sexta-feira, 7 de agosto de 2009

SALAZAR E A INDEPENDÊNCIA DE ANGOLA - UMA REVELAÇÃO INÉDITA

via ANGOLA DO OUTRO LADO DO TEMPO... de MariaNJardim em 21/07/09
(DOIS E-MAILS QUE FAZEM HISTÓRIA
e
Carlos Mário Alexandrino da Silva)

DOCUMENTO Nº 01

To: Carlos Mário Alexandrino da Silva (E-mail)
Sent: Monday, September 17, 2001 12:00 PM
Subject: Salazar.doc

Meu Caro Professor e Amigo,

Como decerto sabe, se a herança de meu Pai foi parca em fidúcia e em bens materiais, não o foi em bens morais e em testemunhos de uma época em que viveu e em que trabalhou para Portugal.

A maior parte desses testemunhos me foi transmitida verbalmente, a seu tempo, e muitos deles eventualmente se esfumarão na minha memória. Outros, porém, deixou escritos e talvez um dia os mande publicar.

Entretanto um deles, por inédito, por se referir a uma independência de Angola e por ter sido por si testemunhado, merece que o transcreva e envie. Dele poderá fazer o uso que por bem entender. Gostaria, no entanto que o comentasse para mim.

Com um abraço amigo,

José Augusto Rebelo

Testemunho escrito por Fernando de Sá Viana Rebelo em 1979. Este texto insere-se num conjunto agrupado sob o título "Gente que conheci" e está intitulado "Salazar":

"Quando tomei posse do cargo de Vice-Presidente da Comissão Provincial de Angola da União Nacional, o Dr. Castro Fernandes, Presidente da Comissão Executiva da U.N. levou-me, a mim e aos restantes membros angolanos, ao Forte de S. João do Estoril, a fim de visitarmos Salazar".

Comigo, iam os Dr.s Neto de Miranda (a), Penha Gonçalves (b), Aníbal de Oliveira (c), Carlos Alexandrino da Silva (d) e Eng. Bessa Victor (e).

Entramos em uma sala modesta com uma mesa grande ao meio, em redor da qual nos sentamos. Pouco depois chegou Salazar que nos cumprimentou fitando-nos bem nos olhos, penetrantemente.

O Dr. Castro Fernandes apresentou-nos e disse que tínhamos ido ali para o cumprimentar.

Salazar, sorridente, respondeu afectuosamente e depois, um a um, perguntou o que fazíamos e quais eram os nossos propósitos.

Chegada a minha vez, deteve-se mais, dadas as múltiplas funções que desempenhava, como Vice da U.N., Vice da Associação Industrial de Angola e Representante da Companhia Mineira do Lobito.

Fiquei, então, a reconhecer o conhecimento profundo de Salazar sobre as coisa e gentes de Angola, citando nomes, funções e até números.

Em certo momento, perguntou-nos de chofre:

- Que pensam duma possível independência de Angola?

Ficamos todos calados sem saber que atitude tomar.
Salazar, curioso, fitando-nos por cima dos óculos, insistiu na pergunta.

O Dr. Castro Fernandes resolveu, então, responder por nós, porém Salazar, com um gesto, dissuadiu-o. Queria uma resposta nossa.
Em face do silêncio dos outros, comecei:

- A independência é inevitável. Angola cresce e com ela a ambição de nos governarmos sozinhos, embora ligados sempre a Portugal por laços não só afectivos e culturais como comerciais. Queremos, no entanto, uma Angola para todos, brancos, pretos e mestiços, em que não haja maioria de cores, mas maioria de idéias.

E espraei-me com entusiasmo sobre este assunto que me apaixonava, não obstante os acenos dos Dr.s Castro Fernandes e neto de Miranda para que parasse.

Salazar olhava-me impassivelmente, enquanto eu falava, e eu não sabia se estava a agradar-lhe ou não, nem, na altura me importei.

Ele perguntara e eu respondia com a minha verdade, que poderia não ser igual à sua. Quando esgotei a argumentação, fez-se um silêncio gelado e eu senti-me isolado, talvez mesmo arrependido.

