terça-feira, 18 de agosto de 2009

MANUEL MARIA MÚRIAS NA MINHA MEMÓRIA

Antes do 25 de Abril, nunca cheguei a conviver com Manuel Maria Múrias. Como tínhamos amigos comuns, algumas vezes travávamos breves conversas na rua ou num café, se algum de nós adregava estar acompanhado por um deles.
Mas lia-lhe, com agrado, algumas críticas cinematográficas ou de teatro, na "Acção" e no "Diário da Manhã", e recordo-me bem da que escreveu, ainda longe dos vinte anos, com a violência fruto da juventude, atacando uma peça vanguardista de Luiz-Francisco Rebelo, posta em cena no Teatro-Estúdio do Salitre, a que dei, mais tarde, a minha colaboração artística. O dramaturgo, ferido, também não a esqueceu. Manuel Maria assinava, então, Manuel Moutinho (um apelido da família), talvez para não ser confundido com o pai, o historiador Manuel Múrias.
Logo após a «revolução dos cravos», encontrei-o nas páginas do desafiante "Bandarra", a dar voz à terrível reacção, a quem Álvaro Cunhal ameaçava «partir os dentes». Apreciei-lhe o admirável artigo político em que evocava, adaptando-o ao momento, o discurso de Marco António perante o corpo assassinado de César, na genial imaginação shakespereana, o que ajudou o ousado autor a entrar na prisão de Caxias, como perigoso malfeitor, a par de grandes personalidades da Política e das Letras nacionais, em nome da liberdade recém implantada.
O facto de eu não ter ocupado, igualmente, lugar numa das celas, expliquei-o a tempo, numa poesia do meu livro "Nado Nada":

«As pátrias doentes
Não prendem os poetas. Para quê?
Prendem-lhes os amigos, os parentes.
Poetas... ninguém lê.»

