
quinta-feira, 11 de junho de 2009
ortodoxia

De fato

terça-feira, 9 de junho de 2009
Benoist em entrevista
Tarrafal – Discurso de José Maria Neves, Primeiro-Ministro de Cabo Verde

segunda-feira, 8 de junho de 2009
Clive Granger: matemático, estatístico, Nobel
Por Nuno CratoFALECEU a semana passada em San Diego, na Califórnia, uma das pessoas mais brilhantes mas também mais tranquilas e simples que tive o privilégio de conhecer. Nascera no País de Gales em 1934 e começara por estudar matemática em Nottingham, onde se veio a doutorar na área de séries temporais. Tinha então 25 anos e logo partiu para Princeton, onde trabalhou com o matemático John Tukey e com o economista Oskar Morgenstern, co-fundador da teoria matemática dos jogos.
Em Princeton, Granger aplicou a séries económicas a chamada análise espectral, originada em matemática pura e em física-matemática pelo francês Jean Baptiste Fourier. Desenvolveu uma abordagem diferente para dados económicos, fazendo a sua decomposição em ciclos sobrepostos. Pela mesma altura, notando a dificuldade em tirar conclusões sobre as influências recíprocas de variáveis em evolução, definiu um teste simples para o que veio a ser chamado "causalidade à Granger". Imagine-se, por exemplo, uma empresa com vendas que crescem ao longo dos anos e com despesas em publicidade também crescentes. Será que é a publicidade que causa o aumento das vendas ou que são as receitas que incrementam a publicidade?
O teste de Granger é de uma simplicidade desarmante. Como diria em 1997 numa entrevista ao Expresso, «A minha definição é operacional. Não falo em termos de causa e efeito absolutos, mas baseio-me em dois postulados muito fortes. Primeiro, a causa aparece antes do efeito; segundo, a causa contém uma informação prévia sobre o efeito que nenhuma outra variável possui. Quer isto dizer que a definição de causalidade que perfilho é passível de teste, através da comparação de previsões.»
Não seria essa a única entrevista deste investigador ao Expresso. A segunda correu em Janeiro deste ano, quando esteve em Portugal pela segunda vez, de novo a convite do centro de investigação Cemapre, do ISEG. Nessa altura, já Clive Granger tinha recebido o Nobel de Economia de 2003 [na imagem], em conjunto com o norte-americano Rob Engle. Para trás tinha décadas de descobertas criativas que marcaram a estatística, a econometria e a análise dos mercados financeiros. Clive Granger foi um dos dois ou três matemáticos aplicados que mais influenciaram o estudo quantitativo da economia. Como gostava de dizer, como que a desculpar-se, «sempre quis utilizar a matemática para ser útil».
«Passeio aleatório» - «Expresso» de 5 de Junho de 2009
Petra
Empedernido diz-se daquele que é insensível como a pedra e pedernal ou pederneira é o sílex, que os nossos avós usavam nos bacamartes, ou que os tetravós destes lascavam, fazendo machados, facas e pontas de seta.
Pedra angular quer dizer fundamento, base ou suporte. Pedro, nome de gente, vem de pedra. «Tu és Pedro e sobre ti levantarei a minha Igreja» disse Jesus ao discípulo. São Petersburgo é o nome da antiga Petrogrado, na Rússia, em homenagem a Pedro, o Grande, e Petrópolis é a cidade brasileira assim chamada em memória do seu primeiro imperador, D. Pedro II de Portugal.
Pedra filosofal ou da sabedoria, que em árabe se diz, al kimia, foi o lema de um saber notável durante a Idade Média, nem sempre devidamente valorizado, onde radicam ciências como a Química e a Mineralogia.
