domingo, 7 de novembro de 2010

sobre a liberdade


"[…] Ora só pode entender-se que uma sociedade é verdadeiramente livre ou em potência de liberdade quando os cidadãos atingirem um grau mínimo de autonomia individual, isto é, quando souberem conjugar o seu emprenho pessoal nos interesses superiores da polis com a capacidade de optarem por si próprios, compreendendo a todo o momento o que de fundamental está em jogo e estando aptos a resistir à pressão intelectual que sobres eles é exercida pelo poder ou pelos poderes, através das mil formas de sedução, de propaganda, de manipulação e de «formação», que visam usá-los, por vezes mais do que servi-los.
A liberdade de pensamento é pois a primeira das liberdades e precede-as. Mas a liberdade de pensamento não é um dado natural, é uma difícil conquista, é, digamos, uma iniciação, que parte da descoberta da nossa própria subjectividade e que se desenvolve, escreve Álvaro Ribeiro noutro livro, no trânsito do intelecto passivo para o intelecto activo ou da menoridade intelectual para a maioridade mental. A liberdade do pensamento implica uma iniciação, uma descoberta e também um movimento ineterrupto e de algum modo ascético para o saber."

António Quadros
Memórias das Origens - Saudades do Futuro
 Publicações Europa-América, 1992, pág. 302
*via cadernos de filosofia extravagante

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

O ESTUDO DAS ROCHAS

1 - DA OBSERVAÇÃO À VISTA DESARMADA, AO USO DO MICROSCÓPIO POLARIZANTE

DESDE o mais primitivo dos nossos antepassados que as rochas estão presentes na vida e, consequentemente, nas preocupações da humanidade. Basta pensar no sílex e na chamada pedra lascada, na argila usada em cerâmica, no cobre, no estanho, no ferro. O seu estudo motivou os alquimistas da Idade Média, mas só começou a ser abordado em termos científicos a partir do século XVIII e a começar pelas rochas magmáticas ou ígneas. Ler mais

NÃO FUI EU QUE O DISSE...


"Estes politiqueiros, com as suas famílias e os seus agentes, têm necessidade de dinheiro: dinheiro para as diversões, para manter a clientela política, para os votos e para comprar consciências humanas. A seguir as suas hordas correrão e despojarão o País. É isto o significado, em última análise, do seu governo e da sua obra. Esgotarão o orçamento do Estado e dos Municípios; agarrar-se-ão como carrapatos aos conselhos de administração de todas as empresas, das quais receberão percentagens de dezenas de milhões sem fazerem trabalho algum, subtraindo-o do suor e do sangue dos trabalhadores esgotados.
Estarão enquadrados nos conselhos dos banqueiros ELEITOS, dos quais receberão mais milhões e dezenas de milhões como preço da estirpe que venderam.
criarão negócios escandalosos que assombrarão o mundo; a corrupção estender-se-á à vida pública do País como uma praga, desde o mais ínfimo criado até aos ministros. Vender-se-ão a qualquer um..."

...mas sim Corneliu Zelea Codreanu, na sua obra "Guarda de Ferro" a páginas 263 e 264... e atenção ele falava da Roménia de 1927, ao contrário do que alguns excluídos sociais possam pensar, isto nunca se passou, não se passa, nem se irá passar em Portugal!

Actual, actualíssimo... e do século XIX


"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio,
fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora,
aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias,
sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice,
pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas;
um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem
para onde vai;
um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom,
e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que
um lampejo misterioso da alma nacional,
reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.


Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula,
não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha,
sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima,
descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas,
capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação,
da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença
geral,
escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.


Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo;
este criado de quarto do moderador; e este, finalmente,
tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política,
torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.

Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções,
incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos,
iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero,
e não se malgando e fundindo, apesar disso,
pela razão que alguém deu no parlamento,
de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."

Guerra Junqueiro, 1896.

MOGANGO DE COENTRADA (para 4 adultos ou a servir como entrada)

1 kg de mogango (a vulgaríssima abóbora cor de laranja que se vende em Lisboa)
3 cebolas
1 molho de coentros
4 dentes de alho
2 a 3 colheres de sopa de farinha de trigo sem fermento
1 dl de bom azeite
1 golada de vinagre
sal, para quem o utilizar.