Manuel Maria Múrias não era poeta. E era lido. E, pior!, admirado.
Em 1976, findo o longo cativeiro, Múrias não quis estar quieto nem mudo.
Planeou, então (ou planearam-lhe), a fundação de um jornal que representasse a determinação da Direita portuguesa frente ao triunfalismo da Esquerda.
Procurou, pois, rodear-se de quem, numa Redacção unida pela mesma ideologia, fosse eficaz em defendê-la pela escrita.
Convidou, para Chefe-de-Redacção, Amândio César, batido nas lides jornalísticas, antigo director de um diário e animador de revistas literárias, poeta e contista premiado, ensaísta de prestígio, repórter brilhante.
Amândio começava a entrar na meia idade, vigorosa e talentosa.
Regressava de um penoso exílio no Brasil, após haver sido ferozmente maltratado no 28 de Setembro, juntamente com Rui Alvim, nos arredores de Coimbra, pelas forças marxistas que destruíram a pátria, obrigando-o a passar, a salto, para a vizinha Espanha, e, em seguida, para a outra banda do Atlântico.
Múrias iria aproveitar-lhe o saber e a experiência.
Mas necessitava de mais gente para lhe fazer o jornal, contando já com a adesão de António Lopes Ribeiro, e a promessa de colaboração dos veteranos Barradas de Oliveira e Dutra Faria. O jovem Walter Ventura, antigo companheiro de cárcere, também figurava no elenco.
Foi, nessa altura, que o Amândio lhe falou de mim, dolorosamente desempregado, privado da minha Companhia de Teatro do Gerifalto, dos meus programas na rádio e na televisão, proibido de publicar: as mais queridas actividades da minha vocação literária e artística.
Foi, nessa altura, que o Amândio me falou no projecto jornalístico e, perante o meu entusiasmo, levou-me a casa do Múrias, em São João do Estoril, para ambos combinarem comigo qual o meu trabalho na nova publicação.
Aceitei, pois, as funções de revisor tipográfico e literário dos textos (incluindo, por imposição do Múrias!, os do director, visto ele insistir, por graça, que possuía, apenas, a quarta classe), tendo, ainda a meu cargo, a página dos espectáculos e partilhar, com o Amândio, a literária.
A redacção era na Rua Sampaio Pina, perto do Parque Eduardo VII, num andar moderno, amplo, cheio de Sol. A sala dos redactores ficava nas traseiras, com um mobiliário novo e prático, funcional.
Mas o jornal ainda não tinha título. Múrias, por uma questão sentimental, pensava chamar-lhe "Bandarra", mas tinha a opinião contrária dos seus amigos, gente bem situada na alta finança, gente grada do antigo regime, gente à testa dos recentes partidos da Direita, a quem ia dever-se a edição do semanário.
Achavam eles, e correctamente, que o nome "Bandarra" estava queimado, que o novo periódico não devia surgir preso a velhos compromissos, a rótulos ultrapassados: os tempos haviam rapidamente mudado, as realidades nacionais eram outras, embora preocupantes, bastante preocupantes.
Hesitante na escolha, Múrias pediu aos seus redactores que procurassem um outro título, depressa, e marcou-lhes um encontro, uma manhã, no Café Paladium, com o fim de resolverem, definitivamente, o problema crucial.
Não demorei muitas horas a encontrar um que deveras me agradou: "A Rua". Era apelativo, nada elitista, permitia, até, o aparecimento, nas suas páginas, de um Homem da Rua, com visão realista dos factos que afectavam o país e a simplicidade de uma solução, capaz de bradar: — «O rei vai nu!», à falsidade, à astúcia, à ambição, à incompetência, à desonestidade política dos oportunistas.
(Lembro-me que Artur Maciel tinha, no seu "Diário de Notícias", a alcunha de Titulesco, por ser ele a escolher os títulos da maioria dos artigos do jornal. Tal alcunha podia igualmente ser-me atribuída, já que são da minha responsabilidade os nomes das revistas "Camarada", "Távola Redonda", "Graal", do "Teatro do Gerifalto", das Colecções de Poesia "Búzio" e "Camoens"... e do jornal "A Rua", como veremos.)
Expus a minha proposta que obteve, logo, a aprovação do Múrias, embora, no dia seguinte, ela perdesse, no seu espírito, mercê de opiniões alheias, muito da sua simpatia, por achar o nome, além de um cheiro a ralé, a chinelo ou pé descalço, demasiado demagógico, demasiado conotado com a Esquerda.
— Pois é nisso mesmo que constitui o seu valor — retorqui-lhe.
Não me pareceu, no entanto, muito convencido com o argumento.
Mas uma viagem ao Norte, de visita ao heróico Arcebispo de Braga, D. Francisco Maria da Silva, para que este lhe abençoasse a iniciativa editorial, decidiu-o, por fim.
D. Francisco, a quem eu devia tanto de apoio e gentileza, quando ele ocupara o lugar de Assistente Religioso da Mocidade Portuguesa, elogiou grandemente o nome de "A Rua", indo mesmo buscar a uma estante um volume que registava os títulos de todas as publicações da imprensa portuguesa, onde não encontrou nenhum igual. O que mais valorizou o meu candidato.
E o jornal ficou "A Rua" e eu o seu orgulhoso padrinho.
Passou-se, então, à aliciante, mas difícil, tarefa de o maquetar, de desenhar-lhe o título.
Múrias entregara esse encargo a uma pessoa extremamente simpática, mas de limitado gosto gráfico. Pelo menos, do meu ponto de vista. Não me sorria, em nada, aquela maqueta, por isso, perguntei ao Manuel Maria se via inconveniente em entregar esse trabalho ao arquitecto Marcelo de Moraes, em quem eu tinha total confiança.
Ele achou a ideia magnífica.
Telefonei ao Marcelo, afastado, há anos, da Televisão, e, nessa mesma noite, ele, o Múrias e eu reunimo-nos num jantar no N.º 1 da D. Francisco Manuel de Mello, em que o meu caríssimo colaborador artístico no "Camarada", e no Teatro da Campanha Nacional de Educação de Adultos, escutou, com atenção e prazer, o convite do Manuel Maria.
Tudo concertado a contento dos três, a arte notável de Marcelo de Moraes deu originalidade e beleza à Rua, ficando, para sempre, célebres as suas páginas de desenhos comentadores dos momentos da política nacional e as caricaturas flagrantes das suas principais figuras. Os mais castigados eram o Cunhal e o Mário Soares.
O número zero do jornal saíu a 30 de Março de 1976, e constitui, pelo aspecto e pelo conteúdo, um êxito de vendas.
Mas não se deveu tal êxito (e os que se lhe seguiram) somente às criações de Marcelo de Moraes. Cabe ele, sobretudo, às editoriais do Múrias, primorosamente escritas e pensadas, com acutilantes golpes de humor, que eram a mais saliente e singular característica do autor.
Tinha Manuel Maria, aliás, na convivência diária, uma graça espontânea que quadrava com a asa de loucura que eu tanto prezava, que era o seu encanto, e de que ouvia contar deliciosos episódios, ditos de génio.
Era-me alegre e proveitoso o trabalho, sob a sua direcção.
E o jornal lá ia, número a número, ganhando cada vez mais influência na vida portuguesa.
Decerto por blague, Múrias queixava-se, durante a paginação e revisão de provas que, na véspera da edição, realizávamos na tipografia instalada em Santa Cruz da Damaia (ele, o Dr. Jasmins Pereira, o Vitinho, o jovem e dinâmico Vítor Rodrigues, que viera, também, de Caxias, sendo um utilíssimo artista plástico, e eu) queixava-se de o jornal estar a durar demasiado, pois apostara, apenas, em meia-dúzia de números de vida!
A minha dedicação à família deve-lhe, ainda, meia página para as excelentes crónicas ou estórias de minha Irmã Maria Manuela, intituladas "Encruzilhada(s)", parte delas publicadas, depois, pelas "Edições do Templo", e as ilustrações de meu Filho, Juan Soutullo, quer para os textos da Maria Manuela, quer para os do Amândio, "Provisórios & Definitivos", que preenchiam a outra meia página.
Meu Filho tinha, igualmente, a seu cargo, as ilustrações das poesias da página literária.
Ambos haviam sido convidados pelo Múrias, sem que eu haja interferido em tal.
E, a propósito de poesia:
