sexta-feira, 25 de junho de 2010

Homenagem a Carlos Pato (1)

Homenagem a Carlos Pato (1)

via As Causas da Júlia by juliacoutinho@gmail.com (Júlia Coutinho) on 6/22/10
Há dois anos evocámos aqui Carlos Pato, esse jovem de 29 anos que morreu cruelmente nos calabouços de Caxias, pelas 6,30 da madrugada do dia 26 de Junho de 1950, depois de brutalmente torturado pela PIDE e sem que lhe fosse prestada qualquer assistência médica.

A partir daí muitos desenvolvimentos se deram e eu pude ter noticias e contactar os filhos e netos de CP a quem muito agradeço o carinho manifestado e as informações fornecidas.

Quando perfazem 60 anos sobre esta tragédia que deixou orfãos de pai uma bébé de meses e outro prestes a nascer, Carlos Pato vai ser finalmente homenageado pelo PCP, partido de que foi activo militante.

A homenagem terá lugar no próximo sábado, dia 26 de Junho, pelas 15h, no Clube Vilafranquense, colectividade em VF Xira a cuja direcção pertencia quando o prenderam em 28 de Maio de 1949. Haverá romangem ao cemitério local pelas 16 h.

Toda a Família Pato foi perseguida por Salazar. O irmão Octávio estava na clandestinidade quando Carlos morreu. Antes, haviam passado pelas prisões um outro irmão, o Abel, e um primo, o Carlos, que de tão maltratado viria a falecer pouco depois. Maria Rodrigues Pato, sua mãe, foi uma vítima daqueles tempos sombrios: criou os netos (filhos do Octávio e de Carlos) e passou a vida a brigar com a polícia política para poder prestar apoio aos filhos, netos e nora, presos.

Publicada em Agosto de 74 no Diário de Lisboa, a Carta Aberta a Octávio Pato foi escrita por António Guerra, um velho resistente Tarrafalista e activo interveniente do 18 de Janeiro de 1934 na Marinha Grande.

Porque a consideramos um documento de extrema importância para clarificação desses tempos sombrios, aqui a deixamos para Memória Futura.

Memória de António Manuel Couto Viana por Manuel Poppe

Memória de António Manuel Couto Viana por Manuel Poppe

via nonas by nonas on 6/15/10
"Memória de António Manuel Couto Viana

A morte de um poeta admirável passou quase despercebida. Certo que algumas vozes a assinalaram, discretamente. A verdade é não andar ele nas bocas do mundo – no palratório da feira das vaidades: há muito o tinham arquivado. O canibalismo, em versão silêncio, afastara-o da ribalta. Essa prática cuja justificação é a ânsia de monopolizar as atenções vinha reforçada por um argumento mesquinho: a ideologia de Couto Viana ligava-o ao antigo regime. Mas qual "ideologia"? Qual é a ideologia de um poeta? Em Veneza, Aldo Zari mostrou-me a casa onde, homiziado, habitou e morreu Ezra Pound, mudo voluntário, em carne viva. Conhecendo os motivos do isolamento - aproximação à Itália fascista - e conhecendo a grandeza da sua obra, indignei-me. A ideologia dos poetas está na poesia. É ela, são os versos, os escritos, que no-la dão. Sei lá eu das escolhas políticas de Homero, de Ésquilo! Melhor, sei – li-lhes as obras. Tal qual sei do "conservadorismo" de Dostoievski, do "miguelismo" de Tomaz de Figueiredo e tal qual sei da força revolucionária -da força que nos revolveu dentro - de ambos. O homizio e dor de Pound escandalizaram-me – e a verdade é que me aproximaram dele: fui lê-lo e relê-lo, entusiasmado. E o mesmo acontece agora: reabro e aprecio os livros de Couto Viana – um grande poeta, talvez o maior da sua geração, como sublinhava David Mourão-Ferreira, outro esquecido. Consciência dos ossos do ofício de viver, domínio da forma, até ela se apagar, coincidente com o fundo. "Vai buscar a pátria/ onde ela estiver", escreveu Couto Viana. Não o esqueceu a pátria – esqueceram-no os ignorantes voluntários e involuntários."