Salazar falou então, pausadamente, como quem está dando uma lição:

Há bastante tempo que pensava na autonomia de Angola conducente à independência, no entanto achava que era cedo para tal se concretizar porque reconhecia que Angola e sobretudo Moçambique, que, inevitavelmente, desejaria seguir Angola, não tinham ainda uma elite capaz de, em todos os escalões, as governar, quer branca, quer preta, Havia falta de gente em quantidade e em qualidade, pois nada garantia que, entre os portugueses de Angola, todos aderissem à independência e se assim fosse essa pequena elite ficaria mais desfalcada. Por outro lado, a ONU só aceitaria uma independência com "os pretos governando" e isso poderia ser perigoso para a estabilidade da província. Assim, era preferível adiar a solução para tempos mais calmos e, quanto á guerra, não temia os resultados, pois seria ganha por quem melhor resistisse e em Portugal havia divisas necessárias para a prolongar anos e anos. Os Movimentos cansar-se-iam. O que receava era a retaguarda. Essa sim poderia ruir e então aconteceria o imprevisível, talvez o descalabro do país.

Não disse se lhe agradou, ou mesmo se concordou com a minha exposição. Ouvira e dera a sua opinião, depois da qual se despediu, acompanhando-nos amavelmente até quase ao portão de saída.

Quis tirar, conosco, uma fotografia, mas o Dr. Castro Fernandes não previra o seu desejo e não havia fotógrafo.

Tive pena de não ter um retrato com Salazar, homem que admirava e hoje depois de tanto ter visto, mais admiro."

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(a) Gustavo Neto de Miranda - julgo que ex-Juiz e, à época Presidente do Conselho de Administração da ANGOL (empresa petrolífera de Angola). Regressou a Portugal.

(b) Penha Gonçalves - brilhante advogado com escritório em Luanda. Era de origem indiana. Ainda tentou continuar em Angola. Perante a impossibilidade de uma vida tranqüila, motivada pela guerra civil, julgo que terá regressado a Portugal. Tinha uma família exemplar.

(c) Aníbal de Oliveira - se bem me lembro também era advogado, embora com pouca expressão;

(d) Carlos Alexandrino da Silva - Limitar-me-ei a dizer que era um dos homens a quem meu Pai queria bem, colocando-o no rol dos seus amigos.

(e) Bessa Victor - Engenheiro ligado às Obras Públicas (julgo que em nível de Diretor). Se bem me lembro, depois da independência de Angola, e a serviço do Governo do MPLA, assumiu a Direção de Aeronáutica Civil.


DOCUMENTO 02

To: José Augusto Fortes de Sá Viana Rebelo - Ilmo Prsidente da Câmara de Comércio Luso-Brasileira do Estado de Minas Gerais - Brasil
E-mail: Monday, September 7/2001

Meu Caro Amigo Dr. José Augusto:

Quero manifestar-lhe o meu profundo agradecimento pelo envio que se dignou fazer do conteúdo histórico, valiosíssimo, de um documento deixado pelo seu ilustre e valoroso Pai e meu maior e mais saudoso AMIGO Dr. Fernando de Sá Viana Rebelo, figura de PORTUGUÊS honradíssimo que amava acrisoladamente a Pátria que o ÉPICO cantou de forma poemática, tão nobre e expressiva, exaltando assim um dos mais gloriosos capítulos da sua história nacional.
Confesso que eu próprio já havia esquecido esse episódio do encontro que tivemos com Salazar e que deve ter ocorrido em 1965 ou 66 ( a memória está me faltando, é o fim a aproximar-se...), pelo que reconhecido lhe ficaria se, compulsando as memórias do seu finado progenitor, pudesse ajudar-me a localizar no tempo esse histórico evento em que de facto tomei parte- o que muito me honra e mais ainda a referência feita à minha pessoa, como Amigo, escrita pelo punho dessa grande figura da História de Angola na era colonial, que foi o Dr. Fernando de Sá Viana Rebelo, um autêntico Português Ultramarino, apaixonado por Angola e pelas suas gentes, que se orgulhava de sua ascendência miscigenada com forte raíz timorense. Lembro-me agora que seu Pai me avisou telefonicamente na véspera da partida para Lisboa, indicando-me o Barbosa Rodrigues ( diligente caboverdiano, chefe da secretaria da Comissão de Província da UN que trabalhava por ele e pelo "Secretário" Dr. Jerónimo da Silva Rolo, alto funcionário da Junta Provincial de Povoamento e mais tarde servidor do MPLA depois do "25 de Abril", personagem bem remunerado mas teimosamente ausentista e que era afilhado do presidente Neto Miranda de quem fora secretário quando este governara o Kuanza Sul ) para eu ir pegar o bilhete de passagem aérea da TAP. Recordo-me também, graças ao documento de que acaba de me dar notícia, dessa inusitada pergunta que Salazar nos fez e a que, a contragosto dos Drs. Castro Fernandes e Neto de Miranda, cujos semblantes e gestos se mostraram discordes, afoitamente seu Pai ousou desenvolver uma pronta e objectiva resposta, afirmativa e inequívoca, com a qual eu e o Bessa Victor, euroafricano, demos, como angolanos, pronto respaldo sorrindo-lhe com agrado e corroborando-o com meneios de cabeça antero-posteriores, em sinal de aprovação, o que parece ter escandalizado, como mais tarde eles nos fizeram sentir em críticas veladas, aos demais membros da comissão de província, nossos colegas. Felicitamos o seu Pai à saída do Forte de São João do Estoril mas o mesmo não se ouviu do Gustavo Neto de Miranda, que gostava de agradar ao então ministro do Ultramar Silva Cunha, totalmente alérgico a que se falasse em independência de Angola ou Moçambique; talvez porque em ambas essas províncias ultramarinas o seu ex-patrão (que continuava lhe enviando mensalmente, ao gabinete do MU, o cheque do pró-labore, ao portador e nunca nominal, em mãos do meu colega de curso, do ISCSPU/UTL, Dr. Eduardo Custódio Silva, chefe de secção da Companhia de Cimentos de Moçambique) Antônio Champallimaud, tinha vultosos investimentos cimenteiros, bancários, etc...
Se desejar poderei enviar-lhe uma fotografia do engº Bessa Victor que ainda conservo comigo. A respeito dessa pergunta de Salazar confesso que não me surpreendeu porque, conforme relato num dos meus trabalhos editados na secção Ecmnésia Histórica Colonial do portal www.portugal-linha.pt, três ou quatro anos antes (ou talvez em 61?), quando eu era funcionário do Gabinete dos Negócios Políticos do MU, recebi ordem do inspector superior Dr. Alexandre Ribeiro da Cunha, ex-secretário de Salazar, entre nós funcionários do GNP mais conhecido por "careca gajão", para, às pressas (estávamos na hora de almoço, que não...tivemos!), elaborar um artigo que seria publicado em editorial do jornal diário matutino O SÉCULO, de Lisboa, focalizando a crescente tendência da política ultramarina em curso para um processo progressivamente autonômico, reconhecendo-se assim, através de medidas cada vez mais liberalizantes, a inevitabilidade da independência a longo prazo, quando houvesse élites preparadas e seus povos estivessem maduros para isso, dos territórios do Ultramar, o que deveria acontecer, como se ousava sublinhar nesse "editorial", no quadro de uma ligação sentimental, política, cultural e econômica com Portugall.
Ribeiro da Cunha ordenou que a 3ª oficial Maria de Lurdes Guerra Ferreira, que era uma excelente dactilógrafa e me secretariava no gabinete de imprensa e radiodifusão nacional e estrangeira do GNP/MU, por mim chefiado, permanecesse no Ministério nesse tempo de hora do almoço pois queria que eu lhe apresentasse o pretendido texto, pronto, até às 15 horas quando ele iria pegá-lo a fim de levá-lo pessoalmente ao presidente do conselho de ministros Prof. Antonio de Oliveira Salazar, que lhe incumbira de providenciar a urgente elaboração desse artigo para, repito, publicação no dia imediato. Não me explicou a razão dessa pressa. Não pude sequer rascunhar esse texto, o tempo urgia, ditei-o de improviso, tal como fazia com a resenha semanal de imprensa e radiodifusão estrangeira (a nacional estava a cargo de um colaborador eventual, muito competente e dedicado- o Nuno Múrias, filho do Dr. Manuel Múrias - director do Diário da Manhã - que substituiu o jornalista Freitas da Costa, primo do primeiro director do GNP e SubSecretrário de Estado de Administração Ultramarina, na pasta sobraçada pelo Prof. Adriano Moreira, Dr. João da Costa Freitas); essa resenha, cuja lista de distribuição era restricta, confidencial e comentada, destinada somente aos Presidentes da República e do Conselho de Ministros e às mais altas esferas governamentais e militares, Defesa Nacional e governadores das províncias ultramarinas, ocupava cerca de 50 páginas impressas mas chegava a ter 80 a 90 páginas ciclostiladas, que a já citada funcionária ia digitando na máquina, usando uma folha de stencyl e o verniz sempre que, a cada lida por ela feita em voz alta, eu lhe introduzia correcções ou alterações. Entreguei-lhe o texto à hora já referida; ele leu-o, achou bem, não fez alterações apenas dizendo que estava conforme aos tópicos que me fornecera para eu os desenvolver; mais tarde, cerca das 18 horas (eu e a Maria de Lurdes ficávamos sempre no serviço, de 2ª a 6ª feira, até cerca das 22h30, hora a que Silva Cunha saía do seu gabinete para se recolher a casa - e entrementes poderia pedir qualquer artigo, notícia ou recorte de jornal nacional ou estrangeiro... embora jamais nos pagasse por isso horas extraordinárias) veio felicitar-me, limitando-se a destacar que o senhor presidente tinha gostado do meu trabalho. No dia seguinte, quando de manhã cheguei ao gabinete, a Maria de Lurdes Ferreira trouxe-me o jornal O SÉCULO em que, na primeira página, em espaço editorial e com título alusivo ao tema progressiva autonomia das províncias ultramarinas, focalizando sobretudo Angola e Moçambique, vinha publicado o texto que eu havia elaborado, de viva voz, na tarde anterior... Logo, afigura-se-me que existia realmente uma idéia, não declarada aos quatro ventos, desse estranho personagem que era Salazar, inspiração prudente quiçá consequente do alerta dado pelos trágicos acontecimentos de 15 de Março de 1961 no Norte de Angola, de algum dia ser esse o destino das possessões ultramarinas - a independência certamente dentro de uma união de estados lusófonos como parecia ser, presumo eu, o grande sonho do "António da Calçada da Estrela" apoiado pelo presidente do Senegal Dr. Leopold Sedar Senghor. -.