Pedrógão, Alter Pedroso, Pedrouços e Pedrulha são topónimos relacionados com pedras. Aumentativo de pedra, pedrão deu padrão, o marco que os nossos navegadores deixaram na rota dos descobrimentos. Pêro é o nome arcaico de Pedro e Peres são os seus descendentes. Pêro Vaz de Caminha e Pêro da Covilhã são nomes conhecidos da nossa história e Pêro Botelho é o Diabo que não pára de rugir na caldeira que tem o seu nome, no sítio das Furnas, na ilha açoriana de S. Miguel. Peroliva, Peramanca e Perafita são nomes de sítios do Alentejo que evocam grandes marcos de pedra, através do prefixo pera, que traduz a mesma ideia. Tais pedras ou eram verdes (oliva) ou estavam mancas, isto é, tombadas, ou ainda se mantinham fitas, maneira antiga de dizer erguidas, na postura fálica em que as colocavam os nossos antepassados do período megalítico e que os pré-historiadores franceses divulgaram sob o nome de menhires, mantendo a expressão original bretã, men hir, que significa pedra comprida.
.
OS FASCÍNIOS DO MIGUEL CASTELO BRANCO EM BANGUECOQUE
do Miguel Castelo Branco http://combustoes.blogspot.com e ver como vai seguindo nas "verduras", na área dos seus desenvolvimentos dentro da historiografia, de suas investigações.-
Fico, algumas vezes, confuso como é possível o Miguel conseguir ter na "pinha" imensa matéria. Não vou aqui escrever que descuro o seu perfil literário e ânsia de pretender descobrir mais um mundo, entre os tantos, que em diversos mares tem navegado.
-
Mas porém não deixo de aqui teclar que graças à Internet têm surgido no quotidiano os valores, imaginários, "abichando" neste meio, espantoso, de comunicação que por vezes deixa os incautos, maravilhados, por um valor que na realidade não existe.
-
Já li e não me lembro aonde umas frases da escritora Augustina Bessa Luis que os tais valores, para impor aos outros, para impressionar aquilo que não são, entregam-se ao "copismo", uma forma de "plágio", sofisticado, mais ou menos como um cozinheiro dá o mesmo sabor a um prato com outros ingredientes culinários.
-
Evidentemente que no tempo de Camilo Castelo Branco, do Eça de Queirós e outros grandes vulgos da literatura portuguesa não existia a Internet, pois se ela já circulasse publicaram o dobro ou mais das obras que escreveram.
O Miguel Castelo Branco já chegou demasiadamente tarde a Banguecoque para dar a entender, a quem lê o seu blogue, que chegou à capital tailandesa para descobrir coisas novas relacionadas com as relações, históricas, entre Portugal e o Sião.
-
Já outros, antes do Miguel, descobriram tudo e mais que tudo, pedra por pedra e colocam-nos no anonimato como espécie de conveniência. Mas eu sei, que os novos historiadores (do colarinho branco) portugueses, que ultimamente, surgiram na Tailândia, vão "abichando", para se elevarem ou atingirem a glória vã, nas dezenas de "peças" que ao longo de anos e anos escrevi por amor e nunca em procura de "mordomias" ou "bronzes" no peito colocados pelos "maiorais" e donos da história, no "Dia de Portugal" que pomposamente lhe deram o nome de Camões e hoje (me parece) das Comunidades Portuguesas.
-
A fonte de agua cristalina onde mergulham e saciam suas sedes tem sido no que tenho desenvolvido, (sem valor ortográfico que mereça e bem o sei) no website www.aquimaria.com e nos blogues http://portugalnatailandia.blogspot.com , http://maquiavelices.blogspot.com http://aquitailandia.blogspot.com , cujas pestanas tenho queimado desenvolvendo-os.
Para levar a cabo este meu longo trabalho, nunca me arrastei ou beijei os pés do Poder para "abichar" migalha de pão que fosse, caida de suas mesas, como recompensa.
O orgulho e a puresa do meu ser não me permite lidar com com a hipocresia. Construiu o meu mundo sem "golpes" de machado.
