quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Comentário a Cazombo

Nota
Os bolds são meus.
Rui Moio

via Comentários do blog fernandomartinsdias by fernandomartinsdias on 12/30/09
Caro Nelson
Foi com bastante agrado que recebi notícias de um amigo que não conheço, mas que viveu os maus momentos que vivi e que tantos jovens da nossa idade tiveram que passar, para se andar naquela guerra que parecia não ter fim. Fico admirado como é que um menino de 8 anos (o teu caso) ter ido para o Luso em 1948, devia ser uma cidade muito pequena. Pois que quando a conheci em 1965 ainda era uma cidade relativamente pequena , mas muito bonita. Gostei e ainda fui ao cinema Luena de que te deves lembrar . Durante a minha comissão fui lá umas 4 vezes, ia sempre num Unimogue e durava uns 3/4 dias a lá chegar era sempre picada. Quanto a Teixeira de Sousa, foi o fim da minha viagem de comboio quando da minha ida de Luanda para o Cazombo . Depois disso no Natal de 1965 fui lá com uns soldados do meu pelotão para passar uns dias de féria em compensação dos bons serviços segundo a perspectiva do meu comandante, mas como podes ler neste meu blogue quando estava a chegar e seguia paralelamente à linha de caminho de ferro, vi um comboio descarrilado e a arder, estava já perto de Teixeira de Sousa, e quando lá cheguei a então Vila estava a ferro e fogo com uns cerca de 800 negros que assaltavam a casa dos civis brancos e atacavam também o quartel. Fui para dentro quartel conforme pude e lá dei a minha ajuda pela manhã o inimigo retirou mas deixou no terreno centenas de mortos. Ainda hoje guardo alguns jornais da época sobre esta carnificina que não mais esqueço. Neste blogue se leres com atenção interveio um bloguer que nasceu no Cazombo de nome Rui Moio e de lá veio com 4 anos para Portugal e segundo sei será um Catedrático da nossa praça, é uma pessoa que admiro, muito embora não o conheça e tem vários blogues sobre diversos assuntos, é um intelectual. E não me vou alongar mais. Foi um prazer e sempre que queiras é só escrever. Entretanto um abraço e votos de um Feliz Ano Novo. Fernando Dias

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

TOQUE A INIMIGO...!