Mereciam ser publicados esse e outros documentos que fazem parte do acervo de memórias do seu nobre progenitor que tão injustiçado foi (negando-se-lhe Direitos constituídos e obrigando-o à diáspora) no termo da sua vida . Seria de esperar da figura democrática mais grada da plêiade política da nova democracia lusitana {mas não mais democrática do que o seu Pai, a quem não havia angolano -europeu, africano ou euroafricano- que, em perigo ou desempregado, não recorresse, confiante, a ele, ou a mim na sua ausência, pois eu, como vogal da comissão de província da UN/ANP e director executivo do respectivo Centro de Estudos Politicos e Sociais, que mais não era do que o oficioso órgão executivo (com um só trabalhador - eu e algumas vezes um ou outro jornalista que me procurava para colaborar) do GT do Conselho de Orientação da Acção Psicológica do GG e do CCFA de Angola, sempre lhe levava ao conhecimento (e não ao do dúplice, oportunista e preguiçoso desembargador Neto de Miranda, que nada fazia de válido ou ... inválido, todos os casos escabrosos ou difíceis, até queixas contra... a PIDE, que ele prontamente resolvia apressando-se a pedir providências ao governador-geral conforme o general Silvino Silvério Marques poderá confirmar} uma atitude nobilitante e justa - a do reconhecimento de que, embora no campo oposto, seu Pai, além de ter prestado altos serviços à sua Pátria jámais foi corrupto, nunca a denegou ou abjurou nem, como eu venho fazendo, se remeteu à crítica mordaz e acusatória mas delatora de verdades históricas inconvenientes ou que maculam a "lusa grei e suas elites" porque desiludido, maltratado pelos do antes e os do depois, e inconformado com a aceitação inconsequente e o aplauso florido de tom rubro da vil traição de alguns pela mesma grei que quatro anos antes enchera as ruas da capital portuguesa para, pesarosamente, ainda que talvez só na aparência, acompanhar com repugnante hipocrisia o funeral de Salazar nos idos de 70; essa mesma afinal inconstante e volúvel grei de que no passado, quando oficial do exército em distantes terras ultramarinas, lá nas proximidades da cordilheira dos Cathay, eu me vangloriara de ser parte integrante!...-. Mas essa(s) figura(s) democrática(s) [M.S.? C.S.?] quando estava(m) em posição de fazer Justiça permitiu(ram) que a perseguição se consumasse, não levando em conta os altos serviços prestados de cabeça erguida pelo seu Pai, ao contrário do que aconteceu com o ex-inspector-adjunto da PIDE/DGS e, depois de "25 de Abril", emigrado e alcandorado a coronel dos serviços da Intelligence sul-africana Alves Cardoso,- um dos dois Cardosos que comandaram os FLECHAS de Angola e de Moçambique- condecorado pelo governo Cavaco e Silva e contemplado com uma pensão de reforma vitalícia pelos também altos serviços prestados, à frente das milícias paramilitares FLECHAS, à Pátria Portuguesa...-. Altos serviços à Pátria Portuguesa, que bem vistas as coisas não apenas o dito Alves Cardoso, ex-capitão ou major miliciano com amizades entre os capitães de Abril, teria prestado mas também alguns outros, dentre os quais sobressaía, com destaque, o seu honrado Pai, que foi incluso numa lista de cento e muitos nomes, publicada nos jornais pela comissão de extinção da PIDE/DGS e de organizações ditas "fascistas" segundo um critério muito arbitrário!, atingindo personalidades que não tinham cometido crtimes contra a humanidade ou de lesa-pátria, e que foram privadas de direitos políticos em 8 de Fevereiro de 1975. Um acto injusto, anti-democrático, doentio e persecutório. Uma vileza do dementado primeiro-ministro cripto(?!)-comunista, fâmulo de Álvaro Cunhal e do seu estalinista PCP pró-soviético, Vasco Gonçalves, revolucionariamente promovido a "general"... que se não fora uma tomada de consciência de alguns oficiais da FA e a prointa actuação do embaixador norte-americano Frank Carlucci (depois...director da CIA) teria levado Portugal para a órbita soviética... Essa clamorosa injustiça foi abafada pelas proclamadas "amplas liberdades democráticas" pós-abrilistas e continua atingindo a memória de seu ilustre progenitor porque, após seu passamento, afecta a situação econômica da sua Exma Mãe.

