quinta-feira, 8 de julho de 2010

Sobre a proposta de adesão da Guiné Equatorial à CPLP

Sobre a proposta de adesão da Guiné Equatorial à CPLP

via Lusofonia Horizontal by Daniel on 7/7/10

Uma questão a ser levantada: como é que os defensores de tal adesão a justificam? A seguir, importante artigo de opinião, na íntegra (aos interessados, conferir as observações de Gerhard Seibert disponíveis na internet).

O perigoso silêncio de Brasil e Portugal

MARINA COSTA LOBO (professora de Ciência Política na Univeridade de Lisboa)

Publicado no diário O Globo (Rio de Janeiro), domingo, 04/07/2010
Opinião, p. 07

Na próxima cúpula da Comunidade de Países de Língua Por tuguesa (CPLP) que ocorrerá no dia 23 de julho em Luanda, será discutida a entrada da Guiné Equatorial nesta organização internacional. A Guiné Equatorial é uma das ditaduras mais ferozes do mundo. Tem como líder Teodoro Obiang Nguema, que, nas últimas eleições de setembro de 2009, ganhou com 95,8% dos votos válidos.Não, isso não significa que este presidente é muito popular. Quer dizer apenas que a fraude eleitoral é maciça.Na Guiné Equatorial, nunca houve uma eleição livre, sendo Obiang o ditador que há mais tempo se mantém no poder na África. Dos 100 membros do Parlamento, 99 pertencem ao partido de um presidente que controla todos os recursos do país. Ler mais

O mito de Vasco da Gama na visão de um indiano

O mito de Vasco da Gama na visão de um indiano

via Lusofonia Horizontal by Daniel on 7/7/10

O historiador Sanjay Subrahmanyam, natural de Nova Delhi, foi professor em Filadelfia, Minneapolis, Lisboa, Delhi e Paris. É filho de K. Subrahmanyam, conhecido analista de assuntos estratégicos internacionais (filiado à escola neorealista indiana). Em 1993, Sanjay publicou um exaustivo estudo sobre a presença portuguesa na Índia. Em 1997, lançou uma polêmica biografia de Vasco da Gama, sob o título The Career and Legend of Vasco da Gama (Cambridge University Press).


A seguir, algumas opiniões de Sanjay Subrahmanyam sobre os mitos em torno do ilustre (e belicoso) biografado:

"No século 19 temos a reinvenção do Gama, mais uma vez com base em Os Lusíadas, mas também para mostrar aos outros europeus que o pequeno Portugal tem uma grande envergadura, tem os seus herois iguais a quaisquer da Inglaterra ou da França. Não são Isaac Newton ou Jean-Jacques Rousseau, não são herois do pensamento, mas verdadeiros herois de ação. É curioso ver que no século 16 era muito mais possível criticar Vasco da Gama que no século 19. Ler mais

Homenagem a Paulo Teixeira Jorge


via Lusofonia Horizontal by Daniel on 7/7/10

Um belo texto de Óscar Monteiro, em homenagem ao grande nacionalista angolano Paulo Teixeira Jorge, reserva moral da velha guarda do MPLA, falecido no último sábado:

Paulo Jorge do MPLA: De mensageiro a meu herói
ERA Maio em Paris de 1963. A viagem de fim de curso dos quintanistas de Direito da Universidade de Coimbra oferecia-me uma oportunidade inesperada de fazer algum contacto com os meus colegas que entretanto se haviam juntado aos movimentos de libertação, alguns cabo-verdianos, na maior parte angolanos. Eu vivia em Coimbra numa república de estudantes anticoloniais, de onde regularmente se fugia ou se era preso. Ler mais


sábado, 3 de julho de 2010

Couto Viana, o voto de pesar e a troca de correspondência entre José Campos ...

Couto Viana, o voto de pesar e a troca de correspondência entre José Campos e Sousa e Pedro Mexia

via nonas by nonas on 7/2/10
Recebi do meu bom amigo José Campos e Sousa e de Pedro Mexia - com a devida autorização de ambos - esta troca de correspondência sobre o tema da negação do voto de pesar a António Manuel Couto Viana.
"Meu Caro Pedro Mexia
Assisti, fora de horas, como algumas vezes faço, ao "Eixo do Mal" . Vi com surpresa que estava presente, em missão de substituição.
Falou-se do inevitável Saramago e da forçosa falta que ele faz aos Portugueses. Quero desde já dizer-lhe que pertenço à imensamente ignorante parte de Portugal a quem ele de pouco serve e a quem também não faz falta nenhuma. Ler mais