via Caçadores 3441 by Pedro Cabrita on 12/29/09
Para lá da inspecção administrativa regular, o Major Tamegão trouxe, em determinada altura, a missão de avaliar a capacidade de resposta operacional da Companhia no aquartelamento.
O Major levantava-se sempre muito cedo, por mais que eu lhe sugerisse que relaxasse enquanto estivesse por ali, longe das suas obrigações de 2º comandante do Batalhão. Que tinha tempo, quando regressasse ao Cuito-Cuanavale, de exercitar aquele hábito meio militarizado de madrugar. O corpo, no entanto, estava habituado àquela tarimba e ei-lo que, todos os dias pelas sete horas, já vagueava pelo aquartelamento de mãos atrás das costas, esperando que nos levantássemos para lhe fazermos companhia. Entretanto ia metendo o nariz aqui e ali.
Um dia, logo após o hastear da bandeira, cerimónia a que assistia todos os dias com inusitada devoção (uma espécie de missa da madrugada que elevava a fé na instituição) o nosso Major solicitou ao oficial de dia que mandasse tocar a alarme para verificar como reagia a tropa. Segundo as regras militares, ao som daquele toque, toda a Companhia se deveria dirigir aos abrigos o mais rápido possível, tomando posição de combate, postando-se em defesa do aquartelamento.
O oficial de dia, receando alguma falha, decidiu perguntar ao corneteiro se conhecia o toque, porque para ele aquilo era uma novidade.
Embaraçado o corneteiro lá consultou os seus colegas de função e lá se arranjou uma "opereta" de circunstância, que se depreendeu dever ser parecida com o que solicitara o Major. Estou em crer que, ainda que muito diferente, o nosso Major não teria ouvido suficientemente educado para exercer qualquer crítica sinfónica. Para ele qualquer coisas serviria, desde que com o efeito programado.
De permeio o corneteiro lá foi bufando pelo canto da boca a um ou outro companheiro que passava nas proximidades, que aquilo que se ia ouvir era um toque de alarme, pelo que todos se deveriam dirigir aos abrigos. Sintoma que não augurava grande crédito ao corneteiro quanto à peça melódica que iria ecoar pelos ares nas terras do fim do mundo.
Assim foi. O toque soou, com o pessoal a encaminhar-se pachorrentamente para os abrigos em amena cavaqueira e cigarrito ao canto da boca – alguns com a arma apoiada no ombro segura pelo cano – cumprindo aquela chatice de alguns terem que sair da cama mais cedo e outros a irem à caserna buscar a arma, quando já se encontravam nos trabalhos que lhes estavam destinados naquele dia. Parece que quinze minutos depois de ter soado o toque de alarme ainda havia soldados a dirigirem-se para os abrigos, quando o nosso Major, de relógio em riste, esperava que o tempo não ultrapassasse um ou dois minutos para considerar aceitável a resposta dada ao sinal de alarme.
O nosso Major ficou destroçado e incrédulo, enquanto o Alferes se mostrava incapaz de encontrar alguma justificação plausível que satisfizesse a frustração de nosso Major, perante tanta "permissividade" da tropa.
Habituado ao toque costumado do hastear da bandeira, autêntico despertador natural do mato, acordei um pouco confuso com aquela nova melodia. Levantei-me de um salto, como quem não quer perder nada da festa que parecia anunciar-se com aquele rebate matinal.
Já me dirigia para a messe quando, autenticamente "emboscado", o Major me esperava a meio do caminho das tabuinhas, agitando frenético e nervoso os dedos das mãos atrás das costas. Eu já lhe conhecia o gesto e a partir daí comecei de imediato a desmontar a ideia de festa que me vinha animando a alvorada.
Sem mais delongas, ainda eu não tinha desfeito a continência, já ele desfiava logo ali a enorme ladainha do seu descontentamento e estupefacção pela resposta totalmente inadequada que a minha tropa tinha dado ao toque de alarme. Percebi de imediato o significado daquela estranha melodia que me tinha acordado prazenteira logo pela manhã.
Desliguei um pouco daquilo que ouvia, enquanto o Major continuava a despejar-me motivos de sobra para as minhas futuras preocupações, que deveriam concentrar-se naquele desastre de segurança para todos. Incluindo o Major, claro. Por fim encontrei algo para dizer.
- O meu Major não se importa de esperar umas horas?
- Umas horas? Mas para quê? Respondia-me sem vislumbrar o meu ponto de vista.
- Isto não pode ser. Um dia o inimigo entra-vos pelo quartel dentro e vai ter convosco à cama.
Percebi que era uma visita que o Major não desejava, pelo menos enquanto se mantivesse por ali. Julgo que terá sido o momento em que, por fim, sentiu a insegurança que todos nós vínhamos sentindo havia largos meses, por via do isolamento em que nos encontrávamos.
Contudo, após mais uma ou duas censuras lá anuiu e acalmou. Durante todo o dia não se falou mais no assunto mas sentia-se que o Major tinha ficado incomodado.
Escureceu.
Logo a seguir ao jantar, solicitei a um dos Alferes que levasse o nosso Major para junto das casernas onde os militares se acomodavam para dormir. Intrigado o Major deixou-se condu,zir, sempre naquele seu ar de latifundiário com boa vida, mãos atrás das costas e passos lentos despreocupados.
No silêncio da noite fiz explodir uma granada ofensiva nas proximidades das casernas. O estrondo naquele silêncio nocturno soou demolidor.
Foi um pandemónio. O Major quase foi atropelado e teve que se proteger. Em menos de um minuto as casernas ficaram vazias e todos os soldados ocuparam os seus postos de combate. Peguei no Major e convidei-o a percorrer comigo todos os abrigos. Parte dos soldados, ou estavam em cuecas e descalços, ou em tronco nu, mas de cartucheiras à cintura e a espingarda na mão. O Major não balbuciou uma palavra, nem voltou mais a falar no assunto. Apenas me respondeu quando, perante aquele quadro, lhe disse:
- Meu Major; é que não estou propriamente à espera que o inimigo me apareça e eu tenha tempo de mandar o corneteiro tocar a alertar porque nos vão atacar...!
- Pois. Mas sempre era bom que conhecessem o toque...
- ... ?!!

In "Capitães do Vento", Roma-editora.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Tempo de Natal em Barrancos

Tempo de Natal em Barrancos

via Sopas de Pedra by A. M. Galopim de Carvalho on 12/27/09
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FOI HÁ QUASE CINQUENTA ANOS. Conheci Barrancos no começo dos anos sessenta. Estava-se em férias de Natal e era o meu primeiro ano como assistente na Faculdade de Ciências. O Professor Carlos Teixeira, na altura, o director do departamento de Geologia, mandara-me chamar. Tinha à sua frente, entre pilhas de livros e papéis, um grosso volume encadernado a couro, com letras douradas, onde se lia Système Silurique du Portugal, uma importante memória da autoria de um dos fundadores da geologia portuguesa, Nery Delgado, publicada no início do século XX.

– Neste trabalho, – apontou, depois de me retribuir o cumprimento – no capítulo referente a Barrancos, estão citadas várias jazidas de ftanitos com Monograptus. Passe o Natal com a família lá em Évora e depois meta-se a caminho. Localize as que puder e faça umas boas colheitas. Temos cá exemplares do centro e do norte do país, mas do sul, só temos isto, – concluiu -, passando-me para a mão um fragmento de rocha cinzenta, muito dura e compacta, exibindo os ditos fósseis.