Manuel Poppe
In Jornal de Notícias, p. 51. 13.06.2010

No adeus a Couto Viana de Cláudio Lima

No adeus a Couto Viana de Cláudio Lima

via nonas by nonas on 6/24/10
Revista "As Artes entre as Letras",
n.º 28, pág. 20, 16.06.2010.
(Clicar na imagem para aumentar)

António M. Couto Viana (1923-2010) (E)vocação literária, de António Carlos C...

As minhas memórias de Couto Viana por Alberto de Araújo Lima

As minhas memórias de Couto Viana por Alberto de Araújo Lima

via nonas by nonas on 6/23/10
As minhas memórias de Couto Viana

António Manuel Couto Viana chegou ao meu conhecimento pela leitura do jornal A Rua, que o meu pai comprava todas as quintas-feiras.
Conheci-o pessoalmente num dos jantares anuais comemorativos do 28 de Maio e mais tarde, revi-o no centenário de Salazar (1989), no Porto. Onze anos depois revia-o novamente por ocasião do 50.º aniversário da morte de Alfredo Pimenta, onde palestrou, na Sociedade Histórica da Independência de Portugal, levada a cabo a 29 de Novembro de 2000, em Lisboa.
A minha aproximação a Couto Viana dá-se pela boa mão de Rodrigo Emílio, a quem Couto Viana perguntou se sabia de alguém que o pudesse ajudar na recolha dos poemas publicados n`A Rua sobre o Ano Internacional da Criança e Rodrigo disse-lhe que sim, falando no meu nome como detentor da colecção quase completa desse magnífico semanário.
Concluída, então, a pesquisa e recolha dos poemas bem como das imagens que os ilustravam, fiz chegar ao António Manuel com impressões a laser. Couto Viana ficou radiante ao conseguir reconstituir essa selecta de poemas e ver assim dar à luz mais um livro da poesia "Criança é Rima de Esperança" (2001), com o que me brindou numa exagerada e "extraordinária gentileza" dedicatória. Ler mais

O nosso muito caro Amândio César

O nosso muito caro Amândio César

via MANLIUS by José Carlos on 8/21/07

Vou-vos falar hoje um pouco do nosso Amândio César e refutar (por ser testemunha directa) uma das acusações que lhe é feita pela nossa esquerda catita. A saber: Amândio César é o responsável do assalto à Sociedade Portuguesa de Escritores. Assim, tal e qual.

Mas eu conto:


Em 21 de Maio de 1965 a Sociedade Portuguesa de Escritores, presidida por Jacinto Prado Coelho, atribui um prémio literário a Luandino Vieira, nome literário do português de origem e independentista angolano, José Vieira Mateus Graça, pelo seu livro Luuanda.

A atribuição do prémio (de cariz nitidamente política - que não literária) gerou uma forte comoção em Lisboa. Luandino era um militante comunista, filiado no MPLA. O júri de que faziam parte elevado número de escritores do aparelho "intelectual" do PCP (os pequenos e médios intelectuais, como na altura se dizia) decidiu, por maioria, atribuir o prémio - um dos mais prestigiados em Portugal e, até à data, sempre entregue a personalidades de esquerda ou de direita, mas com méritos artísticos firmados, ao escritor (e preso político) do MPLA. Estávamos em guerra e o MPLA continuava a chacinar portugueses de todas as etnias.

Amândio César - o primeiro a ensinar-me que não há escritores de direita ou de esquerda, há sim bons e maus escritores de todos os lados da barricada, reage publicando um artigo em que condena veementemente a atribuição do referido prémio. Também de imediato lança uma campanha entre os confrades escritores para a realização de uma Assembleia Geral que destituísse os corpos sociais da SPE. Os escritores Joaquim Paço d'Arcos e Luís Forjaz Trigueiros, em protesto, chegaram a pedir a demissão da sociedade. Jacinto Prado Coelho (Presidente da Sociedade) demarca-se da atribuição do prémio...

É então que um grupo de algumas centenas de jovens resolve assaltar e destruir a SPE. Eram jovens e não pides conforme anos mais tarde Urbano Tavares Rodrigues (do sector intelectual do PCP) diria. Toda a SPE foi destruída com excepção da Biblioteca e dos quadros dos escritores nela expostos. Dias depois Galvão Teles assina o despacho a extinguir a SPE.