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Caminhos do Divino, um livro excepcional Eduardo Mayone Dias (2/2)

via Comunidades - RTP by Lélia Pereira Nunes on 6/27/10
Tanto nas ilhas como em Santa Catarina se encontram "impérios", estes assim descritos no livro: "Os antigos impérios eram construções quadrangulares, de uma só peça e de pequena dimensão, tendo por abertura uma porta fronteiriça e duas janelas laterais e um frontal triangular encimado por um dos símbolos do Espírito Santo - a pomba ou a coroa - e o registro da data da sua elevação." Uma comparação entre estes dois rituais dificulta-se sem embargo pelo facto de no primeiro caso diferirem de ilha para ilha e até de freguesia para freguesia, no segundo de município para município e em ambos de época para época. Algumas facetas gerais são no entanto factíveis de se determinar na base do exposto em Caminhos do Divino e de fontes insulares. Em Santa Catarina após a coroação realiza-se um bodo em frente do "império" e a arrematação de oferendas que podem ir de massa sovada ou do terceirense alfenim até gado. Ler mais

terça-feira, 29 de junho de 2010

António Quadros sobre António Manuel Couto Viana (1923-2010)

António Quadros sobre António Manuel Couto Viana (1923-2010)

via António Quadros by aquadrosferro@gmail.com (António Quadros Ferro) on 6/29/10
"[...] Sem ambiguidades, Couto Viana vê o 25 de Abril e o período subsequente como a época da catástrofe, que precipitou o país para a decadência e para a proximidade da morte. Sem ambiguidades, afirma-se nacionalista, sebastianista e monárquico. Mas é chegado o momento, cremos, de os adversários e os oponentes se ouvirem uns aos outros. Uma voz como a de António Manuel Couto Viana tem de contar para a força das coisas porque exprime, mais do que a sua própria emotividade pessoal, os ecos de uma profunda vivência nacional, silenciada ou reprimida que seja pelos ideais convencionais hoje dominantes, embora já não tão seguros de si e dos seus dogmas. [...] Em poucos líricos como em Couto Viana, é tão punjente a dor por algo que se perdeu, menos do nosso passado, do que do nosso futuro."

António Quadros,
"António Manuel Couto Viana Entre o desespero e a esperança apesar de tudo"
in A Ideia de Portugal na Literatura Portuguesa dos últimos 100 anos, pp. 225-228

[António Manuel Couto Viana nasceu em Viana do Castelo em 1923 e morreu em Lisboa em 2010. Fez parte da redacção da revista Tempo Presente e dirigiu a revista Graal. Para além de poeta, foi também ensaísta, contista, dramaturgo e encenador. Autor de uma obra extensa e diversificada, Couto Viana publicou, entre outras obras, O Coração e a Espada (1951), Marcha Solar (1959), A Rosa Sibilina (1960), Pátria Exausta (1971), Raiz da Lágrima (1973) Nado Nada (1977) Ponto de Não Regresso (1982), etc.]

Palavras de António Telmo

via António Quadros by aquadrosferro@gmail.com (António Quadros Ferro) on 6/29/10
"António Quadros era um espírito superior. No horóscopo que dele fez Vasco da Gama Rodrigues, o signo de Câncer na segunda casa está povoado de estrelas todas juntas olhando o recém-nascido. A Lua no seu domicílio domina o céu. António Quadros não gostou do horóscopo, viu com incómodo que ele o caracterizava como um espírito lunar. E não se libertou desse desgosto mesmo quando outros astrólogos lhe lembraram que a Lua é o espelho do Sol e lhe mostraram que a conjugação de tantos astros no mesmo lugar do horóscopo era o sinal de um destino superior. Morreu exactamente na hora em que teve início a Primavera de 1993, ali onde a roda do tempo recebe o impulso que o liberta do nocturno Inverno. [...]"
António Telmo
Sabatina de Estudos da Obra de António Quadros (Colóquio)
Fundação Lusíada, 1995

Mulheres degeneradas?

Mulheres degeneradas?

via HISTÓRIA VIVA by Eduardo Marculino on 6/26/10
Mestre em compor personagens femininas, José de Alencar escandalizou os moralistas da época com suas heroínas sensuais e independentes
Valdeci Rezende Borges

O romancista e dramaturgo José de Alencar (1829-1877), que até hoje desfruta de boa popularidade, foi visto como imoral em sua época e em parte do século XX, irritando conservadores e moralistas pelas cenas, inclusive de erotismo, que produziu, especialmente em perfis de mulheres, como Lucíola, Diva e Senhora.

Logo em seu romance de estréia, Cinco Minutos (1856), e em A Viuvinha, de 1860, ele trata dos costumes urbanos e já esboça os traços femininos predominantes de sua obra com um propósito educativo. Para alguns críticos, esses livros possuem um lirismo suave. Mas para outros, como frei Pedro Sinzig (1876-1952), em seu "guia para as consciências", Através dos romances (1915), manual de leitura de ficção, o primeiro é "bastante exaltado", com "descrições de paixões um tanto vivas e voluptuosas", e o segundo tem "algumas descrições muito ousadas". Portanto, desaconselhava tais leituras.