Manuel Maria quis que, no primeiro número d`a Rua (aspecto gráfico do cabeçalho), viesse publicado o meu poema "Escrito no Sangue", onde se lamenta a tragédia dos retornados que traziam, com eles, «cinco séculos mortos» da nossa História.
Todavia, achou que, em matéria de poesia, o jornal ficasse por ali, com grande pesar meu. Mas, qual não é o seu espanto quando os seus amigos extra-redacção o aconselham a inserir, em todos os números, ao menos, uma, para além da gazetilha em verso, "Cantiga da Rua", devida à portentosa inspiração de António Lopes Ribeiro.
E foi isso que me pediu.
E foi isso que eu fiz e constitui, em cinco anos de existência do jornal, um valioso «cancioneiro» da resistência.
Aliás, a página literária d`a Rua primou pela boa qualidade, quer poética, quer ensaística, como constantemente me afirmavam escritores da Esquerda não facciosa.
Defendi-a frequentemente perante o director, pouco interessado no campo literário (pecha da Direita), decidido a suprimi-la, logo que faltasse espaço para qualquer artigo político, até de reduzida importância. Eu fazia valer, nessas circunstâncias, alguma autoridade que tinha sobre o Manuel Maria, já que ele, decerto por blague, dizia ser eu, de entre os redactores, o único de quem tinha medo!
Também a página de espectáculos conquistou leitores interessados. Para ela, escrevi muitos pequenos ensaios sobre dramaturgos e peças portuguesas esquecidos, apesar do seu real valor.
Um dia, José Miguel Júdice gabou-ma, dizendo estar ela a divulgar uma História curiosíssima do nosso Teatro desconhecido, jamais levada a cabo. Assim era, em parte.
A dada altura, o Múrias, empurrado pelo agrado demonstrado pelos leitores da produção poética d`a Rua, sugeriu a edição de uma Colecção de Poesia, sob a égide do jornal.
Claro que aceitei, assim como o Amândio César e o Rodrigo Emílio (colaborador de mérito do semanário), esta óptima sugestão. Todos três tínhamos livros inéditos e, estes, publicados na "Colecção Camoens" (título meu, como já disse), foram sendo publicados com geral aplauso. O meu "Nado Nada", o primeiro a aparecer, esgotou-se num ápice.
Mais tarde, o Manuel Maria instigou-me a recolher, em volume, todos os meus poemas aparecidos n`a Rua, e garantiu-me conseguir-lhe um prefaciador, na pessoa de Franco Nogueira, que o jornal, por essa ocasião, propunha para a Presidência da República, julgo que sem a aquiescência (ao menos, declarada) do estadista.
E, de facto, o meu livro "Ponto de Não Regresso" veio a lume com um estudo sobre a minha obra poética, da autoria de Franco Nogueira, regressado, assim, à sua respeitada cátedra de ensaísta no domínio das Letras, que a política havia silenciado.
Quando Amândio César adoeceu com um preocupante problema vascular, foi substituído na chefia da redacção por António Maria Zorro, a quem me ligavam, desde 1946, laços de amizade e de relações profissionais.
Por esse tempo, a Rua sofria uma dura crise. Múrias estava encerrrado na cadeia do Linhó, acusado de abuso de liberdade de imprensa. Quase diariamente, o Zorro e eu visitámos a cadeia, a receber sugestões e ordens do director, que nem sempre era possível cumprir.
Íamos encontrar o Manuel Maria bem disposto, galhofeiro, contando anedotas dos seus companheiros de cárcere, refinados criminosos com quem convivia fraternalmente, e de quem nos dava retratos vivos e pitorescos.
Por vezes, acompanhávamo-lo, a pé, num passeio generosamente permitido, em torno do edifício prisional, entre arvoredos densos.
Em 1976, havia eleições parlamentares, e o Manuel Maria pregou-me a partida de me propor para encabeçar a lista do P.D.C. para o círculo de Viana do Castelo!
Nessa época, tal Partido tinha grande implantação, grande número de aderentes no Norte, principalmente entre os chamados Retornados.
Confesso que não me atraiu nada esta situação, avesso como sou à política e aos partidos.
Acabei, no entanto, por aceitar, por consideração para com o Múrias, que alimentava a esperança (e nós também) de se ver eleito pelo círculo lisboeta, graças ao prestígio crescente do jornal, e onde a sua inteligência esclarecida e a sua irreverência iriam, decerto, animar as bancadas parlamentares.
Impus, todavia, a condição de não me envolver em comícios e campanhas eleitorais. E, de facto, a minha participação limitou-se a uma entrevista n`a Rua, serena e objectiva.
O resultado é sabido: o P.D.C. não conseguiu deputados em qualquer dos círculos. E eu perdi por cerca de mil votos, o que, vamos!, foi uma derrota honrosa.
Em 1980, novas eleições para a Assembleia da República levaram Manuel Maria Múrias a organizar, em conjunto com outros «nacionalistas», uma "Frente Nacional", que iria apresentar candidatos nos principais círculos do país.
E lá sou eu proposto, mais uma vez, e a rogo do Múrias, pelo círculo vianês.
E, mais uma vez, fiquei de fora. Mas, também, uma vez mais, foi por um triz que não entrei na Assembleia.
Eu conto:
O C.D.S. do Distrito de Viana supôs, talvez, que o meu nome e o da minha família poderiam favorecê-lo nas eleições. E temia, ainda, que a força da F.N. na região lhe roubasse votos. Então, propôs ao meu Partido a desistência no círculo, compensada pela minha inclusão na lista do C.D.S. por Viana, como suplente, embora com a garantia de vir a ocupar, muito em breve, cadeira em São Bento.
Esta proposta foi-me comunicada pelo telefone, por intermédio do então Governador Civil de Viana do Castelo, o Dr. Manuel Coutinho.
Igualmente pelo telefone, dei a conhecer ao Manuel Maria Múrias aquela proposta «com pernas para andar» e, daí a umas horas, era-me transmitida a resposta do Partido:
A F.N. concordaria com a combinação, se o mesmo acontecesse em três ou quatro pequenos círculos mais.
Claro que isso não interessava ao C.D.S., que não via, em qualquer outra modesta lista da F.N., um nome suficientemente capaz de lhe aumentar a votação, nem perigo de competição.
A F.N. teve uma derrota estrondosa. E eu um alívio imenso.
"A Rua" sofria de um mal crónico: a falta de dinheiro que, frequentemente, atrasava o pagamento à tipografia, aos redactores e colaboradores. Debalde o Múrias se esfalfava a visitar, na Província, entidades ou empresas direitistas que lhe estendessem a mão salvadora. Mas, quanto obtinha, levava logo sumiço, quiçá por culpa de uma administração desastrosa, ou uma distribuição ineficaz.
E, a 2 de Maio de 1981, com o n.º 257, "A Rua" desaparecia das bancas, com o pesar de muitos e, acima de tudo, dos proprietários (eu era um deles), fundadores e trabalhadores.
Após esta data triste, raro vi o Manuel Maria. A minha ida, durante três anos, para Macau, aumentou esse afastamento.
Voltei, apenas, ao seu abraço amigo e camarada, quando do aparecimento da Editora "Nova Arrancada", onde, tanto ele como eu, iríamos ter obras publicadas.
Múrias sofrera um acidente vascular e encontrava-se convalescente quando do lançamento, no Grémio Literário, dos nossos respectivos volumes.
Declarara que não rubricaria os seus exemplares, por impossibilidade de movimentar a caneta. Mas esforçou-se por assinar o que me ofereceu, com uma dedicatória gentil.
Depois, fui eu a adoecer, a submeter-me a uma grave intervenção cirúrgica. Ainda em tratamento, recolhi-me à Casa do Artista. Foi aqui que o telefone (esse aparelho que sempre odiei!) me trouxe a notícia amarga da sua morte. Por dificuldades de deslocação, faltei-lhe ao enterro. Mas incluí-o, fervorosamente, nas minhas orações quotidianas, onde ele continua vivo, na minha profunda admiração, na minha profunda saudade.
Muitas vezes, fui testemunha abonatória do Manuel Maria Múrias, nos inúmeros processos que acusavam "A Rua" de abusos de liberdade de imprensa, de que o director era sempre o responsável perante a lei.
Em pleno tribunal, sob o juramento solene, eu considerei o réu uma inteligência incomum, um talento fulgurante, a lisura de um carácter.
Repito-o, aqui e agora, sem necessitar de jurar por Deus ou pela minha honra.