– Vais para Barrancos? Já amanhã? – Admirou-se o Chico, o meu irmão mais velho, que viera do Brasil passar o Natal com a família. – Mas isso é lá no "cu do mundo". Já lá estive durante uma tournée que fiz aqui no Alentejo com o Igrejas Caeiro. É gente boa. Falam uma espécie de espanhol que dá gosto ouvir.

– Tenho de ir. – Justifiquei resignado. Faltara-me a coragem para resistir ao capricho do catedrático e ali estava eu, forçado a deixar a família, agora reunida após anos de ausência de dois irmãos, o Chico e o Marecas.

Cheguei a Barrancos na última das três carreiras que tive de utilizar. A aproximação à vila fazia-se por um percurso tortuoso, num terreno profundamente abarrancado, realidade paisagística de que lhe resultou o nome. No largo da Igreja, um ventinho gélido brincava com as cinzas deixadas pelo grande lume - a imensa e tradicional fogueira da noite de Natal - a lembrarem o que fora a alegria e o convívio em louvor do Menino Jesus. Era noite quando bati à porta da pensão. Sopa e dois pratos faziam o jantar, servido numa sala grande, mal iluminada e fria, com porta para um corredor que levava à cozinha. Aqui, uma enorme chaminé com lume de chão e enchidos frescos ao fumeiro dava ao ambiente um conforto e um aroma a fazerem desta divisão da casa o lugar mais apetecido. Não longe da lareira, uma camilha envolta numa saia até aos pés, servia de mesa tanto de comer como para cumprir os trabalhos escolares da única filha. Pai, mãe e filha, avô e avó viviam e conviviam o tempo todo ali, num bem-estar que contrastava com o desconforto da sala de jantar destinada aos hóspedes.

Depois de uma sopa rala e sem graça nem sabor, o primeiro prato, à falta de peixe, constou de ovos mexidos com linguiça, seguido de um bife sobre o frito, uma ementa cuidada, pensada a condizer com o hóspede vindo de Lisboa e, ainda por cima, da Universidade. Nesse serão já não saí. Recolhi ao quarto, lajeado com placas de xisto a ressumarem água. O tecto, bem alto, limitava-se a um forro de caniço imediatamente por baixo das telhas. Um desconforto que não melhorava do lado de dentro dos lençóis de linho, húmidos e frios, carregados de mantas que só com o peso disfarçavam a falta de agasalho. Lavatório no quarto e espelhinho na parede diziam-me que, na manhã seguinte, a toilette se faria ali. Uma higiene cumprida a medo com as pontas dos dedos a trazerem a água aos olhos.

– Bom dia! Dormiu bem?! – Acolheu-me a avó, de roda do borralho, logo que me sentiu assomar. – Entre, entre. Venha para aqui, que está mais aconchegado. Já lhe preparo o cafezinho.

Pegou então num punhado de gravetos, chegou-os ao grande toro de azinho fumegante, a chiar baixinho, e começou a avivá-lo soprando por um longo canudo de ferro estrangulado na ponta. Às primeiras labaredas arrumou-lhe a cafeteira de barro queimada do uso.

– Este madeiro foi o da noite de Natal – disse – Era bem grande. Tive cá os outros filhos e os netos todos. Olhe aí para o presépio que eles fizeram. O avô trouxe-lhes o musgo e o barro e eles é que fizeram a bonecada toda.

Sentado à camilha, com as pernas passadas para dentro da grossa saia e com a braseira aos pés, tomei café de mistura, bem quente, a acompanhar torradas de pão caseiro, feitas ali, umas atrás das outras, no brasido do chão. Que delícia e que saudades! Até a margarina me sabia à melhor das manteigas. Encorajado por aquela abertura à intimidade da cozinha, desabafei: – Está-se muito melhor aqui do que na sala de jantar. E não seria também mais prático eu comer o mesmo que come a família? – Acrescentei afoito.

– Vossemecê é que sabe. – Respondeu-me com naturalidade. – A gente acha que a casa de jantar é mais apropriada para os hóspedes. Ficam mais à vontade, e nós também. – Sorriu. – Só lá comemos nos dias da festa, menos na noite do Menino, que é passada aqui ao pé do lenho. Hoje vou fazer chispe com repolho, mogango e feijão encarnado. Se gostar, logo à noite come com a gente. E ainda aí tenho esta carne frita que sobrou das migas do almoço de ontem. – Acrescentou, mostrando-me uma tigela de fogo quase rasa de banha encarnada, através da qual se percebia estarem ali mergulhados os pedaços de carne de porco magra e entremeada. – É temperada com alho e massa de pimentão. Sabe o que é? Assim não se estraga. Logo aqueço-lhe um pouco e vai ver como é bom. Quer mais uma pinguinha de café? Coma mais estas torradinhas, agora que estão quentinhas.

