segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Actual, actualíssimo... e do século XIX


"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio,
fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora,
aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias,
sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice,
pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas;
um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem
para onde vai;
um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom,
e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que
um lampejo misterioso da alma nacional,
reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.


Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula,
não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha,
sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima,
descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas,
capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação,
da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença
geral,
escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.


Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo;
este criado de quarto do moderador; e este, finalmente,
tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política,
torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.

Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções,
incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos,
iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero,
e não se malgando e fundindo, apesar disso,
pela razão que alguém deu no parlamento,
de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."

Guerra Junqueiro, 1896.

MOGANGO DE COENTRADA (para 4 adultos ou a servir como entrada)

1 kg de mogango (a vulgaríssima abóbora cor de laranja que se vende em Lisboa)
3 cebolas
1 molho de coentros
4 dentes de alho
2 a 3 colheres de sopa de farinha de trigo sem fermento
1 dl de bom azeite
1 golada de vinagre
sal, para quem o utilizar.

Corte o mogango às fatias grossas e dê-lhe uma fervura muito leve. Faça uma cebolada abundante, em azeite, aromatizada de alho e coentro. Coloque parte desta cebolada no fundo da assadeira e, sobre ela, as fatias do mogango.

Regue o conjunto com um batido de água, vinagre, farinha e coentro picado, polvilhe a seu gosto, com pimenta, cubra com o resto da cebolada e leve ao forno.

Polvilhe com mais coentro, na hora de servir.

Acompanha fritadas de peixe, pataniscas ou pastéis de bacalhau.

VARIANTE
Substitua o mogango por cenouras cortadas às rodelas grossas.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

VULCANISTAS E PLUTONISTAS (Continuação)

VULCANISTAS E PLUTONISTAS (Continuação)

via Sopas de Pedra by A. M. Galopim de Carvalho on 10/24/10

UM PIONEIRO DA ESCOLA vulcanista foi o francês Nicholas Desmarest (1725­-1815), a quem se deve trabalho inovador no referido Maciço Central. Coube a este geólogo o mérito de negar a combustão de carvões e betumes, no interior da crosta, como fonte de calor necessária às erupções vulcânicas, defendida pelos neptunistas, preferindo admitir que o basalto poderia resultar da fusão do granito, sem, contudo, explicar qual a fonte de calor para tal. Ao reconhecer no basalto uma lava antiga e ao afirmar que a erosão era, sobretudo, um trabalho dos rios ao nível das terras emersas e não uma acção do mar, como preconizavam os wernerianos, Desmarest dava um outro duro golpe na teoria neptunista. Leopold von Buch (1774-1853), discípulo de Werner que, com o seu mestre, foi um dos geólogos neptunistas mais ilustres do seu tempo, acabou também por se converter à origem vulcânica do basalto ao visitar os vulcões de Itália e ao observar, na Noruega e na Irlanda, um certo tipo de filões cortando e metamorfizando calcários fossilíferos. Ler mais

terça-feira, 19 de outubro de 2010

NEPTUNISTAS E VULCANISTAS

NEPTUNISTAS E VULCANISTAS

via Sopas de Pedra by A. M. Galopim de Carvalho on 10/17/10
O PRIMEIRO CONTACTO do Homem com o magmatismo e com as rochas magmáticas fez-se através do vulcanismo activo, processo geológico que as populações da margem norte do Mediterrâneo puderam presenciar desde sempre. Santorini, ilha grega das Cíclades, no mar Egeu, Vulcano e Estromboli, nas ilhas Lipari, Etna, na Sicília e o Vesúvio, na Itália, foram, além de uma curiosidade, uma enorme preocupação para todos os que viveram ao lado deste vulcões. Ler mais

PURÉ DE MAÇÃ REINETA

PURÉ DE MAÇÃ REINETA

via Sopas de Pedra by A. M. Galopim de Carvalho on 10/16/10
É uma confecção tão simples que, certamente, já outros a fizeram. Como nunca a vi feita ou escrita por outrem, aqui fica a receita sem pretensões de autoria.
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Como acompanhamento de carne assada:

Descasque apenas uma maçã, corte-a às fatias finas e coloque-as dentro de uma tigela que possa ir ao microondas.

Deixe cozer 3 a 4 minutos, retire e mexa bem com uma colher até ficar em puré e verta, depois, para um recipiente maior, de servir à mesa.
Repita a operação com uma segunda maçã e verta o respectivo puré no dito recipiente.
Faça outro tanto (sempre uma de cada vez) com as maçãs necessárias ao número e ao apetite dos seus convivas.

Tratar uma maçã de cada vez permite que o puré fique muito claro, levemente amarelado, com muito bom aspecto. O tempo necessário para descascar e fatiar meia dúzia de maçãs, de seguida, faz com que estas se oxidem e, assim, o puré fica escuro e com menor apresentação.

Como sobremesa:

Proceda de igual modo, tigela a tigela, polvilhando, de cada vez, com açúcar (sempre pouco e entre fatias) e aromatizando com um fio de vinho do Porto.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

POSTAL DE WAGENINGEN. ENTRE A HISTÓRIA E O AFECTO

POSTAL DE WAGENINGEN. ENTRE A HISTÓRIA E O AFECTO

via Justino Pinto de Andrade by Justino on 9/29/10

1. Envio-vos este "postal" a partir de um dos países mais antigos e mais simbólicos da Europa – um país de que se conhecem vestígios humanos há, pelo menos, 100.000 anos. Estou por alguns dias nos Países Baixos, incorrectamente chamados Holanda, pois as "Holandas" são apenas duas das suas doze Províncias, a Holanda do Norte e a do Sul. Ler mais

Foi a revolução francesa uma vingança dos Templários?

Foi a revolução francesa uma vingança dos Templários?

via Legião Vertical by LEGIÃO VERTICAL on 10/13/10

Um historiador francês observou que apesar de hoje se reconhecer que as doenças do organismo humano não nascem sozinhas, mas que se devem a agentes invisíveis, a micróbios e bactérias, no que se refere às doenças desses maiores organismos que são as sociedades e os Estados, doenças correspondentes às grandes crises históricas e às revoluções, pensa-se que aqui, pelo contrário, as coisas sucedem de outra forma, quer dizer que se trataria de fenómenos espontâneos ou devidos a simples circunstâncias exteriores, apesar de nas mesmas poderem ter actuado com grande vigor um conjunto de forças invisíveis similares aos micróbios nas doenças humanas. Ler mais

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Descolonização Portuguesa » Nova Tese

Descolonização Portuguesa » Nova Tese

via FÓRUM IGNARA#GUERRA COLONIAL by susana on 9/17/10
Investigador defende que norte-americanos pretendiam travar a expansão soviética

O investigador José Filipe Pinto defendeu esta quarta-feira que a descolonização portuguesa, tardia, teve a conivência dos Estados Unidos, que pretendiam travar a expansão soviética, argumentando que Portugal nunca esteve «orgulhosamente só», escreve a Lusa.
Esta é a tese defendida pelo professor da Universidade Lusófona no seu livro «O Ultramar Secreto e Confidencial» apresentado, esta quarta-feira, em Lisboa. Ler mais