quarta-feira, 30 de junho de 2010

Caminhos do Divino, um livro excepcional Eduardo Mayone Dias (2/2)

via Comunidades - RTP by Lélia Pereira Nunes on 6/27/10
Tanto nas ilhas como em Santa Catarina se encontram "impérios", estes assim descritos no livro: "Os antigos impérios eram construções quadrangulares, de uma só peça e de pequena dimensão, tendo por abertura uma porta fronteiriça e duas janelas laterais e um frontal triangular encimado por um dos símbolos do Espírito Santo - a pomba ou a coroa - e o registro da data da sua elevação." Uma comparação entre estes dois rituais dificulta-se sem embargo pelo facto de no primeiro caso diferirem de ilha para ilha e até de freguesia para freguesia, no segundo de município para município e em ambos de época para época. Algumas facetas gerais são no entanto factíveis de se determinar na base do exposto em Caminhos do Divino e de fontes insulares. Em Santa Catarina após a coroação realiza-se um bodo em frente do "império" e a arrematação de oferendas que podem ir de massa sovada ou do terceirense alfenim até gado. Ler mais

terça-feira, 29 de junho de 2010

António Quadros sobre António Manuel Couto Viana (1923-2010)

António Quadros sobre António Manuel Couto Viana (1923-2010)

via António Quadros by aquadrosferro@gmail.com (António Quadros Ferro) on 6/29/10
"[...] Sem ambiguidades, Couto Viana vê o 25 de Abril e o período subsequente como a época da catástrofe, que precipitou o país para a decadência e para a proximidade da morte. Sem ambiguidades, afirma-se nacionalista, sebastianista e monárquico. Mas é chegado o momento, cremos, de os adversários e os oponentes se ouvirem uns aos outros. Uma voz como a de António Manuel Couto Viana tem de contar para a força das coisas porque exprime, mais do que a sua própria emotividade pessoal, os ecos de uma profunda vivência nacional, silenciada ou reprimida que seja pelos ideais convencionais hoje dominantes, embora já não tão seguros de si e dos seus dogmas. [...] Em poucos líricos como em Couto Viana, é tão punjente a dor por algo que se perdeu, menos do nosso passado, do que do nosso futuro."

António Quadros,
"António Manuel Couto Viana Entre o desespero e a esperança apesar de tudo"
in A Ideia de Portugal na Literatura Portuguesa dos últimos 100 anos, pp. 225-228

[António Manuel Couto Viana nasceu em Viana do Castelo em 1923 e morreu em Lisboa em 2010. Fez parte da redacção da revista Tempo Presente e dirigiu a revista Graal. Para além de poeta, foi também ensaísta, contista, dramaturgo e encenador. Autor de uma obra extensa e diversificada, Couto Viana publicou, entre outras obras, O Coração e a Espada (1951), Marcha Solar (1959), A Rosa Sibilina (1960), Pátria Exausta (1971), Raiz da Lágrima (1973) Nado Nada (1977) Ponto de Não Regresso (1982), etc.]

Palavras de António Telmo

via António Quadros by aquadrosferro@gmail.com (António Quadros Ferro) on 6/29/10
"António Quadros era um espírito superior. No horóscopo que dele fez Vasco da Gama Rodrigues, o signo de Câncer na segunda casa está povoado de estrelas todas juntas olhando o recém-nascido. A Lua no seu domicílio domina o céu. António Quadros não gostou do horóscopo, viu com incómodo que ele o caracterizava como um espírito lunar. E não se libertou desse desgosto mesmo quando outros astrólogos lhe lembraram que a Lua é o espelho do Sol e lhe mostraram que a conjugação de tantos astros no mesmo lugar do horóscopo era o sinal de um destino superior. Morreu exactamente na hora em que teve início a Primavera de 1993, ali onde a roda do tempo recebe o impulso que o liberta do nocturno Inverno. [...]"
António Telmo
Sabatina de Estudos da Obra de António Quadros (Colóquio)
Fundação Lusíada, 1995

Mulheres degeneradas?

Mulheres degeneradas?

via HISTÓRIA VIVA by Eduardo Marculino on 6/26/10
Mestre em compor personagens femininas, José de Alencar escandalizou os moralistas da época com suas heroínas sensuais e independentes
Valdeci Rezende Borges

O romancista e dramaturgo José de Alencar (1829-1877), que até hoje desfruta de boa popularidade, foi visto como imoral em sua época e em parte do século XX, irritando conservadores e moralistas pelas cenas, inclusive de erotismo, que produziu, especialmente em perfis de mulheres, como Lucíola, Diva e Senhora.

Logo em seu romance de estréia, Cinco Minutos (1856), e em A Viuvinha, de 1860, ele trata dos costumes urbanos e já esboça os traços femininos predominantes de sua obra com um propósito educativo. Para alguns críticos, esses livros possuem um lirismo suave. Mas para outros, como frei Pedro Sinzig (1876-1952), em seu "guia para as consciências", Através dos romances (1915), manual de leitura de ficção, o primeiro é "bastante exaltado", com "descrições de paixões um tanto vivas e voluptuosas", e o segundo tem "algumas descrições muito ousadas". Portanto, desaconselhava tais leituras.