Falando deste e de outros Natais, a avó fazia-me companhia. Falou da ceia, do galo que matara, dos ganhotes e borrachos, da "fona" dos netos entre a casa e o grande lume, da missa da meia-noite e do pessoal cantando e tocando zambomba.
Com esta entrada no seio da família foi-se o frio, até o da noite, pois ali ao pé do lume até sabia bem prolongar o serão recheado de histórias e contos. Quando, por fim, recolhia ao quarto, levava comigo o calor das brasas e o da convivência, regalos que, aliados à fadiga de um dia inteiro a subir e a descer barrancos, cabeços e vales, de imediato me viravam a página para o dia seguinte.

Como foi hábito nesses escassos dias por terras barranquenhas e porque, na ocasião, a noite caía muito cedo, frequentei, nos fins de tarde, antes do jantar, a Sociedade, a mais selecta das duas situadas no largo da igreja, em frente uma da outra. Foi o Mário Escoval que ali me introduziu, permitindo-me conviver com os mais notáveis da vila. Como eu, a estudar em Évora, uma boa dúzia de anos atrás, esse meu amigo, era então um entre as forças vivas locais, a par de outros lavradores, do autarca, do comandante da guarda, do professor e do padre Agostinho.

- O que é que bebes? Cerveja?

- Cerveja, não. Só no Verão e com muito calor. Mas se é preciso justificar o direito à cadeira, que seja um café em copo, bem quente e com um "cheirinho". Sempre dá para aquecer as mãos e a alma.

Não era fácil explicar aos meus companheiros de ocasião qual era o meu trabalho, todo o dia no campo, com um saco, um martelo, uma bússola, um mapa do exército e um caderno de campo. Ainda por cima em terras raianas. Logo no primeiro dia, por duas ou mais vezes, tivera a sensação de estar a ser seguido, facto que relatei ao sargento da GNR, já o Mário havia feito as apresentações.

– Fui eu que ordenei a um dos meus homens para ver o que é que um estranho andava ali a tramar – respondeu em tom profissional o representante da autoridade.

– E o que é que ele viu? – Inquiri, interessado em dar continuidade à conserva.

– Viu-o apanhar pedras em tudo o que era sítio, mirá-las por todos os lados, guardar umas e deitar fora outras. Viu-o olhar para o mapa ou para a bússola, escrever umas coisas e pouco mais.

– É esse o nosso ofício. – Aproveitei para explicar. – Apanhamos pedras estudamo-las e desse estudo procuramos conhecer a história da Terra. Desta vez ando à procura de uns fósseis, ou seja, de vestígios de animais que provam que aqui foi mar há uns quatrocentos e trinta milhões de anos.

– Diga-me cá, - salientou o professor. – E como é que aqui foi mar e hoje é tudo terra em seco? E como é que se sabe que foi, assim, há tanto tempo?

- Bom, tudo isso tem a sua explicação, mas leva tempo.

– Foi o Dilúvio, – meteu-se na conversa o Padre Agostinho, até aí calado, mas particularmente atento.

– Bem, retorqui-lhe - escolhendo as palavras. – Essa é uma história que nos põe num outro campo que nada tem a ver com o nosso trabalho. Uma história que dava pano para mangas. – Rematei, sorrindo-lhe.

– Venha para cá no Verão, por altura das festas, – atalhou o eclesiástico – vai ver que gosta. Depois fica aí uns dias connosco para falarmos destas coisas. Tertúlia já nós temos. O Zé Adrião diz que tem lá no monte um peixe petrificado, metido no xisto. O Mário já foi ver e diz que parece mesmo um peixe, assim, grande – e abriu os braços, ao jeito dos pescadores desportivos quando falam das suas proezas. - Temos de ir vê-lo.

Só ao terceiro dia da minha estada em Barrancos localizei a tão desejada camada com fósseis de Monograptus. Após duas jornadas de insucesso, ocorreu-me pedir ajuda a um pastor com quem já me havia cruzado. Depois de umas palavras de circunstância e de umas festas ao cão, que logo me reconheceu e se aproximou a abanar vigorosamente a cauda, tirei do saco a dita amostra de ftanito bem embrulhada em jornal.

– Vossemecê já viu por aqui pedra como esta, com estes risquinhos? – Perguntei, passando-lhe para a mão o exemplar que trouxera de Lisboa.

– Já vi, sim senhor. – Respondeu, satisfeito, com o ar de quem sabia do que estava a falar. – Uns são direitos, outros enroladinhos. Têm assim um denteado como a folha da serra de rodear.

– É isso mesmo. E onde é que os posso encontrar? – Prossegui, animado pela resposta.

