sábado, 26 de junho de 2010

Contos do Rei Preto


via Itinerarium XIV - Ribeira de Muge by Manuel Evangelista on 6/16/10
Para quem não pode ler n"O Almeirinense".

O Rei Preto e o Moinho dos Frades
bronzes do Benim

Em meados do século XVI, os frades de Nª Sª da Serra de Almeirim vinham à Capela do Paço da ribeira de Muge rezar missa. Pelo seu zelo em cuidar das almas, o rei veio a dar-lhes em esmola o assento de uns moinhos na Ribeira de Muge.
O Rei Preto, homem preto da capela, já entradote nos anos, mas que mestre era em artes várias, logo que soube da real mercê aos frades, ofereceu-se para os ensinar na arte da moagem. Em troca, os frades prometeram levá-lo ao convento e o ensinariam a bem rezar o latim. Ler mais

Nações terrestres e nações marítimas

Nações terrestres e nações marítimas

via António Quadros by aquadrosferro@gmail.com (António Quadros Ferro) on 6/23/10
"[...] Neste passo do nosso caminho parece adquirir grande pertinência a destrinça, por António Quadros operada no primeiro livro de Portugal, Razão e Mistério, entre nações terrestres e nações marítimas, num quadro elementar, simbólico de determinações ideais, que admite matizes e abarca igualmente as nações voláteis e as nações ígneas.

Na visão de Quadros – que, em certa medida, se revela tributária dos ensinamentos de Gaston Bachelard –, a predominância do elemento terra relaciona-se com "a radicação telúrica do homem, com os mitos e rituais de fertilidade nas civilizações agrárias, com a poética da paisagem e das raízes" [...]"
Pedro Martins, aqui

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Homenagem a Carlos Pato (2)


via As Causas da Júlia by juliacoutinho@gmail.com (Júlia Coutinho) on 6/24/10
A FORÇA IGNORADA DAS COMPANHEIRAS QUE FICARAM NA SOMBRA, foi uma série de testemunhos recolhidos por Gina de Freitas para o jornal Diário de Lisboa logo após o 25 de Abril e que vieram a ser reunidos mais tarde em livro.

A 25 de Setembro publicaram a entrevista com Maria Rodrigues Pato, a mãe de Carlos Pato, que faria 74 anos em Outubro desse ano.
A jornalista traça-lhe o perfil: «tem o olhar apagado, a voz sumida, cansada, que de vez em quando se parte num soluço mal contido. Foram trinta anos de sofrimento, de luta e de sobressaltos.»
Transcrevemos: «Isto começou tudo mais ou menos há 30 anos, minha senhora. O meu primeiro filho a ser preso foi o Carlos [Carlos Alberto Rodrigues Pato]. De uma vez esteve lá 90 dias e a seguir mais 13 meses e nunca foi julgado. O advogado dizia-me que não tinha matéria para ser julgado. Mas conservavam-no. Sofreu muito, muito, muito. Teve muitas torturas. A primeira vez que o vi contou-me que o tinham torturado muito, mas havia coisas que só me queria dizer quando saisse. Mas como nunca mais saíu... Morreu lá em Caxias, na Sala 7 do rés-do-chão, onde estavam mais 14 presos com ele. Foi das torturas que ele morreu. Torturas que incluiram mais de 130 horas de "estátua" (...) Aliás, a violência começou logo no momento em que tentaram pela primeira vez prender Carlos Pato: de madrugada, como é costume, invadiram a casa, entraram nos quartos e destaparam as pessoas que se encontravam na cama, incluindo a mulher grávida de cinco meses. O chefe da façanha foi o inspector Jorge Ferreira.» Ler mais

Homenagem a Carlos Pato (1)

Homenagem a Carlos Pato (1)

via As Causas da Júlia by juliacoutinho@gmail.com (Júlia Coutinho) on 6/22/10
Há dois anos evocámos aqui Carlos Pato, esse jovem de 29 anos que morreu cruelmente nos calabouços de Caxias, pelas 6,30 da madrugada do dia 26 de Junho de 1950, depois de brutalmente torturado pela PIDE e sem que lhe fosse prestada qualquer assistência médica.

A partir daí muitos desenvolvimentos se deram e eu pude ter noticias e contactar os filhos e netos de CP a quem muito agradeço o carinho manifestado e as informações fornecidas.

Quando perfazem 60 anos sobre esta tragédia que deixou orfãos de pai uma bébé de meses e outro prestes a nascer, Carlos Pato vai ser finalmente homenageado pelo PCP, partido de que foi activo militante.

A homenagem terá lugar no próximo sábado, dia 26 de Junho, pelas 15h, no Clube Vilafranquense, colectividade em VF Xira a cuja direcção pertencia quando o prenderam em 28 de Maio de 1949. Haverá romangem ao cemitério local pelas 16 h.