António Manuel Couto - (Excerto, inédito, de um livro de memórias)
Fonte: Blogue "O sexo dos Anjos" - post de 26Fev2005

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

HOJE, FARIA 102 ANOS

via REVERENTIA de HNO em 12/08/09

"Coimbra, 2 de Janeiro de 1993

Abolição das fronteiras. Livre circulação de pessoas e bens. Ocupados sem resistência e sem dor. Anestesiados previamente pelos invasores e seus cúmplices, somos agora oficialmente europeus de primeira, espanhóis de segunda e portugueses de terceira."
Diário, volume XVI

O que é a democracia

via nonas de nonas em 22/07/09
"Segundo Aristóteles: o regime em que a multidão erguida em tirano se deixa dominar por alguns declamadores. A definição é eternamente verdadeira, mas talvez mais frisante e sem dúvida mais pitoresca, é a daquele ironista estudante de Coimbra, num acto de direito político: - é a forma de governo implantada pelos revolucionários civis, entendendo-se por revolucionário civil todo o patife e todo o malandro que arrisca a pele das costas para alargar a pele da barriga."
In Ordem Nova, n.º 2, Abril de 1926, pág. 58.

domingo, 16 de agosto de 2009

Em memória de Palma Inácio

Foi uma notícia muito dolorosa, apesar de esperada, a morte de Hermínio da Palma Inácio. Éramos amigos muito próximos - e camaradas - há dezenas de anos. Foi um herói, um verdadeiro mito, da resistência ao salazarismo. Morreu pobre, desinteressado de bens materiais, ao cabo de longa doença, ajudado pelos amigos, que já mal conhecia.