Com um abraço muito Amigo e grato,
Carlos Mário Alexandrino da Silva

Carlos Mário Alexandrino da Silva
in Portugal em Linha - Comunidade Lisófona

«Negar o Passado é um suicídio»

via INCONFORMISTA.INFO de Miguel Vaz em 16/07/09
«Uma nação só existe quando há Tradição, quando há História. A negação sistemática em que vimos vivendo destrói a Tradição, destrói a História: logo, destrói a Nação. Os povos vivem do Passado. Negar o Passado é um suicídio. Este povo, o povo português, não se levanta pelo cepticismo negativista. Só será possível erguê-lo, injectando-lhe princípios orgânicos, alterando-lhe por completo a orientação em que vai, despertando-lhe intensivamente os seus elementos tradicionais, aquilo que ele tem, como todos os povos, de fundamental, de básico, de estrutural. O primeiro efeito do negativismo sistemático é a ruína do princípio da Autoridade. O primeiro do sistemático construtivismo, é o engrandecimento, o prestígio deste princípio. O nosso mal fundamental é, como já disse, a Anarquia. Ela filia-se no negativismo que tem sido o único sistema da nossa existência.
É preciso afirmar. Evidentemente que não me refiro à casta dominante, incapaz, por deficiência própria, de outra coisa, que não seja demolir. Dirijo-me aos que por uma má compreensão dos factos e das situações se têm deixado levar na corrente, pedindo-lhes que fixem aquele preconceito que Augusto Comte arvorou em lei: on ne détruit que ce qu`on remplace. Edifiquemos, primeiro, o que há-de substituir o defeituoso e depois destruamos então o que é mau. Há cinquenta anos que temos andado na fúria do bota abaixo. E que erguemos nós? Que edificámos nós? Mentiras, mentiras e só mentiras. A vida política, a vida social, a vida económica, a vida financeira, a vida mental deste pobre país, é um conjunto de mentiras e mistificações.»