– Há aí vários sítios com esta pedra. - Disse, olhando-a atentamente – É muito diferente do resto. É mais dura e não abre nem deixa meter a folha da navalha, como o xisto. Umas são mais claras e outras mais escuras, como esta. Que eu me lembre, assim de repente, aparece ali para o Calvário. Também as há nas Boticas, em Noudar e ao pé da capela de São Ginés – nomes que foi pronunciado, pausadamente, à medida que os ia tirando da memória dos muitos sítios daquele que era o seu mundo. – Mas há mais. Olhe, ali atrás daquele cerro. Está a ver? – E apontou com o cajado. – Na Cerca das Almas, também se apanha obra desta. Há um caminho que passa no alto, - continuou – na direcção de quem vai para a vila. Em lá chegando, vossemecê vê logo um barranco fundo à sua mão direita. É aí, na descida, que há pedra igual a esta, cheínha destas coisas.

Abri o mapa e orientei-o. Lá estava a Cerca das Almas, a uns três quilómetros dali. Marquei o local que me pareceu corresponder à descrição do pastor, dei-lhe os bons dias, fiz mais umas festas ao rafeiro e pus-me a caminho. Era meio-dia quando cheguei ao ponto assinalado, dominado por enorme expectativa e pelo receio de mais uma tentativa falhada. Mas não. A camada fossilífera estava finalmente ali, a meus pés. A cada golpe de martelo a rocha abria-se-me nas mãos, repleta dos tão procurados Monograptus. Sentei-me a comer o farnel que sempre levava por almoço e passei o resto da tarde a partir ftanito e a enrolar em jornais todos os fragmentos que contivessem os ditos fósseis, posto o que regressei à vila, ajoujado ao peso da preciosa carga.

No fim dessa tarde foi a festa na Sociedade. Festejava-se a despedida, mas também o achado pelo qual já todos ansiavam e que, naturalmente, todos desejavam observar de perto. Desembrulharam-se as amostras e cada um viu o que quis e comentou ou perguntou o que lhe apeteceu.

- Vai já amanhã embora? Na carreira das sete e meia? – Perguntou-me por fim um dos presentes que, de seguida, gritou para o empregado, ao fundo da sala – Juzé Manué, bei acá i trázi maih uma jarra di binhú i uma pihca de catalão assadu.

Missão cumprida, podia regressar ao seio da família. E ainda faltavam dois dias para o Ano Bom. Na bagagem trouxe comigo um talego de chita cheio de lembranças dos meus amigos barranquenhos, uma preciosidade que entreguei à minha mãe.

– Isto faz um jeitão – comentou ela, no seu estilo de experiente e hábil gestora da economia familiar. – Mas que bem que cheiram os enchidos! E este pão, que coisa linda! E estes queijos e estas azeitonas! Louvado seja o Menino!

In "COM POEJOS E OUTRAS ERVAS". Âncora Editora, 2004. Lisboa.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Quatro décadas: da mudança à incerteza - Intervenção na Academia das Ciência...

Quatro décadas: da mudança à incerteza - Intervenção na Academia das Ciências de Lisboa

via Jacarandá by noreply@blogger.com (António Barreto) on 12/27/09
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ERA UM PAÍS FECHADO. Um Estado autoritário. E um povo inculto. Era Portugal do início dos anos sessenta. Pequeno, pobre e periférico. País rural, quarenta por cento da população, mais do que qualquer outro na Europa ocidental. Uma alta natalidade estava na origem da população mais jovem do continente. Uma obscena mortalidade infantil (mais de oitenta por mil) e uma esperança de vida reduzida (sessenta anos para os homens e sessenta e cinco para as mulheres) denunciavam o atraso social e económico. Os horizontes eram fechados, a escola medíocre e insuficiente, a saúde pública quase inexistente, poucos os empregos industriais e a liberdade diminuta. A maior parte dos agregados domésticos não tinha acesso aos serviços públicos de água, de electricidade ou de saneamento. As infra-estruturas eram pobres e ineficazes, as deslocações eram difíceis. Os portugueses viajavam pouco dentro do seu próprio país. O número de analfabetos elevava-se a quarenta por cento da população. Legalmente oprimidas, as mulheres tinham pouco empregos (apenas quinze por cento da população activa), eram mantidas à margem do espaço colectivo e não tinham o mesmo estatuto de cidadania que os homens: viviam e morriam, em maioria, fechadas nas suas vidas domésticas. Era assim que viviam os portugueses há cinquenta anos.