Ouvi falar dele, pela primeira vez, quando do golpe frustrado, contra o salazarismo, de Abril de 1947, em que meu Pai também esteve envolvido. O célebre capitão Queiroga revoltou, no Porto, um regimento de carros de combate e, por falharem os apoios locais, dirigiu-se para o Sul, até à Mealhada, onde teve de se render. Palma, então cabo da Força Aérea, mecânico e piloto, sabotou os aviões da base de Tires, como se comprometera.

Foram os únicos que cumpriram. Preso, torturado e transferido depois para a Cadeia do Aljube, conseguiu fugir, o que parecia impossível. Foi um feito de extrema audácia, de que ouvi falar, com admiração, quando estive preso, com outros camaradas, nessa mesma cadeia, todos militantes do MUD Juvenil.

Mais tarde, soube que Palma Inácio, depois da fuga, se refugiara na casa de um proprietário rural, do Reguengo do Fetal, perto de Leiria, Cacela e Cunha, velho amigo de meu Pai, republicano, maçom e, depois do 25 de Abril, socialista.

Planeou sair por Leixões, do refúgio onde esteve alguns meses, clandestinamente, num barco de carga que o contratou para trabalhos humildes, em troca de comida e o levou, por caminhos vários, até ao Japão e, depois, à América. Uma enorme aventura! Quase um ano embarcado, conseguiu, embora sem passaporte, desembarcar. A referência que tinha na América era de um velho republicano, João Camoesas, exilado desde o começo da ditadura. Foi ele que lhe valeu e lhe arranjou o primeiro emprego: piloto de aviões de recreio, mecânico e instrutor de pilotos amadores.

Palma Inácio tinha uma excepcional habilidade manual: fabricava passaportes na perfeição e concertava velhos carros e aviões... Ficou alguns anos na América, onde conseguiu amealhar algum pecúlio e ter uma vida desafogada. Fez bastantes amigos, portugueses e americanos. Mas foi denunciado por um deles. A embaixada portuguesa pediu a extradição de Palma para Portugal. A América recusou. Mas exigiu que saísse do território americano. Refugiou--se, assim, no Brasil democrático de então (no Rio) onde foi acolhido pelos emigrantes políticos portugueses: o coronel Pio e o comandante Jaime de Morais, resistentes de grande prestígio junto das autoridades brasileiras. Foi um pouco mais tarde que conheceu Henrique Galvão e o general Humberto Delgado.

Palma Inácio estava então a meio da vida. Era um homem elegante, bem parecido, com um ar de gentleman farmer, requestado pelas brasileiras e bem instalado na vida...

No entanto, o rapto do Santa Maria, que seguiu de perto, levou-o de novo à conspiração política. Largou tudo e, com alguns amigos, resolveu ir para Marrocos, onde desviou um avião da TAP, que sobrevoou Lisboa e deixou cair manifestos denunciando mais uma das farsas eleitorais, organizadas por Salazar. Expulso de Marrocos, refugiou-se em França, onde planeou o assalto ao Banco de Portugal, na Figueira da Foz - que foi um sucesso imenso - para obter fundos para a Revolução. Criou a Luar, uma organização revolucionária para derrubar o regime. Pouco tempo depois foi preso de novo.

Foi, nessa altura, que o conheci, tinha eu acabado de regressar da deportação em São Tomé. Uma irmã de Palma, casada com um inglês, procurou-me no escritório e transmitiu-me o seu desejo de que eu fosse seu advogado. Foi já nessa qualidade que o visitei na prisão de Caxias e o vi pela primeira vez. Perguntei-lhe como queria que organizasse a defesa. Respondeu-me, com um sorriso: "Como entender, mas prolongue o meu julgamento até que chova a cântaros..." Percebi.

Entretanto, foi transferido para a Cadeia da PIDE, no Porto, porque o tribunal resolveu realizar o julgamento no Porto. Tive de substabelecer a procuração no meu amigo e colega Mário Cal Brandão. Transmiti-lhe a mensagem. O julgamento prolongou-se com incidentes que se sucediam. Até que choveu. Palma, nessa madrugada, fugiu da PIDE do Porto, feito julgado inédito e impossível, que espantou toda a gente.

Na manhã seguinte, estava a preparar a tese que apresentei ao II Congresso Republicano de Aveiro, quando recebi um telefonema enigmático do meu escritório a dizer que estava lá um senhor que precisava urgentemente de me falar. Desconfiei do que se tratava. Pedi-lhe que viesse a minha casa. A minha mulher preveniu-me: "Cuidado, é uma armadilha da PIDE para te prender de novo." De facto, a televisão da noite anterior tinha dado, com destaque, a notícia da fuga de Palma, com a fotografia dele, apresentado como um perigoso meliante, prometendo uma grande recompensa para quem o tivesse visto e indicasse o seu paradeiro.

