sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Comemorações dos 500 Anos do Achamento do Brasil (XV)

via Carreira da Índia by Leonel Vicente on 11/12/09

O Estado, para ser capaz de corresponder a esse desafio e, ao mesmo tempo, não se apresentar como o oposto da vocação universalista da qual somos herdeiros, não pode mais ser o Estado que se encerra nos meandros da burocracia ou da tecnocracia e que responde autoritariamente aos «destinos imaginários» de um povo; senão que tem de ser um Estado poroso, permeável aos movimentos da sociedade, que conviva de uma forma absolutamente transparente com os fluxos e os refluxos da própria sociedade, sem o quê esse Estado deixará de ter viabilidade no mundo que se aproxima. Razão adicional, portanto, para que nós, brasileiros e portugueses, herdeiros desse espírito universalista, herdeiros também de experiências históricas não apenas como experiências históricas daqueles, como Portugal foi no passado, capazes de serem povos reitores do mundo, mas de uma experiência histórica de povos que, a duras penas, conseguem impor a sua identidade no mundo, para que nós caminhemos juntos nessa concepção, nessa compreensão do que significa esse regionalismo aberto e essa continuidade – se assim posso dizer – de um tipo de vocação diante de mudanças tão profundas como as que vêm ocorrendo no mundo contemporâneo. Eu dizia que nós continuamos empenhados em avançar os processos de integração, mas não podemos descurar do objectivo mais amplo de associação dos mercados regionais. Continuamos, portanto, Brasil e Portugal, universalistas.

"As Comemorações dos 500 Anos do Achamento do Brasil na Assembleia da República", intervenção do Presidente da República Federativa do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, na sessão solene de boas-vindas ao Presidente da República do Brasil, 8 de Março de 2000, edição da Assembleia da República, 2000, pp. 19 a 23

Entrevista de José Hermano Saraiva à revista Tabú do semanário Sol

via nonas by nonas on 11/13/09

Entrevista de José Hermano Saraiva à revista Tabú (n.º 162 de 16 de Outubro) do jornal semanário Sol. Leiam o que diz sobre Marcello Caetano.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Comemorações dos 500 Anos do Achamento do Brasil (XIV)

Comemorações dos 500 Anos do Achamento do Brasil (XIV)

via Carreira da Índia by Leonel Vicente on 11/11/09

Se é verdade que a globalização como processo do capitalismo comercial antecede de séculos e coincide com o século dos Descobrimentos, se é verdade que, em algum momento, Portugal esteve à frente, à vanguarda mesmo, desse primeiro processo de integração do mundo sob a égide capitalista, não deixa de ser verdade que, pelos desenvolvimentos mais recentes – não apenas em função dos desenvolvimentos tecnológicos mas também pela dispersão da localização das empresas, das indústrias, e pela capacidade que os centros de comando têm hoje de, à distância, controlarem os fluxos de produção –, não deixa de ser verdade, repito, que a globalização, que agora se antecipa, se desenvolve no plano financeiro e que esse plano financeiro, somada ao desenvolvimento tecnológico inexcedível – pelo menos, até agora – das múltiplas formas de comunicação rápida, com a Internet à frente de todas, não deixa de ser uma forma de globalização que, ao mesmo tempo que possibilita avanços e permite integrações inesperadas, também traz ameaças fortemente inesperadas. E a referência feita pelo Dr. Almeida Santos às crises de Ásia, às crises da Rússia e suas consequências sobre a América Latina e, especialmente, sobre o Brasil, são a prova mais eloquente de que, independentemente da gestão doméstica, em certos momentos, os fluxos que advêm dessas modificações rápidas do capital podem produzir consequências que são não só inesperadas como podem vir a ser desastrosas. E só não o foram no caso brasileiro porque nós tínhamos a capacidade interna, doméstica, nacional, de reagir e de manter a coesão social.

[...]

"As Comemorações dos 500 Anos do Achamento do Brasil na Assembleia da República", intervenção do Presidente da República Federativa do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, na sessão solene de boas-vindas ao Presidente da República do Brasil, 8 de Março de 2000, edição da Assembleia da República, 2000, pp. 19 a 23

A Farsa de Aristides de Sousa Mendes

A Farsa de Aristides de Sousa Mendes

via Revisionismo em Linha by Johnny Drake on 11/12/09
Retirado daqui.