À margem da Europa, o país vivia um relativo isolamento. Virado para o Atlântico e para África, onde possuía o último e imenso império colonial, os seus contactos com os países vizinhos eram reduzidos. Para as autoridades políticas, o isolamento era uma virtude. A tradição nacional, que valorizava o catolicismo e a ruralidade, era defendida e cultivada. A memória de um passado glorioso era o substituto de um futuro incerto. O oceano, fonte de memórias antigas, abria o país ao mundo. Mas a fronteira terrestre separava-o, mais do que aproximava, do único e grande vizinho, com o qual as relações não eram, quase nunca tinham sido, próximas, boas e amistosas. O Ultramar era o horizonte. Poderoso na ideologia e na retórica, mas afastado na geografia e na economia. A versão oficial proclamava uma sociedade multirracial, da Europa à Ásia. Mas, na verdade, a sociedade portuguesa era uma das mais homogéneas de todas as europeias. Os seus traços característicos punham em evidência uma grande unidade cultural, religiosa e étnica. Uma só língua dava forma a esta homogeneidade. Nas ruas das cidades, era raro, muito raro, cruzar um africano, um asiático ou qualquer outro estrangeiro. Além de tudo isto, o regime autoritário reforçava a ausência de pluralidade na sociedade portuguesa. (...)

Texto integral [aqui]

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Da Língua Portuguesa

via António Quadros by aquadrosferro@gmail.com (António Quadros Ferro) on 12/23/09
"O descobridor da psicanálise era um racionalista, que teve sempre o cuidado de substituir os termos por que tradicionalmente se designam os elementos e as forças da vida psíquica por palavras aceites no domínio científico. Se soubermos, conforme ele nos ensina sobretudo na sua «Interpretação dos Sonhos», desdobrar o que foi dobrado, extrairemos talvez dos seus livros muito mais do que uma explicação sexualista do homem, segundo o monismo antropológico que vulgarmente lhe é atribuído. Em termos aristotélicos, dir-se-ia que se a «libido» constitui a causa substancial, o conhecimento é a finalidade de que a palavra é o princípio formativo. Com efeito, o elemento filológico é fundamental em Freud. A palavra actua entre o inconsciente e o consciente, de tal modo que é pela atenção aos seus movimentos que se explicam os actos falhados, as nevroses, os sonhos, - enfim, toda a vida psíquica do homem e da mulher.
Pondere-se a importância de tudo isto. Em primeiro lugar, as línguas não serão, como se tem querido, instrumentos quase físicos, ou, pelo menos, tão relacionadas com certos mecanismos fisiológicos que se possam estudar, na sua natureza e evolução, dentro dos quadros fonéticos da filologia alemã; não serão, em segundo lugar, sistemas de expressão de ideias e de emoções, conforme querem os gramáticos e os estilistas de formação germânica; e estarão, por conseguinte, muito mais desligadas das funções cerebrais do que pensam quantos se agarram ainda a uma fisiologia ultrapassada. (...)
Com efeito, e conforme vimos, a acção de uma língua não se exerce apenas à superfície. É uma relação orgânica. E cabe perguntar, neste momento se um homem português sonha com um homem estrangeiro. A pergunta, por insólita, parece idiota. Nós, pelo contrário, achamo-la comparável àquela que o tribunal exlesiástico que julgou Joana d'Arc fez à Santa e que consistia em saber em que língua Deus se lhe tinha dirigido, quando ouviu as vozes interiores."

António Telmo, "Da Língua Portuguesa", Espiral nº4/5, p.58

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O Complexo de Culpa dos Colonizadores

O Complexo de Culpa dos Colonizadores

via Mente Vertical by Simão Salgado on 12/15/09
Foram os interesses que levaram as nações europeias, no século passado, ao assalto da África, assim como são os interesses que movem hoje no mesmo sentido as actuais superpotências: Rússia, China e Estados Unidos da América. Mas não há duvida de que, ao lado do aproveitamento económico das terras ocupadas, os colonialistas fizeram muitos beneficios. Se o imperialismo europeu e norte-americano teve ás vezes aspectos atrozmente negativos, no caso especial da África realizaram os colonialistas uma obra altamente meritória. Negá-la, esquece-la, não a apresentar como contrapartida aos idealismos independentistas do nosso tempo e ir atrás do logro, chorando lágrimas de arrependimento, é sobretudo injusto. Há trinta anos, um belga, Fred van der Linden, apontava contra os cantadores ceguinhos, acompanhados das falácias de Rousseau, a obra realizada pelos coloniadores em beneficio de povos sujeitos ainda a práticas bárbaras, a sacrificios humanos e à autoridade de chefes despóticos, injustos e cruéis.

A esses povos o colonizador levou antes de mais nada a paz e a segurança. Foram os colonizadores quem pôs fim ás guerras tribais e ao tráfico da escravatura – que fora durante séculos negócio corrente entre os chefes nativos e os negreiros e um direito normal do guerreiro vitorioso. Levaram aos povos autóctones o conhecimento de novas culturas, de sentido universalista, que os alçavam à consciência de membros da grande familia humana e de filhos do mesmo Deus. Organizaram o estudo e a luta contra as doenças, abriram hospitais, sanatórios, lazaretos, consultórios, laboratórios de análises, ordenaram o ensino da medicina e enfermagem, multiplicaram as campanhas de desparasitação, quininização, rastreio da tuberculose, combate aos agentes patogénicos. É de notar, no combate à mosca tzé-tzé, causa da doença do sono, a actividade dos médicos portugueses, que praticamente erradicaram esta doença dos nossos territórios. Generalizaram o ensino primário, abriram escolas técnicas e secundárias, universidades e institutos superiores de investigação. Os nossos institutos de investigação veterinária e agricola em Angola, por exemplo, eram organismos de categoria intenacional.