Quando chegou o emissário, que nunca tinha visto, percebi, pelo nervosismo e medo que demonstrava, que não era uma armadilha. Disse-me ser primo do Palma, o qual o tinha procurado, antes de entrar para o trabalho, pedindo-lhe que me pedisse dinheiro, porque não sabia onde se meter nem como se alimentar. Perguntei-lhe onde o deixara e disse-me: num vão de escada de um prédio velho da Rua da Palma. Não hesitei: resolvi ir buscá-lo. Fomos os dois, eu a guiar. Dei voltas para ver se estava a ser seguido. Certifiquei-me que não.

Encontrei o Palma no sítio indicado. Estava num estado lastimável: molhado até aos ossos, vestido com umas calças de ganga e uma camisa à pescador, com a barba de dois dias, esfomeado. Instalei- -o no meu carro, despachei o primo, começámos a circular em direcção à estrada Marginal, sem saber ao certo ainda para onde o iria deixar. Para uma pensão, mal afamada, como ele queria, seria correr um risco tremendo. Seria preso em pouco tempo. Lembrei-me então do meu amigo José Fernandes Fafe, que habitava, com a família, em Cascais, numa moradia isolada. Para aí me dirigi. A meio do caminho, precisamente em Carcavelos, havia uma brigada de trânsito a mandar parar os carros. Perguntei-lhe: que fazemos? Respondeu: não pare! Fiquei indeciso, aflito. Felizmente, não nos mandaram parar. Respirámos de alívio!

Em casa do Fafe entrei sozinho. Estava a almoçar tranquilamente com a família. Mas percebeu, pela minha cara, que alguma coisa de grave se passava. Disse-lhe de imediato: "Trago-te uma encomenda que deixei no carro. Posso mandá-la subir? São dois dias, não mais..." Respondeu-me: "Não tenho coragem para te dizer que não." Fi-lo subir e voltei para Lisboa. Disseram-me depois que ninguém mais almoçou. Senão ele. E, depois, deitou-se e dormiu até ao dia seguinte.

Entretanto, a minha mulher arranjou um fato meu e roupa, tirou-lhes todos os indícios que me pudessem referenciar. Foi Catanho de Menezes, querido amigo, que levou a roupa a casa do Fafe. Mas arranjar-lhe um outro poiso foi mais difícil. Houve várias recusas. Finalmente o Fernando Oneto lembrou-se que o irmão do David Mourão Ferreira, o Jaime, tinha um pequeno apartamento, perto da penitenciária, onde tinha encontros galantes. Foi para aí que o Oneto levou o Palma, onde esteve quase um mês. Ainda lá o fui ver uma vez, antes do Oneto o levar para perto da fronteira de Elvas, onde passou "a salto", pelo caminho dos contrabandistas e entrou clandestinamente em Espanha. Do lado de lá, estava Oneto à espera dele e, ambos, se dirigiram a Madrid, eufóricos...

Lembraram-se então de ir visitar um advogado que Oneto conhecia por meu intermédio, quando do caso Delgado, extremamente simpático, de seu nome Mariano Robles Romero-Robledo. O escritório estava vigiado pela polícia espanhola, que prendeu o Palma. Passou cerca de um ano em Carabanchel, a terrível prisão política do franquismo. A justiça portuguesa, que o considerava um preso comum (não político) pediu a extradição de Palma. Quem o defendeu, a meu pedido, foi o depois embaixador de Espanha em Lisboa, Raul Morodo, que impediu a extradição. O então vice-presidente do Governo Italiano, Neni, oficiou ao Governo espanhol afirmando tratar-se de um preso político e que a Itália estava disposta a dar-lhe asilo político. Assim aconteceu.

Voltei a encontrar Palma Inácio, em Paris, estava eu já exilado e ele clandestino, em França. No entanto, era sócio de um clube chique de aviação onde alugava regularmente um bimotor para se treinar e dar umas voltas sobre Paris. Levou-me um dia com ele, quando planeava realizar uma operação sobre Lisboa...

Ainda em Paris, apareceu-me uma noite o Adolfo Ayala, a dizer que o Palma tinha sido preso na Alemanha, por ter tido um desastre, quando trazia o carro cheio de armas compradas na Checoslováquia. Para além das armas, todos os documentos eram falsos. Foi Willy Brandt, então Chanceler, a quem recorri para o conseguir safar. Não foi nada fácil.

Foi depois disso que reentrou em Portugal e foi preso de novo na Covilhã, quando tinha planeado, com outros, dominar a cidade, por algumas horas. A "operação" não chegou a realizar-se. Foi encarcerado em Caxias, donde só saiu em 26 de Abril de 1974, depois da Revolução dos Cravos.