Bem e agora voltando à história. No dia seguinte quando entro no Aviz vejo o nosso Amândio com cara de caso. De chofre perguntou-me: fizeste parte daquele grupo de vândalos que destruiu a Sociedade? Não lhe respondi, porque ele me não deu tempo. Começou com uma catilinária sobre os excessos dos jovens, que o que eles tinham feito era um disparate. O que os salvava era não terem destruído a biblioteca, etc... etc...

Durante uns bons tempos e sempre que o assunto se propiciava lá vinha ele falar dos energúmenos que tinham destruído a SPE que ele estivera a ponto de assumir (para o nosso lado) a sua direcção. Que os jovens tinham de pensar em vez de fazer disparates, que o PC e os católicos progressistas franceses só falavam do ataque o que muito prejudicava Portugal, etc.

Um dia disse-me mesmo. Se eu sei que participaste no assalto nunca mais te falo!

Pois foi a este Homem que a esquerda acusou de ser o instigador do assalto à SPE. É falso. Eu ouvi dele coisas horrendas. E como me custaram!

SARAMAGO FELIZ

SARAMAGO FELIZ

via MMC | Contingências by mmc on 6/23/10

Nenhum escritor representa um país. De resto, quanto maior ele for, menos o representa, porque a grandeza criativa vai sempre a par com a singularidade, a dissensão, a controvérsia, a solidão. Sempre, sem excepção. Um escritor representa-se a si próprio, à língua e à literatura que o fez ser. Pode projectar o seu país, como pode ser um ícone de causas ou uma bandeira de convicções. Mas só se representa a si e à sua obra – o único mundo que ele verdadeiramente representa, é o que foi capaz de criar.

A atribuição de prémios, nomeadamente internacionais, e sobretudo em países com grandes carências de reconhecimento, pode criar os maiores equívocos nesta matéria. José Saramago teve uma clara percepção disto. Lembro-me bem de, quando em 1998 lhe foi atribuído o prémio Nobel, ter falado com ele ao telefone quando já se encontrava em Lanzarote, regressado de Frankfurt, onde recebera a notícia. Preparava-se então para seguir para Lisboa, mas estava preocupado com as notícias que tinha sobre o tipo de recepção que lhe estavam a preparar, "como se fosse uma coisa de futebóis". E acrescentou, em palavras que recordo como se fosse hoje: "eu sou escritor, o que se fizer tem que ser uma homenagem à literatura". Informei-me, e soube que estava de facto a ser preparada uma "chegada triunfal" que poderia fazer o gáudio de algumas televisões e de alguns animadores de multidões, mas que ele teria, com toda a certeza, detestado.

Fez-se então o que José Saramago desejava: sem nenhum jornalista ou media a acompanhá-lo, ele veio para Lisboa onde, no CCB, lhe seria prestado um inesquecível tributo, simultaneamente oficial e popular, que abriu com uma interminável e emocionada "standing ovation" e prosseguiu com a evocação da obra e a jubilação do prémio, sempre com o pensamento no essencial – a literatura. Era à literatura que os portugueses deviam - numa imagem que José Saramago repetiria muitas vezes – poder sentir-se então com mais um ou dois centímetros…

Para mim, o momento Nobel fechou um período e abriu outro. Fechou o período da normalização das relações de José Saramago com o Estado português, muito abaladas com o episódio censório de 1992. Eu tinha assumido, quando em 1995 iniciei funções no ministério da Cultura, o imperativo de ultrapassar esse problema. A ocasião propiciou-se, por mero acaso rapidamente, com a atribuição por essa altura a José Saramago do Prémio Camões desse ano, a que o governo se associou com naturalidade. Depois, com o tempo, criou-se uma relação institucional de reconhecimento e de respeito mútuo, que José Saramago valorizava. Lembro, por exemplo, a sua presença e palavras no anúncio de uma intervenção de requalificação no "seu" Convento de Mafra, a empatia filosófica num lançamento muito especial, em Madrid, do «Ensaio sobre a Cegueira», o seu empenho na Feira de Frankfurt dedicada a Portugal, a cumplicidade lusófona na Bienal do Livro no Rio de Janeiro ou o apoio que fez questão de dar ao Comboio da Literatura Lisboa/Moscovo…

