto ao chamado papel-moeda, todos sabem que o papel-moeda é o dinheiro dos povos civilizados. Quanto mais avançada é a civilização menos moedas se vêem. É tudo notas e cheques. O que são notas e cheques? Meras promessas e ordens de pagamento. Em que é que estão baseados? Principalmente em duas fontes – na energia humana e na terra produtiva. A humanidade e o solo – são a única base real do dinheiro."

"Não deixem que os confundam com o clamor do 'papel-moeda.' O perigo do papel-moeda é precisamente o perigo do ouro – se temos muito perde o valor. Dizem que temos todo o ouro do mundo agora. Bem, em que é que isso nos beneficia? Quando a América fica com todas as fichas de um jogo esse jogo acaba. Estaríamos numa situação melhor se tivéssemos menos ouro. Na realidade, estamos a tentar vermo-nos livres do nosso ouro para pôr as coisas a andar. Mas a máquina do comércio está emperrada. Demasiado papel-moeda funciona da mesma forma. Só há uma regra para o dinheiro, que é, ter o suficiente para levar a cabo todo o comércio legítimo que está à espera de entrar em funcionamento. Muito pouco ou em excesso é igualmente mau. Mas o suficiente para impulsionar o comércio, o suficiente para evitar a estagnação por um lado e não demasiado para permitir a especulação por outro, é a proporção correcta."


"Então não vê nenhuma diferença entre a moeda e as obrigações do Governo?" Perguntaram ao Sr. Edison.

"Sim, há uma diferença, mas nem é a semelhança nem a diferença que é determinante para a questão; a estratégia está direccionada para evitar que as pessoas pensem em moeda e obrigações em conjunto e as possam comparar. Se as pessoas chegarem a pensar em obrigações e em notas ao mesmo tempo, o jogo acabou."


"Portanto, aqui está o Sr. Ford a propor financiar Muscle Shoals com uma emissão de moeda. Muito bem, vamos supor por um momento que o Congresso segue a proposta. Pessoalmente, acho que o Congresso não tem imaginação suficiente para o fazer, mas vamos supor que o faz. A soma pedida é autorizada – digamos 30 milhões de dólares. As notas são emitidas directamente pelo Governo, como todo o dinheiro deveria ser. Quando os trabalhadores são pagos recebem estas notas dos Estados Unidos. Quando o material é comprado, é pago nestas notas dos Estados Unidos. Talvez as notas tenham impressa uma barragem, em vez de uma linha de comboio ou de um navio, como têm algumas das notas da Reserva Federal. Serão iguais a qualquer outra moeda emitida pelo Governo: ou seja, serão dinheiro. Serão baseadas na riqueza pública que já existe em Muscle Shoals, e a sua circulação aumentaria a riqueza pública, não apenas o dinheiro público mas a riqueza pública – riqueza verdadeira."

"Quando estas notas tiverem cumprido o propósito de construir e concluir Muscle Shoals, seriam retiradas de circulação em virtude dos ganhos da barragem eléctrica. Quero dizer, o povo dos Estados Unidos recuperaria tudo o que gastaram em Muscle Shoals e tudo o que esta lhes dará no futuro – a criação de riqueza sem fim da força da água do grande Rio Tennessee – sem impostos nem aumento da dívida nacional."

"Mas suponham que o Congresso não percebe isto, então o que é que acontece?" Perguntou o Sr. Edison.

"Bom, o Congresso cairá na maneira clássica de fazer negócio. Tem de autorizar uma emissão de obrigações. Ou seja, terá de ir ter com os comerciantes de dinheiro e pedir emprestado o suficiente da nossa própria moeda nacional para aproveitar os grandes recursos naturais, e então temos de pagar juros aos comerciantes de dinheiro pelo uso do nosso próprio dinheiro."

Uma Obrigação (Bond) no valor de 25 dólares


Os métodos clássicos aumentam a Dívida Pública

"O que significa que, segundo o método clássico, de cada vez que queremos aumentar a riqueza nacional somos obrigados a aumentar a dívida nacional."