Corte o mogango às fatias grossas e dê-lhe uma fervura muito leve. Faça uma cebolada abundante, em azeite, aromatizada de alho e coentro. Coloque parte desta cebolada no fundo da assadeira e, sobre ela, as fatias do mogango.

Regue o conjunto com um batido de água, vinagre, farinha e coentro picado, polvilhe a seu gosto, com pimenta, cubra com o resto da cebolada e leve ao forno.

Polvilhe com mais coentro, na hora de servir.

Acompanha fritadas de peixe, pataniscas ou pastéis de bacalhau.

VARIANTE
Substitua o mogango por cenouras cortadas às rodelas grossas.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

VULCANISTAS E PLUTONISTAS (Continuação)

VULCANISTAS E PLUTONISTAS (Continuação)

via Sopas de Pedra by A. M. Galopim de Carvalho on 10/24/10

UM PIONEIRO DA ESCOLA vulcanista foi o francês Nicholas Desmarest (1725­-1815), a quem se deve trabalho inovador no referido Maciço Central. Coube a este geólogo o mérito de negar a combustão de carvões e betumes, no interior da crosta, como fonte de calor necessária às erupções vulcânicas, defendida pelos neptunistas, preferindo admitir que o basalto poderia resultar da fusão do granito, sem, contudo, explicar qual a fonte de calor para tal. Ao reconhecer no basalto uma lava antiga e ao afirmar que a erosão era, sobretudo, um trabalho dos rios ao nível das terras emersas e não uma acção do mar, como preconizavam os wernerianos, Desmarest dava um outro duro golpe na teoria neptunista. Leopold von Buch (1774-1853), discípulo de Werner que, com o seu mestre, foi um dos geólogos neptunistas mais ilustres do seu tempo, acabou também por se converter à origem vulcânica do basalto ao visitar os vulcões de Itália e ao observar, na Noruega e na Irlanda, um certo tipo de filões cortando e metamorfizando calcários fossilíferos. Ler mais

terça-feira, 19 de outubro de 2010

NEPTUNISTAS E VULCANISTAS

NEPTUNISTAS E VULCANISTAS

via Sopas de Pedra by A. M. Galopim de Carvalho on 10/17/10
O PRIMEIRO CONTACTO do Homem com o magmatismo e com as rochas magmáticas fez-se através do vulcanismo activo, processo geológico que as populações da margem norte do Mediterrâneo puderam presenciar desde sempre. Santorini, ilha grega das Cíclades, no mar Egeu, Vulcano e Estromboli, nas ilhas Lipari, Etna, na Sicília e o Vesúvio, na Itália, foram, além de uma curiosidade, uma enorme preocupação para todos os que viveram ao lado deste vulcões. Ler mais

PURÉ DE MAÇÃ REINETA

PURÉ DE MAÇÃ REINETA

via Sopas de Pedra by A. M. Galopim de Carvalho on 10/16/10
É uma confecção tão simples que, certamente, já outros a fizeram. Como nunca a vi feita ou escrita por outrem, aqui fica a receita sem pretensões de autoria.
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Como acompanhamento de carne assada:

Descasque apenas uma maçã, corte-a às fatias finas e coloque-as dentro de uma tigela que possa ir ao microondas.

Deixe cozer 3 a 4 minutos, retire e mexa bem com uma colher até ficar em puré e verta, depois, para um recipiente maior, de servir à mesa.
Repita a operação com uma segunda maçã e verta o respectivo puré no dito recipiente.
Faça outro tanto (sempre uma de cada vez) com as maçãs necessárias ao número e ao apetite dos seus convivas.

Tratar uma maçã de cada vez permite que o puré fique muito claro, levemente amarelado, com muito bom aspecto. O tempo necessário para descascar e fatiar meia dúzia de maçãs, de seguida, faz com que estas se oxidem e, assim, o puré fica escuro e com menor apresentação.

Como sobremesa:

Proceda de igual modo, tigela a tigela, polvilhando, de cada vez, com açúcar (sempre pouco e entre fatias) e aromatizando com um fio de vinho do Porto.