O período que se abriu, foi o de um conhecimento mais próximo de José Saramago. Das diversas ocasiões de conversa e de troca de ideias que fomos tendo, nasceu não só uma autêntica estima pessoal, mas também a descoberta de uma outra face, que a imagem pública de José Saramago ocultava: uma tranquila modéstia, um imprevisível humor, uma generosa capacidade de admiração por tantos escritores. Longe da imagem muito comum de um José Saramago amargo, conheci então um José Saramago feliz. Céptico quanto à evolução do mundo, inquieto com os impasses do país, cáustico na sua visão da natureza humana, é certo. Mas feliz, de uma felicidade que decorria fundamentalmente do seu sucesso literário mundial, dos leitores que tinha conseguido conquistar para o seu mundo, em todo o mundo.

Nos últimos anos fomos vizinhos, ele e a Pilar descobriram os encantos de um pequeno bairro de Lisboa, onde hoje a Blimunda também vive. Foi lá que conversámos sobre literatura, sobre o mundo, sobre os seus últimos projectos: a exposição «A consistência dos Sonhos», a «Viagem do Elefante», o «Caim». E também sobre as apreensões e as ambições da sua Fundação, cujo destino em boa medida fica agora – em coerência com tudo o que se disse nos últimos dias – nas mãos da Câmara de Lisboa e do Ministério da Cultura.

Eu atrever-me-ia, de resto, a ver no último texto publicado, no dia da sua morte, no blog «Outros Cadernos de Saramago», o programa que poderá dar à Fundação José Saramago um sentido tão estratégico como perene: «Falta-nos reflexão, pensamento, necessitamos do trabalho de pensar, parece-me que sem ideias não vamos a lado algum». O trabalho de pensar – é isso!
(Diário de Notícias,24.06.2010)

José Adelino Maltez – Discurso faccioso e tribal, proferido ontem, por mim p...

José Adelino Maltez – Discurso faccioso e tribal, proferido ontem, por mim próprio, sem heterónimo,em Viseu