Não seremos os últimos


via INCONFORMISTA.INFO de Miguel Vaz em 09/07/09
«Se o Europeu se habitua a não mandar, bastará geração e meia para que o Velho Continente, e atrás dele o mundo todo, caia na inércia moral, na esterilidade intelectual e na barbárie omnímoda. Só a ilusão do império e a disciplina de responsabilidade que isso inspira podem manter em tensão as almas do Ocidente. A ciência, a arte, a técnica e tudo o resto vivem da atmosfera tónica que é criada pela consciência de mando: se esta faltar, o Europeu envilecer-se-á pouco a pouco. As mentes já não terão essa fé radical em si mesmas que as lança enérgicas, audazes, pertinazes, à captura de grandes ideias novas em todas as ordens. O Europeu tornar-se-á definitivamente quotidiano. Incapaz de esforço criador e de luxo, recairá sempre no ontem, no hábito, na rotina. Tornar-se-á uma criatura grosseira, formulista, chocha, como os Gregos da decadência e os de toda a história bizantina.»

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

O Reino da Incompetência

via INCONFORMISTA.INFO de Miguel Vaz em 07/07/09
«Os incompetentes são sempre o maior número. E é esse maior número de incompetentes que tem de eleger, de descobrir as competências. Como há-de fazê-lo?
Para se adquirir uma competência determinada, foi preciso seguir um curso, realizar certos estudos, trabalhar durante longos anos. E quando se chega ao fim, aparece o voto anónimo e leviano dos incompetentes — e é esse que decide!
Com a sua vibrante lucidez, o sindicalista Georges Sorel definiu assim a Democracia, a ditadura da incapacidade.
Aceitemos a definição, e poderemos, alterando ligeiramente os termos, dizer: logo, a Democracia, suspensa dos juízos, sem preparação nem autoridade, do maior número — é o reino da Incompetência.»

Publicações e citações de T.R. de Souza

via Folhas de História de História - Mestra da Vida em 30/07/09
Citações coligidas por John M. Pimenta Wheaton IL USA E-mail: johnpimenta@gmail.com ================================================= Ficheiro Pdf —> http://bit.ly/vddV2 [BOOK] Medieval Goa: a socio-economic history TR De Souza – 1979 – Concept Cited by 15 – Related articles [BOOK] Goa medieval: a cidade eo interior no século XVII TR De Souza – 1994 – Editorial Estampa, Lisboa Cited by 5 – [...]

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

As três cordas do navio


via Sopas de Pedra de A. M. Galopim de Carvalho em 02/08/09
Navio oceanográfico Almeida Carvalho
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MAIS POR CORTESIA do que para trabalhar, o Instituto Hidrográfico convidou-me a participar num dos muitos cruzeiros realizados no âmbito dos projectos de investigação em Geologia Marinha, de parceria com o Museu Nacional de História Natural, sob a minha responsabilidade. Corria o ano de 1989. Ancorado no porto de Leixões, o navio oceanográfico Almeida Carvalho ia zarpar, desta vez com o objectivo de permitir aos nossos investigadores e estagiários (bolseiros) procederem a amostragens de sedimentos finos (lodos), de profundidade, na vertente continental, ao lago da costa norte do país. Era Outono e o tempo estava magnífico, a convidar para uma semana de relaxe flutuante num mar chão, bem instalado e com mesa de muita qualidade, na agradável companhia do comandante e dos oficiais da guarnição. Sem responsabilidades ou incumbências operacionais fui, como em criança, aprendiz de todos os trabalhos inerentes à vida a bordo. O navio está sempre acordado. Seja dia, seja noite, o trabalho é sempre muito e igual. O que muda são os protagonistas. Enquanto uns dormem ou usam o tempo como lhes convém, outros fazem "quartos", nome oficialmente usado para designar cada um dos turnos de quatro horas a cumprir por cada embarcado, seja ele da guarnição ou da equipa técnica. Os quartos da noite oferecem-nos um ambiente muito particular, agradavelmente marcado pela abundância de luz no navio, em contraste com a absoluta negridão envolvente. Os quartos da madrugada, os meus preferidos, permitiam-me dar continuidade ao meu hábito de escrever naquelas horas e admirar o nascer do sol no mar, uma novidade para quem, como nós, portugueses, no mar, só testemunhamos ocasos. A essa hora mágica a superfície da água parecia óleo com reflexos metálicos acobreados, num espectáculo, para mim, inédito e inesquecível. Era o "mar de azeite", como lhe chamam marinheiros e pescadores.