Soldados esquecidos

Soldados esquecidos

via HISTÓRIA VIVA by Eduardo Marculino on 6/26/10
Recrutados pelo exército, indígenas ajudaram o Brasil a ganhar a Guerra do Paraguai, mas nunca foram justamente recompensados pela bravura que exibiram nos campos de batalha
Rosely Batista Miranda de Almeida

Não foram só as forças armadas do Império que deram ao Brasil a vitória no maior conflito bélico jamais ocorrido na América do Sul. Pesquisas já mostraram que gente do povo, mulheres, escravos e ex-escravos também tiveram atuação marcante na Guerra do Paraguai (1864-1870). De todas essas minorias combatentes, a participação dos índios era menos conhecida. Hoje se sabe que eles atuaram no conflito como verdadeiros soldados, e foram considerados "bravos auxiliares" por oficiais do nosso exército. Existem muitos relatos sobre gestos heróicos de soldados indígenas que fazem jus aos elogios, como, por exemplo, o de grupos avançando de peito nu, numa demonstração de extrema coragem, para desalojar soldados paraguaios escondidos nas matas que eles tão bem conheciam. Ou de pelotões indígenas realizando com êxito a missão de observar os movimentos do inimigo ou de trazerem de volta aos seus destacamentos soldados desertores e escravos fugidos.



Vida e Morte no Cristianismo Primitivo (parte1)

Vida e Morte no Cristianismo Primitivo (parte1)

via HISTÓRIA VIVA by Eduardo Marculino on 6/26/10
Vida e Morte no Cristianismo Primitivo
Marcos Caldas
Professor de História Antiga da Universidade Federal Fluminense
INTRODUÇÃO:
A denominação 'cristianismo primitivo' compreende o período que vai da morte de Jesus em 33[1] A.D[2] até a chamada "conversão de Constantino" (306-337)[3], ocorrida ao que parece no ano de 337 d.C. Este período pode ser dividido em três fases: a) a primeira fase está situada entre época da vida de Jesus até o ano 100, data em que a maioria dos contemporâneos de Jesus já havia falecido; b) a segunda fase vai do ano 100 ao ano de 250, no momento em que o Cristianismo se propagava fora da Palestina, principalmente nas províncias romanas mais antigas (Síria, Ásia Menor, Egito e, é claro, pela Itália, especialmente em Roma), sem, no entanto, constituir uma religião universal; e c) o terceiro momento abrange a época em que o Cristianismo foi mais intensamente perseguido pelo Estado romano (entre 250 e 311) até sua aceitação como religião do Estado imperial romano a partir de 391[4]. Ler mais

Vida e Morte no Cristianismo Primitivo (parte 2)

Vida e Morte no Cristianismo Primitivo (parte 2)

via HISTÓRIA VIVA by Eduardo Marculino on 6/26/10
Vida e Morte no Cristianismo Primitivo
Marcos Caldas*

À medida que se fechava o cerco em relação à religião cristã, o rigorismo moral (ortopraxia) e a preocupação social aumentaram. Em termos práticos, isto significava que a leitura semanal dos profetas e da Lei[33] fazia-se tendo em vista o cotidiano mais imediato. Idéias contidas na Bíblia
acerca, por exemplo, do desrespeito por viúvas e órfãos - como em Timóteo[34] - aparecem com toda força e não se restringem apenas às camadas sociais mais desprivilegiadas, mas também a alguns setores da elite imperial. Alguns aspectos sociais de época são também ressaltados nos textos do NT, como é o caso da Escravidão. Os escravos lhes são naturais e não há qualquer tentativa de impedir a escravidão[35], pois a vida econômica dependia, ao menos no ocidente, de sua permanência[36]. No plano político, a mensagem do evangelho alcançava vagarosamente os estratos sociais mais elevados, tornando-se aos poucos uma real ameaça à política imperial[37]. Entre as personalidades de grande prestígio que abraçam a mensagem cristã nessa época podemos citar a figura singular Quintus Septimus Florens Tertullianus (160-220 d.C.). Nascido em Cartago, cidade do norte da África, Tertuliano filho de oficial romano, impressionado e entusiasmado com movimento cristão, passa a defender vigorosamente o novo credo em face à opressão religiosa estatal. Em suas obras, a ressurreição dos mortos abre caminho ao desenvolvimento das visões do além-mundo.
Nelas, o reino dos mortos ganha uma sistematização ainda não vista, de modo a assegurar aos post mortes a justa recompensa ou a severa punição. Ler mais

segunda-feira, 28 de junho de 2010

António Manuel Couto Viana – Breve evocação de António José de Brito

via nonas by nonas on 6/27/10
António Manuel Couto Viana – Breve evocação

A 8 de Junho do presente mês, a nossa socrática e admirável televisão noticiou secamente "faleceu o poeta António Manuel Couto Viana". Há mais de dez dias que não conseguia comunicar com ele, sabendo-o internado no eficiente (em especial, em oftalmologia) Hospital de Santa Maria. Claro que a esperança é sempre a última coisa a desaparecer, mas temia imenso um desenlace fatal. Que infelizmente se verificou. O meu coração e a minha mente tombaram numa imensa tristeza. A memória recuou dezenas de anos, recordando os tempos alegres em que o conheci. Chamado a prestar serviço militar em Mafra, no começo de Agosto, todos os fins de semana corria até Lisboa, que ia aprendendo a conhecer e a amar. Ler mais