"Ora, É isto que Henry Ford quer evitar. Ele acha estúpido, e eu também, que pelo empréstimo de 30 milhões de dólares do seu próprio dinheiro, o povo dos Estados Unidos vá ter de pagar 66 milhões de dólares – que é o capital inicial mais o juro. Pessoas que não mexerão uma palha nem contribuirão com um grama de material vão receber mais dinheiro dos Estados Unidos do que os que contribuíram com os materiais e fizeram o trabalho. É este o grande mal do juro. Em todas as nossas grandes emissões de obrigações, o juro é sempre maior que o capital em dívida. Todas as grandes obras públicas custam mais do dobro por causa disso. No sistema actual de fazer negócios acrescentamos simplesmente 120 a 150 por cento ao custo inicial."

"Mas pensem nisto: se a nossa nação pode emitir uma obrigação no valor de um dólar, então pode emitir uma nota de um dólar. O que faz a obrigação aceitável faz a nota também aceitável. A diferença entre a obrigação e a nota é que a obrigação possibilita aos comerciantes de dinheiro receberem o dobro do valor da obrigação e um adicional de 20 por cento, enquanto a moeda não paga a ninguém, excepto àqueles que contribuíram directamente para a Muscle Shoals de uma forma útil."

"Se o Governo emite obrigações, simplesmente induz os comerciantes de dinheiro a retirar 30 milhões de outros canais comerciais e a entregá-los ao Muscle Shoals; se o Governo emitir moeda, abastece-se a si próprio com dinheiro suficiente para aumentar a riqueza nacional em Muscle Shoals sem perturbar o comércio do resto do país. E ao fazê-lo aumenta o seu rendimento sem acrescentar um tostão à sua dívida."

"É absurdo afirmar que o nosso país pode emitir 30 milhões em obrigações e não pode emitir 30 milhões em moeda. Ambas são promessas de pagamento; mas uma promete engordar o usurário e a outra ajuda o povo. Se a moeda emitida pelo Governo não fosse boa, então as obrigações emitidas também não prestariam. É uma situação terrível quando o Governo para aumentar a riqueza nacional tem de se endividar e submeter-se à cobrança de juros ruinosos às mãos de homens que controlam os valores fictícios do ouro."

"Vejam a coisa da seguinte forma: se o Governo emite obrigações, os correctores de títulos vão vendê-las. As obrigações serão negociáveis; serão consideradas papéis negociáveis. Porquê? Porque o Governo está por trás delas, mas quem está por trás do Governo? O povo. Portanto é o povo que constitui a base do crédito do Governo. Portanto porque é que então o povo não pode usufruir do benefício de seu próprio crédito em papel negociável não tendo de pagar juros para o Muscle Shoals, em vez dos banqueiros receberem o benefício do crédito do povo em obrigações com juros?"


As pessoas têm de pagar de qualquer maneira

"As pessoas têm de pagar de qualquer maneira; porque é que são obrigadas a pagar o dobro, que o sistema de obrigações as força a pagar? O povo dos Estados Unidos sempre aceitou a moeda do seu Governo. Se o Governo dos Estados Unidos adoptarem esta política de aumentar a riqueza nacional sem contribuir para os receptores de juros – já que toda a dívida nacional é onerada por juros – então veríamos uma era de progresso e de prosperidade neste país que não poderia ser obtida de outra forma."


"Vai ter algum papel no esboço da política aqui proposta?" Perguntaram ao Sr. Edison.

"Estou só a expressar a minha opinião como cidadão." Disse. "A ideia de Ford não tem falhas. Eles não vão gostar. Vão combatê-la, mas o povo deste país deve levá-la em conta e pensar sobre ela. Acredito que aponta o caminho para muitas reformas e realizações que não podem ser feitas sob o antigo sistema."


As mulheres nas crises académicas de Coimbra (2)

via Caminhos da Memória de Maria Manuela Cruzeiro em 04/06/09
  O Conselho Feminino, um case study da problemática feminista dos anos 60 O essencial das minhas reflexões anteriores, basicamente concordantes com um trabalho mais exaustivo e completo de Miguel Cardina, publicado neste blogue, parece-me amplamente apoiado nos documentos estudantis da época – comunicados, programas eleitorais, textos de reflexão e divulgação, etc. – não esquecendo os testemunhos [...]