Entrevista de José Hermano Saraiva à revista Tabú (n.º 162 de 16 de Outubro) do jornal semanário Sol.
Mais sobre Aristides de Sousa Mendes, o Justo:
Gostava de saber porque não são levadas mais a sério pelos historiadores e analistas da especialidade estas declarações de José Hermano Saraiva. Afinal, não é ele um "testemunho", um "sobrevivente" daquela época, daquele tempo?... Afinal, não é ele uma "prova viva" de que Sousa Mendes não fez nada daquilo que hoje dizem?...

Mais uma achega à farsa de Aristides de Sousa Mendes

Mais uma achega à farsa de Aristides de Sousa Mendes

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Ditadura do Número

Ditadura do Número

via INCONFORMISTA.INFO by Miguel Vaz on 11/10/09
"A ditadura parlamentar é impessoal, irresponsável, contraditória, cega. Quem a exerce é o Número, mas este não tem nome. A responsabilidade de uma assembleia é a irresponsabilidade dos indivíduos, por isso as obras das ditaduras parlamentares não admitem sanção. As opiniões da multidão, são flutuantes, quase instintivas, momentâneas — donde a ondulação dos seus actos. Formada de elementos heterogéneos, uma assembleia não pode ter um fim uno. A acção do governo quer-se centralizada, e o órgão que a exercer quer-se simplificado."

Alfredo Pimenta
in «Novos Estudos Filosóficos e Críticos».

Comemorações dos 500 Anos do Achamento do Brasil (XIII)

Comemorações dos 500 Anos do Achamento do Brasil (XIII)

via Carreira da Índia by Leonel Vicente on 11/10/09

Permitam-me recordar que durante um hiato de nossa história faltamos ao ideal de congraçamento democrático. Refugiamo-nos no arbítrio, sob um discurso nacionalista, de costas para a comunidade internacional. Mas foi com convicção redobrada na democracia que retomamos à normalidade constitucional. Afastamos de vez o estigma do autoritarismo e retomamos o diálogo com o mundo, inclusive para defender, com o amparo da opinião pública interna, o valor universal da democracia.

Não faço esta digressão por gosto académico, mas imbuído da responsabilidade de homem público, com os olhos postos no presente. Brasil e Portugal comungam hoje do sentimento de mais estrito repúdio à intolerância política e étnica, manifeste-se ela dentro ou fora de nossas fronteiras. O Brasil que faz questão de situar o respeito à democracia como condição para ingresso e permanência no Mercosul é inteiramente solidário com a preocupação do Governo português em não aceitar o recrudescimento autoritário em solo europeu. Já se foi o tempo dos autocratas, das sociedades divididas.

[...]

Apraz-me perceber a afinidade dos objectivos que hoje se perseguem no Brasil e em Portugal. Coincidimos em perseguir eficiência económica com equidade social. Reconhecemos o papel primordial do mercado na geração de riquezas, mas prezamos a função insubstituível do Estado como garante da coesão social. Estamos empenhados em avançar os respectivos processos de integração, mas não descuramos do objectivo mais amplo de associação dos mercados regionais. Continuamos, Brasil e Portugal, universalistas. Disse, ao iniciar, que Brasil e Portugal têm essa vocação universalista. Reiterei a importância da integração regional no mesmo sentido que o nosso Presidente aqui acabou de se referir. Integração regional indispensável para que possamos fazer frente aos desafios deste processo actual de globalização.