Entre as muitas coisas que, a bordo, acrescentei ao meu conhecimento, aprendi que na Marinha não há barcos. Só há navios. Fiquei a saber que no navio apenas existem três cordas: a corda do sino, a corda do relógio e "acorda que já são horas". Tudo o mais são cabos. Fiquei ainda a saber que o nome deste navio ao serviço da Armada e do Instituto Hidrográfico entre 1972 e 2002 (abatido ao efectivo em 2006) evoca o Comandante Ernesto Tavares de Almeida Carvalho, português ilustre e autor de importantes trabalhos hidrográficos e oceanográficos ao largo das costas de Portugal e de Moçambique.

domingo, 2 de agosto de 2009

Conversa com Mia Couto

via Folhas de História de História - Mestra da Vida em 16/07/09
A relação da África com o mundo não mudou e continua sendo uma relação colonial – nem sequer vale a pena chamá-la de neocolonial. A África não pode mais se entregar às mãos dessas elites que são predadoras e vorazes no consumo da riqueza, no que também não houve uma mudança. A África sempre teve [...]

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Esposa, filha ou irmã da terra

via Sopas de Pedra de A. M. Galopim de Carvalho em 19/07/09
FAZ 40 ANOS que Neil Armstrong pisou o solo lunar, um facto notável que testemunha não só o poder da ciência e da tecnologia, mas também a bravura dos que protagonizaram aventuras semelhantes, a começar pelos navegadores de quinhentos que deram "novos mundos ao mundo".

Muito se escreveu e continua a escrever sobre o nosso inseparável e belo satélite natural. Da ficção à ciência, passando pela poesia, a Lua sempre esteve presente bem dentro das nossas vidas. Como geólogo, sempre esta nossa companheira ocupou parte importante da minha curiosidade. Acompanhei com o maior entusiasmo, sobretudo, através da imprensa escrita, a competição americano-soviética pela conquista do espaço, a meados do século que passou. Recordo o discurso do presidente John F. Kennedy, no início dos anos 60, em que afirmou que, até ao fim da década, a América enviaria uma missão tripulada ao solo lunar e trá-la-ia, em segurança, de volta à Terra. Recordo a madrugada de 20 de Julho de 1969, dia em que essa promessa foi cumprida, Colado ao televisor, vi, em directo, Neil Armstrong descer a escada da Apollo 11 e deixar no solo selenita a primeira pegada daquele passo gigantesco do génio humano.

Sem água nem atmosfera, não há na Lua o tipo de erosão que bem conhecemos na Terra. Por isso, o nosso satélite mostra-nos o mesmo visual de há mais de três mil milhões de anos. Uma superfície marcada por esparsos e vastos derrames de basalto – os chamados mares lunares – em contraste com vastíssimas regiões densamente pejadas de crateras de impacto meteorítico, pode ser vista por qualquer um com a simples ajuda de uns binóculos vulgares. Uma tal ausência de actividade erosiva faz com que a celebérrima pegada deixada pelo primeiro homem que ali chegou persista intacta por muitas dezenas de milhões de anos.

Aquando da minha estadia na capital dos franceses nos primeiros anos da década de 60, o nosso satélite era tema de ensino nas aulas de geologia da Universidade, ministradas pelo Prof. Charles Pomerol, cientista e grande divulgador, com quem tive frequente e proveitoso contacto. Ensinava ele que relativamente à origem da Lua se debatiam três concepções dominantes: A "Lua filha da Terra", como uma porção desta que, desde muito cedo, se teria separado dela; a "Lua esposa da Terra", como um corpo planetário estranho, vindo de algures e por ela capturado graviticamente; e a "Lua irmã da Terra", de formação independente e simultânea, ambas geradas, lado a lado, nos primórdios da evolução do Sistema Solar. Para este professor, e segundo os elementos científicos então disponíveis, esta última concepção era a mais verosímil. Passaram quarenta anos de estudo intenso do nosso satélite e a convicção da maioria dos cientistas do presente é aquela que então se referia à Lua como filha da Terra.


(Publicado no DN de 18 de Julho de 2009)