Palma Inácio ainda manteve uns tempos a Luar, como organização política. Mas não fazia sentido, uma vez conquistada a liberdade. Assim o reconheceu o próprio Palma, passado o "Verão quente". Foi então que se inscreveu no Partido Socialista. Mas não foi fácil, apesar de ter o meu patrocínio, na altura secretário-geral.

Foi um militante activo e sempre discreto e cumpridor. Foi deputado pelo PS em duas legislaturas e membro da Assembleia Legislativa do Concelho de Lisboa.

Palma Inácio nunca foi um homem político, no sentido que se dá ao termo em democracia. Mas foi um homem com fortes convicções políticas e um militante activo e esforçado que lutou pelos seus ideais e pelas causas, que sempre foram as suas: a liberdade, a igualdade e a fraternidade. Um revolucionário activo, imaginativo, corajoso, consequente e pessoalmente desinteressado. Com um grande sentido da dignidade, da honradez política, modesto, mas, ao mesmo tempo, com consciência e orgulho do que fez ao serviço da Pátria, no tempo particularmente difícil em que viveu.

Fonte: Diário de Not´cias de 21Jul2009

sábado, 15 de agosto de 2009

«Que cada um de vós se sinta responsabilizado»

via Caminhos da Memória de Diana Andringa em 27/07/09
Extractos de um apelo ao povo português, lido aos microfones de «A Voz da Liberdade», em 21/10/70, por Castro Lobo, representante oficial em Argel do MPLA. N.B. – Trata-se do julgamento de Joaquim Pinto de Andrade e mais nove elementos acusados de pertencerem ao MPLA: Álvaro Sequeira Santos (Zefus), António Ferreira Neto, António Garcia Neto, Diana [...]

Como Hermínio da Palma Inácio escapou à PIDE

via Caminhos da Memória de Irene Pimentel em 23/07/09
Mário Soares, num livro escrito no exílio no início dos anos setenta do século XX, assinalou as tremendas derrotas para a PIDE que constituíram as dificílimas fugas da cadeia de diversos dirigentes do PCP e, em 1969, do «dirigente revolucionário do L.U.A.R., Hermínio da Palma Inácio, que nesse momento era concerteza (sic) o homem mais [...]