"As Comemorações dos 500 Anos do Achamento do Brasil na Assembleia da República", intervenção do Presidente da República Federativa do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, na sessão solene de boas-vindas ao Presidente da República do Brasil, 8 de Março de 2000, edição da Assembleia da República, 2000, pp. 19 a 23

Nietzsche - Das Mulherzinhas Novas e Velhas

via Mente Vertical by Simão Salgado on 11/6/09
"Caminhava eu hoje solitario pelo meu caminho,á hora em que o sol declina,quando encontrei uma velhinha que falou assim á minha alma: "Zaratustra muitas vezes se dirigiu a nós,as mulheres,mas nunca falou das mulheres". E respondi-lhe:"é só aos homens que se deve falar das mulheres." "Tambem me podes falar das mulheres-disse ela,"sou bastante velha para esquecer tudo logo a seguir". Acendendo ao desejo da velhinha disse-lhe assim:"na mulher tudo é um enigma,mas este enigma tem soluçao;e essa soluçao é a maternidade. Para a mulher o homem é um meio;o fim é sempre o filho.Mas o que é a mulher para o homem? O homem digno deste nome só ama duas coisas:o perigo e o jogo.É por isso que ele deseja a mulher,que é o brinquedo mais perigoso. O homem deve ser educado para a guerra,a mulher para o prazer do guerreiro:fora disto tudo é loucura. O guerreiro nao gosta dos frutos adocicados.É por isso que ele ama a mulher;a mulher mais doce tem sempre o seu que de amargo. A mulher melhor do que o homem,compreende as crianças;mas o homem é criança,mais do que a mulher. Em todo o homem digno deste nome se oculta uma criança,que deseja brincar.Eia,mulheres,procurai descobrir a criança encondida no homem! Seja a mulher um brinquedo puro e delicado,semelhante ao diamante,cintilando com as virtudes de um mundo que ainda nao existe. Fazei cintilar no vosso amor o fulgor de uma estrela remota.Que a vossa esperança seja:"Nasça de mim o Super-homem!" Seja corajoso o vosso amor!Fortalecidos com o vosso amor,enfrentai aquilo de que tendes medo. Cifre-se a vossa honra no vosso amor!Geralmente a mulher pouco entende de honra.Mas a vossa honra é amar mais do que fordes amadas e nunca serdes as segundas. Tema o homem a mulher quando a mulher ama:ela nao recuará diante de nenhum sacrificio,e tudo o mais lhe parecerá sem valor. Tema o homem a mulher,quando a mulher odeia:porque no fundo,o homem é maldoso;mas a mulher é preversa. Qual é o homem que a mulher odeia acima de todos os demais?O ferro disse um dia ao Íman:"é a ti que odeio mais do que tudo;atrais-me,mas nao tendes força bastante para me sujeitar". A felicidade do homem está em poder dizer:"Eu quero".A felicidade da mulher está em dizer:"Ele quer". "Até que enfim o mundo acaba por atingir a perfeiçao",tal é o pensamento de todas as mulheres no instante em que se submetem por amor. E a mulher tem necessidade de obedecer e de dar uma profundidade á sua superficie.A alma da mulher é superficial,é uma superficie movediça e agitada sobre uma grande profundidade. Mas a alma do homem é profunda,a sua corrente brame em grutas subterraneas;a mulher presente essa força, mas nao a compreende" Entao a velhinha respondeu-lhe:"Zaratrusta,disse coisas muito agradaveis,sobretudo para as que sao bastante novas para isso. Coisa estranha Zaratustra conheçe pouco as mulheres,e contudo julga-as bem.Será porque em materia de mulheres nao ha nada impossivel? Aceita agora em troca uma pequena verdade. Sinto-me sufecientemente velha para ta dizer. Embrulha-a bem e tapa-lhe a boca com receio que ela grite demasiado alto,essa pequena verdade." "Dá-me,ó mulher essa pequena verdade!"Disse eu.E a velhinha falou assim: "Frequentas as mulheres?Nao te esqueças do chicote!"

Excerto da obra Assim Falava Zaratustra, de Nietzsche, colhido no Blogue Homem Lobo

Outro excerto da mesma obra:
"És um escravo? Então, não podes ser amigo. És um tirano? Então, não podes ter amigos.
Durante demasiado tempo, houve na mulher um escravo e um tirano ocultos. Por isso, a mulher ainda não é capaz da amizade: só conhece o amor.
No amor da mulher há injustiça e cegueira contra tudo o que ela não ama. E mesmo no amor consciente da mulher sempre há investida, relâmpagos e noite, a par da luz. A mulher ainda não é capaz de amizade: as mulheres continuam a ser gatas e aves. Ou, no melhor dos casos, vacas."