Toda a Família Pato foi perseguida por Salazar. O irmão Octávio estava na clandestinidade quando Carlos morreu. Antes, haviam passado pelas prisões um outro irmão, o Abel, e um primo, o Carlos, que de tão maltratado viria a falecer pouco depois. Maria Rodrigues Pato, sua mãe, foi uma vítima daqueles tempos sombrios: criou os netos (filhos do Octávio e de Carlos) e passou a vida a brigar com a polícia política para poder prestar apoio aos filhos, netos e nora, presos.

Publicada em Agosto de 74 no Diário de Lisboa, a Carta Aberta a Octávio Pato foi escrita por António Guerra, um velho resistente Tarrafalista e activo interveniente do 18 de Janeiro de 1934 na Marinha Grande.

Porque a consideramos um documento de extrema importância para clarificação desses tempos sombrios, aqui a deixamos para Memória Futura.

Memória de António Manuel Couto Viana por Manuel Poppe

Memória de António Manuel Couto Viana por Manuel Poppe

via nonas by nonas on 6/15/10
"Memória de António Manuel Couto Viana

A morte de um poeta admirável passou quase despercebida. Certo que algumas vozes a assinalaram, discretamente. A verdade é não andar ele nas bocas do mundo – no palratório da feira das vaidades: há muito o tinham arquivado. O canibalismo, em versão silêncio, afastara-o da ribalta. Essa prática cuja justificação é a ânsia de monopolizar as atenções vinha reforçada por um argumento mesquinho: a ideologia de Couto Viana ligava-o ao antigo regime. Mas qual "ideologia"? Qual é a ideologia de um poeta? Em Veneza, Aldo Zari mostrou-me a casa onde, homiziado, habitou e morreu Ezra Pound, mudo voluntário, em carne viva. Conhecendo os motivos do isolamento - aproximação à Itália fascista - e conhecendo a grandeza da sua obra, indignei-me. A ideologia dos poetas está na poesia. É ela, são os versos, os escritos, que no-la dão. Sei lá eu das escolhas políticas de Homero, de Ésquilo! Melhor, sei – li-lhes as obras. Tal qual sei do "conservadorismo" de Dostoievski, do "miguelismo" de Tomaz de Figueiredo e tal qual sei da força revolucionária -da força que nos revolveu dentro - de ambos. O homizio e dor de Pound escandalizaram-me – e a verdade é que me aproximaram dele: fui lê-lo e relê-lo, entusiasmado. E o mesmo acontece agora: reabro e aprecio os livros de Couto Viana – um grande poeta, talvez o maior da sua geração, como sublinhava David Mourão-Ferreira, outro esquecido. Consciência dos ossos do ofício de viver, domínio da forma, até ela se apagar, coincidente com o fundo. "Vai buscar a pátria/ onde ela estiver", escreveu Couto Viana. Não o esqueceu a pátria – esqueceram-no os ignorantes voluntários e involuntários."

Manuel Poppe
In Jornal de Notícias, p. 51. 13.06.2010

No adeus a Couto Viana de Cláudio Lima

No adeus a Couto Viana de Cláudio Lima

via nonas by nonas on 6/24/10
Revista "As Artes entre as Letras",
n.º 28, pág. 20, 16.06.2010.
(Clicar na imagem para aumentar)

António M. Couto Viana (1923-2010) (E)vocação literária, de António Carlos C...

As minhas memórias de Couto Viana por Alberto de Araújo Lima

As minhas memórias de Couto Viana por Alberto de Araújo Lima

via nonas by nonas on 6/23/10
As minhas memórias de Couto Viana

António Manuel Couto Viana chegou ao meu conhecimento pela leitura do jornal A Rua, que o meu pai comprava todas as quintas-feiras.
Conheci-o pessoalmente num dos jantares anuais comemorativos do 28 de Maio e mais tarde, revi-o no centenário de Salazar (1989), no Porto. Onze anos depois revia-o novamente por ocasião do 50.º aniversário da morte de Alfredo Pimenta, onde palestrou, na Sociedade Histórica da Independência de Portugal, levada a cabo a 29 de Novembro de 2000, em Lisboa.
A minha aproximação a Couto Viana dá-se pela boa mão de Rodrigo Emílio, a quem Couto Viana perguntou se sabia de alguém que o pudesse ajudar na recolha dos poemas publicados n`A Rua sobre o Ano Internacional da Criança e Rodrigo disse-lhe que sim, falando no meu nome como detentor da colecção quase completa desse magnífico semanário.
Concluída, então, a pesquisa e recolha dos poemas bem como das imagens que os ilustravam, fiz chegar ao António Manuel com impressões a laser. Couto Viana ficou radiante ao conseguir reconstituir essa selecta de poemas e ver assim dar à luz mais um livro da poesia "Criança é Rima de Esperança" (2001), com o que me brindou numa exagerada e "extraordinária gentileza" dedicatória. Ler mais