quarta-feira, 3 de junho de 2009

O Pirolito

via Sopas de Pedra de A. M. Galopim de Carvalho em 31/05/09
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ENTRE GEÓLOGOS com menos de cinquenta anos de idade, quando se fala de pirolito (ou pirólito, como alguns preferem acentuar) apenas vem ao pensamento uma hipotética rocha do manto terrestre a partir da qual se segrega o basalto, de que temos boa representação nos Açores, e muito afim do que abundantemente se derramou na região entre Lisboa e Mafra, há pouco mais de 70 milhões de anos.
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Mas para mim, que vivi as minhas infância e adolescência nos anos 30 e 40 do século que passou, e para os homens e mulheres da minha geração, pirolito era um popular refrigerante, uma gasosa do tipo Seven-Up, contida numa garrafa de vidro muito especial. Especial, em primeiro lugar, porque não tinha rótulo nem a tradicional carica das gasosas e cervejas desse tempo e dos dias de hoje. Em sua substituição tinha um berlinde. Empurrado de baixo para cima, sob a pressão do gás, esta perfeita esfera de vidro colava-se a uma anilha de borracha junto ao gargalo, vedando eficazmente a dita garrafa. Especial era, ainda, a forma deste vasilhame, fabricado num vidro transparente esverdeado, testemunhando um certo grau de impureza da areia usada como matéria-prima. Impureza que os industriais vidreiros sabem ser devida a um certo teor de ferro que caracteriza alguns minerais habitualmente associados ao quartzo, o mineral francamente dominante das nossas areias. Essa forma distinguia-se por um estrangulamento abaixo do gargalo que impedia o berlinde de cair para o fundo, ficando ali a badalar, numa sonoridade vítrea, inesquecível, sempre que a bandeávamos, num gesto que nunca deixávamos de repetir.
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Ainda na vidreira, com o vidro quente e ainda deformável, o artífice fazia-lhe o dito estrangulamento e introduzindo sobre ele o berlinde. Só depois afunilava o gargalo, deixando prisioneira aquela bolinha tilintante. Depois, na fábrica do refrigerante, a gasosa era introduzida na garrafa virada de boca para baixo e, uma vez concluído o enchimento, o berlinde caía, colando-se à anilha, por efeito da pressão do gás. Podia-se, finalmente, endireitar a garrafa, metê-la numa das doze células das muitas grades de madeira, em que viajavam a caminho dos estabelecimentos onde eram servidas a rapazes, raparigas e mulheres. Os homens bebiam cerveja.
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Sempre que uma destas garrafas se quebrava, aproveitava-se o berlinde para jogar um jogo praticado no chão, em terra batida. Um jogo que vinha de gerações anteriores, hoje quase esquecido e que entreteve, horas e horas, anos a fio, os rapazes da minha geração.

Por falar em berlinde, ocorre-me um episódio protagonizado por um dos mais ilustres geógrafos portugueses. Foi na Reitoria da Universidade de Lisboa, por volta dos anos 60 do século que virou. Corriam as provas de doutoramento de um jovem assistente da Universidade de Coimbra. Fazendo uso de um discurso correcto e, até, brilhante, este doutorando não dispensava, a propósito de tudo e de nada, de aludir às suas proezas como desportista em diversas modalidades. Terminada a exposição e iniciada a argumentação, o meu saudoso mestre Orlando Ribeiro, no seu reconhecido bom humor e na sua verbal eloquência, disse, a certa altura da sua intervenção, dirigindo-se ao candidato a doutor, algo que procuro transcrever de memória, mas que respeita o essencial: «Não posso também deixar de o felicitar pelas suas qualidades desportivas. Felicito-o tanto mais porque, devo confessar, o único desporto que pratiquei foi o berlinde mas, mesmo assim, perdia sempre!»

terça-feira, 2 de junho de 2009

Portugal não é um acaso

via INCONFORMISTA.INFO de Miguel Vaz em 02/06/09
«A existência da Pátria não é apenas um fenómeno sentimental, do acaso ou de inércia. A realidade Pátria é um facto natural, é um facto por nós considerado como indiscutível depois de analisadas as bases científicas em que assenta a sua existência real e necessária.
Afirmamos que a Pátria se impõe pela Terra, pelo Clima, pela Língua, pelos Costumes, pela raça e pela História e afirmamos, ainda, que a nação se impõe como uma necessidade primordial à vida social-económica e política dos homens.»

António Tinoco
in "A Revolução Nacional dos Trabalhadores", Edições Falcata.