O colonialismo fez leis de trabalho e de previdência social, estudou os melhores métodos de cultura das terras e da criação de gado, aproveitou fontes de energia, instalou industrias, construiu portos maritimos, rasgou estradas, caminhos de ferro e pistas de aeroportos, edificou cidades, estabeleceu ligações terrestres, maritimas e aéreas, com todo o mundo. Não têm as nações colonizadoras em Àfrica, dum modo geral, razões para se sentirem culpadas do que por lá fizeram. Porque, a par de erros cometidos – e alguns desmedidamente avolumados pelos facciosismos da propaganda – há toda uma obra de trabalho, de progresso, de promoção social, que os africanos mais tarde hão-de lembrar reconhecidos e que para os europeus será sempre motivo de orgulho e não de complexo de culpa, injusto e absurdo. Pode dizer-se que até nalguns erros a obra dos colonizadores ficou. Tal o caso dos limites das novas nações africanas. Foram talhadas com fronteiras artificiais, no arbitrio dos acordos entre as potências europeias. Muitas separaram grupos étnicos que ficaram divididos por dois paises novos, parte num, parte noutro. Pois apesar disso é de supor que os novos estados fiquem com as fronteiras convencionadas pelos colonizadores e dentro delas desenvolvam, progridam e façam a sua História.

Conta-se que, depois do 25 de Abril, um diplomata do Leste europeu visitou Lourenço Marques. Acompanhou-o ali um dos dirigentes da FRELIMO apontou indignado para as palhotas:

-Isto é uma herança do colonialismo!
O diplomata do Leste sorriu e comentou:
-Isto aqui é África. A herança do colonialismo está ali.
E apontava para os altos prédios que se erguiam imponentes a umas centenas de metros...

Fonte: Barradas de Oliveira – Quando os Cravos Murcham

domingo, 20 de dezembro de 2009

OS BÓERES NO PLANALTO DA HUÍLA

via Africandar by Leston Bandeira on 12/20/09





Os meus agradecimentos ao meu amigo António Trabulo que me enviou este texto e também algumas das fotografias da sua colecção particular.



Os bóeres são descendentes dos colonos holandeses que se fixaram no Sul da África, nos meados do século XVII, e dos huguenotes franceses fugidos às guerras religiosas da Europa, que se lhes juntaram, vinte e cinco anos depois.



Criaram raízes na terra. Pretendiam ficar. No entanto, quase século e meio antes da eclosão dos movimentos nacionalistas africanos, já a História os colhera na sua rede. Em 1815, a Holanda viu-se forçada a ceder a Colónia do Cabo à Inglaterra.

Fartos dos ingleses, a partir de 1835 os bóeres começaram a emigrar para Norte. Foi a grande marcha, o Trek. Fundaram sucessivamente o Estado Livre de Orange, o Natal e a República do Transvaal. Os britânicos não lhes deram sossego e obrigaram-nos a lutar pela liberdade. Os africânderes, como também eram chamados, bateram-se bem, mas foram vencidos.

Em 1876 terminou a guerra do Transvaal.

Seiscentas famílias bóeres penetraram no deserto do Calaari, procurando novo local para se instalarem, longe da bandeira inglesa. Viajaram em grandes caravanas que se organizavam, nas paragens, em posições defensivas. Os carrões bóeres eram parecidos com que se vêem nos filmes de cobóis. A estrutura dos veículos era simples: uma caixa grande de madeira assentava em dois eixos. As rodas de trás, maiores, eram fixas. As dianteiras, um pouco mais pequenas, giravam à vontade do condutor. Um bom sistema de travagem tornava seguras as descidas íngremes. O tecto, de lona esticado sobre arcadas de madeira, isolava o interior da chuva e, até certo ponto, do calor, do pó e dos mosquitos. Havia muitas peças móveis que se adaptavam às necessidades. As arcas de arrumação serviam também de assentos. Eram puxados por seis a oito bois, por vezes por mais.

Ao longo do Trek, os bóeres passaram fome e sede. Sofreram com a seca e com as febres, nas estações das chuvas. Perderam gente, gado e haveres e foram dispersando.

Uns tantos desistiram e voltaram para trás. Outros prosseguiram até ao Sul de Angola e percorreram as margens dos grandes rios Cubango e Cunene. Acabaram por estabelecer contactos com as autoridades portuguesas e obtiveram do Governo de Lisboa a concessão de três mil hectares de terra para se instalarem.