via BLOGUE REAL ASSOCIAÇÃO DE LISBOA by João Mattos e Silva on 6/24/10

Estive em Viseu, no sábado e no domingo, no Congresso da Causa Real. Confirmei as minhas crenças políticas na metapolítica do poder real e das Cortes, desde menino e moço, como aqui e em todo o lugar tenho proclamado e como aqui e em todo o lado sou conhecido. Ah! No Congresso prestei homenagem a Saramago e fui aplaudido por isso. Aqui vão notas que serviram de base à intervenção…
Claro que, como tradicionalista, sou contra os reaccionários e, como conservador, sou contra os revolucionários e os contra-revolucionários, seus irmãos-inimgos, os que querem uma revolução ao contrário, mesmo que seja o que dizem ser, ou ter sido, uma revolução nacional…
De mal com certa esquerda por ser monárquico e de mal com certa direita por ser liberal, sou, como sempre fui, por amor de el-rei e da pátria, disposto a restaurar a república, para, em cortes, poder reeleger um rei…
De mal com o situacionismo, por ser do contra, também sou contra as oposições que se iludem com a febre das revoluções, porque sou mesmo contra as revoluções que não sejam revoluções evitadas…
Aliás, sou tão tradicionalista que certos membros da ortodoxia ultramontana, a ala dos ditos catolaicos, me diabolizam como herético, panteísta e relativista.
Confesso ser um homem religioso (Régio dixit) e que não faço parte dos ateus estúpidos e das cliques libertinas (ainda sigo Anderson). Isto é, continuo tão tradicionalista que reinvindica uma tradição mais antiga do que a do ano um…a que não tem o privilégio de uma religião revelada pelos povos ditos do Livro.
Liberal à antiga, assumo o vintismo e o cartismo, desembarcaria no Mindelo, defenderia o setembrismo e entraria na patuleia como histórico, embora prefira o Pacto da Granja com os reformistas…
Continuo disposto a militar no partido do Passos, de Sá da Bandeira, de José Estêvão, de Anselmo e Luís Magalhães. Por outras palavras, mantenho orgulhosamente a fidelidade azul e branca, dos liberdadeiros e da liberdade que, sem ser por acaso, também foi a bandeira da Europa e do projecto de Quinto Império do Padre Vieira…
Menino e moço, me assumi como tal, seguindo o exemplo cívico de um Henrique Barrilaro Ruas, de um Rolão Preto, de um João Camossa, que me ensinaram a detestar o despotismo ministerialista da salazarquia. E com tais exemplos, continuámos contra outros despotismos, mesmo os iluminados pela desculpa da ideologia, sempre em nome de pretensos amanhãs que cantam.
Aliás, salazarquia sempre foi aquilo que um dia disse Almada: "foi substituído Portugal pelo nacionalismo que apenas foi uma maneira de acabar com os partidos…"
E com tipos como o Luís Almeida Braga fui bebendo aquela profunda tradição regeneradora que nos deu o consensualismo anti-absolutista, coisa que em inglês se diz pluralismo e guildismo e que é o cimento fundamental das revoluções evitadas daquela revolução atlântica que nos deu o presente demoliberalismo…
E comungando no estoicismo de Herculano, era capaz de voltar a subscrever o Manifesto de Dezembro de 1820, da autoria de D. Francisco, o futuro Cardeal Saraiva, seguidor de Cádiz e Martínez Marina, dessa bela aliança peninsular contra o usurpador, como praticámos na Restauração de 1808…
Procuro retomar as teses expressas no Código de Direito Público de António Ribeiro dos Santos, seguido por Palmela, por Silvestre Pinheiro Ferreira e pelas tentativas constitucionais históricas e cartistas do governo de D. João VI…
Assumo a herança de Francisco Velasco Gouveia e de João Pinto Ribeiro e detesto as tentativas absolutistas de Pascoal e de Penalva. Prefiro as chamadas Alegações de Direito de 1579, em favor Dona Catarina e, naturalmente, prefiro a síntese das Actas das Cortes de Lamego, positivadas pelas Cortes de 1641
Porque na base está a Constituição política das Cortes de Coimbra de 1385, expressas por João das Regras e desenvolvidas pelas teorias da Casa de Aviz, principalmente na Virtuosa Benfeitoria do Infante Dom Pedro, duque de Coimbra
Claro que me entusiasmam os exemplos cívicos de Sá da Bandeira contra os devoristas e os esclavagistas, ou Herculano, pela regeneração e pela descentralização, contra os cabrais. E iria para a Patuleia não deixando morrer em vão Luís da Silva Mousinho de Albuquerque…
Tal como resistiria por D. Manuel II, como Paiva Couceiro, o mesmo que foi um dos primeiros desterrados por Salazar, por denunciar a estúpida política do Acto Colonial, no que se irmanou com Norton de Matos…
Até estaria com Rolão Preto, Almeida Braga e Vieira de Almeida ao lado de Delgado, como estive com Barrilaro, Gonçalo, Camossa e Rolão Preto, em defesa da democracia de Abril…
Mas não esqueceria a armilar mesmo depois da descolonização, como tem feito o duque de Bragança, até por Timor, na senda das perspectivas de um Luís Filipe Reis Tomás…
A fé na bandeira azul e branca, sem recusa da que é hoje o símbolo nacional e daquela armilar que esteve na base simbólica do Reino Unido de 1816, nessa herança de D. João II, da esfera, da espera, da esperança, para que o abraço armilar possa semear futuro…
Daí não poder ser anti-republicano, porque sou, além de republicano, monárquico, querendo como o título de um livro dos finais do século XV, de Diogo Lopes Rebeleo: "De Republica Gubernanda per Regem"…
Importa restaurar a república para que se refaça a comunidade política, esse concelho em ponto grande, como disse o Infante Dom Pedro, onde o príncipe deve aliar-se à comunidade da sua terra, para que a política possa regenerar-se em coisa pública, com bem comum e saudades de futuro…
O caminho da restauração da república pode reforçar-se com a eleição do rei por consenso nacional, nomeadamente como bandeira contra a desertificação do país das realidades contra o país nominal (Herculano dixit), até para podermos voltar ao mar-oceano com os pés na terra, contra o centralismo capitaleiro de Pombal, Fontes, Afonso Costa, Salazar, Soares e Cavaco Silva…
em blogue "Sobre o tempo que passa"