"Quanto mais vou abrindo caminhos na investigação que aqui desenvolvo sobre as relações entre Portugal e o Sião nos séculos XIX e XX, as certezas com que vim armado vão-se desvanecendo perante bibliografia inacessível na Europa...."
Porém o propósito desta pequena croniqueta é relacionada com um artigo que o Miguel publicou, no seu Combustões, com a data de ontem (6.6.09) "Lembrando 6 de Junho de 1944: o estranho contrário" http://combustoes.blogspot.com/2009/06/lembrando-6-de-junho-de-1944-o-estranho.html , que me deixou confuso, como o Miguel Castelo Branco tem conhecimento de tanto!!!
Chegando à conclusão que o Miguel escreve coisas "lindas" inspirado naquilo que outros já escreveram e publicado na Internet.
Uma das fontes, entre outras, onde o Miguel foi beber, para escrever o artigo acima referido, teria sido a do endereço da internet a seguir http://www.angkor.com/2bangkok/2bangkok/forum/showthread.php?t=1250. José Martins
P.S. Não deixa de ser curioso (sem necessitar de tal), que um blogue meu que em tempo esteve lincado ao seu Combustões, o tenha retirado... Porque teria sido? eu sei e regulo-me pelo ditado: "Quem é o teu inimigo? O oficial do teu ofício!"
domingo, 7 de junho de 2009
a força legítima - 1
«Das actividades dos grupos de intervenção política, ou supondo que a exerciam, não tive notícias directas, mas sim oportunidade de, na vida profissional, encontrar alguns dos envolvidos. Lembro sempre o Dr. Teófilo Carvalho dos Santos, do círculo do escritório do Dr. Abranches Ferrão, e que foi um dos meus amigos mais queridos e mais íntimos.Num dos sobressaltos da Polícia Política, que em relação ao Teófilo só não acertava nas ocasiões, por 1947 este acordou na sua casa de Alenquer com os agentes a tomar conta do automóvel e a mandar-lhe que os acompanhasse. Pediu breve tempo necessário para se arranjar, foi para a casa de banho, saiu pela janela, calcorreou os caminhos que bem conhecia, e è noite apareceu-me na casa onde vivia com os meus pais (...).
À noite deambulávamos pela cidade tomando necessárias cautelas, mas no fim de alguns meses, com a intervenção ponderada do seu irmão Dr. José Carvalho dos Santos, que fora um brilhante jovem político antes do 28 de Maio, e passara a maior parte da vida em Angola, concluímos que era necessário esclarecer a situação porque tal regime de vida era intolerável para o Teófilo. (...)
Em poucos dias comunicou-me» (o Dr. Augusto Paes de Almeida e Silva, juiz e antigo Governador Civil de Lisboa) «que se tratava apenas de o Teófilo ser testemunha num processo, que a Polícia estava um pouco humilhada pelo fiasco da diligência em Alenquer, e que o deteria por dois ou três dias, mas de´pois de ouvido seria remetido à liberdade. Trazia fixado o dia da apresentação.
Nesse dia o Teófilo rapou o bigode que deixara crescer, deixou em cima de uma estante de livros de minha casa os óculos escuros que por ali ficaram anos, fomos almoçar aos Irmãos Unidos, leivei-o no meu carro à porta da PIDE, e despedimo-nos para dali aos anunciados três dias.
À noite, quando estávamos à mesa para jantar, apareceu o Teófilo, com a boa disposição que raramente perdia, louvando a intervenção do juiz, contando que passara horas de espera para que um Inspector delicadíssimo lhe viesse pedir desculpa do incómodo, mas adiando a conversa para a semana seguintes.
Esses dias decorreram alegres, na data aprazada repetimos o cerimonial, lá ficou à porta, e só voltou dentro de um ano depois, sem inculpação nem desculpas»
Adriano Moreira, A Espuma do Tempo, Almedina, 2009, pp 132 a 134.