Nahum Goldmann - Sem as indemnizações alemãs, Israel não teria metade da sua infra-estrutura actual

via Um Homem das Cidades de Diogo em 12/05/09
Alguns excertos da entrevista de Nahum Goldmann ao jornal «Le Nouvel Observateur», de 25 de Outubro de 1976:

«Na sua grande maioria, a opinião judaica era hostil a qualquer contacto com os Alemães. Compreendo bastante bem essa atitude e disse muitas vezes que, se o povo judeu tivesse aceitado unanimemente a ideia de negociar indemnizações em dinheiro com os alemães, teria tido vergonha de ser judeu. O povo judeu devia por isso manifestar a sua oposição mas não era necessário que os seus líderes a tivessem em conta; é isto a política». Ler mais

Os homens entre si

via INCONFORMISTA.INFO de Miguel Vaz em 31/05/09
"Com os clubes e as «sociedades secretas», afirma Lionel Tiger, «os homens fazm a corte aos homens». As grandes confrarias profissionais, as corporações estudantis, as ordens, as sociedades secretas são meios de reforçar (e de exaltar) o vínculo intermasculino. Seja no colégio ou no exército, as «cerimónias de iniciação», por vezes bizarras e mesmo cruéis, evoam os ritos de passagem da puberdade (com a transposição que se impõe: é-se«adulto» quando se detémo conhecimento ou o poder) e apertam os laços entre «iniciados». Os clubes femininos, pelo contrário soçobram regularmente na desordem e nos mexericos.
(...) Tiger lembra que o homem, em relação à mulher, é ao mesmo tempo mais racional e mais irrazoável. O homem sabe que se lança por vezes em aventuras sem esperança, que enfrenta desafios extravagantes. Mas ele pensa que não deve «dar o braço a torcer». Esta concepção do sacrifício inútil decorre directamente de uma ética de honra. A mulher, ela, vê as coisas de outro modo. Ela reprova ao homem o seu «orgulho». Ela acusa-o de correr atrás de «quimeras», e de negligenciar as suas responsabilidades familiares. Para ela, nunca se dá o braço a torcer quando se é «razoável».
No fim de contas, o homem é sempre uma criança. Os alemães têm uma palavra para isto: Das Kind im Manne — a criança que, no homem feito, é a memória viva de um passado sempre destinado e inspirar o futuro.
Montherlant dizia que «um homem sem criancices é um monstro horrível». Nietzche, ao contrário, propunha «pôr na acção a seriedade que a criança põe no jogo» — quer dizer, precisamente, consideraras coisas sérias como um jogo. Daí, no homem, essa nostalgia dos lugares de infância e dos amores adolescentes — dos quais Jules Romains pode dizer que são uma mistura de angelitude e de obscenidade.
As sociedades que acentuam a segurança, o conforto, às quais repugna o risco, são sociedades em que os valores masculinos estão em declínio. «Faça amor, não a guerra» é um slogan feminino que se traduz por: «Façam-nos amor, não façam guerra entre vocês».
O homem nunca acaba, como nos tempos da sua infância, de ir aos ninhos de pássaros. Não tanto pelos ninhos, aliás, mas para trepar ao alto das árvores. Ele quer sempre ir mais longe, mais depressa, mais alto. Ele tem prazer na competição, ele admira os records. A mulher pergunta «para que é que isso serve». É por isso que cabe à mulher preservar o que o homem adquiriu. A sociedade mantém-se assim — e renova-se eternamente.»

Alain de Benoist
in "Nova Direita Nova Cultura – Antologia crítica das ideias contemporâneas", Lisboa, Fernando Ribeiro de Mello/Edições Afrodite, 1981

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Os riscos azuis

via Caminhos da Memória de Caminhos da Memória em 28/05/09
  Um texto de Daniel Ricardo (*)   Este é o quinto e último post de uma série intitulada «Censuricídio», onde será divulgada a versão integral, por vezes mais completa, de textos publicados na VISÃO História, n.º 2 e na VISÃO de 23/4/2008. Se clicar no ícone «Censuricídio», acederá ao texto anterior. Textos, fotos, anúncios, até o boletim meteorológico [...]

quinta-feira, 28 de maio de 2009

As mulheres nas crises académicas de Coimbra

via Caminhos da Memória de Maria Manuela Cruzeiro em 27/05/09
  1. A participação das mulheres nos movimentos estudantis da década de sessenta, pontuados pelas crises de 61-62, 64-65 e 68-69, tem, como vem sendo assinalado, uma crescente expressão quer quantitativa, quer qualitativa. O que significa que a entrada em massa das mulheres no movimento associativo alterou profundamente as suas características. E, para tal, basta comparar [...]