António Sardinha e o iberismo maçónico

via nonas de nonas em 02/08/09
«... O internacionalismo maçónico contaminara-nos já desde atrás, com os soldados que serviram a fortuna de Napoleão e que no regresso nos empurravam francamente para a União Ibérica, saudada e propagada nas Lojas Peninsulares como o triunfo maior da causa da Liberdade. Só numa história escrita ao contrário, como a nossa anda, é que Gomes Freire pode figurar de mártir da Pátria. O militar valente, mas desnacionalizado, da epopeia napoleónica não era o único, porém. Os seus irmãos do triângulo simbólico enraizaram-se farta e fortemente no solo português, mal o senhor Intendente deixou de farejar por toda a Lisboa do começo do século findo os agentes perniciosos da grande conspiração universal que foi, na verdade, a Revolução. Pois da Maçonaria descende o nosso liberalismo, como da Maçonaria surgiu esta república, já adivinhada e procurada com entusiasmo de sentimento e oratória pelos homens de 1820...»(1)
«... Ontem o Liberalismo, agora a Democracia, não são senão as fachadas dum poder oculto que, no subsolo da política, a manobra a seu bel-prazer. Tal poder é o da Maçonaria, inimiga desde sempre de tudo quanto seja para Portugal o renascimento das suas velhas qualidades de fé e de disciplina. Maçónica na sua origem, é um engano supor-se que a revolução do Porto obedeceu a indignadas iras patrióticas contra a residência inglesa de Beresford e contra a demora da obstinada Corte no Rio de Janeiro. A demora da Corte no Rio de Janeiro, levando a uma acção de consciente imperialismo na América, como se deduz da campanha de Montevideu e como o demonstra abundantemente o notável historiador brasileiro Oliveira Lima no seu esplêndido estudo sobre D. João VI — a demora da Corte no Rio de Janeiro impôs-nos à Europa, disposta a abandonar-nos, e à nossa Corte, sem que por isso se molestasse a nossa aliada da véspera, — a Inglaterra. Se D. João VI não pesasse de além do atlântico com o seu vasto império colonial, nós teríamos sido miseravelmente retalhados pela Espanha e pela Grã-Bretanha nas decisões do Congresso de Viena. Ninguém mais do que Inglaterra, desejava pôr cobro à assistência do rei no Brasil, que nos estava valorizando internacionalmente. Tanto assim que se deve à Inglaterra o golpe decisivo na ruptura das duas partes do Reino Unido, colaborando activamente na emancipação do Brasil, igualado à Metrópole pela política sábia de D. João VI.
Por outro lado, as iras patrióticas flamejadas sobre a residência Inglesa são um efeito de pura retórica. A Regência combateu sempre Beresford, com D. Miguel Pereira Forjaz à frente, — D. Miguel Pereira Forjaz que organizara o país contra os franceses e que se mostrava um esteio seguro da influência contra-revolucionária da Santa-Aliança.
A Maçonaria serviu-se dessa capa, fácil de envergar pelo espírito indómito dos nossos soldados, a quem as Lutas Peninsulares haviam restituído muito da antiga fereza da raça. A prova está na circunstância dos clubes secretos pensarem primeiro em aliciar Beresford por intermédio da Viscondessa de Juromenha. Convencidos de que o marechal «era adverso à liberdade», só então é que resolveram maquinar a conjura, destinada à destruição da nossa ordem católica e monárquica, sob o pretexto duma insurreição de carácter nacionalista.
Não digo que as condições económicas fossem sorridentes. Saíramos duma guerra exaustiva, vítimas de três invasões que nos tinham custado o melhor da nossa força, tanto em população como em riqueza. Devagar nos íamos ressarcindo de tão longos e persistentes males. Não olharam a nada os nossos Regeneradores! Levantam uma bela manhãzinha no Porto o pendão de revolta, com vivas a uma «constituição mais liberal que a de Espanha», metendo-se ao caminho para Lisboa, onde o terreno se achava já preparado pela teimosia habilidosa das várias irmandades do triângulo-e-avental.
A solidariedade cosmopolita dos princípios da Revolução não é só do tempo presente. Vem de atrás e muito de atrás! Por semelhante a nossa Maçonaria facilitou a entrada de Junot em Lisboa, mandando mensageiros a Napoleão e dispondo-se a entregar-lhe com a dinastia o único penhor da independência pátria. A mesma solidariedade, jurada sobre as insígnias triangulares, debaixo do olho simbólico do Supremo Arquitecto do Universo, obriga Gomes Freire, traidor desde que espontaneamente se dedicou à fortuna de Bonaparte, a preparar a queda da dinastia de 1817, de acordo com conspiradores espanhóis, a cuja testa se encontrava o general Cabanes.
Esta é a genealogia da famosa Harmonia-Ibérica, que, no fundo, não é mais do que a República Federal da Ibéria, anunciada para depois da insurreição, agora malograda em Espanha, pelo Doutor Simarro, no convénio maçónico realizado em Paris a 2 de Julho passado (1917): declarou-se aí que, a triunfarem os revoltosos, a bandeira verde-vermelha seria imediatamente reconhecida como sendo a bandeira da Ibéria. Não se tratava senão da execução testamentária de Gomes Freire! Procuraram efectivá-la os homens de 1820. De facto é um maçon, D. José Pando, ministro da Espanha em Portugal, quem coadjuva e acoberta as cabalas dos conjurados. Conta-se até, que dois meses antes, chegara ao Porto o coronel Barreros com o fim de promover uma revolução em Portugal e prometendo auxílios do governo de Madrid. Parece que Fernandes Tomás não aceitou as propostas de Barreros. No entanto, ao rebentar o movimento do Porto, um corpo de exército espanhol avizinhou-se da nossa fronteira de Trás-os-Montes.
O mais interessante é que os jornais da época afirmaram (Diário do Governo, do Rio de Janeiro, de 22 de Abril de 1823) que Manuel Fernandes Tomás recebera de D. José Pancho cinco milhões de reais para levar a cabo a revolução, pondo-se depois em prática o plano traçado na Sociedade dos Regeneradores do Género Humano, fundada em Cadiz, à roda de 1812. Consistia esse plano na confederação ibérica, em que Portugal e Espanha se repartiriam em várias repúblicas inter-dependentes, da maneira seguinte: Bética-Ulterior, Bética Citerior, Galega, Navarra, Asturiana, Lusitânia-Ulterior e Lusitânia-Citerior, com a expressa condição de que os Algarves pertenciam à Bética Citerior. Passa singularmente, como vêem, no programa político dos Regeneradores do Género Humano, o programa daqueles que há umas dezenas de anos se foram de juntar até Badajoz. É o mesmo espírito que anima o livro do Senhor Magalhães Lima, La Fédération Ibérique. E para prova, no seu curioso livro Mi Missión en Portugal, Fernandez de los Rios assegura que nos arquivos secretos de Fernando VII, no Palácio de Madrid, existiam documentos comprovativos das aspirações unitaristas da Espanha durante o período vintistas».(2)

Notas:
1 – Na Feira dos Mitos, cap. " A «Carta»", pág. 85, 2,ª ed., Edições Gama, 1942.
2 – Ao Ritmo da Ampulheta, cap. "1820", pág. 50 e segts, Lvmen, Lisboa, Porto, Coimbra, Rio de Janeiro, 1925.

HERMÍNIO DA PALMA INÁCIO - Ladrão e Homicida na Forma Tentada

via o sexo dos anjos de manuel.azinhal@gmail.com (Manuel) em 25/07/09

Corajoso artigo da autoria do General Fernando Paula Vicente sobre episódios macabros da vida de Palma Inácio.

Para ler na íntegra clique no título a amarelo "Hermínio da Palma Inácio - Ladrão e Homicida na forma tentada".
Rui Moio