Vale a pena citar uma cláusula do contrato estabelecido entre os representantes do nosso governo e os líderes da comunidade bóer: Terreno cultivado pelo gentio é propriedade deles e não pode ser dado aos colonos que, portanto, não podem tirar-lhes o mesmo. O documento assinado garantia também, aos que chegavam, total liberdade de culto religioso.

Em Janeiro de 1881, oitenta famílias bóeres vieram estabelecer-se nas terras altas da Humpata. Além do gado de tracção traziam rebanhos soltos. Eram também caçadores. Jacobus Botha chefiava o grupo. Era o patriarca, à maneira bíblica: chefe religioso, político e militar, experimentado em guerras e sofrimento. Vira mesmo um dos seus criados ser devorado por um crocodilo, quando atravessava o rio Cunene, agarrado à cauda dum cavalo.

Os bóeres chegaram e construíram um canal de irrigação de seis quilómetros de comprimento, com uma levada de água para cada casal.

Nessa época, estavam fixados naquela área apenas dois portugueses. Artur de Paiva, jovem alferes, serviu como intérprete de língua inglesa e ficou a comandar o destacamento militar que se estabeleceu no local. Casou com uma das filhas de Jacobus Botha. Boa parte do sucesso de Artur de Paiva nas campanhas de ocupação do Sul de Angola ficaria a dever-se à ajuda prestada pelos cavaleiros bóeres.

Em 1883, foram enviadas para a Humpata seis famílias da falhada colónia Júlio de Vilhena, em Pungo Andongo. No ano seguinte, fixou-se na região um grupo de colonos madeirenses.

Os africânderes não gostaram da companhia. Acharam os novos vizinhos atrasados. Multiplicaram-se pequenos conflitos, resultantes da delimitação das propriedades e da distribuição da água de rega. Muitos bóeres venderam os seus terrenos e mudaram-se para a Palanca, a sete quilómetros de distância. Passados poucos anos, mais famílias abandonaram a Humpata e foram à procura de outras terras nos distritos do Huambo e do Bié. Uns tantos ficaram.

Existia, no papel, o Esquadrão Irregular de Cavalaria da Humpata, composto por praças de Caçadores 4. Em 1891, apenas três soldados sabiam montar. Quando eram necessários cavaleiros, contratavam-se bóeres. Traziam armas e montada, eram destemidos e conheciam o terreno. Faziam-se pagar bem.

Os bóeres ao serviço de Artur de Paiva raramente terão ultrapassado a meia centena. Foram determinantes na ocupação de Cassinga e na expedição ao Bié, em 1890, após o suicídio do sertanejo Serpa Pinto. Foi então aprisionado o soba Dunduma e estabelecido o domínio português na região. Algum tempo depois, os cavaleiros contratados colaboraram na campanha do Humbe, após o massacre do pelotão comandado pelo tenente Conde de Almoster.

A segunda guerra dos bóeres, travada com a Grã-Bretanha entre 1898 e 1902 não parece ter influenciado a situação dos africânderes residentes na região.

Em 1927 a África do Sul, pretendendo contrariar a influência eleitoral alemã na árida Damaralândia, desenvolveu uma campanha destinada convencer os bóeres fixados no Planalto da Huíla a regressarem à terra mãe. A iniciativa teve êxito. Em 1928, quase todos os bóeres se mudaram para o território do Sudoeste Africano. Foi um novo Trek.

Quatro famílias apenas ficaram na Humpata. As outras, uma a uma, carregaram novamente os seus carrões. Carrão após carrão rolou terra abaixo pela bem conhecida carreteira que conduz ao vale do Cunene, perto do Chitado. Na margem esquerda do rio, ao avistarem a bandeira sul-africana, reuniram-se todos para cantarem hinos de acção de graças. A pequena colónia constituída por 270 pessoas de raça branca que tinha viajado para o Norte até à Humpata em 1880 cresceu muito, contando agora perto de 2.000 almas.

Referências:

Estermann, Charles, Etnografia de Angola (Sudoeste e Centro). Instituto de Investigação Científica Tropical, Lisboa, 1983.

Gama, António, Uma história de vida. Blogue Memórias e Raízes, 2009.

Trabulo, António, Os Colonos. Esfera do Caos, Lisboa, 2007.

Fotografias: colecção do autor.

Uma maneira de ser

Uma maneira de ser

via INCONFORMISTA.INFO by Miguel Vaz on 12/20/09

"Mas o nosso movimento não seria de todo entendido se se cresse que é tão-somente uma maneira de pensar; não é uma maneira de pensar: é uma maneira de ser. Não devemos propor só a construção, a arquitectura política. Temos que adoptar, perante a vida inteira, em cada um dos nossos actos, uma atitude humana, profunda e completa. Esta atitude é o espírito de serviço e sacrifício, o sentido ascético e militar da vida."